Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

sheraton cascais, o brunch com o ambiente mais espectacular para um dia de sol

Sheraton_Cascais_Brunch_7.jpg

Um brunch servido num jardim, em cima de um relvado, à sombra de uns pinheiros, e com um carrinho de pipocas a saltitarem ao lado já me faria subir aos Himalaias duas vezes seguidas sem respirar. Agora se juntar a tudo isto um carrinho de gelados da Artisani, então, meus amigos, estou disponível para atravessar o Triângulo das Bermudas a nado só para poder lá estar. O mais incrível é que não precisei de nenhum sacrifício físico para conseguir ter tudo isto no recentemente remodelado Hotel Sheraton, em Cascais. Mas antes de falarmos das pipocas, dos gelados, dos croissants, dos bolos, dos ovos mexidos, das panquecas, das gomas, das saladinhas de tomate cherry e mozzarella e do gigantesco buffet, temos mesmo de falar do jardim.

 

6 brunches especiais para passar um domingo de páscoa diferente em família

10408573_10152937142692408_7528527649499952768_n.j

Como é que vai ser o seu Domingo de Páscoa? Vai receber a família inteira e ainda não comprou o cabrito nem os ovos de chocolate? Está desesperado porque ainda não teve tempo para pensar no que vai servir ao almoço? Porque não variar este ano? É exactamente para isso que aqui estamos: para variar e mostrar-lhe seis irresistíveis sugestões para passar um domingo de Páscoa diferente – à mesa do brunch. São os brunches especiais de Páscoa em Lisboa e no Porto. Com buffet, claro, porque neste domingo não há cá dietas.

 

 

novidade! novidade! brunch no hotel ritz em promoção até ao fim deste mês

Estreia este domingo o novo brunch do restaurante Varanda, no Hotel Ritz, em Lisboa. E está em promoção. É claro que a palavra promoção no Ritz não tem o mesmo significado que "promoção" na Loja do Chinês. Mas já não é mau. E, tendo em conta o que o brunch tem, não é mesmo nada mau.

Primeiro, os preços. Crianças até aos 7 anos não pagam. Crianças entre os 8 e os 14 pagam 15 euros. E crianças com mais de 14 anos, como nós, pagam 39 euros (bebidas à parte). No caso da Família Mistério, em que as crianças comem mais do que nós, o Ritz fica claramente a perder. Além disto, durante o primeiro mês, os adultos recebem um voucher de 50% de desconto no spa do hotel.

 

 

o buffet de frios do la trattoria (e o óptimo vitello tonnato)

Antes de entrar aqui para almoçar, tem de tomar uma decisão importante na sua vida: quer comer pratos quentes ou quer comer pratos frios? Como facilmente se pode perceber, este é um tema fundamental para o futuro da humanidade e para o futuro do seu dia gastronómico. Se a resposta for pratos quentes, acelere o passo, assobie para o ar e siga em frente. Se a resposta for pratos frios, pode entrar à confiança. Aqui encontra um dos mais equilibrados buffets de comida fria nessa implacável corda bamba que é a relação qualidade-preço.

A ementa

Ao jantar, o serviço à carta é demasiado caro para o que o La Trattoria tem para oferecer. Mas, ao almoço, de segunda a sexta-feira, o buffet custa 13 euros por pessoa e tem óptimas escolhas na parte de frios. Também tem comida quente – massas, pizzas e uns pratos com um aspecto duvidoso –, mas fiquei enfeitiçado com os frios. Primeiro as saladas: salada caprese com tomate muito encarnado e mozzarela muito fresca; salada de rúcula e parmesão com folhas pequeninas e queijo saboroso; e salada de requeijão e tomate com um requeijão branco e molhado.

Isto já seria suficiente para mim que, na Primavera, ao almoço, me transformo num furioso ruminante de vegetais. Mas felizmente não foi. E digo felizmente porque foi essa gula insaciável que me levou a provar as saborosas bruschettas, os bons cogumelos salteados, os óptimos mini salgadinhos e o maravilhoso vitello tonnato.

E é aqui que o meu coração começa a acelerar até à pré-arritmia cadíaca. Também há carpaccio de vitela e não é nada de se deitar fora. Mas o vitello tonnato é outro campeonato. Trata-se de uma carne da pata traseira da vitela, muito fininha e mal passada, acompanhada com uma maionese de atum e algumas alcaparras. A receita, originária do Piemonte, Itália, deve ser preparada pelo menos de véspera para que o sabor da carne possa apurar decentemente. Se o prato for mal cozinhado, a carne pode ficar seca e sem graça. Se for bem cozinhado, a carne fica suculenta e deliciosa. No La Trattoria, o vitello tonnato é muitíssimo bom e vale claramente a visita ao buffet. Assegure-se, no entanto, de que há vitello tonnato no dia em que for, porque os pratos do buffet costumam variar. 

À quarta-feira, além do buffet normal, tem um buffet especial de leitão da Bairrada por 22 euros. 

O ambiente 

Está a ver a definição da palavra discrição? No dicionário de antónimos, deveria constar La Trattoria. Empresários, socialites, políticos, socialites, actores, socialites, cantores, socialites e até o saudoso João Pedro Campos Henriques, que se insere na categoria João Pedro Campos Henriques. Todos eles frequentam o La Trattoria, o que pode tornar difícil encontrar mesa na secção de não fumadores ou passar um almoço sem ouvir mais beijinhos do que talheres a baterem nos pratos. Mas, faça lá um esforço: por este vitello tonnato vale a pena passar por esse calvário que é rever as calças cor-de-rosa de Campos Henriques a poucos metros de distância.

O serviço 

Esta é a grande vantagem do buffet: o serviço é basicamente feito por si e para si. Ao longo de duas horas de almoço, troquei três frases com a empregada: "Boa tarde", "São duas Coca-colas, por favor" e "Não se importava de trazer a conta". Nestes intensíssimos monólogos não houve oportunidade para falhas no serviço, o que torna ligeiramente difícil qualquer avaliação que não seja dizer que os empregados dão as boas tardes, trazem as bebidas rapidamente e tiram a conta sem erros. Já não é mau. Mas também não podia ser muito melhor.

O bom 

As saladas

O mau 

Termos sido obrigados a ficar na área de fumadores

O óptimo 

O vitello tonnato

O surreal 

O Campos Henriques

Um abraço para as calças cor-de-rosa do Campos Henriques, onde quer que elas estejam,

Ele

d'oliva lisboa

 

O serviço

Uma coisa é ter o Carson, de casaca vestida e mãos atrás das costas, a olhar pacientemente para nós enquanto acabamos o jantar; outra coisa é ter a empregada do D'Oliva, de avental à cintura e prato na mão, a olhar nervosamente para nós enquanto tentamos engolir de uma só vez o carpaccio e procuramos desesperadamente salvar as últimas lascas de parmesão que estão na iminência de ser sugadas para a cozinha. Eu sei que, assim à primeira vista, posso parecer tão rabugento como a velha condessa de Grantham, mas, convenhamos, há um meio-termo entre o exagero cerimonioso de Downton Abbey e a descontracção amigalhaça do D'Oliva.

 

 

Eu não peço muito, dispenso as vénias à entrada e até ser tratado por m'lord, mas gosto de comer descansadamente e, já agora, agradecia que pudessem esperar que eu terminasse antes de retirarem o prato da minha mesa.

Ultrapassando esse pequeníssimo detalhe, o serviço no D'Oliva é de uma simpatia cândida. A relações públicas, que nos recebe à porta de calças de ganga azuis, uma t-shirt branca decotada e um blazer preto fashion, dá ares de Sienna Miller e falta pouco para nos cumprimentar com um beijinho. E o novo sócio (que ficou recentemente com o restaurante de Lisboa, originalmente dos donos do Al Forno, no Porto) fala com os clientes de forma simpática e atenciosa.

 

 

O ambiente

A decoração é engraçada e mistura quadros grandes de figuras da Disney com janelas enormes a dar para um pátio com algumas oliveiras. Resultados – um bom e um mau: entra muita luz para a sala, mas o pátio é tão pequeno que, por trás das oliveiras, vemos uma rampa que mais parece o telhado de uma entrada de garagem. De qualquer forma, se se conseguir abstrair da rampa, tem um enorme open space, com duas salas divididas apenas por uns degraus. Esta disposição dá um ar arejado ao restaurante, mas também dá um som barulhento e desagradável à sala vindo das mesas que reúnem pequenos grupos de neoyuppies, de fato, sem gravata e com muito tempo para almoçar.

Apesar de já não existir o buffet ao almoço, aqui toda a gente se conhece. E, quando, no fim da refeição, os neoyuppies se levantam para se servirem do mini-buffet de sobremesas, a sala transforma-se no foyer de um teatro.

A música ambiente é uma boa selecção de jazz mas, se estivesse um pouco mais baixa, ajudava a tornar o nosso almoço um pouco mais calmo.

 

 

A ementa

Ao jantar, o serviço à carta é exageradamente caro para o que o D'Oliva tem para oferecer: a comida é boa, mas não é espectacular; a decoração é agradável, mas não é surpreendente; o ambiente é cool, mas já não é da moda. Conclusão: o D'Oliva está desesperadamente a tentar ser aquilo que é no Porto e que nunca conseguiu ser em Lisboa.

Ao almoço, o menu executivo (que substituiu o famoso buffet) é mais equilibrado. Por 18 euros por pessoa, tem direito a um buffet de saladas, uma entrada, um prato principal e um buffet de sobremesas. Todas as semanas, as ofertas mudam.

 

 

As entradas

O carpaccio de novilho com rúcula, parmesão, pinhões e alcaparras (o tal que, no meio do stress para terminar, foi engolido sem mastigar) estava óptimo, cortado fininho, bem temperado e com uma fantástica mistura entre a suavidade dos pinhões e o avinagrado das alcaparras.

 

 

Os pratos principais

Aqui pode escolher entre pizzas, pastas, carnes (como um apetecível rosbife de picanha) e peixes. Eu optei por uma deliciosa garoupa em crosta de ervas. Bem cozinhada, suculenta, a separar-se em apetitosas lascas brancas brilhantes, vinha com a pele estaladiça e um suave molho de azeite.

 

 

As sobremesas

Entre fruta variada, doces e bolos, o buffet de sobremesas é um dos melhores momentos do almoço – e sempre uma óptima oportunidade de ouvir conversas interessantes de empresários, gestores, banqueiros e sofisticados wannabes. Dá para se distrair enquanto saboreia a comida, o que, dependendo da companhia, pode ser útil. Eu, que era o único a cometer essa excentricidade de vestir um fato com gravata, senti-me um bocadinho alienígena. Mas comi bem. Um pouco depressa demais – mas bem.

 



O bom - A comida e os doces

O razoável - A decoração

O péssimo - O barulho e a pressa de levantar os pratos

 

Um abraço para os neoyuppies deste mundo, onde quer que eles estejam,

Ele