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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

carpaccio de tomate com burrata e framboesas: uma receita espetacular e light (viva a dieta!)

Ainda na minha obsessão desenfreada de fechar a boca até ao verão (que entretanto já começou, socorro!), descobri uma receita simples e rápida que tem apenas 175 calorias, ideal para a minha fast diet para atingir o meu objetivo: enfiar-me num biquíni sem me transformar num ponto de referência (do género "Estás a ver aquela senhora avantajda ali ao fundo? O nosso chapéu-de-sol está à direita").

E a receita que encontrei e que me fez ganhar o dia é um extraordinário carpaccio de tomate, com burrata e framboesas. Só o aspeto já nos alimenta a alma e é um ótimo jantar: saudável e muito fácil de se fazer. A receita tem a assinatura de Jamie Oliver.

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o restaurante com os petiscos mais surpreendentes do porto (como a flor eléctrica que lhe deixa a boca dormente e provoca uma explosão de sabores)

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Não sei bem porquê, mas depois de ver o Éder aniquilar as esperanças francesas, num gélido Stade de France, no domingo, achei que o Cruel era o melhor restaurante para se jantar esta semana.

Este novo restaurante da baixa do Porto, aberto há menos de um ano, é um sítio fantástico para comemorar com os amigos um feito futebolístico histórico. Não só por causa do magnífico nome (que, ainda por cima, se escreve da mesma forma em português e em francês), nem sequer por ter uma ementa perfeita para dividir uns petiscos deliciosos, nem ainda por ter o mesmo chef do fantástico Cantina 32 (pode conhecer aqui o melhor cheesecake da cidade), mas, acima de tudo, por causa da flor eléctrica.

E é aqui que temos de fazer uma pequena pausa: a flor eléctrica dá pelo nome de Sichuan e merece ser apresentada a todo e qualquer ser humano que goste de comer. Trata-se de uma flor comestível que, ao ser trincada, provoca uma dormência na boca, dando a sensação de quase paralesia. O que acontece é que ao provar os alimentos, depois de mastigar esta flor, os sabores vão explodir na sua boca, alterando radicalmente o paladar. A sensação é única e absolutamente imperdível. Mas, antes de continuarmos nesta senda restaurante-candomblé, convém falar um bocadinho do espaço.

 

a entrada de sonho que vai dar a volta à sua dieta: carpaccio de courgette com crumble de queijo feta e nozes

São pratos como este que me fazem sobreviver casado até ao fim de uma dieta da minha querida Mulher Mistério. Especialmente porque esta última dieta Dela dura há precisamente dez anos, oito meses e 26 dias. Mas, cada vez que eu olho para o calendário e me pergunto o que é que leva uma mulher a deixar de estar de dieta para passar a ser de dieta, aparece sempre uma deliciosa receita light que me anima durante mais uns dias. 

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sabe o que é um carpaccio que se desfaz na boca sem precisar de mastigar? é o que encontra aqui

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Hoje não temos tempo para grandes conversas. O assunto é importante, demasiado importante para floreados estilo Belle Dominique. Comi, ingeri e degluti o melhor carpaccio. Só não o mastiguei. E porquê? Porque a carne se desfaz na boca. A culpa é do novo restaurante do Porto, aberto no final do ano passado, e que dá pelo nome de RIB Beef & Wine. E porquê este nome? Primeiro, porque é um restaurante de carne. Depois, porque tem um fantástico bar de gin. É claro que também tem uma carta de vinhos, mas talvez não fosse mal pensado de todo travestir o nome para RIB Beef & Gin.

 

 

comida maravilhosa, decoração fantástica, ambiente óptimo: de que restaurante é que estamos a falar?

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– Boa noite, o que é que a menina vai comer?

Bastou esta singela e inocente frase para que a minha querida Mulher Mistério elegesse o serviço do Traça, no Porto, como o melhor serviço de restauração do país. Talvez da Europa. Eventualmente, do Mundo. Eu compreendo que, em plena ternura dos 40, Ela se sinta sensibilizada com o tratamento por “Menina”, mas, apesar da simpatia dos empregados, este fantástico restaurante no Largo de São Domingos tem outras coisas melhores do que o serviço.

 

the insólito, o restaurante da moda onde quase tudo correu mal

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Primeiro aviso, durante a marcação:

- Boa tarde, queria fazer uma reserva para oito pessoas, para as 21h.

- Com certeza, mas queria avisá-lo que só damos 15 minutos de tolerância. Ao fim de 15 minutos, entregamos a mesa a outros clientes.

Segundo aviso, ao desligar o telefone:

- Está confirmado, mas queria relembrá-lo de que só damos 15 minutos de tolerância. Ao fim de 15 minutos, entregamos a mesa a outros clientes.

Terceiro aviso, no dia do jantar:

- Estou, boa noite, fala do restaurante Insólito, queria confirmar a sua reserva para hoje à noite. E gostaria de o relembrar de que só damos 15 minutos de tolerância.

Como pode imaginar, depois de todos os avisos, cheguei ao Insólito para um supostamente descontraído jantar de amigos com os índices de stress ao nível dos do Menino Tonecas cada vez que se atrasava a entregar o trabalho de casa.

 

sala de corte, o paraíso para quem gosta de carne

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A minha relação com a dieta é muito clara e cristalina. Desde que o meu médico me disse que a melhor maneira de dormir bem à noite era acabar sempre aquilo que começo, eu já me empenhei em conseguir acabar sozinho dois pacotes de bolachas e um bolo de chocolate com chantilly. Mais recentemente, foi a vez dos entrecôtes. E dos chuletóns. E das batatas fritas. E dos molhos. E das sobremesas maravilhosas da Sala de Corte, o novo restaurante que abriu há poucos meses no Cais do Sodré, em Lisboa.

 

a melhor surpresa do porto: o terraço mesmo de frente para o douro onde se come um sushi divinal

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Há momentos de pânico que nos deixam gelados: cruzar-me na rua com dois rottweilers do Mário Machado; cruzar-me na rua com dois amigos do Mário Machado; cruzar-me na rua com o Mário Machado; ou ligar para um restaurante a confirmar uma reserva e perceber que ela não foi feita.

- Mas como não tem qualquer registo da reserva?!

- De facto, não encontro...

- Mas eu falei com uma senhora que até nem percebeu bem o meu nome... tive de soletrar e tudo...

- Ah, deve ter sido a dona... se calhar esqueceu-se de tomar nota...

Neste momento, o meu coração batia à velocidade da bateria dos Xutos & Pontapés durante um concerto de Verão. Até que...

- Mas não se preocupe. Nós temos mesa disponível na esplanada e eu guardo-lhe uma.

 

 

pizzaria luzzo: a pizza de trufas que afinal sabia a queijo

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Entre uma ementa plastificada e presa no canto por uma argola, ao estilo restaurante chinês da Quarteira, ou um tablet directamente ligado à cozinha para fazer os seus pedidos, não há grandes dúvidas, pois não? É claro que não. Só de pensar nos dedos ensopados em molho de tomate que por ali já deslizaram para escolher a sobremesa, eu não hesitaria dois segundos em optar pela ementa da Quarteira. O problema é que Ela não sou eu e eu não sou Ela. E, como qualquer criança desejosa de experimentar o brinquedo novo, acabámos com o tablet gorduroso no colo.

Inaugurada há um ano, a pizzaria Luzzo apareceu como um restaurante capaz de misturar modernices, como uma ementa num tablet, com tradições, como um forno a lenha. E passados os primeiros meses de euforia, cá estamos nós para experimentar finalmente as novidades.

 

 

uma entrada mais ou menos light digna de uma soirée em downton abbey

Hoje tenho a sogra a almoçar cá em casa e estou decidida a impressioná-la. Vou buscar o meu melhor serviço e fazer-lhe uma entrada digna de ser servida à família Crawley. Como não tenho a Mrs. Patmore para me preparar o almoço, temos de ser nós a ir para a cozinha e dividir tarefas. Eu fiquei com a entrada e Ele (o grande, o glorioso, o magnífico e único chef da Mansão Mistério) com o prato principal. A sogra traz a sobremesa, o que é simpático da parte dela. Como sou um desastre natural dentro de qualquer cozinha, andei à procura de receitas boas e, claro, muito fáceis. E encontrei neste blog, que eu adoro, a receita ideal para abrir as hostilidades com a sogra: tostas de carpaccio com maionese de alho e parmesão. Juro que até eu consigo fazer esta receita e, se não fosse o pão, a maionese de alho e o parmesão, até que era uma entrada light. 

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a entrada saudável do nosso almoço de ontem: carpaccio de courgette marinada com limão

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Basta!

Basta de doces, chocolates e outras loucuras mega-calóricas! É preciso algum bom senso dietético nesta Família Mistério. Ela queixa-se dos meus cozinhados, mas não pára de nos bombardear com receitas de bolos, soufflés e mais sobremesas capazes de nos transformar, em menos de duas colheradas, na nova versão XXL do Gerard Dépardieu. Acabou! Pelo menos ontem. Domingo foi dia saudável nesta nossa modesta Residência Mistério. 

Fui à praça de manhã e comprei oito courgettes. Depois passei pelo Lidl e fiz uma das melhor aquisições do Casal Mistério nos últimos meses: uma máquina capaz de cortar finíssimas fatias de legumes ou frutas com as formas que nós quisermos. Quando cheguei a casa preparei este carpaccio como entrada para o almoço, uma adaptação de uma receita do livro Vegetariano Gourmet, que tinha comprado há uns dias.

 

Ingredientes 

  • 5 courgettes
  • 1 limão
  • Manjericão
  • 1 dente de alho
  • Azeite
  • Flor de sal
  • Pimenta

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Primeiro cortei as courgettes ao meio e depois as duas pontas. A seguir, passei-as pela máquina nova e fiz finíssimas fatias de fazer inveja a qualquer digna folha de papel Navigator. Coloquei-as numa taça grande com um pouco de azeite e pincelei-as um pouco. Pus uma frigideira antiaderente ao lume e passei as fatias de courgette rapidamente dos dois lados: se as tiver cortado mesmo fininhas como eu, não as deixe mais de um minuto. O ideal é deixá-las amolecer só um bocadinho, mas continuar a sentir quando as trinca.

Fui tirando as fatias da frigideira e colocando-as num prato grande. A seguir aproveitei o azeite que ficou na frigideira (se não ficar azeite suficiente, junte mais um pouco), juntei o dente de alho cortado às fatias fininhas e a raspa de um limão. Coloquei a frigideira em lume brando durante 30 segundos enquanto mexi e apaguei (só para tirar o sabor a alho cru). Despejei o molho em cima do carpaccio de courgettes e juntei uma mão cheia de manjericão picado. Temperei com flor de sal, pimenta moída e umas gotas de sumo de limão por cima.

A Família adorou, enquanto Ela passou o almoço inteiro a falar do soufflé de chocolate

 

Bons petiscos saudáveis para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: casal mistério

onde almoçar com esta chuva? na carpacceria do mercado de campo de ourique (uma refeição só de carpaccios)

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E aos 13 dias do 10º mês do ano da graça de 2014, somos obrigados a reconhecer: acabou o Verão – que, este ano, nunca chegou a começar. Perante esta pequena hecatombe atmosférica, há que fazer duas coisas:

1º) Tirar os Kispos da naftalina;

2º) Descobrir um sítio onde almoçar decentemente sem me afogar na chuva (como o meu Kispo está sempre pronto a ser usado, mesmo ao lado da minha caixa de Bombocas e das minhas pastilhas Gorila, passei directamente para este ponto).

E a solução está... aqui: chama-se Contessa e é uma magnífica carpacceria no Mercado de Campo de Ourique.

 

 

pizza carpaccio (um bocadinho light) família mistério

Eu já sei que a pizza verdadeiramente caseira é com a massa feita, fermentada e tendida em casa. E também com o tomate trazido de San Marzano e a água de Nova Iorque. E já agora com duas visitas de estudo a Nápoles e mais 14 horas enfiado na cozinha. Mas cá em casa não somos esquisitos. E cozinhar é um prazer, não é um martírio. Por isso, as coisas têm de ter tanto de bom como de simples.

Esta semana fiz uma surpresa de Páscoa para a família: pizza caseira, mas com a massa comprada no Continente. Eu sei que não é a mesma coisa. Mas para nós serve. O importante é que seja light – ou, pelo menos, um bocadinho light. E isso é possível desde que o Continente lançou a sua massa de marca branca extra fina. É uma massa rectangular, grande, saborosa e suficientemente fina para ficar estaladiça. Duas embalagens de massa alimentam uma família de seis bocas trituradoras como a nossa. E tem outra vantagem: é fácil. E rápido.

Basta desenrolar a massa e colocá-la com o papel vegetal no tabuleiro do forno. Enquanto prepara o recheio, aquece o forno a 200 graus. E o segredo está a seguir: recheio light. Em vez de molho de tomate, usei molho pesto Giovanni Rana. É um dos melhores pestos que encontrei e há sempre à venda na área de frescos do Continente. Espalhei-o por cima da massa da pizza e depois cobri tudo com carpaccio affumicato, também à venda no Continente. A seguir, coloquei cogumelos shiitake às tiras, tomate cherry partido em quatro, azeitonas verdes à provençal, manjericão e queijo da ilha ralado grosso por cima. Não é que este prato seja uma salada só de verdes, mas a única coisa que verdadeiramente engorda é a massa, porque o queijo da ilha mal se vê.

Depois de ter tudo pronto, molhei todas as bordas da massa com água e coloquei no forno durante dez minutos, sem abrir. Subi depois a temperatura para os 220 graus e deixei mais dois minutos. O resultado foi este.

Deu três fatias quadradas para cada um. Não é o fim do mundo em dietas. 

 

Ingredientes 

- Massa para pizza extra fina Continente

- Carpaccio affumicato Forlotti&C

- Molho pesto verde fresco Giovanni Rana

- Azeitonas verdes à provençal Père Olive

- Cogumelos shiitake

- Manjericão

- Tomate cherry

- Queijo da ilha ralado grosso

 

Una buona Pasqua a voi, ovunque voi siate,
Esso

o buffet de frios do la trattoria (e o óptimo vitello tonnato)

Antes de entrar aqui para almoçar, tem de tomar uma decisão importante na sua vida: quer comer pratos quentes ou quer comer pratos frios? Como facilmente se pode perceber, este é um tema fundamental para o futuro da humanidade e para o futuro do seu dia gastronómico. Se a resposta for pratos quentes, acelere o passo, assobie para o ar e siga em frente. Se a resposta for pratos frios, pode entrar à confiança. Aqui encontra um dos mais equilibrados buffets de comida fria nessa implacável corda bamba que é a relação qualidade-preço.

A ementa

Ao jantar, o serviço à carta é demasiado caro para o que o La Trattoria tem para oferecer. Mas, ao almoço, de segunda a sexta-feira, o buffet custa 13 euros por pessoa e tem óptimas escolhas na parte de frios. Também tem comida quente – massas, pizzas e uns pratos com um aspecto duvidoso –, mas fiquei enfeitiçado com os frios. Primeiro as saladas: salada caprese com tomate muito encarnado e mozzarela muito fresca; salada de rúcula e parmesão com folhas pequeninas e queijo saboroso; e salada de requeijão e tomate com um requeijão branco e molhado.

Isto já seria suficiente para mim que, na Primavera, ao almoço, me transformo num furioso ruminante de vegetais. Mas felizmente não foi. E digo felizmente porque foi essa gula insaciável que me levou a provar as saborosas bruschettas, os bons cogumelos salteados, os óptimos mini salgadinhos e o maravilhoso vitello tonnato.

E é aqui que o meu coração começa a acelerar até à pré-arritmia cadíaca. Também há carpaccio de vitela e não é nada de se deitar fora. Mas o vitello tonnato é outro campeonato. Trata-se de uma carne da pata traseira da vitela, muito fininha e mal passada, acompanhada com uma maionese de atum e algumas alcaparras. A receita, originária do Piemonte, Itália, deve ser preparada pelo menos de véspera para que o sabor da carne possa apurar decentemente. Se o prato for mal cozinhado, a carne pode ficar seca e sem graça. Se for bem cozinhado, a carne fica suculenta e deliciosa. No La Trattoria, o vitello tonnato é muitíssimo bom e vale claramente a visita ao buffet. Assegure-se, no entanto, de que há vitello tonnato no dia em que for, porque os pratos do buffet costumam variar. 

À quarta-feira, além do buffet normal, tem um buffet especial de leitão da Bairrada por 22 euros. 

O ambiente 

Está a ver a definição da palavra discrição? No dicionário de antónimos, deveria constar La Trattoria. Empresários, socialites, políticos, socialites, actores, socialites, cantores, socialites e até o saudoso João Pedro Campos Henriques, que se insere na categoria João Pedro Campos Henriques. Todos eles frequentam o La Trattoria, o que pode tornar difícil encontrar mesa na secção de não fumadores ou passar um almoço sem ouvir mais beijinhos do que talheres a baterem nos pratos. Mas, faça lá um esforço: por este vitello tonnato vale a pena passar por esse calvário que é rever as calças cor-de-rosa de Campos Henriques a poucos metros de distância.

O serviço 

Esta é a grande vantagem do buffet: o serviço é basicamente feito por si e para si. Ao longo de duas horas de almoço, troquei três frases com a empregada: "Boa tarde", "São duas Coca-colas, por favor" e "Não se importava de trazer a conta". Nestes intensíssimos monólogos não houve oportunidade para falhas no serviço, o que torna ligeiramente difícil qualquer avaliação que não seja dizer que os empregados dão as boas tardes, trazem as bebidas rapidamente e tiram a conta sem erros. Já não é mau. Mas também não podia ser muito melhor.

O bom 

As saladas

O mau 

Termos sido obrigados a ficar na área de fumadores

O óptimo 

O vitello tonnato

O surreal 

O Campos Henriques

Um abraço para as calças cor-de-rosa do Campos Henriques, onde quer que elas estejam,

Ele

cantina da estrela, o restaurante em que você decide quanto paga

Prepare-se: esta vai ser uma refeição arriscada.

Arriscada?

Não. Arriscadíssima. Na Cantina da Estrela, os cozinheiros, os empregados e todos os funcionários são estudantes da Escola de Turismo.

Como é que é, estudantes, alunos, amadores, o contrário de profissionais?

Sim, sim, sim e sim.

Mas isso é trágico...

Nem sempre. Normalmente quando o Anthímio de Azevedo anunciava uma tempestade tínhamos um dia razoável e quando o Costa Alves previa um dia de praia acabava por chover. Aqui foi igual. Tudo previa uma tragédia e no entanto...

O serviço

Prepare-se novamente: os empregados têm borbulhas, voz ainda em falsete e uns pelos na cara a que seria um exagero chamar barba. Desgraça? Antes pelo contrário. Têm a disponibilidade de uma criança e a vontade de mostrar serviço de um adolescente. Resultado: trabalham, ajudam, sorriem e tentam servir de forma exemplar. Não têm as manias dos empertigados nem a sonolência dos acomodados. Fazem uma coisa que não se vê frequentemente nos restaurantes hoje em dia: andam pela sala com a cabeça levantada e os olhos atentos. Não fazem questão de se focar num ponto imaginário no horizonte para tentarem não ver quem os está a chamar. Mas não cometem erros? É claro que cometem, tal como todos nós cometemos. Mas trabalham bem e, mais importante ainda, têm vontade de trabalhar – o que, para mim, faz toda a diferença.

Houve uma troca num acompanhamento que pedimos e uma situação ligeiramente surreal no início: quando chegámos e vimos o drama que é arrumar o carro numa rua de sentido único entalada entre as Amoreiras e a Estrela – e visto que o restaurante fica num hotel – estacionámos à porta e perguntámos na recepção se podíamos deixar ali o carro e a chave:

- Não!

Não foi "pedimos desculpa, mas é mesmo impossível", nem "lamentamos, mas não pode ser". Foi simplesmente "não" com ponto de exclamação. E só quando eu mostrei o meu olhar incrédulo nº 123 e perguntei se não havia uma solução, visto que era impossível arrumar ali, é que me disseram aquilo que deviam ter dito quando fiz a reserva:

- Pode deixar no nosso parque.

Obrigado por terem avisado que tinham um parque. Mas depois de uma rua inteira em marcha atrás, o problema resolveu-se e a questão explicou-se: não foi má vontade nem arrogância, foi apenas a incapacidade de manter um diálogo simpático com um cliente. Acontece a quem está em princípio de carreira.

E aqui, na Cantina da Estrela, isso paga-se – literalmente. Quando vem a conta, você é que decide quanto quer pagar. Tem um valor mínimo e outro máximo para cada prato e para o serviço e decide quanto é que cada uma das coisas valeu para si. É uma óptima maneira de jantar por uma tuta e meia? Não. É uma inteligente forma de lhe cobrar mais. Perante a dúvida, e visto que o serviço foi simpático e atencioso, vai ter a tendência para pagar o valor intermédio de cada fracção. O problema é que tudo somado – e o normal é que os clientes não tenham paciência para fazerem a soma – dá quase 50 euros por pessoa. E isso é demais.

O ambiente

A decoração é simples, despretenciosa e confortável. Mistura cadeiras modernas com móveis e objectos antigos. Tem uma boa iluminação e uma péssima sonorização. Resumindo: parece uma cantina, o que é giro; mas tem o barulho de uma cantina, o que é trágico. No entanto, tudo depende do espírito com que vamos para a empreitada. Como nós estávamos à espera da tempestade do Anthímio de Azevedo achámos que um dia de sol era um dia de Verão. E foi óptimo.

A ementa

O couvert é bom: tem variedade de pães, boa manteiga e uma surpresa, que, no nosso caso, foi um shot de sopa de abóbora.

As entradas estavam óptimas. Eu comi uma vichyssoise com figos secos e batata doce fria, que tinha só um problema: grossa demais. Ela comeu um carpaccio de rosbife com rúcula, que vinha com um molho fantástico por cima. 

A seguir, eu escolhi o "borreguinho que se desfaz na boca", que tinha um problema: ao contrário do restaurante que promete pouco e surpreende, o borrego promete muito e desilude. Estava bom, era saboroso, mas – lamento – não se desfazia na boca. E o que está na descrição é para cumprir.

Ela pediu um salmão com sésamo e migas de chouriço e espargos. O salmão estava óptimo, mas as migas afinal eram um risotto de ervilhas que, por acaso, também não estava nada mal.

Para acabar, Ela entrou em dieta e eu comi um gelado de salame de chocolate com mousse de chocolate, o que é um enjoo irresistível: especialmente os bocadinhos de salame que vai encontrando no gelado.

No final, pagámos? Não. No final, bebemos ainda um vinho do Porto com o café. E depois pagámos. Foi bom. E vamos voltar. Mas desta vez, directos para o parque.

 

O óptimo

O serviço

O bom  

A comida

O mau

O barulho

 

Uma boa semana para si, onde quer que esteja,

Ele