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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

3 dicas para manter as cervejas bem arrumadas dentro do seu frigorífico

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Já não aguento o caos do nosso frigorífico em casa. Há cervejas a rebolarem para o lado de cada vez que se tira um pacote de leite, há cervejas mergulhadas em piscinas de manteiga, há cervejas dentro das gavetas da alface... Eu sei, com tantas cervejas isto podia ser a casa do Mel Gibson, mas o que é que hei-de fazer? Mal começa o calor sou incapaz de dizer que não a uma mini. E a minha querida e sempre dietética Mulher Mistério insiste que não bebe mas, cada vez que eu olho para o lado, já desapareceu meia garrafa.

Isto tudo para dizer que estou desesperado porque já não sei onde guardar mais garrafas de cerveja. A minha única salvação contra o caos são estes três fabulosos acessórios que vão transformar o meu frigorífico no armazém da Cervejeira Nacional. São dicas fundamentais para aproveitar todo e qualquer centímetro livre do meu frigorífico para guardar latas e garrafas. 

 

 

o melhor sítio para manter as bebidas geladas quando o seu frigorífico está cheio

Ontem foi dia de festa cá em casa. Normalmente costumamos fazer um almoço anual de fim de Verão (eu sei, foi um bocado precipitado, visto que ainda faltam quase 20 dias para o fim do Verão, mas Ela insiste que Setembro já não é mês de praia...). Todos os anos é o mesmo drama: entre amigos dos pais e dos filhos, o frigorífico fica cheio com comida, bolos, doces, etc.. E as sacrificadas são sempre as minhas queridas e estimadas garrafas de cerveja, vinho branco e rosé, que têm de ser colocadas à pressa no congelador antes de irem para a mesa. Resultado: apesar de Ela teimar que Setembro já não é Verão, as bebidas nunca ficam suficientemente geladas.

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Pois, este ano a minha vida mudou graças a esta genial dica do sempre útil site The Kitchn: a máquina de lavar roupa virou arca frigorífica. Na véspera, enchi o frigorífico com todas as garrafas. No sábado, retirei-as do frio logo de manhã, quando fiquei sem espaço no frigorífico, e coloquei-as dentro da máquina de lavar roupa com três poderosos sacos de gelo comprados na bomba de gasolina. Primeiro, a máquina mantém relativamente bem o frio. Segundo, deixa o gelo derretido escorrer para o cano sem me obrigar a deitar fora água ou a lavar arcas ou outros recipientes. À medida que precisar de bebidas, só tem de as ir tirando lá de dentro. No fim do dia, fecha a máquina e já está. É ou não é prático?

 

Uma boa festa para si onde quer que as bebidas estejam,

Ele

 

foto: the kitchn

como abrir uma garrafa de cerveja sem um abre caricas

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É o pesadelo de qualquer ser humano: chegar a casa, num dia de calor, pegar numa cerveja do frigorífico e perceber que não tem um abre caricas. Eu sei, há conversas mais próprias para ter num sábado de manhã com o pequeno-almoço acabado de aconchegar no estômago. Mas o assunto é grave e urgente demais para poder esperar pela uma da tarde. Este é um tema de urgência nacional. E é por isso que urge avançar com duas soluções de último recurso para resolver o problema.

 

 

6 cocktails para esquecer que amanhã já é segunda-feira

Hoje estou com a neura típica de domingo à tarde. Apetece-me tanto ir trabalhar amanhã como ser atropelada por um trator. O que fazer, meu Deus? Tenho um anjinho do lado direito do cérebro a dizer:

- Vai à missa agradecer. Tens saúde, tens uma família fantástica, tens trabalho!

Mas depois, tenho um diabinho do lado esquerdo: 

- Vai ao frigorífico. A solução é beber para esquecer.

Que horror, até a minha má consciência é alcóolica. Enquanto estou nesta imensa indecisão, eis que me aparece, por obra e graça de vá-se-lá-saber-quem, uma incrível lista feita pelo Buzz Feed, com vários cocktails com apenas dois ingredientes. Oh Diabo! O mafarrico sabe-a toda. Eis a minha escolha a partir da seleção do Buzz Feed.

 

1. Tequilla + Sumo de Toranja com Gás 

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A receita é do blog Drizzle and Dip. Basicamente precisa de um ou dois shots de tequilla e mistura com sumo de toranja com gás e gelo, claro. Se não encontrar o sumo com gás, pode fazer em casa: basta juntar o sumo da toranja com água com gás e um xarope de açúcar. No final, decore com uma fatia de lima. Se quiser mais detalhes, clique aqui

 

 

forno d'oro: ai, jesus, que abriu em lisboa um novo restaurante com pizzas divinais!

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- Forno d'Oro, boa noite.

- Boa noite, queria reservar uma mesa para três pessoas esta noite.

- ...Trêeeees... pessoooooas... eeeeesta... noooooite...

- (...)

- ...Para que horas?

- Para as dez e meia, por favor.

- ...Deeeeeez... e meeeeeeia... trêeeeeees... pessoooooooas... hmmm...

- (...)

- ...Hmmmmm... deeeeeez... e meeeeeeia... trêeeeeees... pessoooooooas...

- (...)

- [Silêncio]

- Estou, sim?

- Sim. Então era para quantas pessoas a reserva?

- Para três?!

- E para que horas?

- Para as dez e meia?!

- Entãaaaaao, deeeeeeez e meeeeeeeeeia... deixe-me só ver aqui num instante...

[Oh, não! Outra vez não!]

- Sim?

- Sim. Qual é o nome?

- Adalberto Francelino. [O nome não terá sido literalmete este, por razões evidentes]

- ...Adaaaaaaalbeeeeeerto... Fraaaaaaanceliiiiiiiiino... trêeeeeeees... pessooooooooas... Deiiiiiixe... sóooooooo... aquiiiiiii... veeeeeer...

[NÃAAAAAAO! TIREM-ME DAQUI!]

- Estou?

- Estou, sim, peço desculpa, é que eu estava aqui a... Sim, senhor, está marcado.

- Muito obrigado.

 

 

as melhores cervejas artesanais para combinar com cada prato de natal (uma escolha da cerveteca em exclusivo para o casal mistério)

É Natal, é Natal

Paz, amor e luz.

Só estão mal, muito mal

Todos os perus.

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Desde que, aos 5 anos, comecei a perceber a diferença entre um peru e um frango que, todos os dias de Dezembro, acordava a cantar esta música. O problema é que, quando eu tinha 5 anos, esta música era o cúmulo do rigor. Mas hoje é preciso acrescentar algumas linhas à lista dos que estão mal. Além dos perus, cá em casa comem-se bacalhaus, leitões, salmões, patos, perdizes, arenques e outros petiscos que fazem os seis elementos desta Família Mistério revirar os olhos de júbilo (sim, o arenque fumado também pode ser uma delícia). A tradição tem vindo a tornar-se cada ano menos tradicional. E, em 2014, decidimos mudar mais um velho hábito: o vinho.

Mobilizados pelas maravilhosas cervejas artesanais que temos vindo a experimentar, vamos trocar o vinho por cerveja nesta consoada. Mas, como ainda estamos longe de nos tornar especialistas na matéria, resolvemos pedir conselhos a quem realmente percebe do assunto: a Cerveteca, o melhor e mais completo bar (e loja) de cervejas artesanais de Lisboa.

E foi assim que a Carolina Cardoso e o Rui Matias surgiram na nossa vida (neste caso, no nosso e-mail). Simpaticamente, aceitaram o nosso desafio (Ela insistiu muito nesta questão da cerveja artesanal) e sugeriram a melhor cerveja artesanal para acompanhar cada um dos pratos de Natal. As comidas foram escolhidas por nós; as cervejas, por eles. Se mais alguém estiver a pensar em beber uma cerveja artesanal neste Natal, aqui tem o imprescindível guia para ir às compras.

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Como aperitivo

Mikkeller Spontan Cherry. Estilo "sour", de fermentação espontânea com cerejas e envelhecida em barris de Chardonnay. 


Com as entradas 
Mean Sardine Amura. Uma American Pale Ale da Ericeira. Tem um excelente aroma, frutado e fresco, a lúpulo e a toranja. Tem um sabor a malte e citrinos, bom amargor e um final seco.

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Com os queijos
Maldita Barley Wine. De aroma frutado intenso e duradouro, esta cerveja de Aveiro tem notas leves a caramelo conjugadas com um amargor característico do estilo.

Com os presuntos e enchidos 
Passarola IPA. Uma verdadeira India Pale Ale, com um marcante aroma frutado e com o típico amargor do lúpulo.
 
Com o peru 
Duchesse de Bourgogne. De sabor ácido e frutado, a comparação mais comum é com o vinagre balsâmico. Atinge o seu potencial se for bebida entre 8º e 10º C. É óptima para cortar sabores fortes. 

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Com o bacalhau
Mikkeller It's Alive (edição mango & chardonnay). Fermentada com mangas para um sabor tropical adocicado, o envelhecimento em barris de Chardonnay confere-lhe um carácter viníco.  

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Com as rabanadas 
Tripel Karmeliet. Uma cerveja belga cremosa, sem amargor e com aroma baunilhado e de especiarias que liga lindamente com doces.

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Com o bolo rei 
Brewdog Santa Paws. Uma scottish ale com mel, criada especialmente para o Natal de 2014. Acompanha lindamente sobremesas com frutas cristalizadas e secas, o que a torna a combinação ideal para o bolo rei.
 
Com o café 
Brewdog Mixtape. Uma mistura complexa de duas cervejas (uma belga lupulada e uma India Pale Ale) envelhecidas em barris de whisky durante dois anos. Tem 14,5% de álcool para terminar a consoada em beleza.

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E agora, resta-nos cantar:

 

É Natal, é Natal,

Venham as bandejas,

Que já temos aqui abertas

Todas as cervejas.

 

Boas cervejas de Natal para si onde quer que esteja,

Ele (com a preciosa ajuda da Carolina e do Rui, da Cerveteca)

sugestão para uma noite de frio e chuva como a de hoje: provar as óptimas cervejas artesanais da cerveteca

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Como é que um homem pode ter oportunidade de transcender a sua existência insignificante numa noite gelada e chuvosa de sábado? E uma mulher? E os dois juntos? Desta vez, reconheço humildemente que a resposta não é nossa, mas sim do Hugo, um admirável leitor preocupado com a qualidade da vida bebericadora do Casal Mistério. Quando referimos aqui a degustação de cervejas artesanais que iria haver, no princípio de Outubro, no restaurante Astória, no Porto, o Hugo teve a amabilidade de nos falar pela primeira vez da Cerveteca, um bar exclusivamente de cervejas artesanais que abriu há poucos meses em Lisboa.

É claro que as sugestões dos leitores são ordens para o Casal Mistério, especialmente quando incluem as palavras "cerveja", "artesanal" e "novo" tudo na mesma frase. 

E foi assim que chegámos à Cerveteca, na Praça das Flores.

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O ambiente 

Como nós não somos propriamente pós-adolescentes programados para desligar a bateria só depois das 4h da manhã, temos este hábito um pouco exótico de frequentar bares antes da meia-noite. Quando entrámos na Cerveteca pouco passavam das 23h. Lá dentro estava apenas um casal de estrangeiros maravilhado com a oferta interminável de cervejas e uma mesa com quatro pessoas. Tinha pouca gente, mas como era um dia de semana, percebe-se.

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Pelo menos, deu para ver melhor a decoração. E vale a pena reparar em alguns pormenores. No tecto, há um enorme candeeiro feito com compridos copos de cerveja. Junto ao balcão, estão mais três garrafas penduradas com uma lâmpada lá dentro. Algumas mesas têm o tampo de vidro colocado por cima de traves de madeira. Num canto, encontra um confortável sofá de sala de estar.

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A decoração é sóbria e despida – talvez até um pouco despida demais: quase um quarto da sala, mesmo junto à entrada, não tem mesas e a maioria dos lugares sentados é com bancos sem encosto, o que para pessoas que já sofrem com dores nas cruzes, como nós, é um problema. Mas a parte mais importante não são as cadeiras ou as mesas – é um enorme armário que ocupa quase uma das paredes e que tem tudo quanto é cerveja artesanal.

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As cervejas 

Pode comprar para levar para casa ou comprar para beber ali. Há cervejas portuguesas, belgas, neo-zelandesas, dinamarquesas, norueguesas... Há cervejas mais doces e mais amargas, mais fortes e mais leves. Há o que quiser.

Se lhe apetecer uma cerveja de garrafa, é só escolher no tal armário gigante; se preferir uma cerveja de pressão, pergunte no balcão. Há cerca de dez marcas disponíveis e que vão variando regularmente. Nós chegámos ali como dois marcianos a entrar na Feira da Ladra pela primeira vez na vida. E por isso tivemos de receber um mini-curso intensivo de cervejaria antes de optarmos. Acabei por escolher uma American Dream de pressão, óptima mas ligeiramente adocicada. Ela pediu uma Praga mais normal e mais gelada. Ainda pedimos mais duas cervejas por sugestão da empregada. Eu, uma BrewDog (mais vermelha, mais gelada e um pouco menos amarga); Ela, uma Weihenstephaner pela qual ficou deslumbrada. Apesar da dificuldade do nome, é fácil de beber (um pouco adocicada demais para o meu gosto, mas perfeita para Ela).

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A comida 

Apesar de termos ido à Cerveteca apenas para experimentar a cerveja, depois de um concerto onde estivemos a abanar o capacete (somos muita malucos!), podíamos perfeitamente ter ido para petiscar alguma coisa. Há uma boa oferta de conservas, queijos e algumas sanduíches que nos deixaram a reflectir seriamente sobre a hipótese de jantarmos uma segunda vez, mesmo sendo quase meia-noite. Eu marquei duas que ainda me vão fazer lá voltar para experimentar: a sanduíche de salmão fumado com mostarda de ervas e a sanduíche de presunto com manteiga de cerveja.

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O serviço 

A primeira pessoa a receber-nos foi uma empregada muito simpática e disponível. Respondeu a todas as nossas perguntas com a mesma paciência com que uma educadora de infância explica a uma criança que não pode beber a tinta da caneta apesar de ser muito divertido ficar com a boca toda azul. E foi ela que nos aconselhou as óptimas cervejas que experimentámos. Tão boas que dá vontade de lá voltar numa noite de frio e chuva como a de hoje.

 

O bom 

Aguns detalhes da decoração, como os candeeiros

O mau 

As poucas mesas

O óptimo 

As cervejas

 

Bom mau tempo para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: cerveteca

programa para este fim-de-semana: uma mini-esplanada de conservas e cervejas artesanais de frente para o mar da ericeira

 

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Festa na Ericeira?! Mas quem é que faz uma festa na Ericeira?! Infelizmente, uma amiga do meu filho mais novo. 

Como é que é?! O meu filho mais novo já tem "amigas"?! Oh, santo Deus, isto está cada vez mais difícil.

Foi com esta disposição que me pus a caminho da Ericeira, por uma IC19 atafulhada de carros, para entregar o meu herdeiro a uma "amiga".

Cumprida a dolorosa missão parental, tive de compensar o esforço desumano com um tranquilo passeio junto ao mar cheio de aspirantes a Garrett McNamara. E foi no meio desta caminhada que choquei de frente com uma das mais encantadoras lojas que conheci nos últimos tempos: a Vira-Latas.

 

 

o programa de fim-de-semana com que sonhava há anos: degustação de cervejas artesanais na baixa do porto

Estou dividido. Deixei crescer o cabelo, fiz uma caprichada permanente e comecei a cantar. Todos os dias de manhã, mal saio do duche, faço um pequeno espectáculo em que canto "Eu tenho dois amores", enquanto atiro o microfone ao ar com a melena ao vento.

A partir de agora podem chamar-me Paulo, Marco Paulo. Por favor, não confundam com o Marco Polo, que esse, coitado, não tem nada a ver com o assunto. O que provocou esta minha mudança abrupta de personalidade foi o surgimento de uma série de cervejas artesanais absolutamente divinais. E agora o meu coração divide-se entre a loira (a cerveja) e a morena (o gin tónico). Ou será ao contrário?

 

 

como gelar uma cerveja em três minutos (e outras dicas úteis para homens)

Este é um post de homem para homens. Ou seja, este é um post sobre cerveja, a principal preocupação de 99% dos seres masculinos na cozinha. Agora que já começámos este macho-diálogo, vamos ao que interessa: diga lá que não se irrita quando empilha cuidadosamente as garrafas de minis no frigorífico ao lado de um conveniente tupperware e, quando tira o tupperware cá para fora, a pirâmide se desmorona como se fosse uma escultura de areia? Há coisa mais irritante do que estar aflito a tentar salvar aquela espectacular montanha de garrafas que tanto trabalho deu a fazer?

Agora chegou a solução milagrosa para os nossos problemas. E para outros que envolvem cervejas. Como aquela sensação exasperante de chegar a casa depois de 12 horas a aturar pessoas insuportáveis no escritório, a salivar por uma mini, e não ter cervejas frescas no frigorífico! Sim, porque a minha querida Mulher Mistério adora beber uma cervejinha, mas é incapaz de mexer três músculos diferentes para colocar uma garrafa a gelar.

Com estas três milagrosas dicas de cozinha essenciais, acabaram os nossos pesadelos cervejeiros. O Mundo vai melhorar. E começa já nas próximas linhas.

 

1300 taberna: boa comida, óptimo ambiente, fabulosa decoração

Estou aqui parado há meia hora à frente do ecrã vazio sem saber muito bem como explicar isto. Tenho um problema e gostava de o partilhar consigo. Vou desfazer o mistério (do restaurante, claro, não do Casal...): adorei o 1300 Taberna, mas há um "pormenor" que me ficou atravessado. Por isso, despacho agora o "pormenor" e depois passo aos elogios já sem hesitações.

Acho a descrição da ementa de algum mau gosto. Começar todos os pratos de bolo de chocolate com "O Eusébio gosta de..." e depois acrescentar o que acompanha o bolo de chocolate – como, por exemplo, "O Eusébio gosta de vinho do Porto" para bolo de chocolate com sorvete de vinho do Porto – parece-me ligeiramente racista. Eu sei que tudo isto começou há muitos anos quando os senhores da Taberna resolveram chamar Eusébio ao seu bolo de chocolate original e depois foi evoluindo para isto. Mas esse começo parece-me logo um pouco a atirar para uma Mário-Machadisse. Longe de mim querer ser politicamente correcto, mas não consegui evitar algum desconforto ao ler esta analogia entre o Eusébio e o chocolate. Se gostam muito de futebol, chamem Jorge Jesus ou Pinto da Costa ao bolo. Mas deixem lá o Eusébio em paz. Adiante. Está feito o desabafo. Agora vamos à crítica. E aos elogios.

O ambiente 

Cadeiras com diferentes cores e feitios, mesas de vários tipos de ferro e madeira rústica, candeeiros com colheres de sopa penduradas no tecto, dezenas de relógios gigantes a encher as paredes, peças de decoração em ferro forjado, velas a transbordar cera, lustres, candelabros, castiçais, velharias. Chegámos a um ferro velho? A um armazém abandonado? Não. Chegámos a um dos restaurantes mais modernos e bem decorados do país. Num enorme armazém com um pé direito onde cabem oito Brunos Nogueiras às cavalitas uns dos outros, o 1300 Taberna mistura de forma perfeita o rústico e o moderno, as peças compradas na Feira da Ladra com os objectos de design. O resultado é um espaço cheio de cor e vida, estilo e experimentalismo, ao nível dos mais modernos restaurantes da Europa. E não, não é exagero, é mesmo dos mais bonitos em que já estive.

Então não tem defeitos? Talvez um ou dois. Especialmente para homens com corpo de Cristiano Ronaldo e cabeça de Manoel de Oliveira, como eu: a porta da entrada, em vidro, provoca correntes de ar que atacam as cruzes. Se, por sorte, você tiver menos de 90 anos, então o espaço é perfeito.

O serviço 

Há o serviço de comida – simpático, rápido, atencioso e com capacidade para ouvir, sempre com um sorriso, as 52 perguntas que Ela faz antes de escolher um prato. E há o serviço de vinho – e nesse caso, ouvimos a resposta mais surreal da noite:

- Entre estes dois vinhos, qual é que me aconselha?

- São vinhos completamente diferentes.

E silêncio. Bom, em primeiro lugar, agradeço a constatação da evidência, mas sempre me convenci que o papel de um escanção fosse um pouco além de simplesmente dizer banalidades. Cheguei a pensar que um escanção deveria explicar as diferenças entre os dois vinhos e recomendar aquele que se adaptasse melhor ao prato que tínhamos pedido. Aqui não é assim. Acabei por escolher o Monte Cascas Reserva, que já conhecia, em vez de arriscar num desconhecido. Experimento quando encontrar um sommelier que não tenha tanta dificuldade em falar de vinhos.

A ementa 

O couvert

Começámos a noite de forma espectacular, com três tipos de pão: um branco de cebola e tomate – com um sabor forte e delicioso; uma focaccia bem cozida – pouco surpreendente, mas muito boa; e um pão preto de cerveja Guinness e melaço – uma mistura de sabores que nunca tinha experimentado antes e onde se sente lindamente a presença da cerveja preta. Se a tudo isto juntar uma manteiga de tomate seco e de ervas e um azeite especial da casa, por mim está a noite feita.

Nesta fase do jantar, o único problema foi a bebida. E foi um problema só meu. Resolvi inventar e pedir um Bubbles, um cocktail de espumante e maracujá em que as sementes da fruta estão no fundo e vão subindo. É muito giro para olhar, mas é muito doce para beber. Ela teve mais sorte: pediu uma cerveja. E aqui as cervejas merecem um subtítulo à parte.

As cervejas artesanais

São muitas. São óptimas. E são portuguesas. Depois do erro que cometi com o Bubbles, que deixei a meio, passei para as cervejas – uma excelente maneira de começar a noite. Vale a pena experimentar a Letra A, criada por dois cientistas da Universidade do Minho que se dedicaram ao fabrico da bebida. Feita de trigo, a partir de uma receita da Baviera, tem uma cor turva e um sabor leve e ligeiramente adocicado. Muito boa. Vale também a pena provar os diferentes tipos de Maldita e Sovina que a Taberna tem. Se gostar, pode acompanhar a refeição apenas com cerveja. São excelentes e a carta é extensa.

As entradas

Pedimos uma terrina de leitão assado, laranja espumante e pimenta preta com salada e brioche que não estava nada de especial – aliás, nem gosto de terrinas, não sei porque é que fui pedir isto. E passámos para um óptimo atum com feijão frade, que é o mesmo que dizer barriga de atum braseada (óptima), feijão frade (muito bom), puré de abacate (genial) e ervilhas wasabi (maravlihosas). Juntar tudo isto no mesmo prato é ter uma entrada muito, muito, muito boa.

Os pratos

Ela escolheu um bacalhau à Brás, de que gostou – a mim pareceu-me normal. E eu optei por um Bife à Taberna muito mal passado, com um óptimo molho (não muito forte para não apagar o sabor da carne), umas boas batatas fritas (não são nem querem ser estaladiças) e uma agradável mistura de tomate assado e cogumelos salteados.

A sobremesa

É claro que, por uma questão de coerência, não pedi o engraçaducho Eusébio. Preferi uma Homenagem ao Snickers (brownie de chocolate e amendoim com gelado de manteiga de amendoim de Aljezur) e um requeijão com abóbora (cheesecake de abóbora e noz com gelado de requeijão). Preferi claramente o requeijão. 

E, no fim de disto tudo, ainda sobrava um bocadinho de vinho tinto na garrafa. Por isso vi-me compelido a avançar para uma poderosa selecção de queijos portugueses.

Só para descansar os amáveis leitores que nesta fase já estão chocados com a quantidade absurda de comida, tenho um esclarecimento final a fazer: peso menos de 100 quilos, estavam mais pessoas à mesa, as entradas e as sobremesas foram divididas por todos. Não, não sou um alarve. Só gosto de comer. Às vezes, um bocadinho demais...

O bom 

A comida

O mau 

O Eusébio

O óptimo

A decoração

 

Um bom jantar para si onde quer que esteja,

Ele

sugestão de fim de tarde: os tremoços com sal e oregãos do quiosque maritaca

Não sou esquisito: gostos de tremoços com sal, gosto de tremoços com coentros, gosto de tremoços com pimentos, gosto de tremoços com salsa, gosto de tremoços. Ponto. No Verão é provavelmente dos melhores e mais agradáveis petiscos. A par dos caracóis. E dos perceves. E das amêijoas. E das... é melhor não me dispersar.

Voltando aos tremoços: uma imperial, um prato de tremoços, uma esplanada e um fim de tarde de Verão é tudo o que um homem pode querer. E foi, por isso, com uma dentadura branca à Paulo Portas a saltar-me da boca que me sentei, no outro dia, no Quiosque da Maritaca, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. À minha esquerda tinha uma imperial tão fresca quanto um glaciar da Gronelândia, à minha direita um prato de tremoços temperados com sal e oregãos – uma receita maravilhosa para esta altura do ano. O sal dá um toque quase picante, os oregãos dão uma frescura quase de salada. Vale a pena experimentar.

Além disso, a Maritaca tem um serviço simpático e atencioso. Quando um golpe de vento atirou ao chão o copo de plástico Dela ainda com meia imperial lá dentro, o empregado saltou de dentro do quiosque com uma nova imperial em copo de vidro na mão para substituir a acidentada.

Ela fez um comentário bem educado:

- Obrigada, não valia a pena...

Ele deu uma resposta competente:

- Era o que faltava, ainda tinha a imperial a meio.

Gosto de tremoços com oregãos. Mas ainda gosto mais de empregados assim.

 

Uma boa imperial de fim de tarde para si onde quer que esteja,

Ele