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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o que é nacional é mesmo bom: espreite estas casas de sonho decoradas por uma portuguesa

11_bateau_.jpgCom este tempo maravilhoso, só penso em duas coisas: praia e férias... ou melhor ainda, em casas na praia... afinal estamos no verão: e o que apetece mesmo são alpendres, sombra, calor de dia e de noite, praia, piscina, mas tudo em bom, pois claro. Estava eu a navegar por alguns sites e blogs internacionais de decoração e design, à procura de alpendres e varandas inspiradoras, quando me deparo, em vários sites, com o extraordinário trabalho da designer de interiores portuguesa Vera Iachia. Ora espreite estas casas:

 

 

casas na areia, o paraíso na comporta para onde me apetecia ir já com este sol fantástico

Com este sol maravilhoso lá fora, só penso numa coisa: praia. Depois olho para a árvore de Natal na sala e acordo. E é aí que descubro o remédio para esta ansiedade do biquíni: vou marcar as férias de verão. Agora é a altura ideal, convenço-me, enquanto ainda há vagas e preços simpáticos. Só que férias é tema que dá sempre discussão aqui em casa. Sobretudo desde que a crise chegou a Portugal (não é recente, pois não? Desde que me lembro de trabalhar que me ouço falar de crise...).

 

 

sublime comporta, o novo refúgio de charme a uma hora de lisboa

Confesso que "sublime" é uma palavra que me enerva um bocadinho. Mas tenho de admitir que, neste caso, se encaixa na perfeição. Sublime é mesmo a palavra certa. Sublime. Lindo. Maravilhoso. Elegante. Paradísiaco. Não há adjetivos suficientes. Este novo hotel da Comporta é simplesmente deslumbrante. Abriu em junho e é provavelmente o melhor spot da região, só comparável às Casas na Areia, sendo que este ganha em luxo e conforto.

 

 

o novo spot cool da comporta: a padaria que não é uma padaria

Eram seis e meia da tarde quando chegámos à Comporta. Tínhamos uma hora e meia de paz entre o início da ventania na paradisíaca praia de Soltroia e o princípio do massacre dos mosquitos na pitoresca aldeia alentejana. Não era muito tempo, mas era o tempo suficiente para experimentar um novo micro spot que abriu no centro da aldeia há menos de dois meses. Dentro de uma daquelas lojas cool onde um biquiní pode facilmente custar tanto quanto a roda de um carro, a Padaria é um balcão e duas mesas. Bem decorada ao estilo hippie chic que tomou conta da Comporta nos últimos anos, serve copos de vinho, tostadas, sumos naturais e umas maravilhosas ostras do Sado.

Na rua tem mais três mesas minúsculas com troncos de árvores a fazerem de bancos, ao lado de uma esplanada de um café/taberna local com mesas e cadeiras da Coca-cola, onde é frequente encontrar um velhinho agarrado a uma cerveja enquanto protesta aos gritos contra o Mundo.

O ambiente 

É neste cenário que é fácil encontrar os habitantes hippie chics da Comporta: mulheres descalças a passear-se na rua com um panamá Brent Black de 500 euros na cabeça, homens de chinelos nos pés mas que trocam de óculos escuros três vezes ao longo do dia... É esta a clientela da Padaria: homens e mulheres demasiado preocupados em parecer despreocupados.

Mas, se não se incomodar em ouvir a palavra "Instagram" pronunciada num tom suficientemente alto para se tornar ouvido e suficientemente britânico para se tornar reparado, vale a pena passar por aqui. Preferencialmente durante a semana, especialmente antes da segunda quinzena de Julho.

 

A ementa 

Nada aqui é barato. Antes pelo contrário. Mas é bom. E original.

As tostadas

As tostadas são substancialmente diferentes de uma tosta. Sem uma segunda fatia de pão a cobrir o recheio, são mais leves e têm combinações diferentes: hummus e rúcula, tomate e presunto, queijo feta, mel e orégãos, e pera abacate. Optei pela de tomate e presunto e convenceu-me – feita no momento, tem bom pão, bom presunto, bom tomate e bom azeite, o que, somando todos os bons, dá um fantástico petisco.

As ostras

Eu e a minha querida Mulher Mistério partilhámos um copo de vinho branco estupidamente gelado e duas doses de ostras que é como quem diz: duas ostras para cada um, a cinco euros a dose! Ah, e tal, compensa: estamos num sítio único com vista para o mar. Infelizmente, não. Estamos no meio do passeio, com carros a estacionar à nossa frente, tias a fazer compras e habitantes locais a beber minis. Mas este é o espírito da Comporta.

As ostras estavam óptimas, mas é possível comê-las a um preço mais razoável. Se pegar no carro e for até à Carrasqueira, pode comprá-las directamente no viveiro onde os senhores da Comporta as vão buscar. E, pelo caminho, ainda pode ver o lindo porto palafítico da aldeia.

Os muffins e os sumos 

A nossa equipa de futsal deliciou-se com um muffin de chocolate com pedaços (um pouco doce demais), um muffin de caramelo e nozes (melhor) e um sumo natural de melancia (maravilhoso). 

A Padaria tem ainda carpaccios e uma espécie de piquenique para levar para a praia: o "Faz-te à praia" é um pack de papel, com uma lata de conserva, tomate, pão, ervas, salada de couscous, empada e um muffin.

O serviço 

Há o tal problema da pronúncia britânica e do tom afectado que abre as vogais no fim de cada frase. Mas também é exigência a mais. O casal que gere a Padaria é muito simpático, conversador e preocupado em saber se os clientes gostaram ou não. E isso é o mais importante. Pagámos 30 euros por um lanche, mas senti-me bem ali. E era bem capaz de voltar – num fim-de-semana de calor como este, a uma hora sem mosquitos.

 

Um abraço para as melgas da Comporta, onde quer que elas estejam,

Ele

o pregado com arroz de lingueirão do comporta café (tudo isto em cima do mar)

Olha para a frente e o que é que vê? Mar. Olha para a direita e o que é que vê? Mar. Olha para a esquerda e o que é que vê? Mar. Olha para trás e o que é que vê? Mar? Nãaa, vê uma melga a morder-lhe o pescoço. É por isso que este restaurante não é perfeito – por causa das centenas de milhares de melgas que tratam o seu pescoço como o urso Pooh trata um pote de mel. E, já agora, também por causa da conta. Todos nós sabemos que a Comporta é o destino de férias de Charlotte do Mónaco e que aqui encontramos mais membros da família Espírito Santo do que na sede do próprio banco (espere lá, agora se calhar não...). Mas não há necessidade de cobrar por uma refeição o mesmo que Ricardo Salgado dava de gorjeta ao seu caddy depois de um jogo de golfe. É que, mesmo com o repelente que os empregados simpaticamente dispensam aos clientes, é dinheiro a mais para um não-banqueiro dispender numa refeição. Mas, tirando isso, e sentando uma família numerosa à mesa, e dividindo um pregado frito e um arroz de lingueirão, e... bom, o melhor é analisarmos ponto por ponto.

A ementa 

Primeiro, as entradas. O queijo fresco tem a consistência de um queijo fresco alentejano à antiga. Parece que o leite foi acabado de ordenhar e coalhado com cardo na cozinha da senhora da quinta ao lado. É claro que, desde que José Sócrates inventou a ASAE, nada disto é possível. Mas o queijo fresco é óptimo. E, apesar do certificado sanitário, sabe quase a queijo caseiro.

Depois, as saladas. A de bacalhau com grão é altamente recomendável e um óptimo petisco para abrir as hostilidades enquanto espera pelo peixe. Está bem temperada e é suave.

A seguir, os petiscos. Não se perca com muita coisa. Experimente apenas o óptimo queijo de cabra gratinado com doce de tomate. O queijo não é demasiado enjoativo e o doce de tomate não é demasiado doce – o equilíbrio perfeito.

Finalmente, os pratos principais. O peixe é óptimo e os arrozes são deliciosos. Dois conselhos: pregado frito e arroz de lingueirão. O pregado é um peixe fantástico que, muitas vezes, passa despercebido e quase cai no esquecimento. Aqui encontra sempre pregados frescos. A um preço estilo Comporta. Mas, como o arroz é enorme, alimenta facilmente seis bocas vorazes só com estas duas doses. E não dispense o arroz de lingueirão por nada deste mundo. Primeiro, porque a Comporta é a terra do arroz: basta olhar à volta e ver os enormes arrozais a perder de vista mesmo em cima da praia. Depois porque o lingueirão é um dos mais maravilhosos mariscos do planeta. E, tal como o pregado, muitas vezes passa despercebido e facilmente cai no esquecimento. Se, no fim disto tudo, ainda tiver espaço para uma sobremesa, experimente um crepe. Ou então diga que está de dieta e peça mais uma caipirinha. Com adoçante, claro.

O ambiente 

Este é um dos últimos fins-de-semana pré-Verão para vir até à Comporta. A partir daqui, a taxa de ocupação vai subir com tanta velocidade como a taxa de IMI subiu com a troika. E o Comporta Café vai tornar-se num local impossível para visitar ao fim-de-semana (em Agosto, só no final do mês e durante a semana). Nós estivemos lá na semana passada e aproveitámos um restaurante quase vazio e um pôr-do-sol deslumbrante. O ideal é ir ao fim do dia e sentar-se junto à janela (a esplanada é de evitar a essa hora por causa das melgas) com uma caipirinha numa mão e uma salada de grão na outra, enquanto espera pelo jantar.

Se for antes de o sol se começar a pôr, aproveite os confortáveis pufes coloridos ou as deliciosas redes na esplanada enquanto ouve música chill out. Mas no Verão tudo isto é impossível. Há dezenas de pessoas à espera de um lugar na esplanada e muita confusão na sua órbita. Nos meses de Julho e Agosto, o restaurante transforma-se mesmo em discoteca ao fim da noite. Por isso, tranquilidade não é aqui. 

O serviço 

Este é um ponto que está directamente ligado ao anterior. Quando o restaurante está cheio, o serviço torna-se mais empenado, os empregados falham e os pratos atrasam. Na época do ano em que estamos, ainda é o sonho: simpatia, atenção e rapidez. Por isso, aproveite os últimos dias de tranquilidade.

 

O bom 

O pregado e o arroz de lingueirão

O mau 

O preço

O óptimo 

A vista

 

Um bom pôr-do-sol para si, onde quer que esteja,

Ele