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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

esclarecimento: as fraudes à volta do casal mistério

Nos últimos meses, recebemos várias mensagens, por email e Facebook, de donos de restaurantes e hotéis a perguntarem se tínhamos visitado os seus espaços e pedido descontos.

Não, não pedimos!

Depois de termos esclarecido o mal entendido, explicaram-nos que alguns clientes fazem-se passar pelo Casal Mistério, outros dizem que são nossos amigos. Tudo para conseguirem redução de preços.

Numa altura em que as críticas mistério se estão a espalhar por blogs, sites e jornais, convém esclarecer alguns pontos sobre o Casal Mistério. Não sabemos se os outros bloggers e jornalistas seguem estas regras, mas nós respeitamo-las como princípios invioláveis.

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7 sinais que o devem fazer fugir de um restaurante a 7 pés

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Temos uma má notícia para lhe dar: há truques sofisticados para fazer uma ementa que conquiste os clientes mesmo que a comida não seja brilhante. Agora temos uma boa notícia para lhe dar: há maneiras de descobrir esses truques e evitar os restaurantes caros e fracotes.

O jornal britânico The Guardian convidou um crítico gastronómico mistério (não, não, infelizmente não fomos nós...) a explicar qual é a melhor maneira de escolher um bom restaurante só pela ementa. Nós publicamos aqui os sinais que indiciam quando existe uma pequena desgraça no horizonte. E pode começar por se convencer de uma coisa: umas lulas em cama de arroz não são mais do que umas lulas com arroz.

 

 

d'oliva lisboa

 

O serviço

Uma coisa é ter o Carson, de casaca vestida e mãos atrás das costas, a olhar pacientemente para nós enquanto acabamos o jantar; outra coisa é ter a empregada do D'Oliva, de avental à cintura e prato na mão, a olhar nervosamente para nós enquanto tentamos engolir de uma só vez o carpaccio e procuramos desesperadamente salvar as últimas lascas de parmesão que estão na iminência de ser sugadas para a cozinha. Eu sei que, assim à primeira vista, posso parecer tão rabugento como a velha condessa de Grantham, mas, convenhamos, há um meio-termo entre o exagero cerimonioso de Downton Abbey e a descontracção amigalhaça do D'Oliva.

 

 

Eu não peço muito, dispenso as vénias à entrada e até ser tratado por m'lord, mas gosto de comer descansadamente e, já agora, agradecia que pudessem esperar que eu terminasse antes de retirarem o prato da minha mesa.

Ultrapassando esse pequeníssimo detalhe, o serviço no D'Oliva é de uma simpatia cândida. A relações públicas, que nos recebe à porta de calças de ganga azuis, uma t-shirt branca decotada e um blazer preto fashion, dá ares de Sienna Miller e falta pouco para nos cumprimentar com um beijinho. E o novo sócio (que ficou recentemente com o restaurante de Lisboa, originalmente dos donos do Al Forno, no Porto) fala com os clientes de forma simpática e atenciosa.

 

 

O ambiente

A decoração é engraçada e mistura quadros grandes de figuras da Disney com janelas enormes a dar para um pátio com algumas oliveiras. Resultados – um bom e um mau: entra muita luz para a sala, mas o pátio é tão pequeno que, por trás das oliveiras, vemos uma rampa que mais parece o telhado de uma entrada de garagem. De qualquer forma, se se conseguir abstrair da rampa, tem um enorme open space, com duas salas divididas apenas por uns degraus. Esta disposição dá um ar arejado ao restaurante, mas também dá um som barulhento e desagradável à sala vindo das mesas que reúnem pequenos grupos de neoyuppies, de fato, sem gravata e com muito tempo para almoçar.

Apesar de já não existir o buffet ao almoço, aqui toda a gente se conhece. E, quando, no fim da refeição, os neoyuppies se levantam para se servirem do mini-buffet de sobremesas, a sala transforma-se no foyer de um teatro.

A música ambiente é uma boa selecção de jazz mas, se estivesse um pouco mais baixa, ajudava a tornar o nosso almoço um pouco mais calmo.

 

 

A ementa

Ao jantar, o serviço à carta é exageradamente caro para o que o D'Oliva tem para oferecer: a comida é boa, mas não é espectacular; a decoração é agradável, mas não é surpreendente; o ambiente é cool, mas já não é da moda. Conclusão: o D'Oliva está desesperadamente a tentar ser aquilo que é no Porto e que nunca conseguiu ser em Lisboa.

Ao almoço, o menu executivo (que substituiu o famoso buffet) é mais equilibrado. Por 18 euros por pessoa, tem direito a um buffet de saladas, uma entrada, um prato principal e um buffet de sobremesas. Todas as semanas, as ofertas mudam.

 

 

As entradas

O carpaccio de novilho com rúcula, parmesão, pinhões e alcaparras (o tal que, no meio do stress para terminar, foi engolido sem mastigar) estava óptimo, cortado fininho, bem temperado e com uma fantástica mistura entre a suavidade dos pinhões e o avinagrado das alcaparras.

 

 

Os pratos principais

Aqui pode escolher entre pizzas, pastas, carnes (como um apetecível rosbife de picanha) e peixes. Eu optei por uma deliciosa garoupa em crosta de ervas. Bem cozinhada, suculenta, a separar-se em apetitosas lascas brancas brilhantes, vinha com a pele estaladiça e um suave molho de azeite.

 

 

As sobremesas

Entre fruta variada, doces e bolos, o buffet de sobremesas é um dos melhores momentos do almoço – e sempre uma óptima oportunidade de ouvir conversas interessantes de empresários, gestores, banqueiros e sofisticados wannabes. Dá para se distrair enquanto saboreia a comida, o que, dependendo da companhia, pode ser útil. Eu, que era o único a cometer essa excentricidade de vestir um fato com gravata, senti-me um bocadinho alienígena. Mas comi bem. Um pouco depressa demais – mas bem.

 



O bom - A comida e os doces

O razoável - A decoração

O péssimo - O barulho e a pressa de levantar os pratos

 

Um abraço para os neoyuppies deste mundo, onde quer que eles estejam,

Ele 

douro in

 

- Tou?

- Estou, boa noite.

- Tou, então, tudo bem?

- ... Hmm, peço desculpa por estar a incomodar, fala do restaurante Douro In?

- Ah, sim, restaurante Douro In, boa noite.

[É nesta altura da conversa que eu percebo que, das duas uma: ou o empregado me vai cumprimentar à chegada com um beijo na testa, ou então não está habituado a atender clientes...]

- Boa noite [pela segunda vez], eu queria fazer uma reserva para esta noite.

- Sim, sim.

- Somos quatro pessoas e queria perguntar-lhe se ainda tem uma mesa ao pé da janela.

- Claro que sim.

 

 

 

 

O ambiente

Uma hora e meia depois, estávamos nós e um casal amigo a chegar a um dos restaurantes mais bem localizados do Douro. Mesmo em cima da marginal, tem janelas do tecto ao chão e uma vista fantástica. Parámos o carro, entrámos, olhámos para os lados e tivemos a resposta à nossa dúvida inicial: em todo o restaurante, estavam cinco pessoas - nós os quatro e uma empregada. Tirando o constrangimento de ter à nossa volta, durante duas horas, alguém que só tem uma coisa em que pensar - nós -, o espaço é surpreendente: mistura detalhes tradicionais, como as paredes em pedra, com mesas e cadeiras sofisticadas, da autoria de Philippe Starck. É claro que ainda não estamos ao nível do Hotel Mama Shelter, em Bordéus, mas, já que não podemos ter um projecto Philippe Starck, ao menos que tenhamos cadeiras Philippe Starck.

 

 

 

 

 

O serviço

Não sei se foi por sermos os únicos, mas a empregada conseguiu ser extremamente simpática, incrivelmente prestável, esforçadamente rápida e desesperadamente ausente enquanto estivemos a comer - e olhe que num restaurante vazio não é fácil aparecer apenas quando precisamos de a chamar. Tudo isto num dia de semana e com a sala deserta, quando a perspectiva de ir para casa mais cedo estava ali tão perto... 

 

 

A ementa

Presumo que queira começar pelas boas notícias, certo? Calculei... Então aqui vai: a garrafeira é imensa e a oferta de vinhos a copo é enorme, o que é sempre uma boa opção para quem está em crise ou vai a guiar. Nós, que acumulávamos essas duas fantásticas condições, resolvemos deixar-nos de cerimónias e mandar vir uma garrafa de Corpus 2008 tinto muito bom.

Agora, passamos às notícias razoáveis: a comida. Pedimos de entrada uns óptimos míscaros salteados, produzidos de forma biológica numa quinta particular, e um carpaccio de salpicão transmontano com azeite e flor de sal... sofrível. Os pratos principais não surpreenderam: eu escolhi um tornedó três pimentas que estava bem cozinhado, mal passado - o que, neste caso, é bom -, mas trazia um molho um bocadinho intenso demais. As outras três almas à mesa partilharam um bife banalíssimo e um risottto de brócolos e legumes grelhados que cumpria. Para acabar, é preciso manter a tradição no Douro, que é o mesmo que dizer: uma tábua de queijos e um vinho do Porto.

Finalmente, as más notícias: entre pratos partilhados e apenas uma garrafa de vinho, pagámos 125 euros. Se Pedro Passos Coelho sabe disto...

 

 

O Óptimo - a decoração

O Bom - o serviço

O Mau - o carpaccio de salpicão transmontano com azeite e flor de sal

O Péssimo - a conta

 

 

Um bom fim-de-semana para si, especialmente se o for passar ao Douro,

Ele

 

quinta do vallado, um refúgio de sonho onde o vinho é rei

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Imagine um hotel moderno, sofisticado, cercado de vinha, ou melhor, de vinho por todos os lados. É uma ilha de emoções. Um paraíso para quem, como nós, adora esta bebida inspirada. E depois há o conceito: Wine Hotel. A expressão em si é música para os nossos ouvidos. Resultado: acordávamos a desejar que fosse meio-dia, a hora que estipulámos de razoável para beber o primeiro copo de vinho branco. A partir daí, entre provas de branco, tinto e portos secos, vintage e tawny, foi a verdadeira loucura.  

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Lá fora

O hotel está dividido em dois edifícios: o histórico, que data do século XVIII, entretanto recuperado, e o novo, do século XXI. Optámos pelo mais recente. Quando chegámos, já perto das oito da noite, depois de vários quilómetros de curva e contracurva, estavam 4 graus. Arrumámos o carro e subimos a escadaria imensa que dá acesso ao hotel, plantado nas típicas encostas das margens do Douro. À nossa esquerda, o edifício construído em 1733 e recentemente recuperado. À direita, o novo, projetado pelo arquiteto Francisco Vieira de Campos, para onde entrámos rapidamente, já com o nariz a congelar.  

Primeiro impacto 

A receção aqueceu-nos a alma. Com paredes e chão de xisto, a decoração é sóbria e elegante. Ao fundo, a miragem das salas e da biblioteca, com as suas três lareiras acesas, pareceu-nos um milagre. Mas todo o encantamento se desvaneceu quando nos anunciaram que não serviam jantares, porque “a taxa de ocupação não justifica”. Gelámos novamente com a perspetiva de ter de voltar a sair. Lá fomos à Régua jantar ao Douro in e regressámos rapidamente para aproveitar o hotel. 

Cá dentro

O quarto é confortável e clean (dispensávamos um gigantesco buraco na parede junto à ombreira da porta), e a casa de banho, toda ela em xisto preto, é minimalista e trendy. A varanda tem uma vista bonita mas não é deslumbrante. A cama dá para mais de duas pessoas (cada um sabe de si! Estou aqui para informar…) e é super confortável. Os lençóis, endredon e almofadas são frescos e macios. Mas onde se estava realmente bem era em frente às lareiras da sala e da biblioteca que tornavam estes espaços os mais quentes e acolhedores da Quinta do Vallado. Por isso, acabámos o dia da melhor forma: a ler um bom livro, com um excelente vinho, ao som do crepitar das chamas e da música ambiente de um discreto iPod colocado numa das mesas da sala.

O pequeno-almoço

No dia seguinte, fomos surpreendidos por um pequeno-almoço de rei: inúmeros pãezinhos, croissants, bolo, fruta variada (até romã!!!), ovos, bacon, presunto, tomate, azeite, manteiga, sumo de laranja natural, queijos, fiambres diversos, mortadela, queijo fresco, compotas caseiras, frutos secos, doce, leite, café, chá, expresso, e até nutella! Ufa! Estava mais para brunch do que para pequeno-almoço, tal era a fartura. Tudo isto servido com requinte e muito bom gosto, numa sala de jantar arejada, com duas janelas enormes que convidam a paisagem a fazer-nos companhia, separadas por uma original lareira suspensa, que aquecia ainda mais o ambiente.

Pormenores que fazem a diferença

No dia seguinte, o pequeno-almoço já foi de príncipe. A "taxa de ocupação" claramente não justificou uma ida ao supermercado. Passou de ótimo a razoável em apenas 24 horas. E a única lareira acesa era a da sala de jantar. As da sala e da biblioteca mantinham as cinzas da véspera. A mesa de jogo da noite anterior permanecia intocável, com os nossos copos de vinho do porto e as chávenas de café por levantar. O serviço, "quando a taxa de ocupação não se justifica", é manifestamente insuficiente, apesar da simpatia dos dois únicos funcionários que nos atenderam durante toda a estada. Por isso, decidimos dar uma ajuda e acendemos nós as lareiras.

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O jantar

Depois da desilusão da primeira noite, ofereceram-nos a hipótese de jantar no hotel no segundo dia. A mesma sala do pequeno-almoço, com a sua lareira suspensa (acesa!) abriu só para nós. O menu era fixo, mediano e caro: por 35 euros por pessoa, comemos uma canja de galinha razoável, um medíocre bacalhau com broa requentado, e um petit gateau com gelado de baunilha de sobremesa. Os vinhos da casa salvaram a honra do convento. Mas, pelo menos, não tivemos de enfrentar o frio lá fora...

O Douro

Os dias foram passados a descobrir a região, linda com as suas inúmeras quintas e paisagens deslumbrantes, sempre com o Douro como protagonista. A que mais me impressionou, não pelo vinho (porque, francamente ao fim de tanta prova, já não distinguia o tawny do vintage, o tinto do branco) mas pela qualidade e o profissionalismo da visita, e pela beleza da propriedade e da vista, foi a Quinta do Seixo, da Sogrape. Cinco estrelas! 

Em memória da Dona Antónia

No último dia, ao final da tarde, regressámos ao hotel para fazermos finalmente a visita às vinhas e à adega da Quinta do Vallado. Num registo mais intimista mas não menos profissional, dada a proximidade que já tínhamos com o nosso guia, um simpático funcionário do hotel. A paixão com que nos contou a história da quinta, pertencente aos herdeiros da mítica Dona Antónia, e nos explicou todo o processo, desde as vindimas ao engarrafamento, fez-nos sonhar com a nossa própria vinha. E decidimos começar a treinar logo ali, tornando-nos peritos na matéria: atirámo-nos a mais uma prova de vinhos.

O bom

A decoração do hotel, a vista

O ótimo

O pequeno-almoço (no primeiro e último dia), as lareiras, a simpatia do nosso guia durante a visita às caves

O mau

O jantar não é brilhante, o serviço é insuficiente quando a "taxa de ocupação não se justifica"

O péssimo

Não há péssimo

 

Um ótimo descanso,

Ela

Il gattopardo

O restaurante preferido de Sócrates

 

Existe pior cartão-de-visita do que ser o restaurante favorito do ex-primeiro-ministro mais pedante e enervante de que há memória? Não… mas o Il Gattopardo não tem culpa. E Sócrates tem milhares de defeitos, mas ninguém o pode acusar de falta de gosto (exceção feita à escolha das namoradas). Fui convidada pela minha mãe para almoçar e confesso que até torci o nariz. Nem o restaurante nem o ambiente têm muito a ver comigo, mas enfim, sempre que lá fui, comi bem, por isso lá acedi. Além disso, adoro cozinha italiana.

Enquanto nos dirigíamos para a mesa, fui-me deliciando com a paisagem: um banqueiro na mesa do fundo numa espécie de reunião de negócios, um conhecido empresário muitíssimo bem acompanhado, dois políticos com um ar conspirativo e ufa… nada de Sócrates. Constatação: era a cliente mais nova do restaurante. Sorriso na cara. Já não me acontecia há algum tempo! Que felicidade. Il Gattopardo 1 – Restaurantes da moda – 0.

 

 

O ambiente

Volto a olhar com mais atenção. Empate. Os restaurantes da moda recuperam no que toca à decoração. O restaurante do Hotel D. Pedro Palace transporta-nos para o cenário do filme de Visconti. A ideia deve ser mesmo essa, mas definitivamente não é o meu género. O ambiente é luxuoso, elegante, sóbrio e ligeiramente démodé. Será provavelmente o único defeito do Il Gattopardo: a decoração antiquada.

 

O serviço

Cinco estrelas. Impecável. Os empregados estão sempre atentos e presentes, sem se fazerem notar. Basta levantarmos os olhos da mesa para recebermos um olhar solícito de volta. Os pratos chegam da cozinha a um ritmo vertiginoso e os copos estão sempre cheios.

 

 

A ementa

Couvert

Uma variedade infinita de pãezinhos das mais diversas cores e feitios, grissini, e um prato de azeite a acompanhar dão início ao festim. Dois minutos depois, somos presenteadas por uma cortesia do chef: um pratinho redondo com croquetes de carne, bolinhas de queijo creme e amêndoas, e folhadinhos de massa estaladiça com recheio de camarão.

 

Entrada

Pedi, para começar, um queijo de cabra gratinado em folhas de espinafres e croutons: maravilhoso e na dose certa.

 

Prato Principal

Depois, deliciei-me com uns filetes de dourada com risotto de tomate: muito bons, com uma apresentação apelativa, mas confesso que me soube a pouco. É o drama da nouvelle cuisine. Por isso, não consegui recusar a sobremesa.

 

Sobremesa

Optei por uma tarte de maçã com gelado de nata. E só aqui é que o chef siciliano Michele Bono falhou ligeiramente: a tarte (ótima, esclareça-se) era muito doce, por isso, o gelado de nata tornou o prato ligeiramente enjoativo. Se calhar optava por um gelado de limão.

 

No final, veio o café para mim e a conta para a minha mãe. Uma divisão justa e agradável. Quando saímos, olhei novamente em redor. Nem sinal do Sócrates. Um almoço perfeito.

 

 

O Bom – A comida e o serviço

 

O Mau – A decoração

 

O Péssimo – O risco de levar com José Sócrates na mesa do lado

 

Por Ela

a bica do sapato e o brilhante bacalhau escalfado a baixa temperatura

A ementa

Já foi melhor? Já. Já foi mais surpreendente? Já. Já foi mais da moda? Já. Mas também já foi mais caro, mais cagão, mais difícil de marcar e mais fácil de detestar. Para a Bica do Sapato ser um restaurante obrigatório só precisa de saber uma coisa: ainda tem o bacalhau fresco escalfado em azeite virgem em cima de à Brás? E isso está lá. Tão bom como dantes e com mais algumas vantagens: os preços estão mais suportáveis e o serviço está menos insuportável. Mas vamos ao que interessa. Este bacalhau, cozido a baixa temperatura, parece um peixe macio, branco, que quase se desfaz na boca. Vem numa posta alta e com a quantidade de sal ideal, sem aquelas pontas amareladas nem os fios irritantes que se enfiam nos espaços entre os dentes. É outra coisa. Branco brilhante, divide-se facilmente em finas lascas com umas gotas de azeite e está por cima de uma cama de ovos à Brás: ou seja, ovos mexidos, cebola e batata frita - sem mais bacalhau. A mistura é simplesmente um dos melhores pratos que se pode comer em Lisboa. 

Mas há mais. O risotto de alheira é uma delícia – apesar de não ser O-MELHOR-RISOTTO-DO-MUNDO – e as entradas estão ao nível de um bom restaurante: ostras frescas, carpaccio de mero e salmão com aneto, canja de borrego ou tártaro de bacalhau fresco com poejo. Mas não hesite: se tiver de escolher entre os dois bacalhaus, o primeiro é obrigatório.

Última novidade, especial crise: por €21,50 pode escolher o Menu Bica do Sapato, com uma entrada, um prato, uma sobremesa e um copo de vinho. Mas o bacalhau escalfado não é uma hipótese de escolha deste menu. E sem bacalhau escalfado mais vale ir a outro sítio. 

O serviço

Houve um tempo em que os empregados olhavam para si como o Carson de Downton Abbey olha para alguém que não tenha uma casaca vestida: a espelunca desceu à cidade. Hoje, a coisa está ligeiramente melhor. Em quatro empregados, só fomos desprezados por um (o da entrada), o que, na Bica do Sapato, é um avanço de 100 anos de civilização. O empregado que nos serviu sorria, pedia desculpa quando se enganava e até perguntava se estava tudo bem. É estranho mas, com a crise, até na Bica do Sapato pode haver gente simpática.   

O ambiente

Este pode ser o maior problema. Numa quinta-feira à noite, o restaurante estava a menos de um quinto - e metade eram grupos de americanas insufladas a beberem gins em cascata. De resto, a decoração era surpreendente há 15 anos. Hoje, parece que entramos na USS Enterprise do Caminho das Estrelas. Já não há a divisão entre o restaurante e a cafetaria, o que traz um problema: se não for fumador, terá de ir para a zona do antigo restaurante, que é o mesmo que dizer - ficará no espaço menos arejado e mais pretensioso. Mas tudo isto é o menos quando temos à nossa frente o bacalhau escalfado.

 

E já agora, um bom Ano Novo para si, onde quer que esteja,

Ele

14 sítios a visitar em 2014

  

A nossa lista de resoluções para o novo ano:

comer, beber e avaliar...

  

- Forneria Estado Líquido (Lisboa)

- Moules and Beer (Lisboa)

- Hotel Rio do Prado (Óbidos)

- Pizzaria Lisboa (Lisboa)

- AL Forno Baixa (Porto)

- Cantinho do Avillez (Lisboa)

- Hotel Yeatman (Porto)

- Tasca da Esquina (Lisboa)

- Book (Porto)

- Herdade do Amarelo (Vila Nova de Mil Fontes)

- Honra by Olivier (Lisboa)

- Mesón Andaluz (Lisboa)

- Osteria (Lisboa)

- e ainda...uma pousada de Portugal

 

Bom ano!

 

 

Por Ela

 

 

 

furnas do guincho, um restaurante com um peixe fantástico e uma vista maravilhosa

Um jantar com a sogra? Por favor, chamem o INEM. Um jantar com a sogra e com o marido da sogra, que não é o sogro? Meu Deus, podem começar a massagem cardíaca. Um jantar com a sogra e com o marido da sogra, que não é o sogro, no restaurante Beira Mar em Cascais? Apaguei de vez - pode entrar o coveiro. Nesta fase da tragédia, só há uma maneira de me ressuscitarem: a alteração de um destes três factores apocalípticos. E por uma feliz coincidência, isso aconteceu a poucas horas do mergulho no abismo: o Beira-Mar estava fechado até ao dia 21 de Dezembro. E foi assim que, em estado pré-comatoso, entrei nas Furnas do Guincho.

O ambiente

Do meu lado esquerdo, um grupo de 20 turistas homens, fardados com blazer e camisa sem gravata, a beberem vinho com se estivessem a beber água. Do meu lado direito, um casal de turistas, a beberem vinho como se estivessem a beber uma marguerita. Atrás de mim, uma familia de turistas, a beberem água como se estivessem a beber vinho. À minha frente, mar, muito mar. Esta é a parte boa das Furnas do Guincho. Apesar de a média de idades rondar os 60 anos e do alemão ser língua mais falada, há uma esplanada com uma vista soberba sobre o mar. É claro que nesta altura do ano a esplanada não é para usar, mas é para isso que existem janelas. E aqui janelas não faltam. A decoração está ao nível da média de idade dos clientes e do bom gosto de Angela Merkel para se vestir. 

A ementa

O pão é básico, as tostas são grossas e a broa embucha. Não há azeite na mesa, nem patés ou qualquer outra frescura. Aqui é tudo à antiga. E isso nem sempre é bom. Especialmente quando o couvert básico contrasta com a decoração pretensiosa. Mas há sempre umas gambas razoáveis para picar e, no Verão, uns percebes bonzitos.

 

O peixe 

Não vale a pena vir aqui para comer um bife. Este é um restaurante de peixe, bom peixe, óptimo peixe. Especialmente se o pedir ao sal. Neste dia de sacrifício, o marido da sogra comeu uns filetes de cherne com sala russa (quem é que vai a um restaurante de peixe comer filetes de cherne com salada russa?!) e a sogra pediu uma paelha (o que à partida pode parecer um absurdo, mas depois se revelou uma surpresa, com o arroz solto e molhado em azeite). Eu preferi não inventar. E não inventar aqui é pedir um robalo do Guincho ao sal. O peixe estava fresquíssimo e cozinhado no ponto, que é o mesmo que dizer suculento e a dividir-se facilmente em lascas. Falha: o peixe vem apenas com molho de azeite e alho, falta claramente o molho tártaro e o molho holandês, que nem a pedido conseguiram fazer. 

A sobremesa 

Nesta área não pode haver dúvidas. Tem de pedir a mousse de avelã, uma receita caseira tradicional de Cascais, feita há duas gerações pela familia Arouca para os principais restaurantes da região. O segredo está na mistura de um chocolate pouco doce a envolver um nogat maravilhoso de avelã. Imperdível! O serviço Apesar de estarem encantados com a mesa dos turistas de blazer sem gravata, os empregados foram eficientes e simpáticos. É uma vantagem destes restaurantes junto ao Guincho: há sempre mais empregados do que é realmente preciso. E, no caso das Furnas do Guincho, nem tem de pagar o absurdo que paga, por exemplo, no Mar do Inferno ou no Porto de Santa Maria. Continua a ser demasiado caro, mas neste caso esse até foi um problema do marido da sogra. Ninguém lhe mandou pedir a salada russa...

 

Um abraço para si, onde quer que esteja,

Ele

salada de burrata com tomate, trufas e pinhões

 

Minhas queridas senhoras tão preocupadas com a linha,

 

Da mesma maneira que o calor do Verão não é motivo para virarem vegetarianas, o frio do Inverno não é desculpa para ostracizarem as saladas das vossas vidas. Temperaturas abaixo de dez graus não têm de ser sinónimo de chouriço assado a pingar gordura em cima de uma canoa de barro. Isso também é bom. Mas o Inverno não tem de ser só isso. Feita a introdução, aqui vai uma dica de salada para depois do Natal ou para um Ano Novo vegan. Primeiro, a matéria-prima. Tomate que é verdadeiro tomate vem da horta. Da sua ou da de alguém. Por isso, se não tem um pequeno tomateiro em casa (não fiquem abespinhadas que não é assim tão difícil), arranje uma daquelas empresas de cabazes biológicos e encomende tomate cherry. Corte os tomatinhos ao meio e coloque-lhes em cima burrata às fatias (qualquer semelhança com mozarella é pura coincidência - esta pode ser comprada em qualquer mercearia melhorzinha) e uma folha de manjericão (se for da horta, melhor).

A seguir, tempere com azeite, vinagre balsâmico e flor de sal. E depois dê-lhe o toque de Inverno: umas raspas de trufa (as nacionais, são bastante piores, mas estão à venda no Jumbo por um preço acessível) e um pouco de azeite de trufa. Como já temperou com o azeite normal, basta pôr um bocadinho de azeite de trufa para dar sabor. Mesmo antes de servir, polvilhe com pinhões. O resultado... bom, o melhor é ver pela fotografia.

 

Como dizia o outro, um bom fim de ano para si, onde quer que esteja,

 

Ele

natal

 

 

O nosso Natal é uma loucura de almoços e jantares. Começamos a 24 às 13h00 e acabamos dia 25 à meia-noite, tudo isto numa correria de um lado para o outro: casa da mãe, casa da sogra, casa da tia, casa do sogro, carregados de crianças, presentes, vinho e bolo-rei. A azáfama é tal que não vamos conseguir aproximarmo-nos sequer de um computador. E se tentar tocar no Ipad ou no Iphone, corremos o risco de ser olhados de lado por toda a família. Mas depois do bacalhau, do perú, dos sonhos, das rabanadas, e muito mais, vezes quatro (ufa!), voltamos com uns quilos a mais e cheios de novas ideias, boas receitas e mais críticas mistério...

Até dia 26!

 

Feliz Natal!

 

Por Ela

mercy hotel

A ideia era passar uma noite romântica em Lisboa, com direito a um jantar a dois, a um concerto e a uma noite de copos. “No mercy”, sem crianças. Talvez por isso, a nossa escolha tenha sido inspirada: o Mercy Hotel, no Chiado. Como o próprio nome indica, situa-se na rua da Misericórdia, aquela frenética artéria “super in” que liga o Príncipe Real ao Largo Camões.

 

 

 

Optámos por um Quarto Cosy, e o nome não poderia ser mais adequado. O quarto é, de facto, cosy, até demais... Aliás, tudo no hotel é cosy. Da receção ao elevador, do corredor ao bar, até chegarmos ao quarto, tudo é claramente digamos... que aconchegante. Com uma decoração em tons quentes (castanhos, dourados e cinzentos), todo o hotel se apresenta em forma de presente aos hóspedes. Mal entramos no lobby, é impossível não reparar nas gigantescas fitas douradas que percorrem todo o teto da receção quais ondas esvoaçantes.

 

 

 

Mas a cereja no topo do bolo, no que toca a apontamentos dourados, são as portas dos quartos com as ditas fitas com uma enorme laçada ao centro que só apetece desembrulhar. Contive-me porque estávamos acompanhados pelo senhor das malas que, diga-se, não podia ser mais prestável. Depois de nos mostrar todos os cantos e recantos no nosso imenso quarto cosy, fez questão de nos explicar detalhada e demoradamente que, para acedermos à password do Wi-Fi do hotel, teríamos de ligar o comando da TV, pressionar o botão do Menu e pasme-se: carregar na palavra Wi-Fi! Pelo sim, pelo não, explicou-nos o procedimento duas vezes, não fosse o caso de não termos percebido à primeira. O quarto é pequeno mas muito confortável. A casa de banho, toda preta, tem muita pinta. E depois de uma tarde de compras e um duche retemperador, jantámos no fantástico restaurante do hotel, o famoso Umai, do chef Paulo Morais. O jantar – irrepreensível – merece um post à parte.

 

 

O concerto foi excelente e acabámos a noite no bar Park no topo de um parque de estacionamento na calçada do Combro. O regresso ao hotel, por volta das duas da manhã, foi uma bênção... porque isto de dormir em hotéis é muito agradável e romântico mas não há pior do que ter de acordar cedo a tempo do pequeno-almoço. E no Mercy, as portas fecham-se às 10h30! Pelo sim pelo não, decidimos pedir o pequeno-almoço no quarto... que provou ser definitivamente cosy e a cama cinco estrelas, com lençóis e almofadas de luxo. A noite foi de sonho só interrompida por uma pancada tímida a anunciar o room service com o nosso pequeno-almoço que diga-se, era bom mas não espectacular: o café e o leite já vinham misturados (qual galão morno dentro de uma cafeteira) e o sumo de laranja não era natural... mas cumpriu os mínimos.

 

 

Resumindo: bom, simpático, ideal para uma noite bem passada no coração da movida lisboeta...mas não é inesquecível.
Ah! E não se assuste se tropeçar em vários manequins espalhados pelo hotel. Sentados num sofá, em pé, a conversar ou simplesmente a olharem para nós. Fazem parte da decoração e usam peças da última coleção de uma conhecida estilista portuguesa. Uma ideia original mas um tanto ou quanto... creepy.

 

 

 

 

Por Ela

vivó inverno a saber a verão

Percebes

 

 

 

Às 17h11 começou oficialmente o Inverno. E a melhor maneira de comemorar o evento é a relembrar o Verão. Desta vez, não saí de casa para comer fora. Com 16 graus na rua, vesti uma T-shirt e meti-me no carro a caminho do Coolares Market, um óptimo sítio para fazer as últimas compras de Natal. Pouco antes de chegar à Quinta do Pé da Serra, há um largo à esquerda onde costumam estar umas bancas com produtos caseiros. Se chegar antes da hora do almoço e se a maré ajudar, é provável que encontre percebes frescos acabados de apanhar na praia da Adraga. Depois de os conseguir, o resto é fácil. Passe-os bem por água para tirar a areia e ponha uma panela de água a ferver cheia de sal - para um quilo de percebes, pouco menos de meio quilo de sal. Quando a água estiver a ferver, deite os percebes lá para dentro e tape. Mal voltar a levantar fervura, apague o lume. Em menos de cinco minutos está de volta ao Verão e à praia. E tudo isto por 10 euros. Sem precisar de aturar empregados mal dispostos em restaurantes da moda.

 

Um bom Inverno para si, onde quer que esteja,

Ele

bulldog e o tribunal constitucional

A bebida ideal para ouvir juízes

 

 

 

 

Era aquele senhor com voz de elefante e pronúncia de Mota Amaral a entrar pela televisão e eu a sair pela cozinha. Hoje em dia, política sem álcool é como muamba sem gindungo - ou, como diria o Jorge Perestrelo, é como futebol sem golos. Ouvir o Tribunal Constitucional obriga-me a preparar um gin; ouvir o Passos Coelho, dois; o Paulo Portas, três; e quando chega o Seguro, o melhor é beber logo pela garrafa. Mas aquele juiz com uma capacidade de dicção ímpar, uma voz envolvente e uma queixada de fazer inveja ao Mutley fez-me lembrar algo um pouco mais sofisticado - este é um momento para um Bulldog.

- Peguei numa laranja, num limão e numa toranja que tinha acabado de receber no meu cabaz de legumes e frutas da horta e cortei uma fatia comprida da casca de cada um.

- Juntei-os num copo de gin cheio de gelo e misturei um pouco com uma colher torcida.

- Depois deitei um cálice de gin Bulldog e continuei a misturar.

- A seguir deitei uma água tónica Schweppes Premium Pimenta Rosa cuidadosamente através da colher e voltei a mexer.

Depois de tudo isto, bebi. E bebi. E bebi. No fim, parecia que Portugal é que tinha acabado de emprestar 73 mil milhões de euros à Alemanha para esta sair da crise.

 

 

Um abraço para si, onde quer que esteja,

Ele

o talho, um dos melhores restaurantes de lisboa

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O ambiente

Aqui estão reunidas todas as condições para uma pequena desgraça. Primeiro, o nome: alguém, no século XXI, quer ir a um restaurante onde só se sirvam costeletas grelhadas? Depois, o guarda-roupa: alguém, que viu o Star Trek quando ainda andava de calções e meias até ao joelho, quer ser recebido por um empregado com um intercomunicador no ouvido igual ao do capitão Kirk? Finalmente, a localização: alguém, que não se tenha divorciado há três meses, quer ir jantar a um restaurante que fica exactamente entre o El Corte Inglés e o bar Nocturno 76?

Eu sei que é difícil ultrapassar todos estes preconceitos numa única noite, mas, por favor, tente. E, se não conseguir, tente outra vez. E outra. E outra. E outra. E outra. Até ser capaz. Primeiro, porque O Talho – apesar do nome desastroso e da tabuleta em neón – não serve costeletas grelhadas. Serve alguma da melhor e mais elaborada carne que se vende em Lisboa. Depois, porque o capitão Kirk é um dos mais simpáticos e eficientes empregados do distrito. E finalmente, porque hoje em dia quase qualquer carro tem alarme – e resiste a duas horas estacionado naquele sítio. Só para o caso de ainda não ter ficado convencido, porque aqui o ambiente é relaxado, sofisticado e com um enorme bom gosto. Do mini-bar de gin onde pode esperar pela sua mesa, à decoração cuidada e despretensiosa, passando pela clientela e pelos detalhes: o corredor para as casas de banho é uma adega com charme e os lavatórios são blocos de pedra rústica. 

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A ementa

Aqui estão reunidas todas as condições para uma pequena surpresa. O chef passou um ano a viajar pelo mundo, ficou instalado em casas particulares e aprendeu a cozinhar com as famílias. Isto depois de ter passado por França e pelo Eleven, onde aprendeu o resto. O resultado é uma mistura de genuinidade com sofisticação. Uma mistura de tradição com imaginação. Uma mistura de vintage com moderno. No fundo, uma mistura de Capitão Kirk com Avatar. Quase tudo é óptimo. Algumas coisas são geniais. Muito pouco é vulgar.

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As entradas

No que comemos, só um dos aperitivos falhou: Uma fatia de bacon por cozinhar com vinagre agridoce e beterraba ralada. Foi a primeira e não resultou. Mas foi a única. O segundo aperitivo foi excepcional: um ovo escalfado a baixa temperatura, no ponto ideal, rodeado de farofa de bacon frita e estaladiça, leve e surpreendente que, em vez de uma farinha, parece flocos de neve.

Além de óptimo, o segundo aperitivo serviria como uma fantástica entrada em qualquer restaurante de semi-nouvelle cuisine.

Até as entradas, que poderiam parecer normais, conseguem surpreender. O bloco de foie gras corado em sal é apenas bom, mas o facto de vir acompanhado por um mini-croquete de chocolate e uma mini-madalena sobre doce de laranja faz toda a diferença. É como ter o dr. Spock com a cauda do Avatar. A ceviche de novilho com mousse de batata doce é arrebatadora.

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Os pratos principais

Se ainda conseguir chegar aos pratos principais, por favor, divida. Aqui vale a pena experimentar tudo o que puder. O bife tártaro vem acompanhado com maionese de rábano e um pouco de mostarda montadas uma sobre a outra como se fosse um ovo estrelado rebentado. Ao lado tem um shot de vodka para misturar com a carne. Depois de mexer tudo, enrola o resultado final numa alga japonesa de sushi. É tudo bom. E é todo bom.

A seguir prove a barriga de porco cozinhada durante 18 horas num recipiente de barro em banho maria. Vai depois a tostar a pele e vem acompanhada por uma massa de pevides cozinhada com tinta de choco e molho de berbigão. Do lado direito, há uma espuma de alho; do lado esquerdo, uma espuma de wasabi. Fabuloso! É evidente que não deu para sobremesas.

O serviço

É claro que em qualquer restaurante da Lisboa moderninha, o chef seria um pedante insuportável. Mas não aqui. Ele chama-se Kiko, sorri para os clientes e fala de comida, de viagens e do Mundo com a mesma alegria com que um miúdo finta um colega na escola e marca golo. Ele gosta do que faz e isso nota-se no resultado final. O capitão Kirk controla toda a sala como Ronaldo controlou o jogo de Portugal contra a Suécia. E tem uma vantagem em relação ao avançado do Real Madrid. É tão competente como simpático e modesto. Este é claramente um restaurante onde cozinheiros, chef e empregados gostam de estar. E onde os clientes têm tudo para concordar.

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O bom 

A simpatia de toda a gente

O mau 

A placa de neón à porta

O óptimo 

A comida, em especial o bife tártaro

 

E só para acabar, um abraço para si onde quer que esteja,

Ele