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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

loco, um restaurante michelin onde lhe trazem uma frigideira com molho de bife para molhar o pão

Captura de ecrã 2016-11-25, às 16.24.28.png

Quando o telefone tocou, percebi definitivamente o perigo desta vida dupla que levamos:

– Estou? Temos um problema. Já chegámos ao restaurante e afinal, não temos mesa marcada!

A voz de pânico do casal de amigos que ia jantar connosco ao Loco, o novíssimo restaurante do chef Alexandre Silva, acabadinho de ser premiado com uma estrela Michelin, deixou-me à beira da apoplexia.

– Como não?! Ainda hoje me ligaram do restaurante a confirmar a reserva.

– Nada! Já dei o teu nome, já dei o nome da... (lamento, mas não posso reproduzir o nome) e nada.

Foi neste momento que uma luz desceu do céu para me iluminar.

– Ah… pois… A reserva deve estar noutro nome.

De facto, a ideia inicial era um jantar a dois. E, por isso, resolvi fazer a reserva num nome falso para não levantar suspeitas. Até aqui, brilhante. O problema foi ter deixado os nossos amigos chegarem antes de nós e perceberem que eu marco mesas em nome de Ermengardo Afonso.

 

o chef da roulotte de street food que ganhou uma estrela michelin (e onde um prato custa menos de €2)

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Não é gralha. E também não é loucura deste vosso casal amigo (quer dizer, pelo menos neste caso...). Não, senhor. O prestigiadíssimo Guia Michelin atribuiu mesmo este Verão, pela primeira vez na sua História, uma estrela a um restaurante de comida de rua. Na verdade, foram duas as roulottes premiadas com uma estrela Michelin. O impensável aconteceu em Singapura e os premiados foram uma tasca que vende arroz e noodles de porco e outra que se tornou famosa na cidade por fazer uns deliciosos noodles fritos de frango com molho de soja.

Ambos os balcões ficam em food courts sem ar condicionado (o que com o calor de Singapura é sinónimo de destilar três litros de água durante um almoço). Os clientes esperam em pé, numa fila, para fazer o seu pedido e depois podem sentar-se em mesas comuns que servem todos os restaurantes e onde o calor é quase insuportável.

 

a feitoria, um jantar de sonho num restaurante com uma estrela michelin

restaurant_feitoria02.jpg

Até aos 10 anos, para mim Michelin era a alcunha que me davam na escola – não por ser rápido, mas por ser parecido com o boneco empneuzado. Aos 20, percebi que Michelin era também a marca dos pneus do meu carro. E só aos 30, entrei no mundo dos restaurantes Michelin. Hoje, com 83 anos e quatro meses, sou um bocadinho céptico em relação a tudo quanto são estrelas.

(Ok, sou capaz de ter exagerado ligeiramente em relação à idade, mas não em relação às estrelas.)

O que para aqui importa é que um jantar num restaurante com uma estrela Michelin é uma experiência, mais do que uma refeição. E a experiência não começa quando uma pessoa se senta à mesa. Começa muito antes, no momento em que pega no telefone e decide que é ali que quer jantar.