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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a fantástica esplanada de inverno e o magnífico fetuccine com trufas e escalope de foie gras fresco do portarossa

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Há sempre um momento na nossa vida em que percebemos que já não vamos para novos. E o meu momento Ternura dos 40 aconteceu quando, a meio do almoço no Portarossa, no Porto, percebi que o meu filho mais velho tinha pedido um prato melhor do que o meu. É triste ver alguém, que há uns anos se alimentava a frascos de Blédina, sentado à frente de um fetuccine com manteiga de trufas e foie gras enquanto eu dividia uma mera salada verde com a minha querida Mulher Mistério. 

Não é definitivamente uma boa maneira de acabar um almoço que começou com uma fantástica esplanada com uma lareira exterior, na Foz.

 

os 8 hambúrgueres mais caros do mundo (e há um que custa quase 300 mil euros)

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O que é que leva alguém a pagar mais de €5 euros por um hambúrguer? Ok, a qualidade da carne, os ingredientes do molho e mais dois ou três detalhes que podem fazer a diferença. Então e o que leva alguém a pagar mais de €30 por um hambúrguer? Um escalope de foie gras, um molho de trufas e outras extravagâncias mais caras. Mas duzentos e oitenta e dois MIL euros?! (Sim, escrevi por extenso para criar mais suspense...) É capaz de ser ligeiramente excessivo, não?

A revista Esquire preparou o ranking dos hambúrgueres mais caros do mundo. E prepare-se porque o mais barato da lista custa 94 euros.

 

novidade! novidade! abriu em lisboa um restaurante de o deixar a babar (e onde pode almoçar por €12)

Era isto que eu temia: mais um restaurante fantástico em Lisboa, mais um motivo para o Casal Mistério mudar de nome para Casal Gordério. O cerco está a apertar-se, cada vez há mais novos restaurantes e cada vez há mais sítios onde se pode comer muito e bem. E o Apicius – que descobrimos através do Facebook da nova revista New in Town – é um dos últimos exemplos desta tendência que está a transformar as nossas barrigas em pequenos globos terrestres. Aberto há pouco mais de um mês, onde antes estava o Umai, de Paulo Morais, é um restaurante pequeno, descontraído e com um chef que nasceu com um talento invulgar para criar arte comestível. 

 

 

os hambúrgueres do cais da pedra

Primeiro, vamos aos defeitos que isto vai ser rápido:

1 - Meus senhores, estamos no século XXI, não fiquem parados no tempo: um restaurante como o vosso ter um site que é apenas o horário e os contactos não se admite.

2 - Meus senhores, estamos no século XXI, mas não queiram ser modernos demais: um restaurante como o vosso não aceitar reservas ao almoço não se recomenda.

E é isso. Não temos mais nada a dizer. Boa tarde e até amanhã.

Nãaaaaa, não se vá já embora. Agora vamos falar das coisas boas. E isto vai demorar. Começando pelo horário (aberto até à meia-noite ou até às 2h da manhã), passando pela animação (há música boa e DJ) e continuando no resto (gins, cocktails e chás gelados fantásticos).

O serviço

Chegámos em bando. Não apenas os quatro elementos titulares da nossa equipa de futsal, mas também os suplentes, que é, como quem diz, um amigo para cada um dos nossos filhos. Somando esta turba a um casal de primos, dá a módica quantia de 12 abdómens sentados à mesa. É o suficiente para assustar qualquer empregado inexperiente ou qualquer gerente empertigado. Mas não bastou para abalar o profissionalismo dos senhores do Cais da Pedra. Mesmo não tendo nós reserva. Mesmo tendo uma energia suficientemente assustadora. E mesmo chegando por volta das nove da noite. Está certo que era um dia de semana, mas o restaurante estava quase cheio. E isso não impediu a empregada de sorrir, ser simpática e ajudar: juntou mesas, arrastou cadeiras, foi prestável e eficiente. É assim um serviço bom. E é assim o serviço no Cais da Pedra. Ao longo de todo o resto do jantar, foram rápidos, atenciosos e amáveis. A turba agradece.

O ambiente

Tem duas hipóteses: esplanada com vista deslumbrante ou interior com vista deslumbrante. Eu sei que pode ser considerado um bocadinho repetitivo, mas eu gosto. E não é tudo. O espaço tem um pé direito gigante e uma mezzanine que acompanha um dos lados da sala. Tem janelas enormes e espelhos imponentes. É decorado com ferro, pedra e um bom gosto simples, moderno e eficaz. Os tampos das mesas fazem lembrar o balcão da cozinha da minha bisavó e os guardanapos a toalha de piquenique da minha tia-avó. Tudo isto tem um charme e uma simplicidade reconfortantes. A cozinha está aberta para a sala e os candeeiros são sofisticados, o que lhe dá um toque de modernidade. É seguramente uma das salas de restaurante mais bonitas de Lisboa. Eu sei que disse isto há pouco tempo em relação ao Darwin's, mas é verdade: Lisboa está com restaurantes lindos.

A ementa 

O couvert

Azeitonas marinadas, pão de mafra quente (adoro pão quente, mas não sou grande fã de pão de mafra – prefiro o alentejano), azeite e vinagre balsâmico e uns croquetes de novilho acabados de fritar (deliciosos): simples e bom.

 

As entradas

Há sopas, carpaccios, umas saladas e até uns folhados de queijo de cabra. É capaz de ser bom (não discuto), mas quando saio para comer hambúrgueres não saio para comer carpaccio. Por isso passei.


Os hambúrgueres

Chegámos ao que finalmente interessa. Todos os hambúrgueres são feitos com carne maronesa – isso já é alguma coisa. E alguns são feitos com foie gras, queijo da ilha ou maionese de trufas – e isso é muito mais. Eu provei três diferentes, com medo de estar a perder alguma coisa importante.

Primeiro, o hambúrguer de salmão em bolo do caco de alfarroba, com cebola roxa, tomate cherry e molho de iogurte grego e cebolinho. A moda do bolo do caco já enjoa ligeiramente, em especial quando o bolo do caco parece uma bola de mafra achatada da véspera (sim, já vi isso por aí). Mas o bolo do caco de alfarroba é diferente, e consegue surpreender no meio desta intoxicação madeirense. Quanto ao recheio, o molho de iogurte grego com cebolinho corta na perfeição a gordura do salmão. É uma óptima solução para começar a refeição se não pedir entrada e se dividir por três.

Depois, o hambúrguer Cais da Pedra, com queijo da ilha, cebola caramelizada e compota de tomate cherry e manjericão. É uma mistura fantástica e claramente o meu preferido. O queijo da ilha é intenso, a compota é doce e a cebola caramelizada é um pormenor maravilhoso.

Finalmente, o Rossini, com foie gras e maionese de trufa preta. Nesta fase, já tinha provado paladares demais. O foie gras é provavelmente uma das sete maravilhas gastronómicas do Mundo e a trufa um dos meus luxos favoritos. Mas a mistura dos dois e, ainda por cima, com maionese pelo meio é ligeiramente enjoativa. São sabores e calorias a mais para um único prato.

 

As batatas fritas

Enganam. São grossas, têm casca... mas também são óptimas: estaladiças, leves e saborosas.

A sobremesa

Há brownies, há crumbles de maçã, há mousses de chocolate e até há quem tenha conseguido comer isso. Mas eu fiquei pelo carpaccio de abacaxi com sorbet de côco. É bom e menos calórico. Ou, pelo menos, parece.

A surpresa

A nova ementa deste ano tem cinco pequenos-almoços para o fim-de-semana e os feriados, quando o restaurante abre às 10h da manhã: americano, continental, light e dois tipos de ovos benedict – com fiambre ou salmão fumado ou com espinafres frescos e cogumelos. É uma ideia – para um dia em que consiga resistir aos hambúrgueres.

 

O óptimo 

Os hambúrgueres

O bom

O serviço

O mau

Não haver reservas para o almoço

 

Um bom jantar para si, onde quer que esteja,

Ele

rosbife com molho de foie gras e vinho do porto

 

O Barcelona tem o Messi, o Real Madrid tem o Ronaldo, o Tarzan tem a Jane e você tem de ter uma faca Shun Damasco. Faz parte das mais elementares ligações do universo: alguém que queira cozinhar minimamente tem de ter uma boa faca de cozinha e a Shun Damasco vai entrar na sua vida como o Egas entrou na vida do Becas - bom, esta, se calhar, é um bocadinho demais...

É um investimento de três dígitos - a faca de chef, com 15 cm, custa em Portugal, na loja online www.commerciol.com, 108,57 euros (com portes de correio incluídos) - mas vale a pena. É com esta faca, que tem o ângulo de lâmina mais reduzido que existe, que a carne se transforma em manteiga e uma fatia de rosbife numa fatia de fiambre.

E é exactamente o rosbife que me traz aqui hoje. Para começar, precisa de um bom naco de carne. Tempere-o com sal e um pouco de alho esmagado e passe-o numa frigideira com muito pouco óleo, bem quente, para o dourar de todos os lados: cima, baixo, esquerda e direita. Não cometa o erro habitual de usar manteiga ou azeite, porque estes queimam a temperaturas mais baixas e, para dourar a carne, vai precisar de ter a frigideira bem quente.

Depois de ter a carne selada, leve-a ao forno, com o molho que sobrou da fritura, a 200 graus, durante aproximadamente 15 a 20 minutos, dependendo de como gosta da carne. Quando esta estiver pronta, tire-a do forno, envolva-a em papel prata e deixe assentar.

Entretanto, invista no molho, porque isso é que vai fazer a diferença. Ponha 50 gramas de manteiga numa panela pequena em lume brando juntamente com quatro chalotas picadas. Para o molho, o lume tem de ser o mais fraco possível. Depois de as chalotas estarem alouradas, junte uns cogumelos frescos cortados aos bocados e 50 gramas de foie gras (ou mousse de pato se estiver numa onda Vítor Gaspar). Vá mexendo até os cogumelos estarem cozinhados e o foie gras desfeito. Falta apenas o último toque: um cálice de vinho do Porto, natas a gosto e corrigir o sal. Se tudo isto não estiver com uma consistência aveludada, passe com a varinha mágica até ficar um líquido espesso.

A seguir, volte à carne. E é aqui que entra a Shun. Corte o rosbife em fatias fininhas e disponha-as numa travessa. Mesmo que a carne esteja morna, não faz mal, desde que o molho esteja muito quente. Leve à mesa, tudo separado e sirva. Lembre-se: não vá na conversa de facas eléctricas ou fiambreiras caseiras para cortar carne. Nós aqui falamos em japonês: Shun para si é sinónimo de rosbife.

 

   

Para a carne

1 naco de rosbife

Sal

Alho

 

Para o molho

50g de manteiga

4 chalotas

Cogumelos frescos

50g de foie gras

1 cálice de vinho do Porto

Natas

Sal

 

Delicie-se, onde quer que esteja,

Ele