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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

san giorgio, um hotel de sonho e perfeito para as férias de verão

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É rústico e é moderno. É simples e elegante. É boémio e hippie chic. É mediterrânico com um toque marroquino. É tudo o que eu quero para as nossas próximas férias. Construído originalmente nos anos 90, o San Giorgio é um boutique hotel situado numa das muitas encostas de Mykonos, na Grécia, entre as praias de Paraga e Paradise, e que foi recentemente comprado pelos donos do famoso Paradise Club que se juntaram à cadeia Design Hotels.

 

 

 

 

jantar à luz das velas e do luar de santorini

Prometo que é o último post sobre a Grécia. Até já enjoa. Tanta beleza natural, tanto romantismo e tanto pôr do sol. Mas é impossível não partilhar o nosso jantar no restaurante do hotel. Marcámos logo no primeiro dia, porque os lugares são limitados: o restaurante Katikies é um terraço ao ar livre com apenas quatro mesas e uma vista deslumbrante.

Chegámos ainda com as cores de fogo do fim de tarde porque nos avisaram que era a altura mais bonita do dia. Com um rácio de quatro empregados para quatro mesas, o serviço é irrepreensível. Sempre presentes mas nunca a mais. Ao mínimo olhar ou levantar de cabeça, aparecia alguém, discreto e atencioso, sabe-se lá de onde, sempre de sorriso.

O espaço é indescritível. Parece que estamos suspensos sobre o mar, apenas nós, as estrelas, a lua e as velas meticulosamente acesas sobre as mesas, impecavelmente decoradas com pratas, copos de cristal, toalha ou chemins e guardanapos de linho. Mais do que um jantar, é uma experiência inesquecível.

Começámos com uma flûte de champanhe. Nunca demorei tanto tempo a beber um copo. Não queria que o tempo passasse, queria aproveitar cada minuto daquele cenário. Queria fazer rewind a cada momento. Eternizar todo este programa. A ementa era um misto sofisticado de cozinha grega e mediterrânea. Não resisti a pedir um foie-gras de entrada (ai que desgraça... Já vos disse que estava de dieta?). Seguiu-se um-prato-de-peixe-cujo-nome-era-tão-grande-e-sofisticado-que-não-consegui-decorar mas que se resume numa palavra: divinal. A sobremesa parecia uma obra de arte de chocolate, nata, avelã, caramelo e sei lá mais o quê. Já essa desapareceu em três garfadas.

Verdade seja dita, por mais que quisesse estender o jantar, não fosse a ótima conversa (modéstia a parte, tenho sempre assunto e Ele é um ótimo ouvinte), teria sido uma tarefa árdua. Porque com a eficácia do serviço e o tamanho reduzido dos pratos (já se sabe, esta coisa da nouvelle cuisine é sempre inversamente proporcional ao seu sabor) teríamos jantado numa hora. Agora com este cenário, o excelente vinho branco que Ele escolheu e a deliciosa companhia (as estrelas, a lua e o mar, claro!), o jantar prolongou-se noite fora. E por algumas horas, esquecemo-nos que amanhã regressamos a Lisboa.

 

Bom fim de semana,

Ela

um dia em santorini

Não vou descrever o pequeno-almoço de reis que tivemos no “nosso” terraço porque é quase pornográfico. Digo apenas que estava divinal (sim, trouxeram mesmo champanhe, não era espumante!) porque já parece tortura chinesa para quem está enfiado num escritório a ler-nos.

Depois do pequeno-almoço, seguimos à risca as sugestões do staff do hotel: de manhã, um passeio de veleiro até à cratera do vulcão, seguido de um almoço no porto de Amoudi, e à tarde, um passeio por Oia.

Saímos do hotel rumo ao porto de Amoudi sem pressa. É tão bom termos tempo. Só sei o que é isso quando estou de férias. Fomos a pé pelas pitorescas ruas de Oia, espreitando os outros hotéis, restaurantes e lojas até chegarmos a uma imensa escadaria desenhada em pedra que nos levou até ao porto. Lá estava um velho marujo, à nossa espera, num veleiro só para nós! Que espetáculo. Perguntou-nos logo se os nossos fatos de banho eram novos. Nem por isso, porquê? "Porque depois de mergulhar nas águas quentes do vulcão, nunca mais serão os mesmos". Tradução: vou destruir o biquíni. Paciência, já tenho um pretexto para comprar outro. Lá partimos, em ritmo de passeio rumo à caldeira do vulcão.

Quando chegámos, nem esperei que o nosso Capitão Iglo lançasse a âncora. Mergulhei, sem dó nem piedade, doida para experimentar aquela água. Água... que é como quem diz uma argamassa que é uma mistura de água com restos de lava. O resultado é um tom verde esmeralda do outro mundo, com a temperatura a atingir, nalguns sítios, os 33 graus. Confesso que primeiro estranha-se, depois entranha-se, e depois quer-se ficar ali para todo o sempre. E ali nadámos e nadámos, e explorámos a cratera do vulcão que, em algumas zonas, mete algum respeito. Quando me pus a nadar, qual Esther Williams, e de repente me vi sozinha rodeada de mar e de um vulcão por todos os lados, dei por mim a pensar: E se isto decide eclodir agora ao fim de 3500 anos? Nunca se sabe. Felizmente, o vulcão não acordou, e por ali ficámos a mergulhar e a aproveitar a vista de Santorini a partir do mar.

Regressámos ao porto de Amoudi mesmo à hora de almoço. Este porto é utilizado sobretudo por iates, veleiros e barcos de pescadores locais. Por aqui não passam os ferries, por isso é tão tranquilo. Almoçámos num restaurante literalmente em cima da água. Mesas e cadeiras estendem-se ao longo do cais. O nome do restaurante não poderia ser outro, senão o cartão de visita de Santorini: Sunset. Sentámo-nos. Mais uma vez sem pressa. Comemos um peixe grelhado bom (não me perguntem qual, porque me vi grega para perceber o empregado que nos tentou explicar, num inglês macarrónico, que peixe era aquele) e um vinho melhor ainda. A verdade, nua e crua, é esta: por mais que viaje, não encontrei até hoje um país que grelhe o peixe como o nosso.

Abatemos o almoço a subir a escadaria de volta ao centro de Oia. Antiga colónia de pescadores, é hoje uma deliciosa aldeia de capelas brancas com cúpulas azuis, com uma vista espetacular sobre a caldeira. E assim passámos o resto da tarde. A explorar as ruas pavimentadas, as ruelas coloridas e os becos encantados. A entrar e a sair de lojas, joalharias e galerias de arte, a beber cafés e sumos nos bares e restaurantes com terraços com vista para um pôr de sol que se confirmou, mais uma vez, mágico.

Regressámos ao hotel, ao "nosso" terraço, para tomar um aperitivo antes do jantar, que merecerá com certeza um post especial.

Até amanhã,

Ela

 

 

katikies, o paraíso existe mesmo e é aqui

Chegámos a Fira, a capital de Santorini, já ao fim da tarde, com o sol a pôr-se no mar. Apanhámos um táxi até Oia, no norte da ilha, onde se situa o nosso hotel. Que ilha encantada! Parece um postal, um quadro, uma ilustração. Ou tudo isto junto. É daqueles sítios que, por mais que tenha visto fotografias, por mais que me tivessem dito que era lindo e maravilhoso, supera as mais altas expectativas, mais ainda quando o táxi para em frente a um hotel como o Katikies.

Embasbacada, perguntei baixinho ao meu querido Marido Mistério:

- Que banco é que assaltaste?

Riu-se e explicou:

- Marquei há séculos. Não foi tão caro quanto pensas.

Sinceramente, nem quis saber mais nada. Pensaria no assunto quando aterrasse em Lisboa. Estava em êxtase. Os hotéis em Santorini acompanham as encostas, e o Katikies não foge à regra. Por isso o andar térreo, que dá acesso à rua, é o primeiro e último andar ao mesmo tempo, já que os quartos e as varandas com as piscinas e os seus variados recantos vão descendo pelas escarpas até ao nível do mar. Por isso, foi no último andar – na receção – que fomos recebidos com um sorriso rasgado por dois funcionários, vestidos com calças e pólo brancos. Aliás, aqui o branco é quem mais ordena. O branco das paredes, das varandas, dos quartos, das casas de banho, dos lençóis, dos édredons… e o azul, obviamente. Nos seus diferentes tons: o azul do Mar Egeu, o turquesa das várias piscinas do hotel e, claro, o do céu.

Todos os detalhes do hotel primam pela simplicidade e pelo bom gosto. Desde o labirinto de escadas que acompanha toda a encosta e que nos leva do quarto ao restaurante, do restaurante às varandas, e destas às piscinas ou de volta ao quarto. Mal abrimos a porta, tínhamos à nossa espera uma garrafa de vinho e frutas frescas num quarto tão imaculado que, de cada vez que Ele se atirava para cima da cama, eu mandava-o sair, com pena de estragar o cenário. A única cor que nos entrava pelo quarto era o azul do mar através de janelas gigantes e de uma varanda de onde não conseguimos arredar pé. O empregado que nos fez a visita guiada perguntou se gostaríamos de ter o pequeno-almoço (americano com champanhe: ui!) no terraço. Claro que sim. É que se quiséssemos, também nos serviriam à beira da piscina. Deixe estar. Não se incomode. Aqui está ótimo. A piscina pode esperar. Temos o dia todo. Não temos horários. Não temos miúdos (se bem que adorava que eles estivessem aqui agora – só durante uma hora – para verem toda esta paisagem incrível).

Com um hotel assim vai ser difícil sair para explorarmos a ilha. Para já, vamos ficar por aqui a olhar para este pôr-do-sol enquanto me belisco. Amanhã é dia de explorar Santorini. Hoje é dia para namorar.

Tenho ou não um marido incrível? Acho que vou casar outra vez…

Ela

air lounge bar, um jantar a olhar para a acrópole

O dia foi cansativo. Ela, coitadinha, está esfalfada. Quando chegou lá acima à Acrópole, pensei que ia ter uma apoplexia. Mas não. Aguentou-se. Estoicamente. Morta por dentro, e sorridente por fora. Encarnada que nem um tomate, não deu o braço a torcer. “Subia isto mais duas vezes”, dizia, a encolher os ombros. Pois. Bom, é certo que desceu a uma velocidade estonteante, doida para chegar ao hotel e esparramar-se nas cadeiras do “nosso” terraço.

E assim fizemos. Começámos e acabámos a noite aqui. Eu pedi um gin tónico. Ela pediu um gin tónico. Depois, pedi mais um gin tónico. Ela pediu… um copo de vinho branco. E ali ficámos. Especados a olhar, não para os nossos copos, claro, nem um para o outro, mas para aquela vista fabulosa que é a Acrópole iluminada à noite. Ah, no meio disto tudo jantámos. E não estava nada mau. Mas a comida é um detalhe quando se tem uma vista destas.

Um bom fim de dia para si, onde quer que esteja,

Ele

um dia em atenas

Depois de um bom pequeno-almoço, lá partimos de mapa e máquina fotográfica em punho, quais bons turistas, prontos para ser assaltados. Mas apesar da minha primeira impressão, os gregos são muito simpáticos e acolhedores. Alguns fazem-me lembrar os portugueses. Quase todos arranham cinco ou seis palavras fundamentais em inglês, como: “the way to Acropole”, “Good restaurants in Plaka”, etc. Dez minutos depois estávamos a entrar na Plaka, também conhecido por bairro dos Deuses, dada a sua proximidade com a Acrópole, e é o bairro mais antigo de Atenas. Demasiado turístico talvez, mas pitoresco e encantador. É um labirinto de ruas estreitas, escadas e becos com restaurantes, bares, tascas e tabernas. Também não faltam lojas de roupa e de sapatos mas sobretudo de lembranças turísticas.

Perdemo-nos por ali até que encontrámos um restaurante simpático com uma esplanada com mesas cobertas com toalhas em xadrez e com uma vista fantástica para a Acrópole. Sentámo-nos aqui para almoçar, impressionados com a vista mas aterrorizados com a ementa. Era daquelas de cartolina que abre em três com fotografias dos pratos. Uma lista interminável… em grego. Não arriscámos: Ele pediu um bife com batatas fritas e eu uma salada grega. Também não estávamos ali para comer bem, mas sim para ganhar forças para subir aquela imensa encosta até à Acrópole.

Oh meu Deus. Que pesadelo: um calor insuportável e uma subida interminável. Ele, impecável, parecia que estava a passear nas docas de Lisboa à sombra, já eu, bufava, com os bofes de fora, a rogar pragas aos Deuses do Olimpo. É nesse preciso momento que sou ultrapassada por um clone da Victoria Beckham com uns saltos agulha de dez centímetros no mínimo! Aí, sim, envergonhada e humilhada, ergui-me (porque já me arrastava toda corcunda, qual velhinha) respirei fundo, meti prego a fundo e só parei lá em cima.

Valeu o esforço porque a Acrópole é de facto impressionante. Monumental. Só de pensar que aquelas construções datam de 450 AC? E a vista lá de cima é inexplicável. Parece que Atenas não tem fim, que o mundo começa e acaba nesta cidade. Só é pena que a maior parte das estruturas esteja em ruínas e as que ainda estão de pé estejam em obras, como o Propileu, o portal para a parte sagrada da Acrópole; o Partenon, o templo principal de Atenas; ou o Erecteu. Segundo nos disseram, estão sempre em obras. Talvez por isso, tenha contado mais guindastes do que colunas. Mas mesmo assim vale a pena. Imponente e carregada de simbolismo histórico, é, sem dúvida, o melhor cartão de visita da capital grega. Estafada depois daquela interminável subida, dei por mim à procura - por entre as milhares de construções desordenadas da cidade - do terraço maravilhoso do nosso hotel e a sonhar com um gin tónico.

Boa semana,

Ela      

fresh hotel, uma lufada de ar fresco numa cidade quente e suja

Mal saímos do aeroporto fomos invadidos por um calor indescritível e por dezenas de taxistas a oferecerem-nos uma viagem até ao centro. Vimo-nos gregos para fugir ao assédio e acabámos por nos refugiar na fila oficial dos táxis. Ele lá disse finalmente ao motorista o nome do nosso hotel (porque a mim continua a dizer o mínimo e indispensável): “Fresh”. “Bom, muito apropriado”, pensei eu, “e Deus queira que faça jus ao nome”. À medida que nos íamos aproximando do centro de Atenas, eu tentava convencer-me de que aquilo ainda eram os arredores. Sinceramente, não me causou grande impressão. A capital da Grécia é das cidades mais antigas do mundo e infelizmente isso nota-se: é velha, suja e confusa. O calor e a poluição também não ajudam e as construções ditas modernas são medonhas. Parece um amontoado desorganizado de ruas e contruções. Claramente uma cidade que terá crescido depressa demais. Valha-nos a Acrópole, lá no alto, sempre presente e imponente. O bairro do hotel não destoa do resto mas situa-se apenas a dez minutos da Plaka e da Acrópole, esclareceu-nos o taxista. Ufa! Ainda bem. Mal entrámos na receção suspirei de alívio.

O hotel é giro, moderno, arejado e colorido. Fomos simpaticamente recebidos e levados até ao quarto que, diga-se não é muito grande, mas chega perfeitamente. Confortável e minimalista, convenceu-me no primeiro minuto. Mas o melhor ainda estava para vir. Deixámos as malas e fomos até ao nono andar do hotel. É aqui que se situa o terraço Air Lounge, o ex libris do Fresh. Com uma vista deslumbrante para a Acrópole, marcámos logo mesa para o jantar. Que maravilha. Com dois níveis, tem piscina (pequena é certo), deck, bar e restaurante.

Ficámos deslumbrados. A paisagem é aquela mesma cidade grande, quente e suja a perder de vista (tal é a dimensão) pincelada com monumentos da Grécia antiga. Ah, é verdade. E o hotel tem wifi grátis ;) Fundamental! Amanhã, é dia de explorar a cidade. Talvez me surpreenda. Para já ficamos por aqui, neste terraço deslumbrante, a namorar e a jantar.

 

Um bom resto de domingo,

Ela

a nossa partida para um destino mistério

Tenho de admitir. Tenho o melhor marido do mundo. Para a semana fazemos anos de casados (não vou dizer quando nem quantos para a nossa família e amigos não nos descobrirem!), e Ele já me tinha dito para marcar férias por estes dias porque tinha reservado um programa só para nós os dois. Como tenho andado cheia de trabalho, nem pensei muito no assunto. Organizei a distribuição da equipa de futsal pelos avós e sabia apenas que partiríamos hoje à tarde. Depois de tratar das malas dos miúdos, perguntei:

- E nós? Como é que é? Bíquinis ou gola alta? Calor ou frio?

E Ele, com aquele sorrisinho de quem controla a situação, responde, enigmático:

- Bíquinis, mas leva um casaquinho de malha porque pode estar frio à noite!

“Que nervos”, pensei eu. “O homem não se descose”. Lá fiz a mala, com uma excitação de adolescente, distribuímos as crianças e partimos rumo ao aeroporto, onde estou neste momento a escrever este post antes de embarcar.

Sim, claro, já fizemos o check in, por isso, posso dizer que o meu querido Marido Mistério marcou uma semana de férias onde?????? Onde????? Na Grécia: Dois dias em Atenas e quatro em Santorini, o destino dos meus sonhos! É ou não o melhor marido do mundo? Ainda bem que somos um casal mistério, senão teria uma fila de mulheres a quererem roubar-mo! É que além de me fazer surpresas destas, ainda cozinha e bem! Ah, (e já agora, que ninguém nos ouve) também é giro! Bom, temos mesmo de embarcar. Prometo ir contando aqui as nossas aventuras gregas. Não prometo é posts muito grandes porque a ideia mesmo é namorar e aproveitar!

Boas férias para nós e um ótimo fim de semana para si,

Ela