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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o bar com uma das mais simpáticas vistas de mar (mas com um dos mais antipáticos serviços de cascais)

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O serviço

O que é que será melhor: uma empregada que não sorri ou uma empregada que não lhe responde quando diz boa tarde? Hmmm... Deixe cá ver... 

O que é que será melhor: uma empregada que se queixa à colega de outra pessoa à sua frente ou uma empregada que continua a falar com a colega, de costas para si, enquanto espera ao balcão. Hmmm...

O que é que será melhor: uma empregada que tem uma enorme dificuldade em dizer "obrigado" ou uma empregada que tem uma manifesta incapacidade de dizer "se faz favor"? Hmmm...

São, de facto, dilemas difíceis de resolver, mas na Duna da Cresmina, em Cascais, não existe essa dúvida – até porque as empregadas conseguem reunir todas estas características numa equipa una e indivisível. Ali não há sorrisos, não há disponibilidades, não há boas vontades. Ali não há simpáticas e antipáticas. Ali faz-se aquilo que tem de se fazer. E nada mais. É preciso responder aos clientes? Responde-se – mas sem simpatias. É preciso levantar os pratos da mesa? Levanta-se – mas não se limpa a mesa. É preciso receber o dinheiro dos clientes? Recebe-se – mas não se agradece. Ou seja, o serviço cumpre – mas não agrada.

É pena, porque, no que diz respeito à vista, o sítio é imbatível.

 

 

furnas do guincho, um restaurante com um peixe fantástico e uma vista maravilhosa

Um jantar com a sogra? Por favor, chamem o INEM. Um jantar com a sogra e com o marido da sogra, que não é o sogro? Meu Deus, podem começar a massagem cardíaca. Um jantar com a sogra e com o marido da sogra, que não é o sogro, no restaurante Beira Mar em Cascais? Apaguei de vez - pode entrar o coveiro. Nesta fase da tragédia, só há uma maneira de me ressuscitarem: a alteração de um destes três factores apocalípticos. E por uma feliz coincidência, isso aconteceu a poucas horas do mergulho no abismo: o Beira-Mar estava fechado até ao dia 21 de Dezembro. E foi assim que, em estado pré-comatoso, entrei nas Furnas do Guincho.

O ambiente

Do meu lado esquerdo, um grupo de 20 turistas homens, fardados com blazer e camisa sem gravata, a beberem vinho com se estivessem a beber água. Do meu lado direito, um casal de turistas, a beberem vinho como se estivessem a beber uma marguerita. Atrás de mim, uma familia de turistas, a beberem água como se estivessem a beber vinho. À minha frente, mar, muito mar. Esta é a parte boa das Furnas do Guincho. Apesar de a média de idades rondar os 60 anos e do alemão ser língua mais falada, há uma esplanada com uma vista soberba sobre o mar. É claro que nesta altura do ano a esplanada não é para usar, mas é para isso que existem janelas. E aqui janelas não faltam. A decoração está ao nível da média de idade dos clientes e do bom gosto de Angela Merkel para se vestir. 

A ementa

O pão é básico, as tostas são grossas e a broa embucha. Não há azeite na mesa, nem patés ou qualquer outra frescura. Aqui é tudo à antiga. E isso nem sempre é bom. Especialmente quando o couvert básico contrasta com a decoração pretensiosa. Mas há sempre umas gambas razoáveis para picar e, no Verão, uns percebes bonzitos.

 

O peixe 

Não vale a pena vir aqui para comer um bife. Este é um restaurante de peixe, bom peixe, óptimo peixe. Especialmente se o pedir ao sal. Neste dia de sacrifício, o marido da sogra comeu uns filetes de cherne com sala russa (quem é que vai a um restaurante de peixe comer filetes de cherne com salada russa?!) e a sogra pediu uma paelha (o que à partida pode parecer um absurdo, mas depois se revelou uma surpresa, com o arroz solto e molhado em azeite). Eu preferi não inventar. E não inventar aqui é pedir um robalo do Guincho ao sal. O peixe estava fresquíssimo e cozinhado no ponto, que é o mesmo que dizer suculento e a dividir-se facilmente em lascas. Falha: o peixe vem apenas com molho de azeite e alho, falta claramente o molho tártaro e o molho holandês, que nem a pedido conseguiram fazer. 

A sobremesa 

Nesta área não pode haver dúvidas. Tem de pedir a mousse de avelã, uma receita caseira tradicional de Cascais, feita há duas gerações pela familia Arouca para os principais restaurantes da região. O segredo está na mistura de um chocolate pouco doce a envolver um nogat maravilhoso de avelã. Imperdível! O serviço Apesar de estarem encantados com a mesa dos turistas de blazer sem gravata, os empregados foram eficientes e simpáticos. É uma vantagem destes restaurantes junto ao Guincho: há sempre mais empregados do que é realmente preciso. E, no caso das Furnas do Guincho, nem tem de pagar o absurdo que paga, por exemplo, no Mar do Inferno ou no Porto de Santa Maria. Continua a ser demasiado caro, mas neste caso esse até foi um problema do marido da sogra. Ninguém lhe mandou pedir a salada russa...

 

Um abraço para si, onde quer que esteja,

Ele