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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

fim de ano: sabia que nos anos 20 havia a hora da cocaína?

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Confesso que, com o passar dos anos, a nossa festa de réveillon preferida é em casa, à frente da lareira, a comer bem e a beber melhor, ao lado de um grupo de amigos. Já não temos paciência para aquelas festas em discotecas com filas maiores do que as do Ramiro à hora do jantar, seguranças que são potenciais homicidas e miúdos pouco mais velhos do que os nossos Mini-Misteriosos a disputarem um lugar no balcão para pedirem um gin. A idade não perdoa...

Agora se vivêssemos nos anos 20, aí sim, acho que não perderia um programa. Não sei se são aquelas franjas ou os sapatos de sapateado da época, mas aquela década fascina-me. Adorava ser o grande Grande Gatsby, mas infelizmente nasci na era do Pequeno Saúl. Por isso, resolvi vestir o meu fato (com respectivo colete, como é da praxe) ao estilo do saudoso José Hermano Saraiva e fui tentar descobrir como se passava o ano nessa época.

 

leia as cartas que as crianças escreviam ao pai natal há 100 anos

Dia de chuva, de frio e de luzes de Natal na rua dá-me para isto. Transformo-me num verdadeiro Charles Dickens e sou assolado por uma onda revivalista e comovente. Hoje, passei a minha manhã a ler as mais espectaculares cartas escritas pelas crianças ao Pai Natal no início do século XX.

Há pedidos por uma salamandra porque está frio em casa, por um irmão para poder brincar e até há quem sonhe com a noite em que o Pai Natal lhe traz um palhaço montado em cima de um burro.

O fabuloso trabalho é da página de Twitter Tweets of Old que foi pesquisar os jornais do início do século passado e os está a transformar em tweets. Nesta época do Natal, resolveu fazer um especial com as cartas enviadas pelas crianças para o Pai Natal.

Os textos são cortados e editados para caberem em 140 caracteres, mas são sempre os textos originais escritos no início do século XX. Veja aqui a selecção dos melhores. E pode ir já buscar o lenço – o Charles Dickens não faria melhor.

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sabia que há 100 anos comia-se torradas com café com leite na noite de são joão?

PRAÇA DA LIBERDADE E AVENIDA DOS ALIADOS - 1960

Não estamos a falar do pequeno-almoço, estamos mesmo a falar da tradição na noite da festa. Segundo o escritor e investigador Hélder Pacheco, citado pela revista Visão, as sardinhas são uma moda recente, importada de Lisboa. Só terão chegado ao Porto na década de 1940, "com a realização da primeira Feira Popular, no Palácio de Cristal”. Antes, havia uma tradição radicalmente diferente na noite de São João: "Na véspera, comiam-se torradas à meia-noite e bebia-se café com leite”. No próprio dia, então, assava-se o anho, num tabuleiro de barro, acompanhado por umas batatinhas.

Mas esta não é a única surpresa da maior festa do Porto.

 

 

o que os portugueses comiam no natal há 100 anos

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Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público, em 2009. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na década de 30, depois da missa tinha finalmente direito a comer qualquer coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo. 

No Funchal, a tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal. De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da missa.

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Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E Missa do Galo não existia na região.

 

 

largo do paço, um incrível restaurante com uma estrela michelin num dos sítios mais bonitos de portugal

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Há quem vá jantar ao Largo do Paço por ter sido eleito o segundo melhor restaurante da Europa, há quem lá vá por ter uma estrela Michelin, eu vou apenas para comer. E especialmente para comer à mão. Não estou a falar de comer à mão um delicadíssimo bombom pegado com a ponta de dois dedos num elegante salão de chá da Place Vendôme, em Paris. Estou a falar de comer à mão uma cabeça de gamba como se faz no restaurante do Barbas, na Costa de Caparica. E este é dos poucos restaurantes Michelin onde isso acontece.

 

como as senhoras devem comer spaghetti (segundo o manual de etiqueta de 1942)

1942 foi o ano da estreia do Bambi, foi o ano do nascimento de Eusébio e de Caetano Veloso e foi o ano em que a revista Life decidiu que uma senhora bem parecida não devia comer mais de quatro fios de spaghetti por garfada. Quatro fios? Quatro rigorosamente contados fios de massa. Como vê, foi um ano memorável em todos os aspectos – especialmente nas regras de boas maneiras.

O jornal digital Huffington Post fez a delicadeza de republicar recentemente o guia de etiqueta da Life. São alguns passos muito específicos e detalhados, deliciosamente acompanhados por uma produção fotográfica, feita com uma modelo da época, para ilustrar a forma correcta de comer. Quer aprender a ser chique? Quer estar in, segundo as Paulas Bobones de 1942? Então prepara-se porque só pode comer quatro fios de esparguete de cada vez – mas em compensação pode sugar a massa. Modernices da época...

 

#1 Separe quatro fios de spaghetti da pilha de massa

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uma mercearia antiga em ponte de lima onde se come lindamente no meio de brinquedos e de anúncios da cérélac

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Não há coisa que mais me enerve do que esta fatalidade do destino masculino: 99,9% das vezes em que eu escolho um restaurante desconhecido e Ela outro, Ela... digamos que... vou tentar dizer isto baixinho e rapidamente para não se perceber... (Ela... tem razão)

Ok, já disse. E o mesmo costuma acontecer quando eu peço um prato e Ela pede outro. Parece que há uma força do Universo sempre do lado das mulheres e contra os homens. E foi isso que aconteceu, mais uma vez, em Ponte de Lima.

Saídos de Caminha, à procura de um restaurante para almoçar, acabámos por ir até Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal e seguramente uma das mais bonitas da Europa. À chegada, eu sugeri um restaurante ao pé do rio, Ela escolheu uma mercearia.