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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o restaurante que tem avós em vez de chefs à frente da cozinha

E se, quando entrasse num restaurante, em vez de um chef com várias estrelas Michelin tivesse na cozinha uma avó com vários netos, habituada a fazer os mais deliciosos pratos caseiros? A ideia partiu de Joe Scaravella, depois da morte da sua mãe. Com saudades dos deliciosos jantares italianos de família, Scaravella decidiu abrir um restaurante sem chefs. E sem um menu fixo. Quem cozinha são verdadeiras avós italianas que vão rodando. Fazem os pratos que sempre fizeram em casa e que conquistaram o estômago da família.

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il matriciano, un ristorante italiano dove non si parla portoghese*

"Prima si sente, dopo si mangia". Pode estar descansado que não vou escrever este texto todo em italiano. É só o lema deste simpático restaurante italiano que nos faz sentir que fomos almoçar ali a Roma e entretanto voltámos.

Chegámos e rapidamente percebemos que nenhum dos empregados fala uma única palavra de português. Não deixa de ter um certo charme mas convenhamos que, se não fosse a minha brilhante linguagem gestual, ainda lá estava a pedir o número de contribuinte na fatura. Mas já lá vamos. Vamos começar pelo princípio…

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o melhor remédio para uma segunda-feira: uma lasanha para fazer em 15 minutos numa caneca

Cá em casa segunda-feira é um dia de depressão gastronómica. Não estou a falar das depressões associadas ao anticiclone dos Açores, estou a falar das depressões de início de semana, início de trabalho, início de aulas e início de despertadores insuportáveis a tocarem às 7h da manhã. É este o meu estado de espírito, já para não falar de que, daqui a 30 dias, estaremos com as folhas das árvores a cair e castanhas a assar na rua (esta parte das castanhas não é má de todo...). Isto tudo para dizer que segunda-feira é aquele dia em que prefiro ser atropelado pelo abdómen do novo comentador do Benfica, na TVI24, do que passar mais de 16 minutos enfiado na cozinha. E digo 16 minutos porque descobri esta maravilhosa receita do ainda mais maravilhoso blog Healthy Nibbles and Bits que está pronta em apenas 15 minutos. Com outra vantagem: suja só uma caneca por pessoa.

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sugestão para o fim-de-semana: beber um bom vinho ao fim do dia no mercado de cascais

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Mas também pode comer um óptimo marisco. Ou dividir uns fantásticos petiscos. Ou refrescar-se com umas magníficas tostadas. Ou provar uma salada caprese totalmente diferente daquilo que já comeu até hoje. O Mercado da Vila está remodelado. E vale a pena. Veja só algumas das razões para lá ir este fim-de-semana.

 

 

novidade! novidade! o gulli abriu no mercado de cascais com óptimas entradas e um serviço... (bem, o melhor é ler)

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Não há coisa mais stressante do que ir jantar fora com amigos. Primeiro, é o problema da gestão de expectativas: uns são fanáticos por japonês, outros são alérgicos a arroz; uns adoram sítios animados, outros têm enxaquecas com o barulho de uma borboleta; uns querem vinho branco, outros até fazem tratamentos de spa com vinho tinto. 

Depois, é o problema da gestão de segredos: é pacífico passar um tête-a-tête inteiro de telemóvel em punho a tirar notas sobre a refeição como se fôssemos dois pós-adolescentes que comunicam entre si exclusivamente via WhatsApp; mas é muito mais suspeito ter um jantar de amigos desde que arranjámos uma vida dupla – como ninguém sabe que à noite nos transformamos em perigosos lobisomens da restauração, é preciso tirar notas discretamente, provar os pratos dos outros inconvenientemente e impor restaurantes despudoradamente.

 

 

apetece-lhe comer uma pizza com massa caseira, à frente de uma lareira?

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A mim apetece-me. Ou melhor, já me apeteceu. E por isso é que embalei a criançada toda e rumei até Cascais para ver o que é que estava à minha espera no Pizza Itália, também conhecido como Caffe Itália (para ser sincero, ainda não percebi bem qual é o nome da criatura – mas desde que não seja Lyonce Viiktórya, por mim está bem). O que verdadeiramente interessa aqui não é o nome, é a pizza. E as pastas. E os grissini. E tudo o que torna este restaurante num dos melhores sítios para comer comida (bravo, Ele! Brilhante redundância!) italiana.

E é com frases destas que começam as discussões. Todos nós sabemos que não se pode falar de pizzas sem fundamentar cuidadosamente aquilo que se diz. E se aquilo que se diz é que um restaurante é um dos melhores sítios para se comer pizza, então é melhor vestir a armadura porque vem aí guerra. Mas antes de começar aí desse lado a vociferar furiosamente contra as aleivosias que eu digo, deixe-me explicar.

 

 

osteria: um restaurante barato, alegre e surpreendente para este fim-de-semana

Esqueça tudo o que sabe sobre restaurantes italianos e, especialmente, esqueça tudo o que já ouviu falar sobre lasanhas. Isto é completamente diferente. Os nomes e as noções podem ser as mesmas, mas o que vai sentir quando se sentar na Osteria (que abriu no ano passado na Madragoa, em Lisboa) é uma verdadeira revolução cultural, financeira e gastronómica.

 

 

o ex-eataly, atual italian republic do alegro

Vou muitas vezes a este restaurante à hora de almoço. Como adoro comida italiana, é uma das minhas "cantinas" preferidas em centros comerciais. Já o experimentei em três shoppings: Alegro, Amoreiras e Colombo. E o do Alegro é claramente o vencedor. O das Amoreiras é uma desgraça no que toca ao serviço. A culpa nem é dos empregados que estão o tempo inteiro a pedir desculpa porque os pratos demoram horas. Pelo que percebi, a cozinha estava sem rei nem roque e mesmo à beira de uma revolta. E isto aconteceu duas vezes seguidas, por isso, não voltei lá uma terceira, com medo de uma pizza armadilhada. Ainda por cima, é mais caro do que os outros. Não sei se é por as Amoreiras ser um gueto de betos, ali paga-se mais do que nos outros restaurantes, o que logo à partida, me irrita um bocadinho. Já o Colombo tem outro drama. Como o centro comercial é gigante, o restaurante está sempre cheio, não de betos mas de uma miscelânea de gente. Temos sempre de ficar na fila à espera de mesa o que, convenhamos, não dá jeito nenhum para quem, como eu, tem sempre pressa à hora de almoço.

Por isso, sempre que posso, opto pelo do Alegro. Às vezes também ficamos à espera de mesa, mas o empregado traz-nos sempre a lista para irmos escolhendo, para ser mais rápido. Como sou muito de hábitos e rotinas, costumo pedir quase sempre a mesma coisa.

A ementa

De entrada, uma espécie de pizza gigante fina e estaladiça temperada com azeite e alecrim, (simplesmente deliciosa e viciante) ideal para partilhar, e depois, como fico sempre com remorsos porque estraguei a dieta, peço uma salada Eataly, que tem uma variedade de alfaces com tomate, mozzarella, presunto e molho de pesto. Adoro e chega perfeitamente. Enche imenso.

Quando estou desvairada de fome, peço um salmão com risotto de pesto e chutney de limão e mel que é absolutamente divinal. Já pedi duas ou três vezes e vem sempre no ponto certo.

 

O serviço

É rápido o suficiente para uma hora de almoço apressada. É bom mas não é fantástico. E o preço? Costumo pagar no máximo 13 a 15 euros por pessoa, partilhando a entrada e incluindo uma bebida e um café no fim. Não dá para todos os dias, mas de vez em quando, se tiver um almoço de trabalho ou um encontro de amigos, vale a pena.

Bom almoço, sobretudo se não estiver de dieta,

Ela

 

a odisseia de jantar no di casa do centro vasco da gama

Imagine-se a caminhar pelo meio do mato, a afastar arbustos, a pisar troncos, a trepar por cima de ramos de árvores, a desviar-se constantemente dos obstáculos para tentar manter minimamente o rumo. Agora substitua o mato pelo Centro Comercial Vasco da Gama, os arbustos por aglomerados de gente, os troncos por cadeiras, pés e carteiras no chão e os obstáculos por pessoas a virem na sua direcção. Este é o caminho que vai ter de percorrer até chegar ao restaurante DiCasa à hora do jantar. Por isso, vista o camuflado, calce as botas de montanha e pegue num pau porque isto vai ser difícil.

O serviço 

- Boa noite, temos uma reserva para as oito em nome de Mulher Mistério.

[Brincadeirinha, fizemos a reserva com o pseudónimo que normalmente usamos para os nossos jantares e que, por motivos óbvios, não posso revelar aqui]

- Hmmm...

[Silêncio... consulta da agenda... silêncio novamente]

- Não estou aqui a encontrar nada.

- Mas foi feita, de certeza.

[Novo silêncio... nova consulta da agenda... novo silêncio]

- Só um momento.

[Desapareceu. Cinco minutos depois voltou]

- O senhor perdeu a sua mesa.

- Como?

- A reserva estava feita para as oito. E nós só damos 15 minutos de tolerância.

- Mas são oito e vinte [e eu já aqui estou à espera há cinco minutos enquanto o senhor procura a reserva... esta parte não disse que eu não sou homem de conflitos com homens maiores do que eu]

- Pois...

- Ok, obrigado, então, boa noite.

- Espere lá, eu arranjo-lhe outra mesa.

[Depois da demonstração de autoridade, a clemência...]

Um minuto depois, estávamos sentados – e abandonados. Depois de variadíssimas tentativas, conseguimos que nos trouxessem a lista. Mas fazer o pedido é tão difícil como conseguir chamar um jogador de futebol, a partir da bancada, durante um Benfica-Sporting. Aqui os empregados focam-se no chão ou num ponto imaginário no horizonte. Não levantam a cabeça, não olham para a sala, não ouvem, não vêem, não falam, não sentem. São como anémonas, circulam à deriva no mar de gente.

O ambiente 

A decoração até tem algumas pretensões de sofisticação. E o espaço é grande e arejado. Mas o ambiente sufoca: há barulho, há confusão, há cadeiras a cair, há crianças a voar. É verdade que fomos num fim-de-semana à noite, é verdade que enfiarmo-nos num shopping numa dia assim é pedir um ambiente caótico, mas isto superou tudo o que se pode imaginar. Jantar no DiCasa ao fim-de-semana é o mesmo que passar um dia no Aquashow em Agosto – ninguém merece!

A ementa

Podia ter sido esta a nossa salvação – mas não foi.

 

As entradas

Começámos por dividir uma salada caprese. E ainda bem que não pedimos duas. Cada rodela de tomate vinha quase com a grossura de uma edição dos Lusíadas, o que quer dizer que cortada em quatro dava para alimentar quatro famílias. A mozzarela era industrial e o tempero colocado a despachar – foi preciso rectificar tudo, do azeite à pimenta.

Os pratos principais

Mais um erro. Toda a gente fala das pizzas e nós fomos inovar. Mas um bom restaurante italiano não pode fazer só pizzas. Eu pedi um tonno nizzarda – posta de atum fresco grelhada, temperada com sumo de limão, azeite e vinagre balsâmico e acompanhada com salada de rúcula e tomate cereja. A posta de atum parecia uma costeleta de novilho à cortador – gigante – e não tinha graça nenhuma. Não é que eu queira trocar piadas com uma posta de atum, mas gosto de sorrir, pelo menos ligeiramente, quando a provo. E não é isso que acontece no DiCasa: dá ideia que os pratos são feitos à pressa, como se estivessem a alimentar um regimento de infantaria.

Ela pediu um filete de salmão com um "delicioso e fresco" molho verde e um "delicioso" risotto de limão. É claro que um prato que tem duas vezes escrita a palavra "delicioso" na sua descrição só pode dar barraca. E foi o que aconteceu. O salmão estava passado demais – seco – e o risotto espesso e pesado, ao melhor estilo argamassa.

No final, saltámos rapidamente por cima das sobremesas e pedimos cafés e a conta. Como qualquer bom restaurante caótico, primeiro veio a conta – errada – e dez minutos depois chegaram os cafés. 

Oh noite de azar!

 

O bom

A esplanada – mas como estava uma noite fria, não constou.

O mau 

A comida

O péssimo

O serviço

 

Um bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

Ele

 

a pasta nella forma do italy

Estou com a estranha sensação que me deito com o impermeável vestido e acordo com o chapéu de chuva na cabeça. Parece que passei a viver dentro da Anatomia de Grey, onde as únicas cenas sem chuva são as que se passam dentro do hospital (e mesmo aí já choveu...). Só que infelizmente, apesar dos meus lindos olhos azuis, ainda não sou o Derek Shepherd para acabar com a depressão do mau tempo lá em casa através de um simples sorriso. Eu tenho de me esforçar para animar a família - se é que se pode chamar família a seis bocas constantemente à espera de serem alimentadas. E não basta explicar que em Seattle, em 1953, já choveu durante 33 dias seguidos sem parar. Não. É preciso surpresas, presentes, algumas graças e muitos jantares fora. É assim a minha vida e está a ser assim a minha semana. E a surpresa desta semana foi um restaurante italiano.

O ambiente

O sítio é barulhento, a decoração é de cantina, os desenhos nos pratos são de fugir. Aqui há garrafas gigantes a imitar cristal, jogadores de futebol a comer de boca aberta, concursos de misses Brasil a desfilarem por entre as mesas. Aqui há grupos de homens a falarem aos gritos e grupos de mulheres a gritarem enquanto falam. Aqui tudo foi pensado para correr mal. Mas aqui tudo corre muito bem. Tudo? Sim, tudo. Ou acha que o ambiente numa verdadeira pizzaria italiana tem alguma coisa a ver com bom gosto, sofisticação e tranquilidade? Nada disso existe no Italy. Porque no Italy você está como se estivesse em Itália.

 

O serviço

Os empregados falam italiano entre eles e portiliano consigo. São rápidos e são eficazes, são simpáticos e são efusivos, são italianos e são orgulhosos. Ao entrar na sala do Italy, na Avenida Duque d'Ávila, em Lisboa, parece que está a entrar na sala de casa do Padrinho, na Sicília. Só que, em vez de um assustador Michael Corleone encontra uma maravilhosa Pasta nella Forma. E é isso que transforma este restaurante num sítio obrigatório para quem gosta de comida.

 

A ementa

No Italy, não é importante o couvert, as entradas ou as sobremesas. Guarde cada milímetro cúbico do seu estômago para esta massa. Estamos evidentemente a falar de um spaghetto fresco e especial. Primeiro, a massa é cozida na cozinha e passada por uma frigideira com manteiga e natas. Depois é levada para junto da mesa, onde um empregado pega num enorme queijo Grana Padano original sem a casca de cima e passa a massa quente pelo interior, deixando o queijo derreter um pouco com o calor do spaghetto. Quando a massa está realmente envolvida no Grana Padano, é colocada num prato por cima de uma fatia de presunto de Parma. Leva ainda um molho com cogumelos porcini, cebola, natas e salsa e é temperada com um fio de azeite de trufas brancas e um pouco de pimenta. Tudo isto se passa à nossa frente, enquanto lá fora as ruas alagam e as coberturas dos estádios de futebol voam. É uma mistura perfeita de diferentes sabores típicos italianos - queijo, cogumelos, trufas, presunto e pasta - e a única coisa que me faz sair de casa num dia como este. Só um ultimo conselho: se for ao site do Italy, não se assuste com o aspecto. É tipicamente italiano: kitsch, mas muito bom.

 

O óptimo

A Pasta nella Forma

O bom

O serviço

O mau

A decoração

 

Uma boa molha para si, onde quer que esteja,

Ele