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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a nossa aventura no beco cabaret gourmet, o restaurante mais surpreendente de josé avillez

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À minha esquerda um grupo de quatro homens comenta e ri-se com o nervoso miudinho típico de quem acha que acabou de entrar no Elefante Branco dos restaurantes Michelin; à minha direita, um grupo de casais cinquentões, de camisa branca e blazer azul escuro, fala espalhafatosamente como se tivesse acabado de sair directamente do T-Clube, em 1992; à minha frente, um homem totalmente careca, de fato escuro e barba hipster, olha para toda a gente com um ar sério e impenetrável – é o anfitrião do Beco Cabaret Gourmet, o novíssimo restaurante de José Avillez.

Na verdade, o Beco não é bem um restaurante. É um espectáculo de música e dança com um óptimo jantar a acompanhar. Por isso, se espera vir para aqui conversar calmamente, num tête-à-tête romântico, o melhor é cancelar já a reserva e tentar poupar os €260 do jantar duplo sem bebidas incluídas.

O Beco não é barato, o que significa que convém perceber muito bem o que isto é, antes de se atirar para esta experiência de cabeça fresca e carteira cheia.

 

 

os deliciosos petiscos e a looooonga espera para jantar no novo bairro do avillez em lisboa

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Duas horas é o tempo que um aluno do ensino secundário demora a fazer um exame nacional de Latim.

Duas horas é o tempo de duração de um jogo de curling (se tudo correr bem, claro!).

Em duas horas, é possível celebrar dois casamentos, dá para jogar uma partida e meia de râguebi, consegue-se ir de Lisboa ao Algarve de carro.

Em duas horas, pode embarcar num avião no Porto e sair em Paris para comprar uns deliciosos queijos num mercado francês.

Mas, em duas horas, eu e a minha querida Mulher Mistério não nos conseguimos sentar numa mesa para quatro pessoas, numa sexta-feira à noite, na Taberna, do Bairro do Avillez, em Lisboa. Em bom rigor, demorámos duas horas e quatro minutos desde que chegámos com um casal amigo até que nos sentámos no novíssimo restaurante da moda em Lisboa.

O novo espaço de José Avillez é um projecto claramente ambicioso demais para quem quer manter um serviço minimamente adequado ao século XXI. E esse é o maior problema do Bairro do Avillez – porque a nível da comida ou da decoração o restaurante é uma maravilha.

 

 

novidade! novidade! abre hoje o novo bairro do avillez com uma mercearia, uma taberna e um pátio (veja todas as fotos aqui)

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Abre hoje à noite, quarta-feira, dia 10 de Agosto, o novo espaço de José Avillez, na Rua Nova da Trindade, em Lisboa. E tem um conceito totalmente inovador. 

 

o melhor bolo-rei de lisboa, com mais de mil votos, é...

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Vamos dizer isto com muito cuidado para não trasnformarmos o nosso bolo-rei numa nova Miss Colômbia: o vencedor é... a Confeitaria Nacional. Depois de uma semana de votação, a pastelaria de Lisboa ganhou a eleição do Casal Mistério com quase 70% dos votos dos leitores, contra 31,9% da Garrett, no Estoril.

Os dois finalistas foram encontrados através de uma prova-cega de cinco bolos-reis realizada pelo júri mais exigente do país: José Avillez, o único chef português com duas estrelas Michelin; e a Marta, que, como quase todas as crianças de 10 anos, odeia bolo-rei.

 

 

a prova cega que faltava: josé avillez juntou-se a uma criança de 10 anos para eleger o melhor bolo-rei de lisboa

É a final mais aguardada do ano, o tira-teimas da década, o combate do milénio. É a verdadeira Liga dos Campeões dos bolos-reis.

A apenas uma semana do Natal, o Casal Mistério organizou a prova por que todo o mundo ocidental aguardava, só para responder a uma das perguntas que acompanha gerações e gerações de famílias portuguesas: onde está o melhor bolo-rei?

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mini bar, definitivamente um restaurante onde tem de ir pelo menos uma vez na vida (ou duas... ou três... ou quatro...)

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José Avillez sempre foi uma figura que me indignou profundamente. Não posso aceitar que exista alguém que consiga cozinhar daquela maneira – e especialmente que esse alguém não seja eu. Imagino o que será um fim-de-semana em casa dos Avillezes: 

– Oh querido, já estou com uma certa fome.

– Não te preocupes, meu amor, dá-me só cinco minutinhos que te faço já aqui um lombinho de novilho corado, ligeiramente fumado com alecrim, legumes da estação, tutano e puré de alho. Ou será que preferes um rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela e creme de cebola com queijo da serra? Também não me custa nada...

Não é justo Deus ter-se esquecido de mim na Papua Nova Guiné quando decidiu montar uma banca à porta de casa dos Avillezes, em Cascais, para distribuir pelo mundo o talento para cozinhar. E, ainda por cima, juntou-lhe também a simpatia, a humildade e a capacidade de trabalho. Irra, que é demais!

É por isso sempre com uma profundíssima inveja interior que eu entro nos restaurantes de José Avillez. E desta vez o escolhido foi o Mini Bar, o mais surpreendente e inovador restaurante do chef com duas estrelas Michelin.

 

 

os pratos que tem mesmo de provar na edição deste ano do peixe em lisboa

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Estou dividido. Não sei se comemore ou se organize uma marcha fúnebre. Não, não estou a falar da chuvada que me ensopou a mim enquanto salvava as colheitas de trigo em Alverca do Ribatejo. Não. Estou a falar do Peixe em Lisboa, que vai começar amanhã. O conceito é maravilhoso, os restaurantes são assombrosos, os pratos são um portento. No meio de tanta notícia boa, só há um ligeiríssimo detalhe: a minha experiência no Peixe em Lisboa, no ano passado, foi tão traumatizante quanto ter assistido a um episódio inteiro da Violeta sem me poder levantar da cadeira. Como pode confirmar aqui, houve fila de 40 minutos, sala às escuras e este meu bonito corpinho sentado no chão. No entanto, houve também comida fantástica e os melhores chefs do país. 

E agora? O que é que eu faço? Vou ou fico? Convenço a minha querida Mulher Mistério a ir para a fila ou sacrifico-me qual Cristo salvador? Arrisco-me a levar com uma cadeira na testa no meio da confusão ou prescindo das gambas do Algarve em ceviche do José Avillez? Eu sei, a minha vida não é fácil, pois não?

Mas, enquanto me debato com esta sangrenta batalha interior, decidi fazer o trabalho por si e escolher os melhores pratos disponíveis na edição deste ano. Aqueles pratos que não pode mesmo perder. Veja lá se não são tentadores...

 

 

o delicioso bacalhau do josé avillez e todas as outras maravilhas do café lisboa

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Depois da minha pequena crise de juventude súbita, os meus queridos filhos fizeram o favor de me relembrar daquilo que eu já temia há muito tempo.
Estou velho.
VELHO.
V-E-L-H-O.
Aliás, aproximo-me perigosamente daquele ponto em que um criaturo já não sabe exactamente quanto tempo é que vai viver. Com esta idade, já nem arrisco comprar bananas verdes. Por isso, decidi: não posso perder mais tempo. Há que fazer as três coisas que qualquer homem tem de fazer antes de morrer: plantar uma árvore, escrever um livro e... ir a todos os restaurantes do José Avillez. (Parece-me que, ao quarto filho, já estou dispensado de ter mais um, não?)
E é para cumprir essa epopeica missão que estou aqui hoje. Depois de, no ano passado, termos ido à Pizzaria Lisboa, agora fomos ao Café Lisboa. A seguir, Minibar e Belcanto aí vamos nós!

 

 

três vídeos, uma mensagem: alimente esta ideia

Se há Instituição de Solidariedade Social neste país que eu admiro é o Banco Alimentar contra a Fome. Resultado de um trabalho notável de milhares de voluntários e de uma equipa extraordinária que dedica a sua vida a levar bens essenciais aos mais carenciados, prepara agora mais uma campanha de recolha de alimentos a nível nacional. Durante este fim de semana (31 de maio e 1 de junho), 40.800 voluntários vão estar em 1955 lojas por todo o país. Além disso, a partir de hoje e até 8 de Junho, será também possível contribuir na campanha “Ajuda Vale”, que tem o lema “uma ajuda que não pesa mas vale”. Para isso, basta pedir um vale nas caixas dos supermercados com um código de barras específico para os produtos para o Banco Alimentar.

Desta vez, o Banco Alimentar contou com o apoio de três pesos pesados da cozinha para ajudar a divulgar a campanha e alertar consciências: José Avillez, Justa Nobre e Vítor Sobral dão a cara por esta causa de uma forma direta e eficaz. Ora veja:

 

De acordo com os dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, em 2013 foram apoiadas 2.254 instituições de solidariedade que entregaram os produtos alimentares a mais de 375 mil pessoas, sob a forma de cabazes de alimentos ou refeições confeccionadas, num total de 23.811 toneladas de alimentos (com o valor estimado de 33.935 milhões de euros), uma média diária de 95 toneladas por dia útil. Incrível, não é? E é um orgulho fazer partes destes números. Por isso, se for como eu - que foge dos hipermercados e dos shoppings aos fins de semana - pode participar sem sair de casa. Como? Basta ir ao Google e escrever http://www.alimentestaideia.net. Depois é só escolher os produtos que quer oferecer, pagar e já está. Não se esqueça: a campanha online está disponível até ao dia 8 de junho. 

Vamos ajudar?

Ela

o exemplo de josé avillez

Há os chefs bons e há os chefs menos bons. Há os chefs convencidos e há os chefs modestos. Há os chefs da alta gastronomia e há os chefs da gastronomia do dia-a-dia. Há os chefs que inventam e há os chefs que copiam. Há os chefs vanguardistas e há os chefs conservadores. E depois há o José Avillez. Já aqui escrevemos sobre a Pizzaria Lisboa, onde pode encontrar coisas muito boas e coisas criticáveis. Mas ninguém é perfeito. E José Avillez é o primeiro a reconhecer isso. Nesta entrevista que dá ao Económico TV, o responsável pelo Belcanto e pelo Cantinho do Avillez demonstra por que é o chef mais especial e mais acarinhado do País.

Ao contrário da maioria dos colegas - portugueses e estrangeiros -, Avillez combina um talento absolutamente invulgar com uma simplicidade incrivelmente genuína, uma paixão contagiante com uma gratidão desconcertante. Recusa ser tratado por chef - prefere que lhe chamem cozinheiro; e fala dos grandes nomes que lhe ensinaram muito, como Ferran Adriá, Bento dos Santos ou Maria de Lourdes Modesto, com o mesmo reconhecimento com que refere os seus colaboradores que puxam por si quando se sente mais desanimado. Nunca cai em autoconvencimentos exacerbados e raramente resvala para falsas modéstias irritantes. Fala da cozinha, da família, das alegrias, das tristezas e do novo restaurante que quer abrir fora de Lisboa. Sempre de uma forma honesta e fascinante.

Uma entrevista simples de um homem genial. Cinco estrelas - que valem muito mais do que as Michelin.

Um abraço ao José Avillez, onde quer que ele esteja,
Ele

a pizzaria lisboa do "zé" avillez

A ementa

A massa

José Avillez é provavelmente o melhor chef português do momento. Mas não basta começar a tratá-lo por Zé Avillez (como acontece nas promoções da Pizzaria Lisboa) para o transformar automaticamente no melhor cozinheiro de pizzas em Portugal. Aqui os ingredientes são bons, as receitas são cuidadas e as combinações são surpreendentes. Mas, como dizia o Ambrósio, às vezes apetece-nos algo. E a mim apetecia-me uma massa de pizza mais definida. Ou é grossa e suave como as napolitanas; ou é fina e estaladiça como as romanas. Infelizmente José Avillez (ou Zé para os clientes da pizzaria) optou por uma mistura: fina e suave. É bom? É. Mas parece que o forno falhou a meio e o estaladiço virou mole. Tirando esse pequeno detalhe, vamos ver...

...O couvert

Como seria de esperar, numa pizzaria não há pão, há grissini. E os do "Zé" são óptimos: grossos, leves, estaladiços e com uma consistência perfeita que não embucha. E há também focaccia: aquela pizza finíssima e estaladissíssima, aqui temperada com azeite, alho e alecrim. Você leu estaladissíssima? Algumas fatias sim, outras não. O que me leva a pensar que existe aqui uma perseguição contra os alimentos estaladiços.

As entradas

A burrata com pesto e pinhões é simples - não é uma receita complicada, mas nem todas as grandes receitas têm de ser complicadas, aqui a surpresa está na qualidade dos alimentos e na simplicidade das combinações. Os carpaccios de novilho e de atum são normais - atenção que "normal" é muito diferente de simples. E a salada de alfaces novas, com alcachofras, vinagrete de balsâmico branco e parmesão é uma pena - estava tudo óptimo se as alcachofras não fossem de lata.

As pizzas

Saltando por cima da questão da massa, sobra-nos a questão do recheio. E aqui está bem servido. Tirando as pizzas picantes, que são MESMO picantes, as outras têm algumas óptimas combinações: burrata e mortadela trufada, pêra rocha e presunto de Chaves, alho e carabineiros do Algarve ou presunto, manjericão e figos (esta só está disponível na época dos figos, tal como a salada da entrada só deveria estar disponível na época das alcachofras). Antes de chamar o empregado para fazer o pedido, dê uma vista de olhos naquela discreta coluna do lado direito da lista, onde estão uns números e uns símbolos de euros. É que aqui o preço de uma pizza varia entre os €9,5 e os €50 (não, não é gralha, não falta nenhuma vírgula entre o 5 e o 0).

O serviço 

É rápido, sóbrio, eficiente e não sorri. Por muito que eu tivesse tentado durante toda a noite, a senhora loura que nos serviu não conseguiu esboçar um único sorriso. Mas quando tudo o resto funciona, não nos podemos queixar.

O ambiente 

Lá por ser um restaurante do chef do Belcanto e por ter pizzas a €50, não espere nada muito sofisticado. Nem mesmo pouco sofisticado. As casas de banho estão sujas com pingos de chichi no chão (para não dizer pequenas poças), a sala está ruidosa (para não dizer barulhenta) e atrás de si pode haver gente sentada ao balcão (para não dizer a tocar nas suas costas). A Lisboa é uma pizzaria e não tenta ter um ambiente diferente. É simples, relaxada e um bocadinho de nada kitsch na ementa, onde cada pizza faz questão de ter o nome de um bairro da cidade.  

O bom

Os ingredientes frescos e os recheios das pizzas com combinações surpreendentes

O razoável

A massa

O péssimo

Os preços e o chão da casa de banho

 

E por falar em kitsch, um abraço para si onde quer que esteja,

Ele