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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casa do rio, o refúgio perfeito para namorar no dia dos namorados

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"Vá pelo mau caminho que encontra o paraíso". Nunca mais me esqueci desta frase deliciosa que nos guiou há uns anos por uma estrada em muito mau estado até um hotel de sonho no Brasil. E voltei a lembrar-me dela quando entrámos no caminho de terra batida com cerca de dois quilómetros e meio que nos levou até à Casa do Rio, perto de Foz Côa e em cima do rio Douro. Quando a irritante voz do GPS anunciou “chegou ao seu destino”, ficámos perfeitamente deslumbrados.

 

apetece-lhe comer uma pizza com massa caseira, à frente de uma lareira?

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A mim apetece-me. Ou melhor, já me apeteceu. E por isso é que embalei a criançada toda e rumei até Cascais para ver o que é que estava à minha espera no Pizza Itália, também conhecido como Caffe Itália (para ser sincero, ainda não percebi bem qual é o nome da criatura – mas desde que não seja Lyonce Viiktórya, por mim está bem). O que verdadeiramente interessa aqui não é o nome, é a pizza. E as pastas. E os grissini. E tudo o que torna este restaurante num dos melhores sítios para comer comida (bravo, Ele! Brilhante redundância!) italiana.

E é com frases destas que começam as discussões. Todos nós sabemos que não se pode falar de pizzas sem fundamentar cuidadosamente aquilo que se diz. E se aquilo que se diz é que um restaurante é um dos melhores sítios para se comer pizza, então é melhor vestir a armadura porque vem aí guerra. Mas antes de começar aí desse lado a vociferar furiosamente contra as aleivosias que eu digo, deixe-me explicar.

 

 

se não pode jantar à lareira, convide a lareira para jantar

Mais um fim de semana sem sol e com ele uma imensa vontade de não sair de casa. Por isso enquanto o meu querido marido mistério improvisa um jantar, eu arrumo a casa e ponho a mesa. Hoje à noite vamos mandar a equipa de futsal para casa dos avós e fazer um programa a dois. E que tal esta lareira portátil, para aquecer o ambiente?

 

 

Se quiser comprar esta romântica lareira para decorar a sua mesa de jantar, clique aqui.

 

Bom fim de semana,

Ela

rio do prado: um hotel de charme escondido pela natureza

Ah e tal… turismo sustentável e ecológico. Sinceramente não tenho muita paciência para os verdes e os seus fundamentalismos. O que não significa que não tenha alguma consciência ecológica: separo o lixo em casa, poupo água e energia e vivo a reciclar papel. Mas quando escolho um hotel, não estou nem aí para a ecologia. Preocupa-me o ambiente sim, mas das salas, dos quartos, das casas de banho, dos jardins, da zona da piscina, etc. Gosto de hotéis cuja principal preocupação seja o conforto. Claro que a decoração importa. Claro que o luxo é simpático. Se for em comunhão com a paisagem, melhor ainda. Por isso quando entrei pela primeira vez no Rio do Prado, tenho de admitir que fiquei rendida. Conforto, bom gosto e luxo em simbiose perfeita com a Natureza.

Os anfitriões

Fomos recebidos por Marta Garcia, a proprietária. Sorridente, bem-disposta, faladora e sem cerimónia, é impossível ficar-lhe indiferente. Dois minutos de conversa e sentimo-nos imediatamente em casa, com aquela sensação de que nos conhecemos de toda uma vida. Mas passadas duas horas de convivência, já está a esticar a corda e a mandar-nos aquelas piadas que o ex-colega da escola nos manda quando nos revê 20 anos depois: “Estás um bocado despenteada hoje... Mais um copo? Hoje vai a garrafa toda, não?” E outras coisas do género. Já o marido, Telmo Faria, pareceu-nos mais discreto. Durante o dia, andava sempre de um lado para o outro, com cara de quem tinha milhares de coisas para tratar, e à noite, vestia o papel de mestre de cerimónias e dava-nos ótimas sugestões para o jantar.

O hotel

Olhei em volta. Estávamos no edifício principal que alberga a receção, uma biblioteca com uma espetacular lareira suspensa, e o restaurante Maria Batata. Decoração clean, minimalista e original, com pormenores em madeira deliciosos. O edifício tem a forma de uma meia-lua, com a sua fachada arredondada, em frente à qual se acende uma lareira exterior, à noite. Lá fora, uma apetecível piscina em ambiente zen e um imenso jardim com cinco lagos e quinze suites, todas independentes, todas originais. 

As suites 

A nossa, como dizia o outro, era “um luxo de imobiliário”: Ainda deslumbrados com o terraço e a lareira exterior, hesitámos entre entrar pela porta ou pela janela, tal o tamanho do vidro que vai do teto ao chão e ocupa toda a fachada do quarto. Optámos pela porta para não parecermos muito saloios e o deslumbre subiu de nível: um enorme open space com sala de estar, televisão e lareira suspensa, uma secretária, uma cama king size e uma banheira em pleno quarto. Primeira dúvida: atiro-me para cima da cama ou mergulho na banheira? Esta, sendo em cimento afagado, tem uma característica que a torna muito mais confortável do que as banheiras de cimento normais e que são muito giras mas muito quadradas e desconfortáveis: tem o fundo a acompanhar as formas do corpo que faz uma espécie de onda como algumas espreguiçadeiras de piscina.

O que mais me impressionou foram os detalhes da decoração. Pormenores surpreendentes, quase todos escolhidos e feitos à mão pelos proprietários, como os troncos de árvore que os próprios cortaram com um palmo de espessura, pintaram e penduraram no teto. Outro exemplo do talento e do bom gosto de Marta Garcia e Telmo Faria são os espelhos da casa de banho: pedaços de espelhos emoldurados por madeira tosca criam um efeito original no seu conjunto.

As únicas portas que existem (além da porta da rua, claro!) são as das zonas mais íntimas da casa de banho: só que são de vidro. Será este talvez o único inconveniente da decoração, para aqueles casais mais púdicos que não gostam de partilhar certos e determinados momentos com ninguém a não ser com um livro ou um Ipad. Por falar em Ipad, o Rio do Prado coloca um em cada quarto, onde o hóspede pode controlar em tempo real o seu consumo de eletricidade e água. (Escusado será dizer que nem o liguei!)

O restaurante

Com uma cozinha de mercado, preparada com produtos biológicos do pomar e da estufa orgânica, a ementa é variada e surpreendente. O ritual, esse, é sempre o mesmo: o jantar começa lá fora, à lareira, com um copo de vinho, pão com chouriço e torresmos acabados de fazer no forno a lenha. Continua, irrepreensível, numa das mesas da sala da lareira suspensa com vista para o jardim, e termina (se o tempo o permitir) lá fora outra vez, à fogueira. Um fim de noite de sonho em que a conversa só é interrompida por um gole ou outro de vinho e pelo coaxar das rãs que vivem nos lagos do jardim.

Efeito estufa

Quando explorar o jardim não deixe de espreitar a magnífica estufa, toda em madeira clara, decorada com ervas aromáticas nas mesas e nas paredes. Verá que terá um efeito em si: de repente vai sentir uma vontade súbita de se casar outra vez, fazer 40 anos ou inventar um qualquer pretexto para ali dar uma festa. Ideal para celebrações ou jantares especiais, o espaço promete momentos inesquecíveis. Os preços não são nada caros. Comparando com o Areias do Seixo, por exemplo, é muito mais barato e o restaurante é bem melhor.

PS – O hotel tem ainda spa, inúmeras atividades, workshops e afins. Obrigatório: o paddle na lagoa e uma visita a Óbidos. Se quiser saber mais, vá direto à fonte: www.riodoprado.pt

  

O Bom

A decoração, o restaurante, o jardim, a piscina, o serviço

O Mau

A intimidade excessiva da anfitriã

O Ótimo

As lareiras exteriores, o vinho e o pão com chouriço ao anoitecer, as suites

 

Um bom fim de semana para si,

Ela

quinta do vallado, um refúgio de sonho onde o vinho é rei

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Imagine um hotel moderno, sofisticado, cercado de vinha, ou melhor, de vinho por todos os lados. É uma ilha de emoções. Um paraíso para quem, como nós, adora esta bebida inspirada. E depois há o conceito: Wine Hotel. A expressão em si é música para os nossos ouvidos. Resultado: acordávamos a desejar que fosse meio-dia, a hora que estipulámos de razoável para beber o primeiro copo de vinho branco. A partir daí, entre provas de branco, tinto e portos secos, vintage e tawny, foi a verdadeira loucura.  

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Lá fora

O hotel está dividido em dois edifícios: o histórico, que data do século XVIII, entretanto recuperado, e o novo, do século XXI. Optámos pelo mais recente. Quando chegámos, já perto das oito da noite, depois de vários quilómetros de curva e contracurva, estavam 4 graus. Arrumámos o carro e subimos a escadaria imensa que dá acesso ao hotel, plantado nas típicas encostas das margens do Douro. À nossa esquerda, o edifício construído em 1733 e recentemente recuperado. À direita, o novo, projetado pelo arquiteto Francisco Vieira de Campos, para onde entrámos rapidamente, já com o nariz a congelar.  

Primeiro impacto 

A receção aqueceu-nos a alma. Com paredes e chão de xisto, a decoração é sóbria e elegante. Ao fundo, a miragem das salas e da biblioteca, com as suas três lareiras acesas, pareceu-nos um milagre. Mas todo o encantamento se desvaneceu quando nos anunciaram que não serviam jantares, porque “a taxa de ocupação não justifica”. Gelámos novamente com a perspetiva de ter de voltar a sair. Lá fomos à Régua jantar ao Douro in e regressámos rapidamente para aproveitar o hotel. 

Cá dentro

O quarto é confortável e clean (dispensávamos um gigantesco buraco na parede junto à ombreira da porta), e a casa de banho, toda ela em xisto preto, é minimalista e trendy. A varanda tem uma vista bonita mas não é deslumbrante. A cama dá para mais de duas pessoas (cada um sabe de si! Estou aqui para informar…) e é super confortável. Os lençóis, endredon e almofadas são frescos e macios. Mas onde se estava realmente bem era em frente às lareiras da sala e da biblioteca que tornavam estes espaços os mais quentes e acolhedores da Quinta do Vallado. Por isso, acabámos o dia da melhor forma: a ler um bom livro, com um excelente vinho, ao som do crepitar das chamas e da música ambiente de um discreto iPod colocado numa das mesas da sala.

O pequeno-almoço

No dia seguinte, fomos surpreendidos por um pequeno-almoço de rei: inúmeros pãezinhos, croissants, bolo, fruta variada (até romã!!!), ovos, bacon, presunto, tomate, azeite, manteiga, sumo de laranja natural, queijos, fiambres diversos, mortadela, queijo fresco, compotas caseiras, frutos secos, doce, leite, café, chá, expresso, e até nutella! Ufa! Estava mais para brunch do que para pequeno-almoço, tal era a fartura. Tudo isto servido com requinte e muito bom gosto, numa sala de jantar arejada, com duas janelas enormes que convidam a paisagem a fazer-nos companhia, separadas por uma original lareira suspensa, que aquecia ainda mais o ambiente.

Pormenores que fazem a diferença

No dia seguinte, o pequeno-almoço já foi de príncipe. A "taxa de ocupação" claramente não justificou uma ida ao supermercado. Passou de ótimo a razoável em apenas 24 horas. E a única lareira acesa era a da sala de jantar. As da sala e da biblioteca mantinham as cinzas da véspera. A mesa de jogo da noite anterior permanecia intocável, com os nossos copos de vinho do porto e as chávenas de café por levantar. O serviço, "quando a taxa de ocupação não se justifica", é manifestamente insuficiente, apesar da simpatia dos dois únicos funcionários que nos atenderam durante toda a estada. Por isso, decidimos dar uma ajuda e acendemos nós as lareiras.

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O jantar

Depois da desilusão da primeira noite, ofereceram-nos a hipótese de jantar no hotel no segundo dia. A mesma sala do pequeno-almoço, com a sua lareira suspensa (acesa!) abriu só para nós. O menu era fixo, mediano e caro: por 35 euros por pessoa, comemos uma canja de galinha razoável, um medíocre bacalhau com broa requentado, e um petit gateau com gelado de baunilha de sobremesa. Os vinhos da casa salvaram a honra do convento. Mas, pelo menos, não tivemos de enfrentar o frio lá fora...

O Douro

Os dias foram passados a descobrir a região, linda com as suas inúmeras quintas e paisagens deslumbrantes, sempre com o Douro como protagonista. A que mais me impressionou, não pelo vinho (porque, francamente ao fim de tanta prova, já não distinguia o tawny do vintage, o tinto do branco) mas pela qualidade e o profissionalismo da visita, e pela beleza da propriedade e da vista, foi a Quinta do Seixo, da Sogrape. Cinco estrelas! 

Em memória da Dona Antónia

No último dia, ao final da tarde, regressámos ao hotel para fazermos finalmente a visita às vinhas e à adega da Quinta do Vallado. Num registo mais intimista mas não menos profissional, dada a proximidade que já tínhamos com o nosso guia, um simpático funcionário do hotel. A paixão com que nos contou a história da quinta, pertencente aos herdeiros da mítica Dona Antónia, e nos explicou todo o processo, desde as vindimas ao engarrafamento, fez-nos sonhar com a nossa própria vinha. E decidimos começar a treinar logo ali, tornando-nos peritos na matéria: atirámo-nos a mais uma prova de vinhos.

O bom

A decoração do hotel, a vista

O ótimo

O pequeno-almoço (no primeiro e último dia), as lareiras, a simpatia do nosso guia durante a visita às caves

O mau

O jantar não é brilhante, o serviço é insuficiente quando a "taxa de ocupação não se justifica"

O péssimo

Não há péssimo

 

Um ótimo descanso,

Ela