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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

fomos ao novo oui, moules & huîtres e adorámos (além de termos comido ostras a €1,50)

Quando eu entro num restaurante e vejo que a ementa é feita de ostras, mexilhões e vieiras, tenho a mesma sensação de satisfação súbita que percorre a espinha do Vítor Gaspar quando entra numa sala e tem à sua frente o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. O prazer que Gaspar tem com a troika da austeridade eu tenho com a troika do marisco. E posso garantir que a minha troika é muito mais saborosa para mim e muito menos inofensiva para si.

Agora imagine o que senti ao entrar num restaurante que se chama Oui, Moules & Huîtres.

 

 

novidade! novidade! abre para a semana no lx factory o novo moules & wine

Primeiro foi o Moules & Gin, depois o Moules & Beer e na próxima semana abre o Moules & Wine. Desde que não se lembrem de fazer o Moules & Aguardente-de-Medronho-Fermentada-Em-Tanques-De-Madeira, por mim tudo bem. Gosto de mexilhões e gosto de vinho, por isso estou no primeiro lugar da fila de espera para experimentar o novo restaurante. Além disso, já estive no Moules & Gin e gostei, como pode ver aqui.

 

 

e que tal ir beber um gin ou comer uns mexilhões à feira do livro?

Primeiro assumo: gosto de ir à Feira do Livro, perder horas a passear entre as bancas, procurar livros que nem sabia que queria ter. Agora confesso: estava a começar a ficar ligeiramente saturado daqueles pavilhões com ar de feira de domingo em Santa Comba de Rosas, daquelas roulottes com pipocas e farturas a transbordar gordura, daquele ambiente hiper-alergénico que fazia qualquer pessoa fugir da Feira do Livro com a mesma rapidez com que foge do José Castelo Branco quando tem o azar de o ver na rua.

Foi, por isso, com profunda satisfação e profundíssima alegria que entrei este ano no Parque Eduardo VII. Primeiro, os pavilhões estão com bom aspecto, cores vivas e um ar moderno que convida a entrar. Depois, as roulottes de pipocas e de farturas continuam lá – mas a um canto, onde o cheiro a gordura já não incomoda tanto. No meio das bancas de livros, há mesas, cadeiras, chapés de sol brancos, espaços lounge e roulottes vintage com petiscos e bebidas tentadoras. A Feira do Livro deixou de ser um sítio onde temos a obrigação de ir para ser um local onde temos prazer em ir. Deixou de ser o conjunto de quatro filas de barracas com livros para ser uma feira cool, com ambiente e animação.

Este ano é possível passear, comprar uns livros e sentar-se tranquilamente a beber um gin em copo de balão (até gin em balão, meu Deus!) enquanto lê o primeiro capítulo de um romance – a Gin Lovers tem um canto simpático com várias marcas, águas tónicas e misturas. Ou então pode combinar com uns amigos e almoçar uns deliciosos mexilhões ao fim-de-semana na roulotte do Moules & Go. Ou pode ainda pegar numa fatia de pizza da Pizzaria do Bairro e seguir a comer enquanto olha para as montras. Ou experientar um kebab da Padaria dos Poetas. Ou uma bola de Berlim (tradicional, de doce de leite ou de maçã e canela) das Bolas da Praia. Ou um gelado da Ben&Jerry's. Ou uma ginginha da Ginginha de Óbidos. Ou até mesmo umas pipocas dentro de um cone bonito da Zeapop. Ao todo, estão lá 30 espaços de restauração, com bom aspecto e boa comida, que vale a pena visitar apesar de terem passado totalmente despercebidos nas acções de comunicação da Feira do Livro. E há ainda concertos de jazz no enorme espaço da Leya e outras iniciativas que valem mesmo a pena.

Meus senhores, colocar sítios simpáticos para se estar a descansar e a comer bem não é acabar com o espírito da feira, é dar mais espírito à feira; não é distrair as pessoas dos livros, é atrair mais pessoas para os livros. Só foi pena terem demorado 84 anos para perceber isso.

 

Boas leituras e boas comidas para si onde quer que esteja,

Ele

os óptimos mexilhões do moules & gin

Hoje em dia há dois tipos de restaurantes: aqueles que nasceram antes de 2010 e estão a tentar sobreviver à crise e aqueles que nasceram depois de 2010 e estão a tentar aproveitar a crise. O Moules & Gin nasceu em Maio de 2013 e, por isso, tem várias vantagens: uma decoração com o charme dos objectos reciclados, um serviço com a preocupação de quem precisa de agradar aos clientes, uma comida com o encanto dos alimentos simples e saborosos e uma conta com a cerimónia de um país endividado. Aqui tudo é feito com cuidado e empenho, porque o objectivo é aproveitar: aproveitar os preços reduzidos dos fornecedores e aproveitar as condições para cobrar menos aos clientes. O resultado é um restaurante despretensioso, bom e não muito caro.

E foi este restaurante que escolhemos no sábado para o estágio da equipa de futsal antes do cansativo desafio que foi a visita ao Mercado do Chocolate em Cascais. Eu sei que parece comida a mais para um único dia, mas olhe que não, olhe que não.

O ambiente 

Há cinco anos, no auge da euforia socrática, seria impensável entrar num restaurante onde os guardanapos fossem um rolo de papel de cozinha, os vasos das plantas velhas latas de conservas, os talheres viessem dentro de jarros de compota reaproveitados, a iluminação fosse feita com lâmpadas penduradas no tecto sem abat-jour e as cadeiras construídas com madeira simples sem pintura. O Moules & Gin é assim. E não é por isso que deixa de ser confortável e acolhedor. Pelo contrário: é por isso que demonstra que se adaptou ao momento do país e respeita os seus clientes. É simples e bom. Num velho edifício recuperado no centro histórico de Cascais, é uma mistura de despojamento e sofisticação, de tradicionalismo e modernidade. Frequentado por clientes de todas as idades, tem uma qualidade quase única: está aberto todo o dia, seja para comer qualquer coisa ou simplesmente para beber um gin tónico.


O serviço 

Este é um sítio descontraído: sem a pretensão de empregados de Downton Abbey nem o relaxamento de um serviço de tasca. É eficaz e relaxado, é rápido e agradável. Aqui não houve episódios caricatos nem cuidados especiais. No fundo, o serviço é o retrato fiel do que o restaurante pretende ser: uma cervejaria belga com um twist de bar de gin.

A ementa 

O couvert

O pão com manteiga de ervas é aquilo de que precisa enquanto espera pela comida: entretém mas não enche, não é surpreendente mas não envergonha.

 

Os pratos

Tirando as sobremesas, a ementa está dividida em três: entradas – várias bruschettas à escolha; mexilhões – já lá vamos; e um naco de vazia fatiado – o ideal para aconchegar o estômago. O meu conselho é: pão, basta o do couvert; por isso salte as bruschettas e mergulhe nos mexilhões. Há os mais exóticos: Chili (molho picante de tomate e malagueta), Thai (molho de gengibre e lemon grass); os mais tradicionais: ao vapor e à Bulhão Pato; e os mais europeus: Meuniére (o clássico belga), Fraiche (crème fraiche e lima) e Mediterrânica (molho de tomate e ervas aromáticas). Como para mim, exotismo é nos restaurantes asiáticos, optámos pelas moules Fraiche e à Meuniére. Frescas, saborosas, bem abertas e acompanhadas de óptimas batatas fritas (estaladiças e fininhas), as melhores são claramente as de crème fraiche, que misturam na perfeição a acidez da lima com a suavidade do crème fraiche. 

Como éramos seis, comemos as moules como entrada e a seguir o naco de vazia muito mal passado, servido em tábua de madeira, com várias manteigas de ervas e mais batatas fritas deliciosas. A conjugação dos mexilhões – mais enjoativos – e da carne – mais simples – é ideal. Então e para beber?

Os gins 

Há uma mini-selecção de vinhos e uma macro-oferta de gins. As marcas são boas, as quantidades são adaptáveis – há gins e meios gins, o que é uma grande ajuda para voltar a guiar para Lisboa –, mas as águas tónicas falham. Um restaurante que pretende ser o Éden do gin não pode ter apenas uma marca de água tónica. E ainda por cima Schweppes. Eu sei que já existem as Schweppes premium, eu sei que os restaurantes ganham em fazer um acordo exclusivo com uma marca. Mas os clientes não têm culpa. E há tónicas que ligam melhor com um gin e outras que ligam melhor com outro. É como só ter Pepsi. Não chega. Mesmo.

Depois, há outro problema. Eu adoro gin tónico. Até sou capaz de beber um no início da refeição e outro no fim. Mas acompanhar uma refeição inteira só com gin tónico é uma missão para o Tarzan Taborda. Qualquer pessoa com menos de 130 quilos está a ver o tecto à roda ao terceiro mexilhão. E isso pode ser fatal – especialmente para um restaurante em Cascais, de onde é ligeiramente dispendioso regressar de táxi.

O óptimo

Os mexilhões de crème fraiche

O bom 

A decoração

O mau

A pouca oferta de águas tónicas

 

Um bom resto de domingo para si, onde quer que esteja,

Ele

mercado do mar este fim de semana em cascais

 

É sexta-feira, você quer ir para a brincadeira e, apesar de no bolso não ter um tostão, quer ideias, não é isso? Pois claro, é exactamente para isso que nós estamos aqui, tal como o Boss AC está para os pós-adolescentes à procura de um emprego melhor - para o reconfortar. Meta-se no carrinho e faça-se à autoestrada. Vinte e cinco minutos depois, se partir de Lisboa, como nós, está no centro de Cascais, à frente do Mercado da Vila. Nós explicamos. Fascinados com o sucesso do Mercado de Campo de Ourique, os senhores da Câmara Municipal de Cascais quiseram também remodelar o mercado de Cascais. E têm uma coisa a seu favor: sobra-lhes na beleza e na amplitude do espaço aquilo que lhes falta na originalidade. Por isso, de vez em quando, (que todos os dias dá muito trabalho) organizam fins-de-semana temáticos no mercado. Não espere nada de muito sofisticado, nem a onda moderna e trendy de Campo de Ourique. Mas pode ser que um dia chegue lá. No Verão é agradável. No Inverno vamos experimentar.

Este fim-de-semana, de hoje a domingo, entre as 12h e as 23h, vai lá estar o Mercado do Mar. Haverá spots de restaurantes como o Moules&Gin e o Sushiway, haverá vinhos e produtos gourmet à venda e ainda sessões de "show cooking". Tudo à volta do peixe. Eu não estou à espera de nada muito tchan!, mas acho que vale a pena dar lá um salto para experimentar. Vá e depois diga-nos o que achou aqui nos comentários.

 

 

 

 

 

 

Bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

Ele

pasta bucatini com mexilhão, queijo boursin e manjericão

A salvação dos restos

 

- 400g de pasta bucatini Garofalo

- 200g de miolo de mexilhão congelado

- 1 cebola

- 1 alho francês anão

- Resto de Boursin

- Manjericão

- Azeite

 

Natal + passagem de ano + férias + jantares em casa = restos, muitos restos. E esse tem sido o drama dos últimos dias: o que fazer à comida que sobrou e que está mesmo ali, pronta a transformar-se numa enorme bola de bolor? Ontem abri o frigorífico e olhei para um magnífico queijo Boursin prestes a despedir-se do mundo dos vivos. Enjoado de aspirar queijos sofregamente para não os deixar estragar, resolvi pegar num resto de pasta bucatini (é uma espécie de spaghetti mais grosso e oco por dentro) e nuns mexilhões congelados que tinha comprado há umas semanas e fazer uma massa. O Boursin é um queijo francês cremoso, meio amanteigado, feito com ervas e especiarias, com um sabor intenso mas delicado, que fica lindamente com marisco. Peguei numa cebola picada finamente, num alho francês acabado de chegar da horta que me fornece os legumes frescos em casa e juntei-os com azeite até alourar. Depois deitei os mexilhões ainda meio congelados para libertarem um pouco de água, umas folhas de manjericão picado, o resto do Boursin e mexi até o queijo se derreter num creme parecido com natas. Quando tudo começou a ficar com bom aspecto, acrescentei a massa cozida al dente e envolvi. Não se esqueça de uma coisa: depois de cozer a massa, passe-a sempre por água para tirar a goma e não a deixar colada, com aquele aspecto de cabelo seboso. Detalhe: não falei de sal e de pimenta, porque você também tem de decidir alguma coisa num prato cozinhado por si.

  

 

E agora, com ano novo, despedida nova:

Em nome de toda a equipa que produziu, realizou e levou até si este blog, um grande abraço,

Ele