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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

duas sugestões para jantar fora no fim-de-semana em que o chef kiko estreia novo programa

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Hoje é sexta-feira e, por isso, é dia de sugestões para o fim-de-semana na Rádio Comercial. E como no domingo estreia o novo programa da RTP, com o chef Kiko Martins, não há nada melhor do que ir conhecer um restaurante do chef.

 

 

degustação oferecida no talho este sábado (e a previsão do estado do tempo para o fim-de-semana ao estilo anthímio de azevedo)

Olá, bom dia, bem-vindos ao blog do Casal Mistério.

Fazemos votos de que tenham passado uma boa semana, com sol e calor. Vejamos a previsão das temperaturas para este fim-de-semana. Para sábado, devemos esperar céu pouco nublado ou limpo em todo o território de Portugal continental, com nuvens altas no litoral norte e céu limpo no resto do território. A temperatura máxima prevista é de 21 graus para Lisboa, Porto, Sines e Castelo Branco, 19 graus para Faro e 11 graus para as Penhas Douradas. As mínimas podem descer aos 10 graus em Lisboa, 7 no Porto e 4 nas Penhas Douradas.

Para domingo, deve esperar um ligeiro aumento das temperaturas máximas e mínimas para valores normais da Primavera, com excepção das Penhas Douradas onde se espera neve de madrugada e uma oscilação entre os 6 e os 13 graus.

Posto isto, sugerimos que se dirija à esplanada mais próxima de si e aproveite ao máximo o sol, podendo mesmo beneficiar do anticiclone dos Açores e colocar um fato-de-banho para dar uns mergulhos. No entanto, o Índice Ultravioleta pode atingir o grau 5 em Lisboa, tanto no sábado como no domingo, aproximando-se, por isso, de um risco moderado a alto.

Se não tiver protector solar consigo, o restaurante O Talho, em Lisboa, apresenta-lhe uma alternativa inserida nas comemorações do seu primeiro aniversário: dirija-se ao restaurante, entre as 16h e as 19h, e pode degustar algumas das especialidades do chef Kiko e provar o vinho oficial do restaurante gratuitamente. Tudo isto, devidamente protegido dos perigos do sol. Quem quiser aceitar a oferta, só tem de chegar à porta do restaurante, entrar, comer, beber e sair. A degustação é oferecida pelo Chef Kiko e não precisa de fazer qualquer reserva.

Para mais informações sobre o estado do tempo, consulte o site oficial do Instituto Português do Ar e da Atmosfera ou reveja as verdadeiras lições meteorológicas de Anthímio de Azevedo.

  

 

Para mais informações sobre o convite do restaurante O Talho, dirija-se à página oficial do restaurante no Facebook ou contacte directamente O Talho pelo telefone: 21 315 41 05.

O blog do Casal Mistério vai voltar dentro de umas horas com a previsão actualizada do estado do tempo e mais sugestões gastronómicas para o seu fim-de-semana. 

 

Então, até logo se Deus quiser. E um abraço ao Anthímio de Azevedo, onde quer que ele esteja,

Ele

workshop de cozinha com o chef kiko do talho

Confesso que não sou grande fã de cursos de cozinha. Em primeiro lugar, não gosto de grupos: férias em grupo, excursões em grupo, visitas a museus em grupo, idas ao cinema em grupo e outras coisas mais íntimas que não vou aqui referir também em grupo. Em segundo lugar, não gosto de reuniões de homens de avental: não sei porquê, mas lembro-me logo de Miguel Relvas e do grupo Ongoing.

No entanto, há alguns chefs com os quais seria capaz de abrir uma excepção, colocar um avental e até - se fosse mesmo preciso - cozinhar com o ombrinho colado ao de Miguel Relvas (a única condição é que os aventais não tenham símbolos maçónicos). E entre esses três ou quatros chefs, está Kiko Martins, pelo seu talento, pela sua capacidade de misturar sabores de culturas completamente diferentes, pela sua tendência para inovar e, especialmente, pela sua simpatia e simplicidade.

No próximo dia 5 de Março, o responsável pelo restaurante O Talho, em Lisboa, vai dar um workshop de cozinha, dentro da iniciativa Experiências e Sabores, organizada pela Miele. O mini-curso começa às 19h e só não sabemos a duração e o preço da inscrição, porque a Miele ainda não teve tempo de responder ao nosso email. Se quiserem tentar, a ver se têm mais sorte do que nós, aqui vão os contactos e a lista dos cursos:

  • "O talho, chef Kiko Martins (5 de Março)
  •  “O melhor arroz de Portugal”, chef Vítor Adão (12 março)
  • “Novo Douro”, chef Ricardo Costa (19 março)
  • “Pratos com história(s)”, chef Ivo Loureiro (26 março)
  • “Tendência de sabores”, chef Justa Nobre (2 abril)
  • “Engenharia de um prato”, chef Lígia Santos (9 abril)
  • “É só desenformar”, chef Cristina Manso Preto (16 abril)
  • “Receitas de uma Blogger”, formadora Isabel Zibaia Rafael (23 abril)
  • “Sushicafé”, chef Daniel Rent (30 abril)

Tel: 214248100; email: info@miele.pt

 

Um abraço para si, especialmente se gostar de grupos,

Ele

 

 

naco do lombo de vitela maronesa com ovos de codorniz e farofa de bacon

Quarta-feira para mim é o dia da nostalgia. Quando nos recostamos na cadeira do escritório e pensamos na vida. Quando olhamos para trás e ponderamos o que já conseguimos conquistar e o que ainda nos falta alcançar. Hoje tive um dia assim e cheguei a uma conclusão profunda que gostaria de partilhar nostalgicamente convosco: falta-me alcançar um lombo de vitela maronesa. É uma vitela de uma raça especial, tratada de uma forma especial e sujeita a cuidados especiais. Ao pensar na maronesa, pensei comovido no restaurante O Talho (sobre o qual já escrevemos), nas carnes tenrinhas, nas conversas profundas que poderíamos ter à mesa (eu e o lombo) e, quando senti a primeira lágrima a escorrer-me pela bochecha rechonchuda abaixo, já estava à porta do número 1B da rua Carlos Testa em Lisboa (que raio de nome para uma rua!). Não para jantar. Mas para ir às compras. Entrei discretamente. Vi o chef pelo canto do meu olho azul. E, qual pedinte, implorei por dois pequenos nacos. Entregaram-me a carne, eu entreguei quase 30 euros. É caro? É. Vale a pena? Um dia não são dias. E 700 gramas de carne bem aproveitadinhos dão para três refeições: duas para mim e uma para Ela.

Passada a fase mais dífícil - a da carteira - chega o que é simples - a preparação. E com um naco de lombo de vitela maronesa não é preciso inventar. Comece por passar o naco por uma frigideira bem quente com um fio de óleo para selar a carne de todos os lados. É importante fazer isto com óleo e não com azeite porque o azeite queima a uma temperatura mais baixa do que o óleo. Com a carne dourada de todos os lados e sem lhe espetar qualquer garfo, vai conseguir reter os líquidos e os sabores durante o processo de cozedura no forno. Tempera então o naco com sal e alho picado e coloca-o no forno a 150 graus durante 15 minutos. Enquanto isso, prepara o acompanhamento. Quer sugestões? Estamos cá para isso. Antes de sair do Talho compra uma pequena embalagem de farofa com bacon (1,80 euros). E esta não é uma farofa qualquer. É leve como flocos de neve e estaladiça como Peta Zetas. Quando chega a casa, estrela doze ovos de codorniz (atenção: têm de ficar mal passados mas com a clara branca para não parecer "aquilo que não posso dizer"). Tendo tudo isto pronto, corta a carne em fatias bem fininhas. Tira os ovos, serve-os com a farofa e voilà: acabou-se a nostalgia. 

 

  

- 2 nacos de lombo de vitela maronesa

- 12 ovos de codorniz

- Farofa com bacon

- Óleo

- Alho

- Sal

 

 

Viva a vitela maronesa, onde quer que ela esteja,

Ele

o talho, um dos melhores restaurantes de lisboa

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O ambiente

Aqui estão reunidas todas as condições para uma pequena desgraça. Primeiro, o nome: alguém, no século XXI, quer ir a um restaurante onde só se sirvam costeletas grelhadas? Depois, o guarda-roupa: alguém, que viu o Star Trek quando ainda andava de calções e meias até ao joelho, quer ser recebido por um empregado com um intercomunicador no ouvido igual ao do capitão Kirk? Finalmente, a localização: alguém, que não se tenha divorciado há três meses, quer ir jantar a um restaurante que fica exactamente entre o El Corte Inglés e o bar Nocturno 76?

Eu sei que é difícil ultrapassar todos estes preconceitos numa única noite, mas, por favor, tente. E, se não conseguir, tente outra vez. E outra. E outra. E outra. E outra. Até ser capaz. Primeiro, porque O Talho – apesar do nome desastroso e da tableta em neón – não serve costeletas grelhadas. Serve alguma da melhor e mais elaborada carne que se vende em Lisboa. Depois, porque o capitão Kirk é um dos mais simpáticos e eficientes empregados do distrito. E finalmente, porque hoje em dia quase qualquer carro tem alarme – e resiste a duas horas estacionado naquele sítio. Só para o caso de ainda não ter ficado convencido, porque aqui o ambiente é relaxado, sofisticado e com um enorme bom gosto. Do mini-bar de gin onde pode esperar pela sua mesa, à decoração cuidada e despretensiosa, passando pela clientela e pelos detalhes: o corredor para as casas de banho é uma adega com charme e os lavatórios são blocos de pedra rústica. 

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A ementa

Aqui estão reunidas todas as condições para uma pequena surpresa. O chef passou um ano a viajar pelo mundo, ficou instalado em casas particulares e aprendeu a cozinhar com as famílias. Isto depois de ter passado por França e pelo Eleven, onde aprendeu o resto. O resultado é uma mistura de genuinidade com sofisticação. Uma mistura de tradição com imaginação. Uma mistura de vintage com moderno. No fundo, uma mistura de Capitão Kirk com Avatar. Quase tudo é óptimo. Algumas coisas são geniais. Muito pouco é vulgar.

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As entradas

No que comemos, só um dos aperitivos falhou: Uma fatia de bacon por cozinhar com vinagre agridoce e beterraba ralada. Foi a primeira e não resultou. Mas foi a única. O segundo aperitivo foi excepcional: um ovo escalfado a baixa temperatura, no ponto ideal, rodeado de farofa de bacon frita e estaladiça, leve e surpreendente que, em vez de uma farinha, parece flocos de neve.

Além de óptimo, o segundo aperitivo serviria como uma fantástica entrada em qualquer restaurante de semi-nouvelle cuisine.

Até as entradas, que poderiam parecer normais, conseguem surpreender. O bloco de foie gras corado em sal é apenas bom, mas o facto de vir acompanhado por um mini-croquete de chocolate e uma mini-madalena sobre doce de laranja faz toda a diferença. É como ter o dr. Spock com a cauda do Avatar. A ceviche de novilho com mousse de batata doce é arrebatadora.

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Os pratos principais

Se ainda conseguir chegar aos pratos principais, por favor, divida. Aqui vale a pena experimentar tudo o que puder. O bife tártaro vem acompanhado com maionese de rábano e um pouco de mostarda montadas uma sobre a outra como se fosse um ovo estrelado rebentado. Ao lado tem um shot de vodka para misturar com a carne. Depois de mexer tudo, enrola o resultado final numa alga japonesa de sushi. É tudo bom. E é todo bom.

A seguir prove a barriga de porco cozinhada durante 18 horas num recipiente de barro em banho maria. Vai depois a tostar a pele e vem acompanhada por uma massa de pevides cozinhada com tinta de choco e molho de berbigão. Do lado direito, há uma espuma de alho; do lado esquerdo, uma espuma de wasabi. Fabuloso! É evidente que não deu para sobremesas.

O serviço

É claro que em qualquer restaurante da Lisboa moderninha, o chef seria um pedante insuportável. Mas não aqui. Ele chama-se Kiko, sorri para os clientes e fala de comida, de viagens e do Mundo com a mesma alegria com que um miúdo finta um colega na escola e marca golo. Ele gosta do que faz e isso nota-se no resultado final. O capitão Kirk controla toda a sala como Ronaldo controlou o jogo de Portugal contra a Suécia. E tem uma vantagem em relação ao avançado do Real Madrid. É tão competente como simpático e modesto. Este é claramente um restaurante onde cozinheiros, chef e empregados gostam de estar. E onde os clientes têm tudo para concordar.

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O bom 

A simpatia de toda a gente

O mau 

A placa de neón à porta

O óptimo 

A comida, em especial o bife tártaro

 

E só para acabar, um abraço para si onde quer que esteja,

Ele