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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

uma salada de rosbife servida num prato de wrap? ah, pois é! e aqui também há um delicioso hambúrguer de rosbife

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Quem é o génio da natureza que vai a uma hamburgueria para comer uma salada?

Bom, se não houvesse esse tonzinho irónico na pergunta, eu responderia com mais coragem. Mas há momentos em que temos de assumir as nossas responsabilidades com a mesma frontalidade com que Joana Amaral Dias assume a sua nudez: sou eu! Sim, eu! Admito: fui ao novo Gutsy, em Carcavelos (também existe em Lisboa, junto ao Saldanha), para comer uma salada. E era bem capaz de lá voltar e passar pelo mesmo vexame.

 

a nova pastelaria das amoreiras: pastéis de tentúgal e queijadinhas deliciosas

Antes de começar a ler, olhe lá outra vez para a fotografia acima. Tem bom aspecto, não tem? Até agora, para comer um bolo assim, precisava de se meter no carro, fazer centenas de quilómetros, apanhar a autoestrada, sair na direcção de Taveiro/Alfarelos, passar não sei quantas rotundas, ruas à direita e à esquerda, perder-se umas duas ou três vezes, pedir indicações a pessoas que lhe vão dizer que é já mesmo ali à frente, fazer mais não sei quantos quilómetros, perder-se outra vez, desesperar e finalmente chegar a Tentúgal. Quando fosse comer o primeiro pastel, já só queria era meter-se no carro e voltar para trás.

Agora, a sua vida vai melhorar radicalmente. Pelo menos se viver em Lisboa ou em Oeiras. Não sei se já se apercebeu mas A Pousadinha (eu sei que o nome não é brilhante, mas não desista já) abriu, há três meses, uma loja pop up no Centro Comercial Amoreiras e outra no Oeiras Parque. No meio do corredor, mesmo na entrada que dá para o lado do Amoreiras Plaza, encontra um balcão com óptimo aspecto e bolos divinais.

Uma das pastelarias mais famosas de Tentúgal, A Pousadinha é gerida por Cacilda Correia, uma senhora que dedicou grande parte da sua vida a recriar antigas e deliciosas receitas de freiras. É o caso dos mais conhecidos pastéis de Tentúgal, que são feitos com uma massa ultra-fina que as freiras colocavam por cima da Bíblia antes de enrolarem o doce de ovos: se conseguissem ler o texto por baixo da folha de massa, esta estava boa; se não conseguissem ler, estava grossa demais. Mas é também o caso das dezenas de outras opções, menos conhecidas, que pode levar para casa, quase todas com doce de ovos: 

As broinhas de batata

  

 

As carmelitas
 

 

Os lacinhos do convento
 
 

O pão de rala
 
 

As queijadas de queijo fresco

 

 

O maravilhoso pão de ló de caçoila

 

 

Se estiver de dieta, não desespere: peça as óptimas empadas de frango com farinheira. Eu trouxe para casa para o jantar e fizeram um sucesso: além de terem uma massa fininha, que não embucha, a farinheira torna o recheio húmido e delicioso. Melhor: uma empada com salada chega perfeitamente para o jantar de domingo à noite. Pelo menos, cá em casa chegou. E olhe que aqui não se come pouco. É claro que, para sobremesa, havia uns pastéis de Tentúgal e umas queijadas de queijo fresco. Mas isso já foi um exagero.

Bons doces para si, onde quer que esteja,

Ele

bolo do caco hamburgueria gourmet

 

Mesa para dois

 

O ambiente

Imagine um Mini com mesas de jantar lá dentro. Sentir-se-ia confortável? Vai sentir-se. Quando a decoração tem a ver com o espaço, a área é apenas uma questão de perspectiva. E aqui tem de ir preparado para o que vai encontrar. Primeiro, este é um restaurante para almoçar, não é um sítio para jantar - o espaço é minúsculo e as cadeiras não são confortáveis. Depois, este é um restaurante para ir aos pares - se for sozinho vai ficar absorvido pela conversa do lado; se for em grupo arrisca-se a ficar sentado ao colo de uma colega (ou de um colega, o que pode ser ligeiramente mais desagradável, dependendo das perspectivas). Depois, este é um restaurante para marcar mesa - não arrisque porque não vai correr bem.

Se tiver a sua perspectiva acertada nestes pontos, vai gostar. Só precisa de não querer aquilo que este restaurante não é. É como o Mini: é um carro trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem andar - mas não é um carro de luxo, nem um carro para a família. O Bolo do Caco é igual: é um restaurante trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem estar - mas não é um restaurante de topo, nem um restaurante para jantar. A decoração é moderna, o espaço é acolhedor, o ambiente é animado.

Quando nos sentámos, tivemos a sorte de ficar esmagados entre um casal silencioso, mais interessado na nossa conversa do que na deles próprios, e dois amigos empenhados em discutir marcas de artigos desportivos e computadores de última geração. Ou seja, a companhia poderia ter sido pior.

 

 

O serviço

Desde que fui descomposto pelos empregados do English Bar, no Estoril, por ter ousado ir ao restaurante no dia 1 de Janeiro, quando eles estavam estafados da festa na véspera, que dou graças a Deus quando sou bem recebido no dia a seguir ao Natal e ao Ano Novo. E aqui tivemos sorte. No dia 26 de Dezembro, quando metade dos donos dos restaurantes de Lisboa estavam a desintoxicar das filhoses e das rabanadas em excesso, os empregados do Bolo do Caco estavam felizes por estarem abertos. Ou, pelo menos, pareciam. Na quinta-feira, não tínhamos marcado. E, mesmo assim, conseguimos mesa. Com boa vontade e um sorriso - o que, hoje em dia, é raro. O restaurante não tem menu - está tudo escrito a branco nas paredes pretas -, o que acelera logo uma boa parte do serviço. E a comida vem rapidamente e sem erros - o que, hoje em dia, é ainda mais raro. As alterações aos pratos; o "um pouco mais de gelo, se faz favor"; ou o "se não se importa, trazia-me uma Coca-cola enquanto escolhemos" são encarados com naturalidade. Aqui serve-se como deve ser: sem simpatia a mais e sem eficiência a menos. 

 

A ementa

 

Couvert

O pão não é brilhante: está entre o pão de forma Bimbo e o pão de sementes artesanal - é escuro, mas é mole demais; tem côdea, mas é um pouco emburrachada. O azeite vem com um xarope de vinagre balsâmico demasiado espesso e doce. Mas as azeitonas são pequenas, tenras, saborosas e nada ácidas. Resumindo, não é fascinante mas escapa.

 

Os pratos principais

Aqui tudo tem bolo do caco. E quase tudo é elaborado com cuidado. Experimentámos o hambúrguer de salmão e o hambúrguer tártaro. Primeiro, os crus. O tártaro estava bom, mas não é fabuloso. Vem com alcaparras e carne fresca e saborosa, é grande e tem mostarda a acompanhar, mas falta-lhe algum detalhe que o torne especial. E esta é que é a diferença entre um bom restaurante para almoçar, como esta hamburgueria, ou um excelente restaurante para jantar, como o Talho de que falámos há uns dias: os detalhes que surpreendem. A única crítica é em relação às batatas fritas: um pouco grossas demais e moles.

Agora, os cozinhados. O Salmão Burger é a melhor solução para quem passou as últimas 48 horas a comer bacalhau, peru, couves, rabanadas, queijos, mais bacalhau, mais peru e mais tudo. Pelo menos é um prato que finge ser light. Com cebolinho, rúcula e tomate, vem por baixo de um molho tzatziki, de origem grega, à base de iogurte e pepino. É um molho leve e fresco e, juntamente com o cebolinho, ajuda a desenjoar da gordura do salmão. Mas o melhor deste prato - e provavelmente de todo o restaurante - é o acompanhamente: umas chips de batata doce, cortadas à grossura de uma folha de papel, extremamente estaladiças e sem um pingo de gordura a mais. Todos os acompanhamentos são servidos em tachinhos miniatura cinzentos, o que para quem, como eu, já não aguenta a moda das ardósias, representa uma bafurada de ar fresco numa tarde caribenha.

E porque era dia 26 de Dezembro, os doces tiveram de ficar para outro dia - ao almoço, claro.

 

 

Um bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

 

Ele