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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

il matriciano, un ristorante italiano dove non si parla portoghese*

"Prima si sente, dopo si mangia". Pode estar descansado que não vou escrever este texto todo em italiano. É só o lema deste simpático restaurante italiano que nos faz sentir que fomos almoçar ali a Roma e entretanto voltámos.

Chegámos e rapidamente percebemos que nenhum dos empregados fala uma única palavra de português. Não deixa de ter um certo charme mas convenhamos que, se não fosse a minha brilhante linguagem gestual, ainda lá estava a pedir o número de contribuinte na fatura. Mas já lá vamos. Vamos começar pelo princípio…

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orecchiette com ervilhas, espargos e mascarpone: uma ótima e deliciosa receita para levar para a praia

Pergunta: Consegue resistir a este prato? Eu não... e já estou a morrer de fome. Ainda por cima é light, isto é, só pode ser light. Umas massinhas deste tamanho não podem engordar ninguém! Descobri esta deliciosa receita neste blog repleto de boas ideias e de bom gosto e, claro, não resisti a partilhá-la aqui para um almoço na praia nas férias ou para este fim-de-semana.

 

 

lasanha de ricotta e courgette para uma família desesperada

Hoje enfrentei uma revolução na Mansão Mistério. Os nossos filhos e o meu querido Marido Mistério estão em ebulição.

Vive-se um clima de PREC e eu, mais uma vez, sou a principal visada:

- Abaixo as dietas, fora com as saladas, queremos comida a sério!

Tive de me render e ceder (não é que tenha sido um grande sacrifício) e escolher uma receita ligeiramente mais consistente para o jantar. E anunciei:

- Ai, é assim? Estamos em clima de revolução? Então hoje temos  lasanha.

Já tinha uma na manga: tinha visto esta fantástica receita do sempre útil blog da Donna Hay que, no fundo, é uma lasanha mas não parece, porque até tem um ar super light. E eu adoro enganar-me a mim própria.

Só preciso de folhas de massa para lasanha, cortadas em tiras de 6 cm de comprimento, ervilhas, courgette ralada, malaguetas pequenas picadas, azeite, sumo de limão, molho de pesto, sal e pimenta, queijo ricotta, folhas de hortelã e parmesão ralado. Se quiser saber as quantidades certas de cada ingrediente, para 4 pessoas, espreite aqui a receita original.

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5 jantares para fazer em menos de meia hora para cada dia da semana

Se é como eu e chega a casa tarde, todos os dias, a pensar no que irá fazer para o jantar, então este post é para si. Não, não estou a falar de pernas de frango no forno, hambúrgueres feitos à pressa, ou ovos estrelados para despachar. Estou a falar de 5 sugestões deliciosas e requintadas, para cada dia da semana, e que demora no máximo meia hora a preparar! Quem é amiga, quem é?

 

Segunda-feira: Noodles Tailandeses de Coco

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Esta receita do blog Feasting at Home tem muitos ingredientes mas demora apenas 15 minutos a fazer. Não acredita? Comece por ferver os noodles. Entretanto, aqueça o óleo de coco numa panela, em lume médio. Salteie as chalotas picadas e o gengibre ralado e depois junte o alho picado e a pasta de caril. Acrescente o leite de coco, água e o caldo de galinha e mantenha em lume brando, mexendo de vez em quando. Agora é a altura de colocar o pimento vermelho, os molhos de peixe e de soja, o açúcar e o piripiri. Adicione os camarões descascados e esprema o sumo de uma lima. Escorra os noodles e junte-os à panela. Decore com manjericão fresco, rebentos de feijão, cebola roxa cortada fininha ou alho francês picado.

Se quiser saber as quantidades certas e a lista completa de ingredientes, para 3 ou 4 pessoas, espreite aqui a receita original.

  

a fantástica esplanada de inverno e o magnífico fetuccine com trufas e escalope de foie gras fresco do portarossa

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Há sempre um momento na nossa vida em que percebemos que já não vamos para novos. E o meu momento Ternura dos 40 aconteceu quando, a meio do almoço no Portarossa, no Porto, percebi que o meu filho mais velho tinha pedido um prato melhor do que o meu. É triste ver alguém, que há uns anos se alimentava a frascos de Blédina, sentado à frente de um fetuccine com manteiga de trufas e foie gras enquanto eu dividia uma mera salada verde com a minha querida Mulher Mistério. 

Não é definitivamente uma boa maneira de acabar um almoço que começou com uma fantástica esplanada com uma lareira exterior, na Foz.

 

aletria com redução de vinho do porto, tomate cherry e ricotta, um jantar rápido e ideal para os dias de semana

Hoje é daqueles dias que não têm fim. Tenho tanta coisa para fazer, entre trabalhar (esse pequeno enorme pormenor na minha vida), supermercado, buscar os miúdos às atividades extra-curriculares, que vou chegar a casa lá para as oito e meia da noite com o eterno dilema: o que é que hei de fazer para o jantar? Mas eis que a meio do dia encontrei a solução para o meu problema. Dilema resolvido! Descobri no maravilhoso blog eat good live healthy esta facílima e saudável receita que os miúdos vão adorar: vou precisar de aletria, manjericão cortado em tiras, azeite, tomates cherry, 2 dentes de alho, sumo e raspas de limão, queijo ricotta e um pouco de sherry. Acho que vou usar vinho do Porto em vez de sherry, além de gostar mais, sou muito patriótica. Se quiser saber as doses certas dos ingredientes, espreite aqui a receita original.

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noodles de sésamo, uma receita vegan para agradar a todos os peritos que fazem estudos sobre os perigos da alimentação

Ora bem, bastou sair uma recomendação da OMS a avisar-nos para o perigo da carne processada e potencial perigo da carne vermelha para a nossa saúde para no dia seguinte aparecer um estudo a dizer que o melhor é não comermos peixe porque estamos a criar um problema ambiental. Mau! Em que é que ficamos? Eu vou continuar a comer tudo o que me faz mal – moderadamente, mas vou... – porque estou determinada a não ser o cadáver mais saudável do cemitério. Tudo o que não se vai ouvir no meu enterro serão frases como: “Coitadinha, ainda por cima era tão saudável…” Mas isto sou eu, que sou um caso perdido. Já em relação aos meus filhos, a conversa é outra. Enquanto for responsável por eles, ninguém me poderá acusar de mau exemplo. Por isso, em casa, tentamos ter sempre uma alimentação… civilizada, vá. E hoje vamos ter um jantar super saudável: noodles de sésamo, uma receita vegan do incrível blog gimme some oven, que ainda por cima faz-se em apenas 15 minutos. Pode ser servida quente ou fria.

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como transformar uma simples massa com cogumelos num prato delicioso e surpreendente

Porque é que uma massa com cogumelos há-de ser um prato previsível e desenxabido? Porque Vossa Excelência não se chama Rachel Khoo e não é uma das mais famosas cozinheiras britânicas. Se se chamasse, olharia para um prato previsível e desenxabido e pensaria na melhor maneira de o transformar numa especialidade surpreendente e arrebatadora.

E foi isso que a autora do famoso livro Rachel Khoo's Kitchen Notebook fez com um reles rigatoni com cogumelos: virou-o ao contrário e transformou-o num prato capaz de desfilar na Moda Lisboa. Só tem um problema: não é fácil de fazer – é facílimo!

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massa de alho com couve-flor assada para afugentar os pretendentes da nossa filha adolescente

Hoje a nossa filha adolescente convidou uns amigos para uma sessão de cinema cá em casa e pediu-me para fazer jantar para a malta toda. Para tentar dissuadi-la disse que ia fazer um prato vegetariano ao que ela me respondeu:

- Mãe, é indiferente, eles comem qualquer coisa. (Só não disse "dahh" porque me estava a dar graxa!)

O meu querido Ele (que começa a ficar enervado com estas sessões de cinema numa sala às escuras) lembrou-se de acrescentar um ingrediente inibidor de grandes proximidades: o alho. Não me dei ao trabalho de lhe explicar que nesta fase não há alho ou cebola que impeçam as hormonas de saltar, mas pus mãos à obra e decidi fazer esta ótima, civilizada e vegetariana receita do magnífico blog donna hay.

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noodles com tomate cherry, feijão branco e manjericão, o jantar ideal para combater a neura de segunda-feira

Primeiro dia da semana, primeiro dia de escola, primeiro dia de atividades extracurriculares, primeiro dia do resto das nossas vidas e eu já só penso no fim-de-semana. E depois de um dia de regressos e estreias, uma pessoa ainda tem que pensar no jantar. Hoje, não tenho tempo para grandes invenções e ideias. Por isso, vou despachar a Família Mistério com esta deliciosa e prática receita do blog a couple cooks. É saudável, nutritiva e o melhor de tudo: é facílima de preparar. A receita original é feita com noodles de trigo sarraceno, mas como é difícil encontrar essa iguaria em Portugal, muito menos numa segunda-feira à noite, vou fazer com noodles normais.

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tagliatelle com pesto, ervilhas e pinhões, uma receita prática para convidados inesperados

Diz que domingo é dia da família. E eu acho muito bem. Dia de ficar em casa a "alongar" que é como quem diz a espreguiçar de sofá em sofá. Estava eu hoje em pleno exercício dominical quando me tocam à porta os meus queridos e diletos cunhados que, aparentemente, terão levado demasiado à letra o dia da família. Nada contra, adoro surpresas e gosto muito dos meus cunhados, mas já se está mesmo a ver como acaba uma visita inesperada perto da hora do almoço. Não está a ver? Eu explico. Comigo na cozinha... a dar indicações ao meu querido Marido Mistério. O que vale é que tinha na despensa os ingredientes para uma receita que descobri no blog From the Kitchen, que já estava a querer experimentar há algum tempo... Fácil e rápida, acabámos por fazer hoje.

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semifrio de tagliatelle, burrata, nozes e molho pesto

Há o semifrio de morango, de ananás ou de caramelo. E, a partir de hoje, passa a haver também o semifrio de burrata. Com uma diferença: não é um doce. E outra diferença: é uma pasta. E mais 500 diferenças que não vamos estar aqui agora a enumerar. Mas então por que santa alminha é que uma pasta se há-de chamar semifrio, meus senhores? Como diria o meu filho mais novo, porque é quente e também é frio, DAAAAAA!

Ultrapassado o momento infatilóide da semana, vamos ao que interessa: a burrata. E como isto já é conversa de adultos, temos um bocadinho de alta cultura (que é o mesmo que dizer um bocadinho de Wikipedia). Burrata em italiano quer dizer amanteigado. E de onde vem este nome, perguntam-me os meus amigos.

Então, estou à espera da pergunta...

Vem da forma como alguns produtores fazem este queijo: com uma carapaça exterior de mozzarella e um recheio interior de manteiga. No entanto, a maioria das burratas vendidas em Portugal são feitas com mozzarella por fora e uma mistura de mozzarella e natas por dentro.

Antes de me mandarem calar e de me banirem da Internet por me ter tornado no José Hermano Saraiva da cozinha, deixem-me só dizer-lhes uma coisa: a burrata é o melhor queijo para se comer no Verão (desde que não o deixe ao calor para se estragar): é fresco e leve. E é por isso que estamos aqui hoje com este semifrio de tagliatelle e burrata: para ficar com uma receita de massa para os dias mais quentes.

Comece por cozer o tagliatelle al dente em água e sal. Depois de pronta, passe a massa por água fria para não continuar a cozer. A seguir junte-lhe o molho pesto, o tomate cherry cortado em quatro, as nozes e a burrata e misture tudo. Coloque sal e pimenta a gosto e já está. A massa morna com a burrata e o tomate frio fazem um óptimo contraste e formam um prato perfeito para um almoço de sol.

 

Ingredientes 

- Tagliatelle

- Burrata

- Nozes

- Tomate cherry

- Molho pesto fresco Giovanni Rana (à venda no Continente)

- Sal 

- Pimenta

 

Boas e mais tardes de calor para si, onde quer que esteja,

Ele

presente de dia da mãe para ela: a máquina que transforma vegetais em massas (mesmo!)

Descobri a solução para todos os nossos problemas. E quais são todos os nossos problemas, pergunta Vossa Excelência. Fácil, respondo eu. Ela está de dieta, eu estou de engorda. Ela quer jejuar, eu quero comer. Ela sonha com vegetais, eu sonho com massas. Ela é mãe, eu tenho de comprar um presente para o Dia da Mãe.

Como vê, não está fácil chegar a um acordo nesta casa. Até domingo. Depois de amanhã, quando ela abrir o presente que eu lhe comprei, tudo vai mudar. E o presente é… tan, tan, tan tan… um zoodler. Ou um spiralizer. Ou um espiralizador. Pode escolher como lhe chamar porque ele não se ofende.

 

 

sugestão para os dias de sol: a esplanada da eric kayser

Sol + calor + almoço + sexta-feira + esplanada - vários meses de chuva e frio que já não se aguentava = Eric Kayser. Foi o que eu pensei. Mal me apanhei a andar por Lisboa em mangas de camisa, sem os cachecóis, as luvas, o sobretudo e o guarda-chuva da semana passada, corri furiosamente para a primeira esplanada que encontrei. E felizmente foi a esplanada da Eric Kayser, junto às Amoreiras. É nesta fase que você tem de tomar a decisão mais importante da sua vida se quer ter um almoço bem passado: em que esplanada é que fico - na que dá para o Amoreiras ou na que dá para o Amoreiras Plaza? Se não quer ter carros, barulho, fumo e buzinadelas, não hesite: Amoreiras Plaza consigo.

O ambiente

A esplanada é tranquila, dá para o pátio interior do Plaza e, se não fossem as duas criancinhas que saltitavam e guinchavam em cima de nós, teria sido o local perfeito para receber a Primavera depois de um longo e penoso Inverno. Mas o encanto da Eric Kayser começa no interior: a decoração é fantástica, as montras enormes a mostrar o pão, os bolos, as saladas e as sanduíches são fabulosas e o cheiro torna esta pastelaria/restaurante-de-refeições-rápidas numa tentação irresistível. Não estou a usar estas duas palavras ao calhas. Mal entra aqui, sente logo o cheiro a bolos quentes e estaladiços e a creme de ovos acabado de fazer. É impossível passar pela porta da Eric Kayser sem sentir uma vontade fulminante de aspirar quatro croissants, dois macarons, cinco pastéis de nata e mais dez daqueles bolos cheios de cor e recheio que nunca sabemos bem como é que se chamam.

O serviço

A fila para pedir anda a uma velocidade razoável - e olhe que estava cheio - e as empregadas estão sempre preocupadas em ir ter consigo para adiantar o seu pedido enquanto está a pagar a conta. Ou seja, nunca está realmente à espera, entre o olhar para a montra para escolher, fazer o pedido à primeira empregada, passar para a caixa, pagar e receber mais à frente o seu tabuleiro pronto. O sistema é eficaz, as empregadas são simpáticas e, se não fosse o facto de pegarem no seu cartão multibanco e no terminal de pagamento automático com a mão que tem a luva para mexer no pão e não com a outra, tudo seria perfeito.

A comida

Uma desilusão, uma surpresa e uma confirmação. Primeiro a desilusão: a sopa de brócolos. Tem bons e grandes bocados de brócolos, o que lhe dá sabor e demonstra que aqui é tudo fresco. Mas tem também a consistência de uma massa de vidraceiro. Não sei se é da batata ou de outro legume qualquer utilizado para engrossar, mas isto não é engrossar, é fossilizar. No fim, é verdade que não enche tanto como uma sopa de feijão. Mas uma sopa quer-se cremosa, líquida ou, pelo menos, com algum líquido.

 

Depois, a confirmação: o penne com tomate confitado, mozzarella derretida, molho pesto e salsa. A salsa é dispensável e só serve mesmo para enfeitar. Mas o resto é delicioso e corresponde na perfeição à expectativa com que ficamos quando olhamos para o maravilhoso aspecto da pasta fria. Numa caixa quadrada de cartão, cuidadosamente apresentadas, as pastas são muito boas. O tomate confitado dá um toque caramelizado e a mozzarella é leve e combina bem com o molho pesto.

 

Finalmente, a surpresa: a sanduíche de frango rústico. Em baguete escura de sementes, podia parecer que seria muito seca. Mas não. O frango está muitíssimo bem assado e vem acompanhado com tomate seco (óptimo!), alface e maionese. Eu, que nem sou grande fã de maionese, provei e adorei. Se não quiser nada disto que eu escolhi para comer, tem ainda umas saladas com um aspecto fantástico e uns brunchs maravilhosos para este fim-semana. Escolha não falta.

 

Para sobremesa, provei um mini pastel de nata com um aspecto deslumbrante. Mas, apesar de ser bom, não é um verdadeiro pastel de nata: a massa é apenas massa folhada (sem aquela mistura única entre massa folhada e massa de pasteleiro dos pastéis de nata) e o creme tinha um travo diferente que não consegui perceber exactamente ao que era. Fiquei desiludido? Não, fiquei cheio (muito por culpa da sopa). Mas não fiquei por aqui. Mal acabei de beber o café (meio morno - falha!) atravessei a rua e fui experimentar a nova loja de bolos pop up das Amoreiras. Mas isso fica para amanhã, que eu não quero que pensem que sou um gordo insaciável.

Uns bons dias de sol para si em esplanadas destas, onde quer que esteja,

Ele

a pasta nella forma do italy

Estou com a estranha sensação que me deito com o impermeável vestido e acordo com o chapéu de chuva na cabeça. Parece que passei a viver dentro da Anatomia de Grey, onde as únicas cenas sem chuva são as que se passam dentro do hospital (e mesmo aí já choveu...). Só que infelizmente, apesar dos meus lindos olhos azuis, ainda não sou o Derek Shepherd para acabar com a depressão do mau tempo lá em casa através de um simples sorriso. Eu tenho de me esforçar para animar a família - se é que se pode chamar família a seis bocas constantemente à espera de serem alimentadas. E não basta explicar que em Seattle, em 1953, já choveu durante 33 dias seguidos sem parar. Não. É preciso surpresas, presentes, algumas graças e muitos jantares fora. É assim a minha vida e está a ser assim a minha semana. E a surpresa desta semana foi um restaurante italiano.

O ambiente

O sítio é barulhento, a decoração é de cantina, os desenhos nos pratos são de fugir. Aqui há garrafas gigantes a imitar cristal, jogadores de futebol a comer de boca aberta, concursos de misses Brasil a desfilarem por entre as mesas. Aqui há grupos de homens a falarem aos gritos e grupos de mulheres a gritarem enquanto falam. Aqui tudo foi pensado para correr mal. Mas aqui tudo corre muito bem. Tudo? Sim, tudo. Ou acha que o ambiente numa verdadeira pizzaria italiana tem alguma coisa a ver com bom gosto, sofisticação e tranquilidade? Nada disso existe no Italy. Porque no Italy você está como se estivesse em Itália.

 

O serviço

Os empregados falam italiano entre eles e portiliano consigo. São rápidos e são eficazes, são simpáticos e são efusivos, são italianos e são orgulhosos. Ao entrar na sala do Italy, na Avenida Duque d'Ávila, em Lisboa, parece que está a entrar na sala de casa do Padrinho, na Sicília. Só que, em vez de um assustador Michael Corleone encontra uma maravilhosa Pasta nella Forma. E é isso que transforma este restaurante num sítio obrigatório para quem gosta de comida.

 

A ementa

No Italy, não é importante o couvert, as entradas ou as sobremesas. Guarde cada milímetro cúbico do seu estômago para esta massa. Estamos evidentemente a falar de um spaghetto fresco e especial. Primeiro, a massa é cozida na cozinha e passada por uma frigideira com manteiga e natas. Depois é levada para junto da mesa, onde um empregado pega num enorme queijo Grana Padano original sem a casca de cima e passa a massa quente pelo interior, deixando o queijo derreter um pouco com o calor do spaghetto. Quando a massa está realmente envolvida no Grana Padano, é colocada num prato por cima de uma fatia de presunto de Parma. Leva ainda um molho com cogumelos porcini, cebola, natas e salsa e é temperada com um fio de azeite de trufas brancas e um pouco de pimenta. Tudo isto se passa à nossa frente, enquanto lá fora as ruas alagam e as coberturas dos estádios de futebol voam. É uma mistura perfeita de diferentes sabores típicos italianos - queijo, cogumelos, trufas, presunto e pasta - e a única coisa que me faz sair de casa num dia como este. Só um ultimo conselho: se for ao site do Italy, não se assuste com o aspecto. É tipicamente italiano: kitsch, mas muito bom.

 

O óptimo

A Pasta nella Forma

O bom

O serviço

O mau

A decoração

 

Uma boa molha para si, onde quer que esteja,

Ele