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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

e agora a pergunta mais importante da semana: onde é que se comem os melhores percebes? e o melhor camarão com arroz de alho?

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Eu sei que nem tudo é uma questão de tamanho, mas no caso dos percebes vale a pena sair de casa com uma fita métrica na mão. Quanto maiores, mais carnudos, mais tenros e mais saborosos. Os percebes estão para mim no Olimpo da culinária. São o marisco mais estranho, mas também aquele que tem o sabor mais aproximado com o do mar. Talvez a par das cracas, mas com uma enorme diferença: os percebes são maiores. E assim voltamos ao início da conversa: os percebes devem ser degustados de babete ao pescoço e fita métrica na mão. O babate protege-nos das incontroláveis esguichadelas de água salgada que são uma permanente ameaça à domingueira camisinha branca, a fita métrica garante-nos que estamos a comer marisco decente.

Foi assim que eu saí de casa num destes dias (sim, numa figura relativamente ridícula...) à procura dos percebes mais avantajados da região de Lisboa. E encontrei-os, como já suspeitava, na Praia das Maçãs, ao pé de Sintra. O restaurante chama-se Búzio, mas deve ter sido uma desatenção do pai no dia do registo, porque este é o paraíso do percebe. Felizmente não é só. Por isso o melhor é fazer um rápido flashback até ao início de tudo.

 

 

novidade! novidade! agora pode comer o melhor marisco no mercado de cascais

Mal chegámos de férias, enfiámo-nos no carro e fomos directos a Cascais. Não para visitar o Ricardo Salgado nem para abrir uma conta no Banco Mau. Fomos conhecer o novo restaurante de marisco do momento. Aberto há poucas semanas, o Marisco na Praça é a primeira boa notícia da remodelação do Mercado da Vila, que a Câmara de Cascais tem feito no último ano à mesma velocidade que o Banco de Portugal investiga o BES.

Eu sei: podia ser mais rápido. Eu sei: o novo restaurante podia ser mais divulgado. Eu sei: até podia ter uma página no Facebook, já que estamos no ano da graça de 2014. Mas também sei outra coisa: este novo spot é uma óptima notícia para o Verão. E tem três qualidades difíceis de encontrar: bom marisco, bom ambiente e bons preços.

 

A ementa 

O método

Na verdade, não há bem uma ementa. O restaurante funciona como se fosse um mercado. Localizado na zona onde as peixeiras da praça têm as suas bancas, está cuidadosamente rodeado de vidro para reduzir o barulho e o cheiro à volta. Mal entra, encontra uma banca com o marisco do dia e os preços ao quilo. Tem um rapaz a atendê-lo e é a ele que diz quanto quer de cada marisco e como o quer cozinhado. Depois ele pesa à sua frente e manda o marisco para a cozinha. Enquanto isso, o cliente segue em frente até à caixa, onde paga o marisco que pediu e as bebidas. E aqui decide: quer comer ali ou quer levar para casa? Se quiser ir embora, adeus e boa viagem. Se quiser ficar, aproveite que isto é bom. Depois de escolher onde se quer sentar, os empregados servem-no como se estivesse num restaurante normal. Trazem-lhe mais bebidas e mais comida, se quiser. Tudo o que pedir na mesa paga no fim.

O marisco

Mas, vamos voltar ao princípio. Então, o que é que há na banca do marisco à nossa espera? Bruxas de Cascais, perceves, amêijoas, ostras, canilhas, camarões, carabineiros, sapateira e a mais agradável de todas as surpresas: lambujinhas. Eu sei que o nome não é digno de um sítio onde viveram reis, príncipes e banqueiros. Mas posso garantir que é um marisco maravilhoso. Considerada a segunda divisão distrital da amêijoa, a lambujinha é muitíssimo saborosa e muito mais barata. Com uma concha mais frágil e menos côncava, vale mesmo a pena experimentar. Nós pedimos lambujinhas à Bulhão Pato e estavam deliciosas.

A seguir, escolhemos umas ostras, que estavam fresquíssimas, ao nível das de Cacela Velha, se bem que mais caras (2 euros a ostra), e umas deliciosas bruxas de Cascais. Este marisco, muito difícil de encontrar, é um irmão anão do cavaco – não o Presidente da República, o marisco dos Açores. Muitíssimo saboroso e bem cozido, é caro. Mas como é muito pequeno, com 200 gramas (16 euros) tem um óptimo prato para dividir.

Finalmente, escolhemos um camarão frito com um magnífico arroz de alho (solto e delicioso) e uns perceves, a única desilusão da noite – estavam muito salgados e cozidos demais: ao tirar a casca, o marisco soltava-se da cabeça.

Por tudo isto, pagámos menos de 25 euros por pessoa. O preço pode baixar até aos 15 euros por pessoa se optar, por exemplo, por uma sapateira.

 

A cerveja

Há muito tempo que não bebia uma imperial tão estupidamente gelada. Para dias de calor a seguir à praia, é perfeito.

 

O ambiente 

O ideal é ir cedo, a seguir à praia. Assim faz um lanche ajantarado e evita as enchentes. Parece que à sexta e sábado costuma estar cheio, mas ao domingo está vazio.

A decoração é simples e castiça, com candeeiros em ferro, mesas em madeira e caixas de vinho com os talheres lá dentro. A cozinha está também rodeada de vidro, o que nos permite ver tudo à nossa volta: de um lado, o chef a tratar do jantar; do outros, as peixeiras a tratarem do peixe. É o ambiente perfeito para um restaurante num mercado. E ainda tem uma pequena esplanada que dá para a área exterior do mercado.

O serviço 

São miúdos. E isso tem vantagens: são simpáticos, rápidos e disponíveis. E desvantagens: quando perguntei se tinha lapas, respondeu-me que não tinha cracas. Apesar da baralhação, correu tudo muito bem. É claramente um sítio para voltar. E parece que, durante o Verão, ainda vão abrir mais restaurantes no Mercado da Vila. Um dos que mais promete é um espaço explorado pelos donos do Páteo do Petisco. A remodelação demora, mas promete.

O bom 

O sítio, mesmo no meio do mercado do peixe

O mau 

Os perceves

O óptimo 

As ostras, as bruxas e as lambujinhas

 

Boas mariscadas para si onde quer que esteja,

Ele

o bar do peixe no meco

Peço desculpa por actualizar o blog apenas a esta hora, mas a culpa é da CMTV. Depois de ontem ter esperado uma hora à frente da televisão para ouvir a primeira entrevista com o Dux do Meco, depois de ter sido coagido a ver três vezes a mesma peça repetida sobre a reconstituição da noite do acidente no CM Jornal, depois de ter percebido que afinal a primeira entrevista com o Dux era a repetição incansável da frase "Neste momento apenas falo com as autoridades", depois de ter visto o José Carlos Castro amuado no ar porque provavelmente achou exagerada a expressão "primeira entrevista" para ouvir alguém dizer que não falava, depois de ter percebido que o Dux afinal era mais inteligente do que as jornalistas que o perseguem na rua, depois de ter desperdiçado metade da minha Noite dos Namorados com o Meco, o Dux e a CMTV, hoje de manhã tomei uma decisão importante na minha vida: fui almoçar ao Bar do Peixe, na praia do Meco.

Acordei cedo (por volta das 11h, para um sábado não está mal), meti a equipa de futsal na camioneta e atravessei a Ponte 25 de Abril com um sorriso na cara. Meia hora depois, estava no Meco, sentado à mesa de frente para o mar. E foi aí que percebi a falta que o sol me tem andado a fazer - a mim e ao José Carlos Castro. É que um bocadinho de luz natural depois de duas semanas como estas é melhor do que um Guronsan depois de uma noite no Lux. 

 

 

O ambiente

É provavelmente um dos restaurantes mais bem localizados nos arredores de Lisboa. Mesmo em frente ao mar, com uma esplanada enorme sobre a areia e com uma gigante parede de vidro a separar a sala interior da praia, tem vista para um dos melhores cenários, onde o sol gigante se põe em cima do mar. Um pouco barulhento, confuso e com música alta de noite, é sempre melhor escolher a esplanada quando puder. Mas o interior é clean e simples. É uma mistura da sofisticação dos restaurantes de praia da Comporta com a descontracção do ambiente do Meco. E tem duas enormes vantagens em relação à Comporta: é mais perto de Lisboa e não está constantemente a ouvir a senhora da mesa ao lado a repetir "Olá querida, 'tá boa?" para cada pessoa que passa.

 

 

O serviço

Há duas estações do ano no Bar do Peixe: a estação Cheia de Gente e a estação Assim-Assim. Na primeira, o serviço é mais caótico e demorado. Falham alguns detalhes, mas há sempre um enorme esforço para que tudo corra bem. Na segunda, o serviço é rápido, eficiente e especializado - os empregados sabem responder às suas perguntas sobre a comida e sabem sugerir aquilo que deve pedir. Em qualquer uma das duas estações, não há empregados mal-encarados nem a fazerem um frete. Se não o atendem melhor, é porque não conseguem. No entanto, o que realmente interessa aqui não é o serviço, é...

 

 

...A Ementa

Os petiscos

Este é um dos poucos restaurantes que tem lapas. Grelhadas com manteiga e alho, são uma especialidade nos Açores e na Madeira e um verdadeiro desperdício no continente. Existem aos milhares nas rochas das praias ao longo de toda a costa, mas raramente são apanhadas e distribuídas pelos restaurantes. No Bar do Peixe, costuma haver - e é um petisco maravilhoso e surpreendente, que mistura o sabor a mar com o da manteiga e alho. Para além das lapas, vale a pena experimentar as amêijoas (boas, mas piores do que as lapas) e os perceves (óptimos, mas piores do que os da praia da Adraga). Tudo isto vem acompanhado com pão torrado com manteiga - uma maravilha perfeita para quem está de dieta (como deve calcular, não é o meu caso...).

 

 

O peixe

É fresco e muitíssimo bem grelhado. Pescado na zona, é um peixe que se separa em lascas brancas, brilhantes e compactas. Nós comemos um robalo com quase um quilo, escalado e cozinhado no ponto - húmido e com a quantidade ideal de sal. Não é fácil grelhar um peixe de um quilo e este estava perfeito - chamuscado por fora e suculento por dentro.

 

 

As bebidas

É fundamental falar disto antes de nos despedirmos. Se puder não ter de guiar a seguir ao almoço, é o ideal. Porque aqui bebe algumas das melhores caipiroskas do mercado. Não são doces demais nem ácidas de menos - são perfeitas e com gelo picado. Se conseguir, prove também a sangria branca ou de espumante. Sempre ajuda a ver a CMTV com outros olhos.

 

O óptimo

O peixe e as lapas

O bom

As caipiroskas e as sangrias

O mau

O barulho

 

Um bom dia de sol para si, especialmente se estiver junto à praia,

Ele

vivó inverno a saber a verão

Percebes

 

 

 

Às 17h11 começou oficialmente o Inverno. E a melhor maneira de comemorar o evento é a relembrar o Verão. Desta vez, não saí de casa para comer fora. Com 16 graus na rua, vesti uma T-shirt e meti-me no carro a caminho do Coolares Market, um óptimo sítio para fazer as últimas compras de Natal. Pouco antes de chegar à Quinta do Pé da Serra, há um largo à esquerda onde costumam estar umas bancas com produtos caseiros. Se chegar antes da hora do almoço e se a maré ajudar, é provável que encontre percebes frescos acabados de apanhar na praia da Adraga. Depois de os conseguir, o resto é fácil. Passe-os bem por água para tirar a areia e ponha uma panela de água a ferver cheia de sal - para um quilo de percebes, pouco menos de meio quilo de sal. Quando a água estiver a ferver, deite os percebes lá para dentro e tape. Mal voltar a levantar fervura, apague o lume. Em menos de cinco minutos está de volta ao Verão e à praia. E tudo isto por 10 euros. Sem precisar de aturar empregados mal dispostos em restaurantes da moda.

 

Um bom Inverno para si, onde quer que esteja,

Ele