Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

este jantar é amor à primeira vista: tostas de queijo brie com framboesas e mel

Há receitas que me fazem suspirar e tremer como se estivesse a protagonizar aquelas típicas cenas de amor à primeira vista das comédias românticas. Uma pessoa parece que fica tonta, corada, sem saber o que dizer e fazer... enfim, é o amor em todo o seu esplendor. E a mim já me aconteceu duas vezes: quando conheci o meu querido Marido Mistério (sim, foi amor à primeira vista apesar dele ostentar uma camisola de gola em bico aos losangos e uns óculos escuros antiquados que eu fiz um esforço titânico para ignorar) e quando descobri esta receita do espetacular blog Half Baked Harvest. Pensando bem, acho que suspirei mais quando vi esta delícia. Tem basicamente 3 dos meus ingredientes preferidos: queijo brie, framboesas e molho pesto. Demora 15 minutos a fazer e vai ser hoje o nosso jantar. Ah, que chatice, também tem pão. Não faz mal, instituo mais um Dia da Asneira esta semana!

Só preciso de pão alentejano cortado às fatias, azeite, queijo brie cortado às fatias, framboesas frescas, mel e rúcula ou canónigos para decorar. Para o molho de pesto, preciso de azeite, manjericão fresco, raspas e sumo de um limão, sal e pimenta.

Se quiser saber as quantidades certas de cada ingrediente, para 6 pessoas, espreite aqui a receita original.

Honey-Raspberry-Brie-Crostini-with-Basil-Oil-4.jpg

 

 

é bar, é restaurante, está na moda e é um dos sítios mais espectaculares de lisboa

Captura de ecrã 2017-06-21, às 14.59.55.png

Tem música alta, tem mesa de DJ, tem clientes que passaram mais tempo no cabeleireiro do que a dormir na noite anterior e, se ainda tem dúvidas de que estamos no último sítio da moda em Lisboa, então tome atenção ao aviso colocado à porta de cada casa-de-banho individual: "1 only".

Chama-se JNcQUOI e abriu no final de Abril, no edifício do Teatro Tivoli, em Lisboa. Mas, em menos de dois meses, já se transformou no local mais in da noite. E do dia também. No andar de cima, fica o restaurante, mais caro e formal (pelo menos cerca de €50 por pessoa), onde encontra a taxa de políticos e empresários por metro quadrado mais elevada da capital. Aí tem um ambiente que mistura a arquitectura clássica do teatro com alguns detalhes modernos, como um esqueleto gigante de dinossauro no meio da sala.

No andar de baixo, fica o DeliBar, ligeiramente menos caro e bastante mais descontraído, que é uma mistura de bar e balcão de petiscos sofisticados. Pelo meio, o JNcQUOI ainda tem uma mercearia gourmet (tudo o que come no DeliBar pode comprar para levar para casa), a loja masculina da marca de roupa Fashion Clinic, um cantinho onde se vendem os bolos e macarons da famosa Ladurée e uma mini-livraria com os livros da Assouline, a mais importante editora de luxo do mundo. 

 

 

como fazer as melhores e mais fáceis gambas al ajillo

As sardinhas estão para Portugal assim como as gambas al ajllo estão para Espanha. Por mim, não me importava nada que os arraiais desta época servissem também esta especialidade espanhola. Adoro. Sou viciada. Só tem um único problema: é que é impossível deliciarmo-nos com gambas al ajillo sem uma fatia de pão ou uma torradinha. Aquele molho é completamente irresistível. E é aí que o caldo se entorna todo, que é como quem diz é quando me desgraço toda. É como um pacote de batatas fritas: só paro quando fica vazio. Neste caso, não o pacote mas o prato.

Descobri esta receita no site PBS. O autor chama-se Marc Matsumoto, um conceituado chef que colabora com o New York Times, o Wall Street Journal, o USA Today e o Food Network e fiquei rendida à simplicidade da receita. É tão fácil que decidi fazer sozinha, sem marido nem filhos a palpitar. Só vou precisar de azeite, alho picado, paprika, gambas descascadas, sal e pimenta, e salsa para decorar.

Se quiser saber as quantidades certas de cada ingrediente, para duas pessoas, espreite aqui a receita original.

garlic-shrimp-3.jpg

 

tostas com queijo de cabra, favinhas e ovo escalfado, uma entrada ou um prato principal?

Guerra é guerra. Desde que a Jovem Misteriosa aqui do lado preparou uma entrada à Downton Abbey para me tentar achincalhar na cozinha à frente da minha própria mãe, teria que ter evidentemente uma resposta à altura. E uma resposta à altura, no meu caso de basquetebolista da Reboleira, é uma resposta a grande altura.

Peguei neste escultural corpinho de lutador de sumo e dirigi-me vagarosamente até à despensa onde encontrei um maravilhoso frasco de favinhas fritas em azeite que tinha comprado no supermercado a seguir ao Natal. Munido das favinhas, mergulhei na Internet em busca de uma receita digna da Senhora, Minha Mãe. E foi assim que encontrei esta preciosidade do Tiny Inklings.

Só precisei das benditas favinhas, de sumo de limão, pão de sementes, alho, queijo de cabra, ovos, flor de sal e pimenta moída. Se quiser saber as quantidades certas de cada ingrediente, para 4 pessoas, espreite aqui a receita original.

Fava_2.jpg

 

 

shiko, a tasca japonesa no porto com petiscos divinais e um peixe fresquíssimo

1463002_1561364237467702_2437105061852937915_n.jpg

Eu sei que isto pode parecer chocante nos dias que correm, mas aqui não há sushi com queijo Philadelphia. Nem com maionese. Nem com morangos. Nem com compotas. Nem com tudo aquilo que invadiu os restaurantes japoneses em Portugal nos últimos anos e que deixa qualquer japonês com o ar chocado do Warren Beatty no momento da entrega do Óscar para Melhor Filme.

É verdade: por muito estranho que isso nos possa parecer, a maionese foi inventada em Espanha no século XVIII e não à mesa de um restaurante de sushi, em Tóquio. E é por isso que, cada vez que eu encontro um restaurante japonês que serve sushi sem maionese eu faço uma festa de família. Não é que eu seja um ferveroso militante anti-sushi-de-fusão. Mas, às vezes, apetece-me simplesmente sushi. Sem fusões. Nem confusões.

Toda esta conversa para lhe apresentar condignamente o Shiko. Não se trata do diminutivo de Francisco Pinto Balsemão, é só um dos melhores restaurantes japoneses do Porto. E digo "restaurantes japoneses" e não "restaurantes de sushi" porque o Shiko tem muito mais do que sushi sem maionese. Além dessa verdadeira raridade em Portugal, o Shiko tem ainda deliciosos petiscos típicos das tascas japonesas. Tudo feito com um peixe delicioso e fresquíssimo.

 

 

ovos mascarados com queijo derretido dentro de um pão, a receita ideal para comemorar o carnaval

Hoje tive de fazer uma escolha difícil na minha vida: ou me mascarava de matrafona e ia desfilar para as ruas de Loulé; ou descobria uma receita mascarada e ficava sossegadinho em casa a comemorar o Carnaval à mesa. Depois de pensar muito seriamente no assunto, acabei por prescindir de Loulé e fazer estes ovos com queijo mascarados de pão do fantástico site Pure Wow.

E porque é que estes ovos são mascarados?, pergunta Vossa Senhoria. Porque estão cobertos de queijo e escondidos dentro de um delicioso pão estaladiço acabado de sair do forno. Eu sei, não tem muito a ver com máscaras. Mas como estamos na terça-feira de Carnaval, ninguém leva a mal. No fundo, a única coisa importante é que este prato é irresistível. E tanto dá para o pequeno-almoço, para o almoço ou para o jantar. O importante é comer.

Tudo o que vou precisar é de um pão comprido, quatro ovos, natas light, flor de sal, pimenta preta moída no momento e Queijo da Ilha ralado (a receita original é com parmesão, mas eu vou fazer com Queijo da Ilha). Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, consulte a receita original aqui.

Bacon549.jpg

 

será que este é o restaurante com a melhor vista de lisboa?

11703108_524344034379789_981083679001987912_n.jpg

Estou orgulhoso de mim mesmo (já que mais ninguém está, pelo menos resta-me o auto-orgulho): consegui resistir estoicamente a mais um ano sem jantar fora no Dia dos Namorados. É verdade: sou um ferveroso adepto do não-jantar de Dia dos Namorados. Não aguento aquele ambiente de noivas de Santo António em que todos os empregados dos restaurantes olham para si a contabilizar quantas vezes é que dá a mão durante a refeição.

E por isso é que estou aqui hoje com uma maravilhosa sugestão para o jantar de Dia Seguinte ao Dia dos Namorados. Ou quinta-feira seguinte. Ou fim-de-semana seguinte. É indiferente a data. O importante é aproveitar aquela que é uma das mais deslumbrantes vistas de Lisboa para um jantar romântico e sossegado sem balões cor-de-rosa pendurados nos tectos nem corações de papel espalhados pelas mesas.

 

o aperitivo mais popular de 2016: pão no forno recheado com queijo e corações de alcachofras

Acabou. Ao sexto dia consecutivo de chuva, tenho de tomar uma atitude drástica para me proteger do mau tempo. Das duas uma: ou compro um guarda-chuva ou faço este divinal aperitivo de queijo para o jantar. Confesso que ainda ponderei muito bem entre as duas hipóteses. Reconheço até que estive com um guarda-chuva na mão. Mas optei pelo queijo. Entre uma cabeça seca e um estômago cheio, privilegio sempre o estômago – até porque a cabeça encharcada seca rapidamente.

E foi assim que hoje caí nos braços desta divinal receita do blog Tastes Better From Scratch. Ainda por cima, foi o aperitivo para molhar (uns chips de batata doce ou umas tostas) mais popular do Pinterest no ano passado, com um total de 232 mil partilhas.

Tudo o que vou precisar é de um pão, sour cream (natas azedas), maionese (eu vou substituir por iogurte grego), queijo creme, parmesão ralado, alho picado, corações de alcachofras de lata ou de frasco e endro fresco. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, consulte aqui a receita original.

2c9a9d9dd5372602144cba8542b101ad871699e3.jpeg

 

 

uma entrada mais ou menos light digna de uma soirée em downton abbey

Hoje tenho a sogra a jantar cá em casa e estou decidida a impressioná-la. Vou buscar o meu melhor serviço e fazer-lhe uma entrada digna de ser servida à família Crawley. Como não tenho a Mrs. Patmore para me preparar o almoço, temos de ser nós a ir para a cozinha e dividir tarefas. Eu fiquei com a entrada e Ele (o grande, o glorioso, o magnífico e único chef da Mansão Mistério) com o prato principal.

A sogra traz a sobremesa, o que é simpático da parte dela. Como sou um desastre natural dentro de qualquer cozinha, andei à procura de receitas boas e, claro, muito fáceis. E encontrei no fantástico blog Drizzle and Dip, que eu adoro, a receita ideal para abrir as hostilidades com a sogra: tostas de carpaccio com maionese de alho e parmesão. Juro que até eu consigo fazer esta receita e, se não fosse o pão, e a maionese de alho, e o parmesão, até que era uma entrada light. 

17975095_sRpZu.jpeg

 

um restaurante especializado em mozzarellas?! é o novo puro 4050, no porto

15894344_912341882201784_8109827330341432008_n.jpg

A primeira coisa que vê quando chega ao novo Puro 4050, no Porto, é o pão. Não é que a porta da entrada esteja enfeitada com uma coroa de papo-secos, é que a sala está inundada por um irresistível cheiro a pão quente, acabado de tostar, que lhe permite visualizar, de olhos fechados, cada migalha a estalar na sua boca ao mínimo contacto com os dentes.

Eu sei, posso estar a precisar urgentemente de tratamento psiquiátrico – é o que a minha querida Mulher Mistério não se cansa de me repetir – mas é mais forte do que eu. Passados alguns dias, ainda sonho com aquele cheirinho a pão quente a estalar-me na boca. E esse é o melhor resumo do Puro 4050. Inaugurado no Porto, no Verão passado, este não é bem um restaurante clássico.

Captura de ecrã 2017-01-19, às 15.35.48.png

Dos mesmos donos do fantástico Cantina 32 – de que falei aqui –, o Puro 4050 tem a ementa dividida em duas grandes partes: petiscos italianos, quase todos com mozzarella, e meia dúzia de pratos mais a sério: carnes, massas e risottos. Como nós fomos lá almoçar em modo Família Mistério – que é o mesmo que dizer muitas bocas com ainda mais vontade de comer – optámos essencialmente pelos petiscos de mozzarella. E é aí que entra o pão: quente, tostado ou em forma de focaccia, é fundamental para acompanhar os petiscos. Mas já lá vamos. Antes é preciso falar de...

 

ano novo: 2 deliciosos aperitivos japoneses para ter uma festa de passagem de ano de olhos em bico

Quer entrar em 2017 a comer peixe? Temos uma solução para si. Prefere carne? Também estamos cá para acabar com as suas angústias. O importante é que entre no ano novo com o pé direito no chão e uma receita deliciosa na mão. E por isso hoje tenho aqui dois petiscos fantásticos dessa deusa da culinária que dá pelo nome de Martha Stewart. Sugestões para ir petiscando enquanto dá um pezinho de dança de boas-vindas a 2017.

 

Espargos Enrolados em Lombinhos de Vaca com Molho de Soja

ft_newyear06_ms_xl.jpg

O segredo deste petisco irresistível é encontrar um bom bife, sem gordura, e com cerca de meio centímetro de altura. Depois só precisa de espargos baby (eu costumo encontrar no El Corte Inglés; se não encontrar, procure os espargos verdes mais fininhos e use só as pontas cortadas ao meio), molho de soja, açúcar, cebolinho, sal e pimenta. Comece por cozer os espargos ligeiramente em água e sal. O tempo vai variar consoante a grossura dos espargos que utilizar, mas a ideia é que eles fiquem ainda ligeiramente consistentes ao trincar.

Depois prepare a carne. Se ela já estiver fininha e com a mesma espessura em todo o lado, óptimo. Se não, passe-lhe com um rolo da massa por cima para harmonizar a altura. Corte a carne em rectângulos com 5 por 10 cm e mergulhe-os numa mistura do molho de soja com o açúcar. Tempere com pimenta moída no momento e enrole a carne à volta de dois espargos baby e de um palito de cebolinho. Leve ao forno para tostar durante cerca de dois minutos (também pode grelhar numa frigideira) e já está. Vai ver o sucesso que esta delícia faz. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, consulte a receita original aqui.

 

 

húmus de feijão branco com alcachofras e pinhões, o meu presente de natal para as tias mistério

O húmus está para a minha vida assim como o incenso estava para a vida do Belchior. Eu sei... quem ofereceu incenso foi o Gaspar... mas eu também não gosto de fazer o húmus tradicional, por isso vejo-me mais como o Belchior que queria mesmo era ter oferecido incenso e teve de dar ouro. Mas o melhor é parar com as analogias natalícias e passar às realidades culinárias.

Este ano, eu vou distribuir frascos de húmus por toda a Família Mistério. Em vez de dar o habitual par de meias às tias, aos tios e aos primos mistério, vou disseminar frascos de húmus por toda a família. Adoro comer húmus como entrada. Adoro espalhar húmus por cima de tostas fininhas. Adoro mergulhar chips de batata doce em húmus. E adoro ainda mais variar as receitas. Foi por isso que fiquei encantado com esta maravilhosa criação do blog Heartbeet Kitchen: um húmus de feijão branco com alcachofras e pinhões. Quem é que resiste a esta delícia? Ainda por cima, é mais fácil de fazer do que descobrir um novo administrador da Caixa Geral de Depósitos a cada mês que passa.

Para fazer esta maravilha, só vou precisar de feijão branco de lata, alho sem a parte do meio, molho tahini, azeite, um pouco da água de conserva retirada da lata de feijão, sumo de limão espremido, flor de sal e pimenta preta moída no momento. Para o topping, tenho de ter de salsa, pinhões tostados, especiarias a gosto e corações de alcachofras. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, consulte a receita original aqui.

white-bean-hummus-3.jpg

 

croquetes com crosta de amendoim, picapau, amêijoas e gambas ao sal: onde comer os melhores petiscos

O mundo parou na semana passada para conhecer as novas estrelas Michelin do país. Nós paramos hoje para conhecer os melhores petiscos para acompanhar uma cervejinha bem gelada. As estrelas Michelin são uma maravilha, mas fim-de-semana alargado que se preze exige um bom petisco com uma imperial ao lado. E quando falamos de petiscos não podemos evidentemente deixar de falar de croquetes, de picapau, de amêijoas ou de gambas. Daqueles petiscos que nos deixam a boca a aguar como se fosse as cataratas do Niagara.

 

Os Croquetes com Crosta de Amendoim, da Tasca da Esquina, em Lisboa

Tasca da Esquina - Croquetes 2.jpg

Se um croquete satisfaz muita gente, um croquete com crosta de amendoim satisfaz muito mais. Esta divinal criação do mundo da croqueteria é uma invenção da fantástica Tasca da Esquina, em Lisboa, e é também uma das 73 fabulosas receitas do primeiro livro do Casal Mistério (que encontra aqui).

Os croquetes da Tasca da Esquina são um dos petiscos que fazem parte do couvert, juntamente com um bom pão saloio, um paté de salmão, espadarte e atum com um forte sabor a mar, umas azeitonas tenrinhas e temperadas com orégãos e um fantástico queijo de entorna que é aquele queijo pequenino alentejano muitíssimo saboroso e amanteigado.

Mas o que nos traz aqui hoje são os divinais croquetes. Feitos com um recheio hiperleve, que quase parece um creme, levam uma crosta de amendoim crocante que é qualquer coisa do outro planeta. O recheio leva chouriço, carne de vaca, vinho branco e uma pitada de colorau – tudo na medida certa, leve, desfiado e tão cremoso que quase se desfaz na boca. O exterior mistura o pão ralado com o amendoim picado, o que torna a crosta ainda mais crocante e saborosa. Com uma boa mostarda a acompanhar são irresistíveis.

 

 

os deliciosos petiscos e a looooonga espera para jantar no novo bairro do avillez em lisboa

14184529_10154084230878439_7400102626609647171_n.j

Duas horas é o tempo que um aluno do ensino secundário demora a fazer um exame nacional de Latim.

Duas horas é o tempo de duração de um jogo de curling (se tudo correr bem, claro!).

Em duas horas, é possível celebrar dois casamentos, dá para jogar uma partida e meia de râguebi, consegue-se ir de Lisboa ao Algarve de carro.

Em duas horas, pode embarcar num avião no Porto e sair em Paris para comprar uns deliciosos queijos num mercado francês.

Mas, em duas horas, eu e a minha querida Mulher Mistério não nos conseguimos sentar numa mesa para quatro pessoas, numa sexta-feira à noite, na Taberna, do Bairro do Avillez, em Lisboa. Em bom rigor, demorámos duas horas e quatro minutos desde que chegámos com um casal amigo até que nos sentámos no novíssimo restaurante da moda em Lisboa.

O novo espaço de José Avillez é um projecto claramente ambicioso demais para quem quer manter um serviço minimamente adequado ao século XXI. E esse é o maior problema do Bairro do Avillez – porque a nível da comida ou da decoração o restaurante é uma maravilha.

 

 

este é um dos pratos mais deliciosos que comemos na vida (e custa €7,50)

554720_418662444815000_291665490_n.jpg

Jantar na Taberna da Rua das Flores a um fim-de-semana é um programa que começa durante a tarde. Tal como outros restaurantes de Lisboa, esta taberna minúscula mesmo ao lado do Bairro Alto, não aceita reservas. Ou melhor, não aceita reservas por telefone. Se quiser mesa, tem de passar por lá no próprio dia e deixar o seu nome enquanto olha, olhos nos olhos, para o empregado. Depois vai beber um copo calmamente e volta à hora marcada.

Não sei exactamente porque é que existe ali esta aversão ao telefone, mas a verdade é que, com uns 15 minutos de atraso, o esquema funciona. E mesmo que não funcionasse eu faria o que fosse preciso para provar o divinal picadinho de carapau salpicado com uns minúsculos e estaladiços camarões krill. Mas já lá vamos. Antes, é preciso prepará-lo para a logística.