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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

sala de corte, o paraíso para quem gosta de carne

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A minha relação com a dieta é muito clara e cristalina. Desde que o meu médico me disse que a melhor maneira de dormir bem à noite era acabar sempre aquilo que começo, eu já me empenhei em conseguir acabar sozinho dois pacotes de bolachas e um bolo de chocolate com chantilly. Mais recentemente, foi a vez dos entrecôtes. E dos chuletóns. E das batatas fritas. E dos molhos. E das sobremesas maravilhosas da Sala de Corte, o novo restaurante que abriu há poucos meses no Cais do Sodré, em Lisboa.

 

taberna das flores, a maior desilusão da semana

Não se faz isto a um pobre diabo sedento de novidade e faminto de boa comida. E porquê? Porque a Taberna das Flores está para o universo da restauração tal como a Roberta Close está para o universo feminino: ao longe parece deslumbrante, mas quando estudamos melhor o assunto...

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como fazer uma boa picanha sem ter de ficar a cheirar a carvão

Está sol, está calor (começam as banalidades!) e o que apetece mesmo é um churrasco. Mas churrasco a uma quinta-feira (dia em que está tudo a trabalhar) e em Março (mês em que à noite ainda está um frio de rachar) é capaz de ser difícil - ou, pelo menos, ligeiramente desconfortável. Por isso é que nós, cá em casa, criámos o churrasco de Inverno (sim, pode não parecer, mas ainda estamos no Inverno). Não só para dias como este, mas também para Dezembro, quando está tudo a comer cozidos à portuguesa e o que nos apetece mesmo é uma boa picanha mal passada.

Este churrasco leva feijão, arroz, farofa, couve mineira, fatias de laranja e - fundamental - picanha. Noutro dia, falarei da farofa frita com bacon, cebola e manteiga, do feijão com carne seca ou do arroz de forno. Mas hoje é dia de picanha. E uma boa picanha merece ser tratada sozinha.

Primeiro, é preciso escolher a carne. E não vá na conversa da picanha da Holanda, da Alemanha ou de França. A boa picanha vem do Uruguai. Pode ser um pouco mais cara, mas é muitíssimo melhor. E isso faz a diferença, para não ter uma carne farinhenta ou pouco suculenta e sem sabor.

Depois de escolhida a carne, pegue num almofariz e junte sal grosso e alho descascado (pelo menos uma cabeça inteira). Esmague tudo com um pilão (peço desculpa, mas não fui eu que inventei o nome) até ficar uma massa de alho. Passe depois um pouco desta massa pela carne e o resto espalhe por cima da gordura até se formar uma fina camada. Enrole a carne em papel prata e leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, durante 30 a 40 minutos, com a gordura virada para cima. O tempo varia cosoante gostar da carne mal passada ou não. Se quiser deixar mais tempo a cozinhar, baixe um bocadinho a temperatura para os 160 graus. É durante este período que a gordura vai derreter juntamente com o alho e o sal e escorrer para a carne, deixando-a absorver todos os paladares. 

Depois disto, passamos à fase do churrasco: tire a carne do papel prata e volte a colocá-la no forno, com a gordura virada para cima e só com a resistência superior ligada. O objectivo é tostar a gordura durante 10 a 15 minutos. 

O resultado é uma picanha prática, rápida, fácil de fazer e sem cheiro a carvão. Não pense que esta receita é uma invenção de um menino de Lisboa que não se quer sujar enquanto cozinha. Esta última parte também é verdade, mas a receita é de um gaúcho que teve de se adaptar à chuva em Portugal. Experimente e depois diga-nos o que achou.

 

Ingredientes

- 1 naco de picanha

- 1 cabeça de alho

- Sal

 

Um bom churrasco para si, onde quer que esteja,

Ele

petisqueira matateu

 

 

Confesse lá, hoje acordámos mais bem dispostos, não é verdade? Basta olhar para o telemóvel de manhã e ler aquelas duas palavras milagrosas: “quinta” e “feira”. Não, não vou falar da última feira de velharias da Quinta Grande, em Sintra. Vou falar daquele dia fantástico em que começamos a reduzir a velocidade, a fazer a aproximação à pista de aterragem que é o fim-de-semana, a entrar em modo de planador; aquele dia em que começamos a desligar os motores, em que os problemas do trabalho já não têm a mesma importância, em que as imbecilidades do chefe já não parecem tão graves; aquele dia em que já é possível jantar fora sem a confusão de uma sexta ou de um sábado. Sim, parabéns, você acabou de entrar no melhor dia da semana para sair. E, se estamos a falar em sair, temos alguém que devia conhecer. Leitor do Casal Mistério este é o Matateu; Matateu este é o leitor do Casal Mistério.

 

Feitas as apresentações, vamos ao que interessa.

 

 

O ambiente

 

Primeira coisa que devia saber: o Matateu não é bem um restaurante nem sequer apenas o nome de um futebolista famoso do Belenenses. O Matateu é mais uma festa. Aqui há barulho, confusão e descontracção. Mas aqui também há boa disposição, simpatia e animação. Quando vai jantar ou petiscar ao Matateu, tem de se convencer que não vai ser atendido por empregados de farda, não se vai sentar em cadeiras forradas, não vai ouvir um: muito boa noite, bem-vindo ao Matateu. Isto é outra coisa. O que não quer dizer que seja mau, é apenas diferente. A decoração é toda evocativa da velha glória do Belenenses: há fotografias de Matateu nas paredes, há camisolas de Matateu nas molduras, há artigos sobre Matateu impressos nos individuais por baixo dos pratos. O restaurante fica em pleno estádio do Restelo, o que pode parecer assustador, mas acaba por ser um sítio divertido. Nós estivemos lá depois de um concerto de rock – e é esse o espírito com que lá deve entrar: descontraído, bem disposto e animado. Se for assim, vai gostar. Porque aqui tanto pode ficar sentado numa mesa como ao balcão e há quase sempre amigos dos empregados e do dono à conversa. Isso quer dizer que o serviço é mau?

 

 

O serviço

 

Não. Quer apenas dizer que o serviço é ligeiramente diferente do habitual. É um local de amigos. Podem esquecer-se da sua cerveja uma vez, mas estão sempre bem dispostos. E nota-se que fazem aquilo de que gostam, o que hoje em dia é uma raridade no perigoso mundo da restauração. O João Manzarra diz uma graça quando lhe traz o pedido e o empregado não faz má cara quando você pede para trocar de mesa a meio da refeição. Não é o serviço do Gambrinus, mas também não é o aborrecimento do Gambrinus. E tem outras vantagens: é rápido, é flexível, é agradável. Numa frase, é como se estivesse numa festa de amigos. Isso quer dizer que é perfeito?

 

A ementa

 

Também não. Uma festa de amigos é agradável, mas às vezes acaba a cerveja ou o whisky. Aqui acabou uma boa parte da ementa. Quando lá estivemos, não havia o petisco da semana, não havia os pastéis de bacalhau à Brás e não havia o tomate com mozarela. Mas havia outras coisas e, felizmente, não eram nada más.

  

O couvert

O pão é de Mafra, o que não é mau; e a manteiga é de alho e pimentos, o que é ainda melhor. Mas também podia ter vindo um queijinho de Azeitão... Podia, mas por acaso não havia.

   

Os petiscos

Depois das introduções, há as habituais lascas de batata (infelizmente moles e pouco estaladiças), a punheta de bacalhau com tomate e agrião (razoável, mas com este frio não é a altura ideal para pratos destes) e as agradáveis surpresas: os ovos mexidos com cogumelos e parmesão são deliciosos e vêm feitos mesmo no ponto (atenção que não é fácil fazer uns bons ovos mexidos que não saiam secos!) e o picapau de picanha é maravilhoso: é incrível como é difícil temperar a carne com picles sem a deixar com um sabor insuportável a vinagre.

 

 

 

As sobremesas

Tudo isto acabou com uma óptima mousse de chocolate com amêndoa torrada. Podia ter acabado com um promissor crumble de maçã e canela? Poder, podia (se houvesse tudo o que está na ementa), mas não era a mesma coisa.

 

O óptimo - A descontracção, o ambiente e o picapau de picanha. 

O bom - Os ovos mexidos com cogumelos e parmesão.

O mau - A quantidade de pratos que não havia.

 

 

 

E agora meta um cachecol azul ao pescoço e ponha-se a caminho do Estádio do Restelo. Não para ver a bola, mas para gritar golo se houver o picapau de picanha,

 

Ele