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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

panquecas de requeijão e limão feitas com nuvens de claras: panquecas mais fofinhas é difícil!

As crianças já receberam as notas dos exames nacionais, as férias aproximam-se à velocidade do vento num dia de Guincho e a minha querida e corajosa Mulher Mistério emagreceu – 200 gramas, é certo, mas emagreceu! Só motivos para comemorar, portanto – e para fazer estas panquecas que prometem ser as mais macias e fofinhas do Verão.

A receita é do New York Times e o segredo está nas claras batidas em castelo, como se fossem verdadeiras nuvens. Segundo o prestigiado jornal americano, as nuvens de claras vão fazer as panquecas insuflar como se fossem um autêntico soufflé.

Tudo o que vai precisar é de três ovos com as gemas separadas das claras (veja aqui o truque do Jamie Oliver para as separar rapidamente), farinha, requeijão (a receita original é com queijo cottage, mas eu acho que vou substituir), manteiga derretida, açúcar, sal e raspas de limão. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, veja aqui a receita original.

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a melhor surpresa dos últimos tempos: a fantástica e criativa comida do boi-cavalo em lisboa (sim, é nome de restaurante)

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É preciso ter muito pouco amor ao negócio para chamar Boi-Cavalo a um restaurante. E é preciso ter ainda menos amor ao carro para ir a guiar até Alfama. Tirando estes dois pequenos detalhes, ide em paz e que a fome vos acompanhe.

Este é um dos restaurantes mais criativos e irreverentes a que eu fui nos últimos tempos. Aqui toda a comida tem um toque diferente, original, imprevisível. E é isso que mais me fascina quando desloco os meus seis torneados abdominais para jantar fora. O resto – o ambiente, o barulho, o conforto – é secundário quando chegamos a um sítio onde a comida nos deixa de boca aberta (não de fome, mas de espanto!).

 

fui experimentar o novo hambúrguer com legumes e requeijão do h3 e...

...o que é que é aquele molho de requeijão?!

Primeiro: quem é que se lembra de fazer um molho de requeijão?! Segundo: quem é que se lembra de pôr um molho de requeijão em cima de um hambúrguer?!

Sinceramente, não percebo estas perguntas, uma vez que a resposta está no título. Quem se lembrou foi o h3, meus senhores! E que bem lembrado! Porque a combinação é óptima (se calhar, agora já parávamos com os pontos de exclamação, não?).

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O ambiente 

Antes de tudo o mais, vamos fazer um voo rasante sobre o restaurante. Eu confesso que já fui mais fã do h3. Não é tanto por a qualidade dos hambúrgueres ter caído, é mais pelo fim da novidade. Quando apareceu, o h3 era a resistência francesa contra a tirania do hambúrguer de plástico do McDonald's. Parecia o elenco do Alô! Alô! a lutar heroicamente no meio da Paris ocupada. 

Mas entretanto o McDonald's perdeu a guerra e o h3 passou a ser apenas um dos muitos restaurantes onde se pode comer um bom hambúrguer caprichado. Dos shoppings aos restaurantes de rua, há óptimos hambúrgueres espalhados pelo país.

No entanto, continuo a gostar de ir ao h3 de vez em quando: o espaço é animado e, acima de tudo, é bem disposto. Os anúncios, a decoração, as campanhas e até os individuais em cima dos tabuleiros têm sentido de humor. E isso, infelizmente, hoje em dia ainda não é assim tão comum como comer um bom hambúrguer com batatas fritas estaladiças.

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O serviço 

Há mais coisas em que o h3 é raro. Aqui eu posso pedir um pouco mais de batatas, de esparregado ou de arroz que os empregados não olham de lado para mim. Aqui, quando tenho direito a uma refeição gratuita, não me cobram a coca-cola, a limonada ou o extra de arroz. Aqui há uma preocupação com os clientes. É claro que uns dias corre melhor e outros corre pior, mas a filosofia, a simpatia e a atenção estão lá. E isso é muito pouco português.

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O hambúrguer 

Finalmente, o que verdadeiramente interessa: o hambúrguer. O novo hambúrguer. Naqueles momentos de stress insuportável, entre a pressão do cliente atrás e a pergunta do empregado à frente – "quer o hambúrguer médio ou bem passado?" –, baralho-me sempre nas faíscas destes meus modestos neurónios desesperados por conseguirem trabalhar. Desta vez, respondi "médio" quando queria dizer "médio-mal". Só me apercebi disso quando a empregada me ia entregar o hambúrguer e repetiu a pergunta:

– O seu hambúrguer era médio?

Foi aí que confessei:

– Na verdade era médio-mal, mas esqueci-me de pedir. 

Perante o meu ar de infelicidade, a empregada recolheu o prato e disse:

– Não tem problema. É só um instante.

Eu ainda tentei dizer que não valia a pena, mas nessa altura já ela tinha desaparecido para compensar a minha lentidão de raciocínio. Dois minutos depois, apareceu à minha frente esta imponente conjugação proteíca. 

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Por cima do hambúrguer vêm cogumelos, courgette, beringela, cenoura, cebola roxa, cebolinho e pimento vermelho (pedimos desculpa, no h3 é pimento encarnado...). Os legumes são grelhados, tal como o hambúrguer e os meus vinham bem grelhados – não excepcionalmente grelhados, como se deve exigir num restaurante de rua (mal passados e suculentos), mas bem grelhados (consistentes e sem se desfazerem), como se pode exigir num restaurante de "not so fast food". 

Mas o melhor é claramente o molho de requeijão. Cremoso e espesso, é surpreendente e tem um sabor suave que quebra lindamente o salgado do hambúrguer e dos legumes. Pode ainda acompanhar o prato com batatas fritas ou arroz thai. Eu, que estava numa deriva saudável, pedi esparregado que é, para mim, o melhor acompanhamento do h3. Bem líquido e muitíssimo bem temperado, está ao nível da mais alta cozinha do fast food.

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Tive pena de ter entrado nesta onda saudável quando tinha ali à minha frente a nova sobremesa do h3, o crème brûlée queimado à frente dos clientes. Mas isso fica para uma próxima visita. Em Dezembro, já entro em ritmo de Natal. E aí não há saudável para ninguém.

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O bom 

Os legumes grelhados

O mau 

Um shopping é sempre um shopping

O óptimo 

O molho de requeijão

 

Bons hambúrgueres para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: h3

e o melhor requeijão do mundo é...

Já sei, estou a entrar num terreno arriscadíssimo, não é? Vir com frases definitivas que incluem as palavras "melhor" e "mundo" é pôr-me a jeito para ouvir na primeira resposta:

- Mas, oh marmelo, já experimentaste todos os requeijões do mundo para estares aí a dizer isso?!

E é nessa fase que eu serei obrigado a puxar dos galões e dizer:

- Vocês sabem com quem é que estão falar? Não sabem, pois não? E se eu for o maior especialista nacional em requeijões, como é que é? Podia ser, não podia? Então...

Por acaso até... não, não experimentei, mas gostaria de ter experimentado. No entanto, adoro requeijão, já provei vários, e cheguei a uma conclusão: até provar um requeijão melhor do que o da Quinta da Lapa, vou dizer que esse é o melhor requeijão do mundo. E quem nunca usou essa expressão que me apedreje aqui, à frente de toda a gente, em plena Internet.

O Quinta da Lapa tem aquela coisa maravilhosa que é a consistência dura, mas um toque na língua que quase parece um creme. No entanto, não é tão enjoativo como o requeijão de Seia ou de Azeitão. Não sei como é que eles fazem isto, mas tudo está na medida exacta.

Segundo consta, a Quinta da Lapa (que tem este pôr-do-sol maravilhoso) está há quatro gerações na família Lourenço e foi modernizando-se, mantendo, no entanto, um cuidado quase familiar no tratamento das ovelhas, na alimentação e na ordenha. O resultado é uma óptima selecção de queijos – já exportados para França, Espanha e Suíça – e este maravilhoso requeijão com um ligeiro sabor a manteiga artesanal e um paladar viciante que não nos deixa parar de comer.

Eu encontrei-o à venda no El Corte Inglès e em algumas pequenas mercearias aqui do meu bairro que é o bairro do... (se calhar, é melhor parar por aqui). E, no outro dia, comprei meio requeijão (que é gigante) e dei cabo dele à garfada com a ajuda da minha sempre faminta Mulher Mistério.

No entanto, também é óptimo com mel caseiro ou com uma compota artesanal. Eu prefiro a de abóbora e canela, mas a de frutos silvestres também fica lindamente.

Se ainda tem dúvidas, faça o seguinte: compre-o, prove-o e depois venha falar-me do requeijão de Seia ou de Azeitão. Está a milhas! E no El Corte Inglès vende-se por €9,89/Kg.

 

Uma boa requeijada para si, onde quer que esteja,

Ele