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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

risotto de abóbora com limão e pistácios, o princípio do fim da minha dieta

Oops! I did it again...” Esta letra de uma música que o lado feminino da nossa prole passava a vida a ouvir resume bem a minha vida. Porque, mais uma vez, esqueci-me de que estava de dieta (estes lapsos de memória acontecem-me basicamente dia sim dia não). Não há nada a fazer. Basta-me a visão de um prato delicioso e pronto, nem com Memofante vou lá. Mas alguém resiste a um risotto de abóbora e pistácios? Eu não consigo. Por isso, quando descobri esta receita no espetacular Cannelle Vanille, fui ter com o meu querido Marido Mistério e pedi-lhe para fazer hoje para o nosso jantar.

- E a dieta? - perguntou logo Ele com aquele ar trocista e de quem nunca precisou de fechar a boca.

- Dieta? Ah, é verdade. Faço amanhã.

E antes que Ele reagisse, fechei a porta da cozinha e deixei-o a criar.

Só precisou de abóbora descascada, caldo de vegetais ou de galinha, manteiga sem sal, um alho francês médio, cortado em fatias muito fininhas, um dente de alho picado, arroz arbório, alecrim, sal e um pouco mais para temperar, vinho branco seco, raspas de um limão finamente raladas, sumo de limão espremido e mais um pouco para temperar, pimenta q.b., pistácios picados e queijo parmesão ralado. Se quiser saber as quantidades certas de cada ingrediente espreite aqui a receita original. 

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o mundo está louco! um risotto de cogumelos para fazer em 10 minutos no microondas?!

Estou em choque! Profundamente abazurdido com o que acabei de encontrar. Tão obstúpido (por favor, não confunda com "estúpido"...) que nem sei bem o que dizer. Já ouviu falar de um risotto feito no microondas? Em 10 minutos? Pois... eu também não. Até ter encontrado esta surpreendente receita no site Brit+Co

Trata-se de um risotto totalmente cozido no microondas. E em menos de metade do tempo do risotto tradicional. Mais ainda: em vez de estar permanentemente a mexer, só tem de mexer de vez em quando. Por exemplo, para fazer um risotto de cogumelos e parmesão, vai precisar de manteiga, meia cebola picada, dois dentes de alho picados, arroz arbório, caldo de legumes, vinho branco, cogumelos, tomilho e parmesão. Para saber as quantidades certas de cada ingrediente, ou para ver outras duas receitas de risotto no microondas, veja o texto original aqui.

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neste título só preciso de lhe dizer três simples palavras: risotto de morangos

Abra essas goelas de espanto que este texto é um verdadeiro golpe de Estado culinário. Descobri a mais inesperada, surpreendente, original e impensável receita de risotto. Uma receita que é capaz de misturar a cremosidade do risotto com a doçura da fruta. Uma receita que consegue dar-lhe um prato perfeito para os dias de calor.

Senhoras e senhores, meninos e meninas, apresento-lhes o risotto de morango. Como é que eu nunca me lembrei de uma combinação destas na minha intensa vida de provador oficial do reino cibernético? Porque infelizmente nunca antes tropecei nesta maravilha do fantástico site Food52. Foi nessa meca da cozinha que descobri esta tentação irresistível.

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o restaurante mais escondido do algarve (e onde come o melhor tártaro de atum com gelado de wasabi e muito mais!)

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O primeiro prato que lhe servem no restaurante Vistas, no Algarve, é intragável. Mesmo. Literalmente. Ao ponto de não se conseguir tragar de maneira nenhuma.

Na verdade, nem é suposto. Quando se senta à mesa daquele que é um dos melhores e mais discretos restaurantes do Algarve, no Monte Rei Golf & Country Club, na Serra do Caldeirão, ao pé de Tavira, a primeira coisa que lhe colocam na mesa é um prato com uma pequena moeda branca no meio. Depois, antes que pegue no garfo e na faca, o empregado despeja por cima um pouco de água e a moeda cresce até se transformar, como que por magia, num guardanapo enrolado.

Esta não é apenas uma graça de início de refeição. É o melhor retrato do restaurante: um espaço clássico, com uma decoração tradicional, mas onde toda a gente o procura surpreender em cada detalhe. E as maiores surpresas vêm da cozinha.

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a comida maravilhosa (e o calor insuportável) do cantinho do avillez em lisboa

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Entrar no Cantinho do Avillez num destes dias de calor típico de Agosto é como cruzar a Etiópia de uma ponta à outra ao meio-dia. Pelo menos, se ficar na sala em que nós ficámos. É que, apesar de ser a última sala inaugurada do restaurante em Lisboa, tem um ar condicionado que funciona ao ritmo de um tractor alentejano a rasgar furiosamente a auto-estrada. Pode pedir para abrir a porta, para fechar a porta, para entreabrir a porta. Pode pedir para virar as duas ventoinhas para si. Mas esqueça. A única solução para transformar esta sala do restaurante num sítio fresco é conseguir convencer José Avillez a comprar um ar condicionado novo. Ou então fazer-se acompanhar daquela T-shirt de manga cava que tem escondida no armário ao lado dos calções de licra de ciclista.

Feito este reparo, a grande questão coloca-se: vale a pena ir ao Cantinho do Avillez? Vale sim, senhor. Por isso, escolha um dia mais fresco, prepare a T-shirt de manga cava e faça a sua reserva.

 

 

o incrível brunch do conceito food store (ou o dia em que dei cabo da minha dieta de vez!)

Escondido nas profundezas de Bicesse, na Rua Pequena, ao lado de um típico cabeleireiro de bairro, tememos o pior quando estacionámos o carro no meio de uma espécie de praceta rodeada de prédios, depois de curvas e contracurvas por estradas que nem sabíamos que existiam.

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duplex, o restaurante da moda onde se come muitíssimo bem!

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Quando, na mesma sala, se cruzam por acaso as calças coloridas de uma figura do jet set nacional com o casaco de fato-de-treino de um jovem fashion victim, isso é... o novo restaurante Duplex. Este é provavelmente o espaço mais animado e cosmopolita de Lisboa. Aqui há ícones da moda de hoje e do tempo da Olá!. Aqui há portugueses e estrangeiros. Aqui há novos e velhos. Aqui há restaurante e bar. Aqui há quem vá para jantar ou para dançar. Aqui há Casal Mistério – como é que podíamos resistir a isto?

 

 

onde comer fora neste fim de semana? no novo restaurante maria pia com uma vista fantástica para a baía de cascais

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A Primavera chegou. A flores desabrocharam, os passarinhos começaram a cantar, os campos vestiram-se de verde e o Miguel Horta e Costa tirou o seu blazer de marinheiro do armário. É verdade: tudo é perfeito. E tudo é também um programa imperdível. Ver ao vivo aquela conjugação cuidadosamente preparada do azul escuro do blazer com o dourado do brasão do Clube Naval de Cascais no bolso, o bege das calças e a "bicoloridade" dos sapatos de vela com a carapaça superior em azul e a sola em branco – parece que este ano foi abandonada a moda do múleos de veludo bordeaux com o brasão de Horta e Costa debruado a dourado por cima – é um momento alto da estação.

Enfim, é um assunto de tamanho impacto social que nos daria para dezenas de milhares de caracteres de conversa. Mas o que para aqui importa é que, mal vesti a minha T-shirt de manga cava primaveril para ir almoçar fora num domingo de sol e calor, dei de caras com o blazer abrasonado de Miguel Horta e Costa. E onde é que esta honrosa coincidência se deu? No novo restaurante Maria Pia, no Clube Naval de Cascais.

 

 

risotto de cenoura com pesto de hortelã e feta, uma delícia vegetariana para animar a minha eterna dieta

Bem, para ser sincera, isto não é bem um risotto, porque esta receita não inclui arroz. Mas depois do quinotto, porque não experimentar um “farrotto”? Esta receita híper saudável deste fantástico blog é feita com farro, que é um cereal italiano parecido com a cevada, logo super indicado para a minha eterna dieta. Não é muito fácil encontrar farro em Portugal, mas pode sempre usar espelta que é muito parecido e igualmente saudável.

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um risotto cor-de-rosa?! é isso mesmo: risotto de trigo sarraceno e beterraba, um jantar lindo e light

Sabem aquele provérbio “As aparências enganam”? Na minha modesta opinião, raramente se aplica à gastronomia. É raro um prato com ótimo ar ser, no final, uma enorme desilusão. Pode acontecer, claro. Pode estar salgado ou insosso, ou azedo ou doce demais, mas normalmente quando me aparece à frente um prato com um aspeto destes, tenho aquela sensação do Cavaco de “que nunca tenho dúvidas e raramente me engano”. Como tal, apresento-vos um prato lindo, saudável, vegetariano e sem glúten. Mais qualidades é difícil. A receita é deste apetitoso blog.

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risotto com alheira e coração de alcachofra para combater este tempo horrível

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Na segunda-feira, cheguei a casa, abri o frigorífico e dei de caras com duas alheiras de caça. Duas alheiras de caça abraçadinhas? No meu frigorífico? Mas eu não comprei alheira de caça nenhuma... Resolvi perguntar a Ela se sabia, porventura, o que é que se tinha passado:

– Foste tu que compraste estas duas alheiras?

– Alheiras? Não sei o que é isso. Eu comprei dois chouriços para pôr no arroz de pato...

Este é o nível de iliteracia gastronómica com que tenho de lidar.

– Ela, não são chouriços, são alheiras.

– É a mesma coisa...

Não, não é a mesma coisa. É como o Egas e o Becas – parecem iguais, mas não têm nada a ver um com o outro. No entanto, nem tudo correu mal. Uma alheira ficou destinada ao arroz de pato – e o casamento de penalty entre os dois revelou-se uma pequena maravilha da humanidade. A outra guardei-a para fazer este risotto no dia seguinte.

Por acaso tinha sobrado uma alcachofra gigante que tinha trazido no fim-de-semana da praça, por isso resolvi arriscar e misturei estas duas preciosidades com que sonho todos os dias à noite (sim, eu sonho muito – e quase sempre com comida).

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Ingredientes 

  • 1 alheira de caça
  • 1 alcachofra
  • 2 copos de arroz para risotto
  • 1 cebola
  • 1 dente de alho
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 copo de Lambrusco rosé
  • Queijo da Ilha lascado

 

Quando se fala de risotto, muita gente pensa que é a coisa mais difícil do mundo. Olhe que não... Olhe que não... O mais importante é comer logo que acabar de o fazer. Se cumprir isso, está quase tudo feito.

Eu comecei por cortar o pé da alcachofra e colocá-la a cozer em água e sal. Quando espetei um garfo na parte de trás da alcachofra e percebi que estava mole (isto até parece mal), tirei-a da panela e guardei a água para o arroz, como um caldo de legumes. A seguir, tirei à mão as folhas da alcachofra e guardei-as para servir à parte; o coração – a parte do meio, que pode ser toda comida (ao contrário das folhas) – ficou para juntar ao risotto. 

Noutra panela, coloquei a cebola e o dente de alho picados com um pouco de azeite e refoguei em lume médio sem deixar dourar. Juntei a alheira sem pele, partida às fatias, e deixei cozinhar durante um ou dois minutos. Deitei o arroz lá para dentro e mexi mais um ou dois minutos. Depois, despejei o copo de Lambrusco e continuei a mexer. Só quando o vinho se evaporou totalmente é que acrescentei o caldo, até tapar o arroz, e o coração da alcachofra cortado aos bocadinhos. Fui mexendo frequentemente. À medida que o caldo se foi evaporando, fui tapando o arroz com mais caldo.

O risotto demora mais ou menos 20 minutos a cozer. Mas o ideal é ir provando a partir dos dez até ficar ao seu gosto (e assim sempre vai comendo qualquer coisa enquanto cozinha).

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Quando desliguei o lume, juntei a colher de sopa de manteiga e mexi. Depois polvilhei com o queijo da ilha ralado grosso ou lascado.

No prato, servi o risotto e ao lado coloquei as folhas de alcachofra. À medida que fomos comendo o risotto, fomos chupando as folhas. Que maravilha! E foi assim que acabou a minha deriva saudável.

 

Vivam as alheiras e os risottos, onde quer que eles estejam,

Ele

 

fotos: casal mistério (com a poderosa ajuda das duas crianças mistério mais velhas)