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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

novidade! novidade! o páteo do petisco vai abrir um novo restaurante junto à praia do guincho, em cascais

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Começou com um pequeno pátio no bairro da Torre, em Cascais, depois expandiu-se para o Mercado de Cascais, logo a seguir para o Palácio do Chiado, em Lisboa e, agora, vai chegar à Areia, perto da praia do Guincho.

O quarto espaço do Páteo do Petisco vai ocupar o lugar do antigo Rola na Areia, no Clube D. Carlos, ao lado do Parque de Campismo, perto do Guincho. Com uma simpática esplanada e um espaço agradável, ideal para as crianças correrem e brincarem, o novo restaurante vai chamar-se Páteo do Guincho e tem tudo para ser mais um sucesso.

 

mais uma novidade! abriu uma nova petiscaria em lisboa (e a especialidade são conservas)

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Estamos em época de novidades. Novidades fresquinhas, bombásticas e exclusivas. Não, infelizmente não vamos publicar em primeira mão os bonecos que o Tino de Rans esteve a desenhar durante o último debate. São novidades boas, mas não tão boas. Estou aqui para anunciar solenemente a abertura de uma nova petiscaria em Lisboa. Fica em Alfama, e é dedicada ao mundo das conservas.

 

 

ceia de ano novo: quais os melhores vinhos para acompanhar cada queijo

Tive dois grandes desgostos que marcaram profundamente a minha vida. O primeiro foi ver, aos 6 anos, O Campeão morrer à frente do filho. O segundo foi descobrir, aos 26, que os queijos não se comem apenas com vinho tinto. Não é fácil aguentar desilusões desta dimensão sem me tornar de um dia para o outro na versão masculina da Pomba Gira. Mas eu resisti. E é por isso que, todos os anos, dedico uma boa parte da minha passagem de ano a homenagear os queijos e os vinhos.

No entanto, para tudo sair perfeito é preciso encontrar o vinho ideal para cada queijo. E, se no Natal, encontrei um fantástico guia para combinar os vinhos com os pratos natalícios, agora descobri um magnífico dicionário para decidir que vinho deve acompanhar cada tipo de queijo. O trabalho de casa foi feito de forma irrepreensível e ultra-completa pelo site Fix.

Só tem de procurar o queijo que vai servir e ver quais as castas de vinho que mais se adequam. As castas e os queijos portugueses foram acrescentados por nós.

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mini bar, definitivamente um restaurante onde tem de ir pelo menos uma vez na vida (ou duas... ou três... ou quatro...)

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José Avillez sempre foi uma figura que me indignou profundamente. Não posso aceitar que exista alguém que consiga cozinhar daquela maneira – e especialmente que esse alguém não seja eu. Imagino o que será um fim-de-semana em casa dos Avillezes: 

– Oh querido, já estou com uma certa fome.

– Não te preocupes, meu amor, dá-me só cinco minutinhos que te faço já aqui um lombinho de novilho corado, ligeiramente fumado com alecrim, legumes da estação, tutano e puré de alho. Ou será que preferes um rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela e creme de cebola com queijo da serra? Também não me custa nada...

Não é justo Deus ter-se esquecido de mim na Papua Nova Guiné quando decidiu montar uma banca à porta de casa dos Avillezes, em Cascais, para distribuir pelo mundo o talento para cozinhar. E, ainda por cima, juntou-lhe também a simpatia, a humildade e a capacidade de trabalho. Irra, que é demais!

É por isso sempre com uma profundíssima inveja interior que eu entro nos restaurantes de José Avillez. E desta vez o escolhido foi o Mini Bar, o mais surpreendente e inovador restaurante do chef com duas estrelas Michelin.

 

 

o restaurante com o melhor cheesecake do planeta fica no porto (é só uma dica para acabar com as dúvidas da sara carbonero)

10405518_1590497331177848_6790377982029266666_n.jpQuerida Sara Carbonero, chica,

Espero que não leves a mal este tratamento tão íntimo, mas depois de conferenciar com os meus filhos e conseguida a devida autorização da minha querida Mulher Mistério, consegui permissão para estas intimidades. Sei que estás mais habituada a sombreros (espera, isso é no México), sevilhanas e homens com patilhas até ao queixo. Infelizmente, não temos isso por cá (talvez com excepção do Samuel Úria). Mas, em compensação, temos a melhor sobremesa que a Humanidade já produziu. E sabes onde é que ela está? Num magnífico restaurante numa das ruas mais animadas do Porto.

Eu sei que tu estavas muito contrariada em mudares-te para o Porto. Mas espera até conheceres a Cantina 32 e depois falamos – ou hablamos, como preferires.

 

queijo no forno com pistácios, nozes e sementes de sésamo

Esta é uma receita invencível! Encontrei-a no Gourmande in the Kitchen e não imagino melhor maneira de começar o seu dia do que a ver estas fotografias. Só corre mal numa única situação: se os seus convidados não gostarem de queijo. Aí é uma catástrofe. Mas quem é que não gosta de queijo, Deus meu? Está claramente no meu Top Ten de delícias para me lambuzar na época natalícia que está aí a chegar como um foguete desgovernado.

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showcooking de tapas e petiscos no porto

Na quinta-feira passada, o Porto foi eleito o melhor destino da Europa para passar férias. Na próxima quinta-feira, você só vai precisar de uma boa desculpa para lá estar - a comer e a beber, que é o mais importante. E é por isso que nós estamos aqui - para lhe arranjar a desculpa ideal. Viva em Lisboa, em Gaia ou em Mafamude, este é o pretexto de que precisava para jantar na baixa da cidade. Chama-se Fé Wine&Club, abriu no Verão do ano passado e já é um dos melhores sítios da cidade para sair à noite.

Decorado com 10 toneladas de livros nas paredes e com uma iluminação surpreendente e variada, pelo designer de interiores Paulo Lobo, o Fé tem quatro espaços distintos, divididos por dois andares e 300 metros quadrados.

No piso de cima, é onde se come: ao balcão, à mesa ou sentado em confortáveis sofás. No piso de baixo, é onde se dança e onde se bebe.

E é nesta fase do texto que você pergunta, e muito bem: então, mas a desculpa que vocês inventaram para um mafamudense ir ao Porto numa quinta-feira à noite é um restaurante/bar/disco? Claro que não, é preciso um pretexto um bocadinho mais elaborado para justificar uma deslocação dessas. A sua desculpa para ir até ao Porto é um evento único de gastronomia e cultura vitivinícola que, só por acaso, vai decorrer no restaurante/bar/disco da moda.

O discurso tem de ser assim: o chef Chakall vai estar no Porto, na próxima quinta-feira, para organizar um showcooking único e imperdível de tapas e petiscos. E porque é que é único e imperdível? Porque, apesar do seu desprendimento em relação aos mais exigentes cuidados de higiene (eu já vi gatos a passearem pela sua cozinha enquanto ele está a preparar a refeição), Chakall é um dos chefs que melhor misturam a tradição culinária portuguesa com o exotismo asiático e a sofisticação europeia. O resultado vê-se em alguns exemplos que vai servir na próxima quinta-feira no Fé Wine&Club: bruschettas de tomate e presunto; lombo de bacalhau lascado acompanhado de puré de grão, cebola caramelizada e amêndoas tostadas; camarões Chakall style (isto parece mais uma maneira criativa de dizer que ainda não decidiu como é que os vai cozinhar...) ou os rolinhos de fruta tropical acompanhados de gelado de baunilha e coulis de manga e gengibre.
Para acompanhar, tem três sugestões dos óptimos vinhos Monte da Ravasqueira (a tal parte da "cultura vitivinícola"): o Monte da Ravasqueira Alvarinho para as entradas, o Monte da Ravasqueira Sangiovese para o prato principal e o Monte da Ravasqueira Late Harvest para a sobremesa.
Tudo isto custa 35 euros por pessoa e vai decorrer entre as 20h e as 23h. Então isso quer dizer que antes da meia-noite está pronto para voltar para casa e dormir as oito horas habituais antes de mais um dia de trabalho? Nem por isso. Às 23h começa outra experiência cultural também muito rica no andar de baixo: Chakall vai juntar-se ao DJ Gonçalo Maria para pôr música até às 4h da manhã. E aí já é capaz de ser um bocado tarde para voltar para Mafamude. O melhor poderá ser dormir no Porto. E, já agora, passar lá o fim-de-semana. Porque não?

Um abraço para todos os mafamudenses, onde quer que eles estejam,
Ele

petisqueira matateu

 

 

Confesse lá, hoje acordámos mais bem dispostos, não é verdade? Basta olhar para o telemóvel de manhã e ler aquelas duas palavras milagrosas: “quinta” e “feira”. Não, não vou falar da última feira de velharias da Quinta Grande, em Sintra. Vou falar daquele dia fantástico em que começamos a reduzir a velocidade, a fazer a aproximação à pista de aterragem que é o fim-de-semana, a entrar em modo de planador; aquele dia em que começamos a desligar os motores, em que os problemas do trabalho já não têm a mesma importância, em que as imbecilidades do chefe já não parecem tão graves; aquele dia em que já é possível jantar fora sem a confusão de uma sexta ou de um sábado. Sim, parabéns, você acabou de entrar no melhor dia da semana para sair. E, se estamos a falar em sair, temos alguém que devia conhecer. Leitor do Casal Mistério este é o Matateu; Matateu este é o leitor do Casal Mistério.

 

Feitas as apresentações, vamos ao que interessa.

 

 

O ambiente

 

Primeira coisa que devia saber: o Matateu não é bem um restaurante nem sequer apenas o nome de um futebolista famoso do Belenenses. O Matateu é mais uma festa. Aqui há barulho, confusão e descontracção. Mas aqui também há boa disposição, simpatia e animação. Quando vai jantar ou petiscar ao Matateu, tem de se convencer que não vai ser atendido por empregados de farda, não se vai sentar em cadeiras forradas, não vai ouvir um: muito boa noite, bem-vindo ao Matateu. Isto é outra coisa. O que não quer dizer que seja mau, é apenas diferente. A decoração é toda evocativa da velha glória do Belenenses: há fotografias de Matateu nas paredes, há camisolas de Matateu nas molduras, há artigos sobre Matateu impressos nos individuais por baixo dos pratos. O restaurante fica em pleno estádio do Restelo, o que pode parecer assustador, mas acaba por ser um sítio divertido. Nós estivemos lá depois de um concerto de rock – e é esse o espírito com que lá deve entrar: descontraído, bem disposto e animado. Se for assim, vai gostar. Porque aqui tanto pode ficar sentado numa mesa como ao balcão e há quase sempre amigos dos empregados e do dono à conversa. Isso quer dizer que o serviço é mau?

 

 

O serviço

 

Não. Quer apenas dizer que o serviço é ligeiramente diferente do habitual. É um local de amigos. Podem esquecer-se da sua cerveja uma vez, mas estão sempre bem dispostos. E nota-se que fazem aquilo de que gostam, o que hoje em dia é uma raridade no perigoso mundo da restauração. O João Manzarra diz uma graça quando lhe traz o pedido e o empregado não faz má cara quando você pede para trocar de mesa a meio da refeição. Não é o serviço do Gambrinus, mas também não é o aborrecimento do Gambrinus. E tem outras vantagens: é rápido, é flexível, é agradável. Numa frase, é como se estivesse numa festa de amigos. Isso quer dizer que é perfeito?

 

A ementa

 

Também não. Uma festa de amigos é agradável, mas às vezes acaba a cerveja ou o whisky. Aqui acabou uma boa parte da ementa. Quando lá estivemos, não havia o petisco da semana, não havia os pastéis de bacalhau à Brás e não havia o tomate com mozarela. Mas havia outras coisas e, felizmente, não eram nada más.

  

O couvert

O pão é de Mafra, o que não é mau; e a manteiga é de alho e pimentos, o que é ainda melhor. Mas também podia ter vindo um queijinho de Azeitão... Podia, mas por acaso não havia.

   

Os petiscos

Depois das introduções, há as habituais lascas de batata (infelizmente moles e pouco estaladiças), a punheta de bacalhau com tomate e agrião (razoável, mas com este frio não é a altura ideal para pratos destes) e as agradáveis surpresas: os ovos mexidos com cogumelos e parmesão são deliciosos e vêm feitos mesmo no ponto (atenção que não é fácil fazer uns bons ovos mexidos que não saiam secos!) e o picapau de picanha é maravilhoso: é incrível como é difícil temperar a carne com picles sem a deixar com um sabor insuportável a vinagre.

 

 

 

As sobremesas

Tudo isto acabou com uma óptima mousse de chocolate com amêndoa torrada. Podia ter acabado com um promissor crumble de maçã e canela? Poder, podia (se houvesse tudo o que está na ementa), mas não era a mesma coisa.

 

O óptimo - A descontracção, o ambiente e o picapau de picanha. 

O bom - Os ovos mexidos com cogumelos e parmesão.

O mau - A quantidade de pratos que não havia.

 

 

 

E agora meta um cachecol azul ao pescoço e ponha-se a caminho do Estádio do Restelo. Não para ver a bola, mas para gritar golo se houver o picapau de picanha,

 

Ele

 

crepes blinis com natas e caviar (ou alguma coisa muito parecida com isso)

 

O caviar dos pobrezinhos

 

Ingredientes:
1 frasco de caviar Tzar
1 pacote de crepes blinis
1 pacote de natas

Já estou a ver o stress no ar: dia 31, passagem de ano em sua casa, é preciso alguma coisa especial para o jantar, não comprou nada e não tem paciência para passar as últimas horas de 2013 emigrada na cozinha. Quer ideias? Nós temos ideias. Meta-se no carro, pegue numa nota de 20 euros e vá até ao supermercado do El Corte Inglès. Vai ver que traz uma boa entrada e ainda umas moedas de troco. Tudo isto graças à mais nova e sofisticada imitação de caviar. Chama-se Tzar, é produzida na Rússia, só com recurso a produtos naturais (marisco, carapau, salmão) e tem autorização para utilizar a designação caviar. Ou seja, é caviar mas não é de esturjão, é bom mas não é um Beluga, é barato mas não tem químicos.

Com dez euros traz um frasco com mais de 100 gramas. O resto serve para comprar uns crepes blinis (aqueles muito pequeninos com a grossura de uma minipanqueca) e um pacote de natas. Mesmo antes de servir, aquece os crepes no forno ou no microondas, junta-lhes as natas batidas por cima e depois o caviar. No fim, ainda lhe sobram as moedas de troco para saltar à meia-noite com os bolsos cheios. Não é o caviar que se come em casa de milionários como Ricardo Salgado, Bill Gates ou José Sócrates, mas sempre é caviar - ou quase.

E já agora, um bom Ano Novo para si, onde quer que esteja,

Ele

vivó inverno a saber a verão

Percebes

 

 

 

Às 17h11 começou oficialmente o Inverno. E a melhor maneira de comemorar o evento é a relembrar o Verão. Desta vez, não saí de casa para comer fora. Com 16 graus na rua, vesti uma T-shirt e meti-me no carro a caminho do Coolares Market, um óptimo sítio para fazer as últimas compras de Natal. Pouco antes de chegar à Quinta do Pé da Serra, há um largo à esquerda onde costumam estar umas bancas com produtos caseiros. Se chegar antes da hora do almoço e se a maré ajudar, é provável que encontre percebes frescos acabados de apanhar na praia da Adraga. Depois de os conseguir, o resto é fácil. Passe-os bem por água para tirar a areia e ponha uma panela de água a ferver cheia de sal - para um quilo de percebes, pouco menos de meio quilo de sal. Quando a água estiver a ferver, deite os percebes lá para dentro e tape. Mal voltar a levantar fervura, apague o lume. Em menos de cinco minutos está de volta ao Verão e à praia. E tudo isto por 10 euros. Sem precisar de aturar empregados mal dispostos em restaurantes da moda.

 

Um bom Inverno para si, onde quer que esteja,

Ele