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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

tartar-ia, o restaurante ideal para ver o portugal-alemanha ou então para celebrar ou afogar as mágoas depois

Hipótese número um: Cristiano Ronaldo pega na bola, passa por um alemão, senta o segundo, finta o terceiro, está isolado à frente do guarda-redes, faz uma simulação, roda sobre si próprio, deixa Manoel Neuer estendido no chão e atira a bola para o fundo da baliza. Resultado final: Portugal 3 – Alemanha 0. Você está radiante e quer sair para comemorar a grande vitória de Portugal. Não agarrado a uma buzina, mas agarrado a um bom prato de comida criado por um chef com duas estrelas Michelin e por apenas 8,5 euros.

Hipótese número dois: Cristiano Ronaldo ressente-se da lesão, agarra-se ao joelho com dores e tem de ser substituído. O moral dos jogadores vai abaixo ao verem Ronaldo sair de maca e os alemães aproveitam a confusão para marcarem um golo num contra-ataque cobarde contra tudo o que Portugal já tinha feito até ali no jogo. Resultado final: Portugal 0 – Alemanha 1. Você está de rastos e só lhe apetece sair à rua para afogar as mágoas. Não numa garrafa de whisky, mas num prato feito por um chef Michelin.

Hipótese número três: Cristiano Ronaldo não tem dores no joelho nem senta os adversários no chão com as suas fintas. Limita-se a jogar como qualquer outro ser humano. Nós não estamos habituados a isso e os alemães também não. Perante a surpresa geral, o jogo acaba empatado. Resultado final: Portugal 0 – Alemanha 0. Você está indiferente ao resultado e só lhe apetece é ficar em casa. Mas descobre que pode comer pratos de um dos melhores chef do Mundo por um preço muito razoável. Pega na trouxa e vai para a rua.

Qualquer que seja o cenário de logo à tarde, todas as forças do universo estão a empurrá-lo para o Mercado da Ribeira. Mais concretamente para o Tartar-ia, o restaurante fast food do chef Dieter Koshina. Nós fomos empurrados por essas forças num destes dias. E não gostámos. Adorámos.

O mercado

O espaço é incrivelmente gigante. Com uma decoração moderna e simples, tem um pé direito a que nem dez guarda-redes da Alemanha juntos conseguem chegar. Além disso tem mesas. Muitas mesas (um dos problemas do Mercado de Campo de Ourique). E não precisa de ir buscar as bebidas a uma ponta, as entradas a outra e os cafés a mais outra (outro dos problemas do Mercado de Campo de Ourique). Tem até uma agradável esplanada com um detalhe maravilhoso: de alguns chapéus de sol sai um discretíssimo borrifo de água para refrescar o ar. O que, num destes dias em que Lisboa parecia a Amareleja, deu um jeito enorme. Problema: não existe uma esplanada comum a todos os restaurantes. Só alguns é que têm a concessão da esplanada. E o Tartar-ia não é um desses. Apesar de tudo, eu prefiro aguentar o calor do interior (e é algum) e provar os tártaros do chef Koshina.

O restaurante

Aqui vai comer comida crua. Mas comida crua divinal. O restaurante só serve tártaros: de peixe, de carne e de vegetais. Quase todos são servidos num prato, mas alguns vêm também num panini. Eu preferi manter-me fiel ao prato.

As entradas

Pedi de entrada um tártaro de arenque e beterraba. É uma mistura deslumbrante. O arenque é suficientemente salgado e a beterraba ligeiramente adocicada. Para compor, vêm ainda umas rodelas de rabanete e uns miolos de pistaccio. Tudo junto num pouco de molho extra-suave. É fresco, leve e tremendamente surpreendente. Eu sei que estou a adjectivar de mais, mas é mesmo muito bom.

Desta vez, Ela não falhou no pedido (desconfio que não houvesse muito para falhar) e pediu um tártaro de salmão e abacate, que é o mesmo que dizer espuma de abacate. É uma delícia descobrir como é que se pode criar uma espuma tão leve como esta. A conjugação do salmão com o abacate está muito próxima da perfeição das fintas de Cristiano Ronaldo.

O prato principal

Nós escolhemos os dois um bife tártaro (falha: o preço de 200g de bife é igual ao preço de dois bifes de 100g), mas ficaria lindamente se pedisse qualquer um dos tártaros de peixe como prato principal. No entanto, o bife tártaro é o menos surpreendente de todos os pratos que experimentámos. Vem também com uma óptima espuma a acompanhar, mas não é um prato para o deixar com um queixo à Cavaco Silva como os dois tártaros de peixe. Mais: continuo a preferir o bife tártaro do Talho, que, para mim, ainda é destacadíssimo o melhor bife tártaro do país.

 

A sobremesa

Havia uma mistura de manjericão, iogurte e morangos e outra de abacaxi, coco e rum que me pareceram irresistíveis. Mas, do outro lado do mercado, havia Santini. E eu deixei-me irreflectidamente influenciar pelas crianças e fui para o Santini. Arrependi-me. Gostava de ter experimentado uma destas tentadoras sobremesas. Acho que vai ter de ficar para outro dia. Talvez para comemorar a final Portugal-Brasil.

O ambiente

Fomos num dia calmo e havia mais do que espaço para se sentar. Além disso tem um ecrã gigante onde passam os jogos do Mundial. Se gostar de ver futebol em locais públicos, pode ir para lá antes do jogo. Bebe umas cervejas enquanto Ronaldo finta alemães e no fim atira-se aos tártaros.

 

O bom

O espaço

O mau

O calor

O óptimo

Os tártaros

 

Um bom jogo e que Portugal ganhe, onde quer que você esteja,

Ele

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