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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

um dos restaurantes com mais charme do algarve: pizzas, ceviches e petiscos feitos com produtos da horta

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Este é um restaurante de detalhes. Primeiro a localização: estamos no meio de um pinhal, rodeados de árvores, pinhas e caruma, uma das paredes é totalmente feita de vidro – nos dias de vento está fechada, nos dias de calor está toda aberta, é como se estivesse a jantar no meio do pinhal. Depois a decoração: tudo foi pensado, desde a manteiga embrulhada em papel vegetal aos talheres entregues dentro de baldes de latão, passando pelas latas de conservas onde é servido o couvert. Finalmente a comida: o atum vem do mercado de Olhão, o patê é caseiro, a focaccia é cozida num forno a lenha à nossa frente e alguns dos ingredientes vêm da horta do hotel.

Mas há mais.

 

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O ambiente 

Situado no novo Praia Verde Boutique Hotel, de que já tínhamos falado aqui, entre Altura e Monte Gordo, o À Terra Fornaria abriu em Abril de 2014 e é um restaurante simples, rústico e quase familiar. A decoração de todo o hotel é claramente o melhor. E a decoração do restaurante é o melhor do melhor. O hotel está decorado em tons de preto, branco, cinzento e bege, com simplicidade e bom gosto. Mas o restaurante consegue atingir o ponto ideal: mais rústico, mais simples e mais encantador do que as outras zonas.

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Há mesas em madeira clara com bancos corridos e há mesas mais tradicionais com cadeiras confortáveis. Mas, mais uma vez, o que faz a diferença são os detalhes: os copos em vidro grosso, os pratos em tons de terra, as tábuas em madeira clara, os bules em ferro preto, os vasos de alecrim com um cheiro contagiante. Tudo tem charme e bom gosto. Não admira que o Praia Verde Boutique Hotel tenha sido considerado pela CNN um dos melhores novos design hotels da Europa em 2014 e pelo Telegraph um dos melhores hotéis do Algarve em 2016.

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A ementa 

Não espere uma lista com quatro páginas e dezenas de opções. Aqui há poucos pratos. Mas bons. A ementa está dividida entre pizzas, preparadas com produtos frescos e cozidas no tal forno a lenha mesmo à nossa frente; petiscos saudáveis, como ceviches, saladas ou uns ovos de codorniz rancheros, por exemplo; e pratos mais substanciais, entre os quais se destacam os que são preparados num Josper, uma mistura entre grelha e forno que permite cozinhar lentamente durante várias horas.

Como nós deixámos a equipa de futsal a treinar sozinha em casa e optámos por um cada vez mais raro jantar a dois, passámos as pizzas (que tinham óptimo aspecto) e fomos directos ao que nos pareceu melhor para partilhar.

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O couvert 

É quase um misto de entradas (€2,50 por pessoa). Além da tal maravilhosa focaccia que vem com sal e um fio de azeite por cima, trouxeram pão torrado, umas deliciosas, grandes e hiper-tenrinhas azeitonas, um paté caseiro e uma manteiga que parecia ter sido feita à mão na quinta ali ao lado. Estava tudo tão bom que fomos empurrados por forças sobrenaturais para pedir uma segunda focaccia. Comêmo-la quase toda apenas molhada num óptimo azeite e numa deliciosa flor de sal.

Como pode imaginar, nesta fase já estávamos cheios. Mas tínhamos pela frente uma missão que não podíamos deixar cair. Por isso, passámos para as entradas.

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As entradas 

Ceviche de peixe do dia, comprado de manhã no mercado, com puré de cenoura e gengibre, cebola roxa fininha, umas fatias de beterraba quase transparentes e umas amêndoas laminadas por cima (€12). Não é tão bom como parece pela descrição – é muito melhor. Os produtos são saborosos e tudo vem muitíssimo fresco. A mistura da textura macia do peixe com o aveludado do puré de cenoura e gengibre e o crocante das amêndoas é qualquer coisa de indescritível. E não ficámos por aqui.

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A seguir dividimos uma salada de rúcula, figos e queijo de cabra (€9,50) que tem uma combinação deliciosa do doce dos figos com o sabor forte do queijo de cabra. A minha querida Mulher Mistério resistiu até ao último sopro a pedir esta entrada porque achava que ia ser o prato mais previsível do Verão, mas rendeu-se à maravilha que são os figos do Algarve.

Para acabar esta sequência de entradas veio um divinal gaspacho de melancia (€8) acompanhado com uma fatia de pão torrado, em cima da qual estavam três magníficas gambas cozidas e cuidadosamente descascadas, salpicadas com uns flocos de sal. Mais uma vez, o adocicado da sopa fria de melancia combinada com o sabor único das gambas ao sal resulta na perfeição.

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O prato principal

Nesta fase do jantar, eu já estava dividido entre a gula que não me deixava parar de comer qualquer coisa que passasse pelo meu raio de visão e os suores frios provocados por um estômago entupido até às amígdalas. No entanto, não resistimos a dividir um prato principal.

Da primeira vez que fomos ao À Terra, pedimos um fabuloso atum braseado no forno e acompanhado com batata doce, maionese de alho e salicórnia (uma planta que parece um espargo muito fininho e que cresce nas margens da Ria Formosa). Desta vez, como a ementa tinha mudado e o atum vinha acompanhado com um relish de pêssegos grelhados e coentros (quem me tira a salicórnia tira-me tudo), optámos pelo peixe do dia (€25) grelhado no tal forno Josper. Ao contrário de todas as minhas mais seguras expectativas, o peixe estava grelhado demais e ligeiramente seco. Salvou-se a mistura de legumes salteados que vinha a acompanhar.

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A sobremesa

Para acabar, dividimos  um Vaso À Terra (€6) que de vaso não tem muito. É uma mistura de framboesas com gelado de framboesa, chocolate e um óptimo crumble de alfarroba que consegue ser leve e ligeiramente crocante ao trincar. 

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O serviço 

Jantar no Algarve entre 15 de Julho e 15 de Agosto pode ser uma verdadeira Aventura dos Cinco. O segredo é encher-se de paciência, marcar mesa para o mais tarde possível e fugir da confusão como o Piu-Piu foge do Gato Silvestre. Nós marcámos para as 21h30 e sentámo-nos às 22h15. Enquanto esperávamos, ficámos sentados na esplanada a beber um gin tónico e a petiscar o couvert, o que acaba por não ser um programa tão mau como isso.

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Tirando o atraso, o serviço foi sempre imensamente simpático. Atenciosos, bem dispostos e disponíveis para fazer as trocas que pedimos. A partir das 22h45, o restaurante começou a ficar mais vazio e o serviço acabou por não ser muito demorado. 

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As crianças

O restaurante é arejado, com uma enorme esplanada e imenso espaço para as crianças andarem de um lado para o outro. No entanto, não tem menu infantil, mas tem pizzas a partir de €9.

 

O bom 

A comida com produtos frescos, muitos da horta

O mau 

A demora a libertar a mesa

O óptimo 

A decoração e a esplanada quando não está muito vento

 

Um bom jantar para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: à terra; casal mistério

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