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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

um maravilhoso almoço de sushi por 13 euros

Há coisas difíceis de descrever. E a farofa de sésamo é uma delas. Trata-se de uma farinha que consegue ser mais clara do que a Branca de Neve e mais suave do que a pena de um pássaro. Eu duvido que muita gente equilibrada mentalmente já tenha experimentado saborear a pena de um pássaro na boca (e para conservar a sanidade da minha Família Mistério não vou aqui dizer se já experimentei ou não...). Mas digamos que imagino que a sensação seja razoavelmente semelhante.

A farofa de sésamo é uma farinha finíssima e aveludada que provoca na língua uma sensação macia e inesperada. Não tem nada a ver com a textura da farinha nem com a textura da farofa. Como diziam os Monty Python, é "something completely different".

E o que levará esta criatura que escreve com os dentes a lembrar-se de farofa de sésamo a uma hora destas?

 

É simplesmente uma das melhores experiências que já tive em restaurantes japoneses. E está disponível nas Amoreiras, à distância de um almoço de 13 euros. 

A ementa 

O Sushi Café é actualmente um dos mais criativos e surpreendentes restaurantes de sushi em Lisboa. O grupo tem dois restaurantes – um na Rua Barata Salgueiro, ao lado do Guilty, e outro nas Amoreiras – e vários Sushi Corners em outros centros comerciais. Eu já jantei na Barata Salgueiro e já almocei nas Amoreiras. E consegui comer sempre muitíssimo bem.

Em parte, por causa da maravilhosa farofa de sésamo que vem a acompanhar as deliciosas gyosas – os raviolis japoneses grelhados e recheados de carne e legumes com base crocante. Mas não só. Em cada prato, há sempre um toque criativo e inesperado.

O aji tataki é um picado de carapau (sabe mesmo a carapau e é óptimo) com um pouco de gengibre (totalmente diferente do gengibre habitual) e cebolinho – é fresco e leve, perfeito como entrada. E o skin cheese maki é um rolo de sushi com pele de salmão grelhada e muitíssimo estaladiça, cebolinho e queijo filadélfia coberto com tobiko (as maravilhosas ovas de peixe voador) – funciona muito bem para acabar a refeição com alguma coisa um pouco mais consistente. 

Tudo isto junto (mais essa loucura despesista que é pedir uma Coca-cola e um café nos dias que correm) dá um fantástico almoço para duas pessoas que lhe custa 13 euros a cada um nas Amoreiras. No meu caso, como fui acompanhado da minha querida Mulher Mistério, paguei 26 euros (mas a companhia valia muito mais).

 

O ambiente 

Há vários ambientes. E também vários preços. O restaurante das Amoreiras está naquele piso intermédio, que é mais calmo do que a praça da restauração mas nem por isso tem uma decoração brilhante. É um óptimo restaurante de shopping, mas não deixa de ser um restaurante de shopping, com mesas baixas e bancos em vez de cadeiras.

Já o Sushi Café da Barata Salgueiro é um pouco mais caro, mas tem um dos mais sofisticados projectos de arquitectura de interiores. Desenhado pelo atelier Saraiva + Associados, mistura cores, curvas e ambientes de uma forma incrível. É um espaço moderno e agradável e tem uma fantástica esplanada para dias de calor como aqueles que vão chegar finalmente em Setembro.

Além disso, tem um bar de gin lá dentro, que lhe permite ter um bom jantar de sushi acompanhado de um não menos bom gin tónico. Ao fim de semana, costuma estar cheio e um pouco confuso. A zona da esplanada está mesmo ao lado do bar – e, por isso, é mais movimentada –, mas a sala interior está ligeiramente afastada por um pequeno corredor – o que lhe dá menos agitação. 

De qualquer forma, este é um restaurante animado, não é um sítio para jantar ao som de Vivaldi.

O serviço 

Na Barata Salgueiro fui muito bem recebido e rapidamente servido, apesar de o restaurante estar cheio. Nas Amoreiras, tive a infelicidade de me sentar numa mesa atendida por um daqueles empregados que acham que cada frase que dizem tem de ser uma piada dos Malucos do Riso.

Às vezes é doloroso perceber isto, mas, se eu quiser passar uma refeição a rir, compro um blihete para ver o último espectáculo do Herman José em Viana do Alentejo. Um homem marca uma mesa num restaurante de sushi para comer, não para assistir ao casting de um aspirante a comediante. Resultado: acabei o almoço a tentar chamar a outra empregada (simpática, competente e discreta) para evitar as graças forçadas do colega. 

As crianças 

A ementa dos dois restaurantes é completíssima e sofisticada: além de sushi, sashimi e afins, tem massas japonesas, foie gras no teppan, tempura de sardinha ou um tentador bitoque da vazia com molho japonês e batata frita. Mas não tem menu infantil. No restaurante da Barata Salgueiro, não faria sentido – com um bar lá dentro, é claramente um local para clientes pós-18 –, mas nas Amoreiras poderia ter. 

O bom 

O espaço do Sushi Café Avenida

O óptimo 

A farofa de sésamo

O mau 

O empregado do Sushi Café Amoreiras

 

Um abraço para os chefs japoneses, onde quer que eles estejam,

Ele

 

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