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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

um restaurante a não ir

Como já puderam perceber, se há coisa que eu odeio fazer é dizer mal, criticar ou sequer fazer uma graçola com algum restaurante. Mas alguém que acorda um dia e resolve chamar Opíparo ao seu restaurante, é alguém que quer muito ser achincalhado na rua, não é? Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, opíparo é "o que tem magnificência, esplendor, opulência; sumptuoso; o que é feito ou apresentado de forma abundante; rico, esplêndido, próspero". Não havia assim nenhum adjectivo ligeiramente mais modesto para rotular o restaurante, não? Tinha mesmo de ser logo a palavra mais nova-rica e pretensiosa do dicionário, não é? E depois uma palavra que rima com pífaro, o que também é fascinante.

Mas, ok. Tudo isso eu consegui ultrapassar, depois de ter visto pela primeira vez, há uns meses, aquele magnífico nome no paredão do Estoril. Ontem, no meio de um calor insuportável e de uma sede de quem está há cinco dias a caminhar no deserto, resolvi parar. Eu sei que todos os Deuses me alertavam para a desgraça: o nome irritante, a decoração arrivista, o facto de ser fim-de-semana no paredão do Estoril e de eu estar no meio de milhares de pessoas... Mas não resisti. Afinal, só queria beber uma Coca-cola na esplanada com vista para o mar. E nem precisava de mesa nem nada. Era só uma cadeira, pagava logo quando pedisse e ia-me embora sem chatear ninguém. Às 17h, quando já não há clientes a almoçar, não ia ser difícil, pois não? Ia, ia. No Opíparo, ia. E foi.

- Não temos mesa. Nem vamos ter tão cedo.

- Eu sei, eu sei. Mas eu só quero beber uma Coca-cola. Pago já e puxo uma cadeira para me sentar. Há imenso espaço vazio, não deve haver problema, não...

- O patrão não costuma gostar disso.

- Mas não se importa de lhe perguntar? Eu pago já...

[Aparece um homem com um ar ainda mais antipático do que o anterior]

- Lá fora não há cadeiras. Se você levar uma cadeira cá de dentro...

[Mas porque é que continua a haver empregados que insistem em tratar os clientes por você?]

- Ok, não tem problema. São duas Coca-colas com gelo e limão, então. Eu levo esta cadeira aqui.

[Cinco minutos depois, aparece o mesmo homem do ar mais antipático do que o anterior]

- Você assim não vai ser atendido!

[Você-2; Eu-0]

- Desculpe?

- Sem mesa, não pode ser servido. Não temos onde registar o seu pedido.

- Ai não posso ser servido...

[...e quando tudo se preparava para uma enorme discussão aos gritos...]

- ...então muito obrigado, boa tarde.

 

E saí. Alguma coisa me diz que não é para voltar.

Afinal, o nome até tem uma justificação: é a cara do restaurante, desde as ordens do patrão até à antipatia dos empregados. Só a vista é que é uma pena: é mesmo deslumbrante.

Uma boa opiparada para si, onde quer que esteja,

Ele

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