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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

uva do monte: um hotel diferente e longe de tudo

Se gosta de antiguidades, se adora uma velharia, se odeia deitar coisas fora, este hotel é a sua cara. Aqui o termo “vintage” é elevado a um outro nível. Decorado só com peças de mobiliário antigas, o Uva do Monte é um agro-turismo especial. Simples e original, vale a pena passar aqui um fim de semana no verão. Mas atenção: este não é um hotel de luxo. E nem os proprietários têm essa pretensão. Por isso, foram buscar os irmãos Eça Leal (responsáveis pelo hostel The Independente e pelo restaurante The Decadente em Lisboa) para lançar o conceito, inaugurado no ano passado. E o conceito é precisamente o de um hostel: despretensioso e barato.


A localização 

Comecemos pelo melhor: a excelente localização. A dois quilómetros da praia Aberta Nova, pode ir de bicicleta ou até mesmo a pé (se for um desportista, claro) para a praia. Eu, claro, prefiro ir de carro (nem que fossem 100 metros!). Basicamente é uma quinta ao lado do mar. À noite ouve os sons do campo com o barulho das ondas como pano de fundo. Tem uma piscina pequena mas bem enquadrada na paisagem campestre.

O hotel 

O hotel tem dois edifícios: o da receção que é ao mesmo tempo sala de estar e sala de refeições, onde se serve um pequeno-almoço rico e variado (cereais, mel, queijo, fiambre, tomate com azeite e orégãos, salmão fumado, Nespresso pago à parte...). No ano passado, o Uva do Monte tinha um talentoso chef residente que ali trabalhou só durante o verão e que servia jantares consoante o número de hóspedes, a sua inspiração no momento e a oferta dos mercados locais. Este ano, tem uma esplanada mas infelizmente já não serve jantares como no ano passado. Por enquanto, nesta altura do ano, tem um cozinheiro de Melides que vai lá preparar o jantar apenas ao sábado quando há clientes suficientes. 


Os quartos 

O segundo edifício (que no fundo são dois geminados) alberga os 12 quartos. Os primeiros têm uma espécie de sala de estar comum no andar de baixo, os últimos não têm sala mas têm um alpendre com uma cadeira em frente a cada quarto. E há que dizê-lo “com frontalidade”: os quartos têm tanto de originais como de desconfortáveis. Não têm ar condicionado, não têm televisão, são pequenos e rústicos demais, as camas rangem, o chão é irregular e os tapetes escasseiam. Mas são divertidos, parece que entrámos numa quinta dos anos 40 do século XX. O nosso quarto, por exemplo, situado no primeiro andar do segundo edifício, tinha umas mesinhas de cabeceira antigas cujas gavetas não abriam. O armário tinha umas portas de vidro que também não fechavam, o chão era de tal forma irregular e poeirento que, quando saía da cama, mergulhava diretamente nas minhas havaianas, estrategicamente posicionadas ao lado da cama. As cortinas das janelas, com aqueles tecidos pesados do início do século, são impróprios para alérgicos e, last but not least, a porta do nosso quarto não tinha chave!


Por tudo isto, dormir aqui um fim de semana é divertido, quase uma aventura. Mais do que isso já é masoquismo.

Boa semana,

Ela

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