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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

vale do gaio, o refúgio ideal para aproveitar este fantástico sol

Se este hotel fosse meu (e poderia ser perfeitamente porque o bom gosto impera aqui) teria outro nome. Não seria Vale do Gaio (desde que vi o filme "Pássaros" do Hitchcock, desenvolvi um medo irracional por animais com penas e asas), seria Vale Encantado. Sim, eu sei. Sou pirosa. Lá está o meu querido e impaciente marido mistério a suspirar, a encolher os ombros e a revirar os olhos. Paciência. É um facto. Quando aqui chegamos, ficamos encantados. Parece feitiço e passo a explicar. 

 

A chegada 

Chegámos por volta das oito da noite. Já estava escuro e quando saímos do carro, seguimos o rasto da voz de Caetano Veloso e da luz das velas da esplanada. Alguns hóspedes jantavam num ambiente romântico. Sentimo-nos envergonhados por interromper as conversas com o barulho do nosso trolley a ser arrastado pela gravilha. O ambiente era de tal forma tranquilo que o meu sempre atento marido mistério se sentiu na obrigação de levantar o trolley para que ninguém se apercebesse da nossa chegada. Um simpático empregado de mesa que estava a encher um copo de vinho de um dos hóspedes, viu-nos do canto do olho e veio logo ter connosco, para nos dar as boas-vindas. Acompanhou-nos à receção para fazermos o check in. E enquanto Ele e o nosso trolley entravam no edifício principal, deixei-me ficar para trás, rendida à fogueira exterior e à deslumbrante vista sobre a barragem. 

O jantar 

Fomos ao quarto despejar o trolley da vergonha e em dois minutos estávamos de volta à esplanada para aproveitar a noite, as estrelas, a vista, a bossa nova e a fogueira. O jantar, como não podia deixar de ser, estava uma delícia, ou não fosse o proprietário do hotel o dono do famoso XL, em Lisboa. Vasco Gallego tem o dom de servir o melhor da comida típica portuguesa com um requinte e um sabor especial, sempre com um enorme sorriso na cara. Já o serviço não se pode qualificar de irrepreensível. Apesar de simpáticos, os dois ou três empregados não chegavam para as encomendas, porque além de servirem às mesas, também faziam de rececionistas e de bagageiros. 

O hotel 

A sala de estar é pequena mas lindamente bem decorada, em tons de branco com deliciosos pormenores coloridos. De todos os recantos, conseguimos ver ao fundo a barragem através de uma enorme janela. Já os quartos cumprem os mínimos, são relativamente pequenos e nada luxuosos. Fazem falta alguns pormenores de decoração que transportem para os quartos o charme da varanda e da sala. Salva-se a vista que essa, sim, é cinco estrelas. Acordar de frente para a barragem com os sons do Alentejo de fundo e depois tomar o pequeno-almoço na magnífica esplanada onde jantámos na noite anterior, mas com a vista de dia, é impagável.  

Em frente à esplanada, o ex libris do hotel: um delicioso terraço a fazer lembrar o mundo pré-adolescente de Sarah Kay, por onde o tempo definitivamente não passou nem parece passar. Camas e cadeirões com mantas e almofadas floridas convidam-nos a espreguiçar à sombra, de frente para a barragem, com um bom livro e um copo de vinho como companhia. E aqui abancámos o resto do dia. Também não tivemos tempo para mais porque tínhamos a equipa de futsal à nossa espera na Comporta que, ao contrário do que inicialmente pensámos, ainda fica quase a uma hora de caminho.

Por isso partimos com uma imensa vontade de voltar com as crianças… mas no verão, porque este é claramente um hotel vocacionado para os espaços exteriores. E atividades não faltam para entreter a equipa de futsal: além da piscina, há espaço de sobra para correr e brincar.

Ciclismo, arco e flecha, tiro ao alvo, e canoagem, lá fora; cartas, gamão, damas, xadrez, matraquilhos ou setas, cá dentro. Os miúdos vão delirar. Ah, e com sorte, ainda convenço o meu querido e poupadinho (ok, sensato) marido mistério a levar toda a família num passeio de balão.

Com a promessa de um rápido regresso quando o sol decidir voltar de vez, lá nos despedimos da varanda e da vista do Vale do Gaio com o trolley no ar para não perturbar a paz do Vale do Encantamento. 

O ótimo 

O terraço e a vista sobre a barragem

O bom 

O jantar

O mau 

A estrada até ao hotel não é brilhante e tem muitas curvas  

 

Um ótimo fim de semana,

Ela

 

fotos: vale do gaio

 

 

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