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Casal Mistério

Casal Mistério

uma noite na quinta das lágrimas

18.06.14

O Casal Mistério estreia-se hoje como um dos blogs convidados do Lifecooler. Na semana dedicada a Coimbra Património Mundial, publicamos uma crítica à Quinta das Lágrimas. Vale a pena passar lá uma noite, mas já não é o que era. Aqui fica o texto, pela primeira vez e ao vivo, feito a meias pelos dois: Ele e Ela. Esperamos que gostem. 

A opinião D’Ela:

Admito. Sou uma romântica incurável. Adoro uma boa história de amor. Então se for um amor proibido com um final trágico, nem se fala. Não, não estou a falar dos óbvios Romeu e Julieta. Estou a falar da mais bonita história de amor da nossa História: a de Pedro e Inês. Qualquer português que se preze conhece-a, mas para o caso de termos a Angela Merkel a ler-nos para celebrar a vitória de segunda-feira, vou contá-la outra vez. Foi na Quinta das Lágrimas que, no século XIV, o príncipe D. Pedro e uma linda donzela galega, Inês de Castro, viveram o seu amor proibido e foi também aqui que D. Inês chorou pela última vez antes de ter sido assassinada por ordem de D. Afonso IV, pai de Pedro. Diz a lenda que ainda hoje o sangue que então derramou dá cor às pedras da fonte que nasceu das suas lágrimas.

Antes que os homens adormeçam com as minhas sofríveis aulas de História e as senhoras desidratem a chorar com este drama de amor, devo esclarecer que o meu momento José Hermano Saraiva acabou por aqui. Mas a verdade é que mal estacionámos o carro fui direta à Fonte das Lágrimas. E acreditem ou não, as pedras encarnadas estão lá. Não sei se é o som da água da fonte ou o ambiente húmido e triste dos jardins, mas sente-se no ar o cheiro a romance e a tragédia. Fechei os olhos, por momentos senti-me a própria Inês de Castro, até que regressei ao século XXI,  ao som de um “E se me ajudasses com as malas?” .

 

Os jardins

Diga-se que chegar até à fonte pode ser uma aventura. Primeiro foi preciso furar entre os casamentos, os batizados e as camisas de duplo colarinho à Jorge Gabriel que enchem a Quinta das Lágrimas aos fins de semana. Depois tivemos de descobrir o caminho entre placas azuis com letras amarelas que brilham como néons no meio das árvores do jardim.

Se for capaz de sobreviver a este filme de gosto duvidoso, então vai descobrir um dos mais bonitos jardins do País. E é aqui que passo a palavra ao meu querido Marido Mistério, um amante da Natureza que tem um David Attenborough adormecido dentro dele (por que raio os homens são fascinados pela BBC Vida Selvagem e pelo National Geographic?)

A opinião D’Ele:

(Está cheia de graça, hoje, a minha querida Mulher Mistério.) Projetado em meados do século XIX, o jardim é uma espécie de museu natural pensado para reunir exemplares de árvores de todo o Mundo. Algumas são tão raras que não existem em mais nenhum jardim de Portugal. Aqui encontra árvores de África, bambus da China e até os maiores seres vivos da Terra, as Sequóias que podem atingir até 120 metros de altura e 2000 toneladas de peso.

Mesmo em frente da Fonte das Lágrimas existe um magnífico lago com uma incrível vista para o hotel e para a cidade de Coimbra. Ao lado, foi construído um anfiteatro ao ar livre, com bancos corridos de pedra, onde se pode assistir a concertos de jazz e música clássica e ao Festival das Artes, um festival de música único que este ano decorrerá entre 18 e 29 de Julho. Tudo isto enquanto vê os jardins iluminados à sua esquerda, o hotel à sua direita e Coimbra lá ao fundo.

O hotel

Chegados a esta fase da conversa, podemos facilmente concluir que, tirando os casamentos, os batizados e as camisas à Jorge Gabriel, a Quinta das Lágrimas é um hotel perfeito, certo? Mais ou menos. Primeiro, as coisas boas. O edifício antigo foi construído no fim do século XIX depois de um incêndio ter destruído o palácio original. É aqui que se situa a biblioteca forrada a madeira, o restaurante nas arcadas da antiga capela e os quartos da ala “Palácio” onde ficaram hospedados o Duque de Wellington e D. Miguel.

Nesta zona do hotel, o chão de madeira antiga range cada vez que dá um passo e tudo tem o cheiro de um solar do século XIX. Pode beber um copo no honesty bar ou sair para o pátio interior onde sabe bem esperar pela hora do jantar calmamente à frente de um gin tónico ou de um Porto seco. Se preferir uma esplanada com vista para os jardins, tem um problema. Há as mesas do restaurante onde se serve o pequeno-almoço, mas o serviço acaba depois do almoço. Resta-lhe cruzar os dedos e contar com a boa vontade de um empregado que não se importe de lhe trazer uma bebida para ali. Connosco resultou, mas não é garantido.

O verdadeiro drama surge na parte nova do hotel, ou a ala “Spa”, como lhe chamam. Completamente diferente do palácio antigo, aqui a decoração é minimalista, com cores fortes e ângulos retos. É como sair de um hotel de charme e entrar num edifício municipal. O chão – de latão ou de ferro – está suspenso e faz eco quando é pisado, e os corredores têm aquele cheiro a piscina típico da sede dos bombeiros voluntários do seu bairro.

Para ser mais claro, não gostei. Acho que a integração entre antigo e moderno falhou, a quinta perdeu harmonia e os jardins perderam uma parte do ambiente. Na ala “Jardim” do hotel, também dispensava a decoração das paredes de alguns dos quartos. Com desenhos que estão algures entre as paisagens japonesas e as pinturas do meu filho de 8 anos e cores que vão do azul cueca ao lilás, não faz o meu género.

Resta a ala “Palácio”, que continua a ser um edifício maravilhoso com quartos fantásticos, camas antigas e um ambiente entre o castanho das madeiras e o bordeaux dos veludos.

O serviço

Primeiro aviso: este não é um cinco estrelas. Apesar de estar num palácio, com um jardim imponente e um restaurante de topo, é um hotel de charme com quatro estrelas. E é isso que deve esperar. Isso não quer dizer que tenha um serviço desleixado, porque não tem. Mas não tem os detalhes de um hotel de luxo. Os empregados são simpáticos e atenciosos, mas não estão sempre lá.

O restaurante

Com uma vista soberba para os jardins, é um restaurante com uma estrela Michelin. A decoração é clássica e sóbria e o ambiente é elegante e romântico. A cozinha é de “autor”, que é como quem diz do chef Albano Lourenço. A carta varia ao ritmo das quatro estações porque depende do que o mercado local e a horta da quinta têm disponíveis. Vale a pena lá ir, deixar-se levar pelas sugestões do chef e perder-se na imensa oferta da carta de vinhos.

 

A opinião dos dois:

Vá à Quinta das Lágrimas durante o Festival das Artes e durma uma noite nos quartos da ala “Palácio”. Confirme antes se não há casamentos marcados, depois visite o jardim durante o dia (e a Fonte das Lágrimas, claro), jante na esplanada do restaurante Arcadas e ouça um concerto de música clássica enquanto olha para Coimbra à noite. No dia seguinte, venha embora sem passar pela ala nova do hotel.

 

O bom:

O restaurante Arcadas, os quartos do palácio e os jardins

O mau:

A integração entre o palácio e a ala nova do hotel 

O péssimo:

Os casamentos com convidados de camisa à Jorge Gabriel

 

Boas férias,

Casal Mistério

 

açaí, o fruto da moda no brasil

18.06.14

“O açaí possui um baixo teor de açúcares, e o seu sabor é muitas vezes descrito como uma mistura de vinho tinto com chocolate”. Importa-se de repetir? Como é que é? “O açaí possui um baixo teor de açúcares, e o seu sabor é muitas vezes descrito como uma mistura de vinho tinto com chocolate”? A sério? Que maravilha! Quem o diz é Susanne Talcott, autora de um estudo sobre este fruto exótico e também professora auxiliar de Nutrição e Ciência da Alimentação na Universidade A&M do Texas. E quem sou eu para duvidar?

Quando li que a Victoria Beckham e a Miranda Kerr são totalmente viciadas em bagas de açaí, porque emagrecem e rejuvenescem, pus-me rapidamente em campo para tentar descobrir que fruto milagroso é este. E, minhas senhoras e meus senhores, o açaí, originário da floresta Amazónia, é quase um milagre: antioxidante, vasodilatador, anti-inflamatório, tonificante, energético, queima-gorduras, auxiliar da digestão e acelerador do metabolismo. E ainda sabe a uma mistura de vinho tinto com chocolate. Que mais posso pedir a Deus? Ah, além disso, é excelente para a memória e concentração e previne doenças, como a anemia, logo é sinónimo de longevidade! Tem aminoácidos, vitaminas A, B, C e E e ainda sais minerais como potássio, cálcio, magnésio, cobre e zinco. É usado também para fazer sumos, gelados, sobremesas, smoothies ou suplementos alimentares. No Brasil, é um enorme sucesso: toda a gente come açaí, bebe açaí ou até mistura nas receitas açaí em pó.

E em Portugal, onde é que se pode comprar? Há no Jumbo e nos supermercados El Corte Inglés.

Aqui ficam algumas dicas de receitas saudáveis de uma nutricionista brasileira do site Bolsa de Mulher para aproveitar os benefícios do açaí. O ideal seria tomar pelo menos um destes preparados uma vez ao dia:

- Bater a polpa orgânica com água de coco e um pouco de mel.
- Bater a polpa orgânica com um pequeno punhado de passas e geleia de agave (uma substância extraída de um cacto usado na tequilla e que não sobe tanto o índice de glicose no sangue como o açúcar ou o mel).
- Preparar um copo de sumo de açaí com água de coco, adicionando uma fruta que pode ser banana ou morango e uma colher de mel ou geleia de agave.
- Bater a polpa do açaí com sumo de uva integral, que traz inúmeros benefícios para a saúde e deixa um gosto mais adocicado sem precisar de açúcar.

Vamos experimentar?

Boa sorte para nós,

Ela

kampai, um restaurante de sushi com peixe fresco dos açores

17.06.14

Ir a um restaurante japonês já é bom. Ir a um restaurante japonês com um chef que trabalhou no Aya é melhor. E então ir a um restaurante japonês com um chef que trabalhou no Aya e que tem peixe fresco que vem dos Açores, oh, meus amigos, já estou agarrado ao telefone a chamar um táxi. Eu vou só dar-lhes três pequenas pistas sobre aquilo de que estamos a falar: lula gigante dos Açores, atum gordo dos Açores e lírio delicioso dos Açores. (Eu gosto de repetir a palavra Açores para tudo ficar bem claro)

E onde é que encontra isto? Em São Miguel? Na Terceira? No Faial? Nada disso. Em Lisboa, no Kampai. Tem esse ligeiro inconveniente de ficar mesmo ao lado da Assembleia da República. Mas se conseguirmos evitar encontrar o Manuel Alegre a declamar poesia ou o Miguel Relvas, de avental à cintura, num encontro da maçonaria, não temos mais nada a temer.

A ementa 

O peixe

Começámos com uma pequena discussão: Ela queria sashimi de salmão, eu queria peixe dos Açores; Ela queria o de sempre, eu queria aquilo que torna o Kampai um restaurante especial. Salmão importado da Noruega há em qualquer restaurante japonês, sashimi de peixe fresco vindo directamente dos Açores só há aqui. É claro que a força da argumentação ganhou à argumentação da força. Ela ficou convencida, eu fiquei com um atum maravilhoso.

No Kampai, tem duas fantásticas hipóteses de sashimi: o toro e o chu toro. O toro é a melhor parte do atum, a que fica na barriga e que tem mais gordura. É, de longe, o sashimi mais saboroso e, no Japão, pode valer milhares de dólares o quilo. No Kampai uma dose de sashimi de toro de um atum dos Açores custa 30 euros. Não são os milhares de dólares do Japão, mas também não é barato. Por isso, optámos pelo sashimi de chu toro, uma zona intermédia, menos gordurosa do que o toro mas muito mais saborosa do que o atum habitual. É um bom compromisso qualidade/preço. No Kampai uma dose, que chega perfeitamente para duas pessoas, custa 18 euros.

É claro que, depois de ter experimentado esta pequena maravilha da natureza, Ela já tinha desistido do salmão. Passámos então para um sashimi de lírio, outro peixe difícil de encontrar em Portugal Continental. Não é um atum açoriano, mas é muitíssimo bom também.

Feitas as entradas, foi a vez dos pratos mais elaborados. E num japonês, com um calor destes, um prato elaborado é um tataki. O aji tataki é feito com alho francês e um delicioso chicharro. Tem um nome estranho mas é apenas um carapau açoriano.

Antes do fim, ainda provámos a lula gigante (também típica das ilhas) e as vieiras salteadas (a única excepção não açoriana da noite): salteadas com manteiga, molho mirin (uma espécie de vinho de arroz que é doce), cogumelos e legumes, são imperdíveis. 

Para acabar saltámos directamente para os cafés. Mas foi com alguma pena minha que não experimentei o gelado de chá verde (dos Açores) e a Tarte de Maracujá (vale a pena dizer de onde?).

 

Os vinhos

É claro que, na ementa, não podiam faltar os vinhos dos Açores. E não comece já a torcer o nariz por não estarmos a falar do Douro. Além do famoso verdelho da ilha do Pico (o vinho licoroso que, no século XVIII, exportava quase toda a sua produção para a corte dos czares da Rússia), os Açores têm óptimos brancos. Nós pedimos uma garrafa de Frei Gigante, um fantástico vinho, também do Pico, que já ganhou vários prémios internacionais e que foi classificado com um brilhante 16 pela Revista de Vinhos.

 

O couvert

Desta vez ficou para o fim porque simplesmente não consta: nem ocidental nem oriental, nem açoriano nem japonês. E faz falta ter alguma coisa para entreter enquanto se espera pelo pedido.

O serviço 

Quase toda a ementa foi escolhida pelo empregado. Dissemos apenas que queríamos peixe dos Açores, explicámos o que não gostávamos e pedimos sugestões. Ele fez o resto. E muito bem feito. Hoje em dia é mais difícil encontrar um empregdo assim do que um salmão a nadar no rio Tejo.

O ambiente 

Pequeno detalhe ligeiramente desagradável: o autoclismo da casa-de-banho não funcionava. Não foi dramático, porque os empregados iam lá despejar água mas, num restaurante, não é uma falha muito aconselhável.

De resto, a decoração não incomoda, mas também não encanta. Os quadros dentro de escotilhas de barcos são de gosto duvidoso e os desenhos de navios pesqueiros na parede são de estilo um bocadinho piroso. No entanto, os clientes são civilizados, as cores discretas, o ruído reduzido e o restaurante uma excelente escolha de Verão. Afinal de contas, em dias de calor como este, que mais é que se podia pedir além de peixe fresco muitíssimo bem cozinhado?

 

O bom 

O vinho

O mau 

A decoração

O óptimo 

O peixe dos Açores

 

Um abraço para todos os açorianos, onde quer que eles estejam,

Ele

4 formas de fazer esquecer os 4 golos da alemanha

16.06.14

Perdemos. De uma forma quatro vezes pior do que tínhamos imaginado. É mau. Mas não é o fim. Há sempre uma maneira de reagir a uma derrota como esta. Ou, neste caso, quatro maneiras – que, como não podia deixar de ser, são quatro cocktails extravagantes. Veja qual o cocktail que melhor se adapta a si e prepare-se para o próximo jogo.

Margarita de meloa (não tem nada a ver com grande melão)

Muita atenção: não estamos a falar de melão para evitar as graçolas idiotas com a derrota desta noite. É meloa cantaloupe – e é uma boa forma de afogar as mágoas. Além da meloa, esta margarita leva licor de laranja, sumo de lima, sal e tequilla. Veja a receita completa aqui.

 

Margarita de mirtilo assado e manjericão (escura como o luto)

Estamos de luto depois de uma derrota como esta. E por isso queremos uma margarita escura como o nosso estado de espírito. Mirtilos, manjericão, lima, tequilla, sal e Grand Marnier. A receita completa está aqui.

 

Margarita de agave (light para desintoxicar)

Depois de uma tarde como esta, não queremos açúcar, queremos uma bebida light para limpar o corpo e a alma. Esta margarita trendy leva sal, lima, tequilla e xarope de agave. Quer os detalhes da receita? Vá aqui.

 

Margarita de chá verde (para dar novas energias)

Não desanime, homem (e mulher também)! Um jogo não é um Mundial. Recupere as forças com esta margarita de chá verde. Leva apenas tequilla, licor de chá verde, Triple Sec e sumo de lima. Para saber a receita vá aqui.

 

Agora anime-se, guarde a bandeira e espere calmamente por domingo. Vamos comer os americanos com ketchup e mostarda.

 

Uma boa reviravolta para si onde quer que esteja,

Ele

 

ambrósio, apetece-me algo... XI

14.06.14

Com este calor e em permanente dieta, que tal uma limonada estupidamente gelada com um detalhe que faz toda a diferença: com umas folhas de manjericão?

Se quiser saber todos os detalhes desta receita, clique aqui.

Bom fim de tarde,

Ela

uma viagem diferente pelo rio de janeiro

13.06.14

É o melhor retrato do Brasil. Dois meses antes do início do Mundial, os fotógrafos italianos Edoardo Delille e Gabriele Galimberti percorreram o Rio de Janeiro à procura das fotografias que melhor representam o País. As imagens foram tiradas em estúdio, na rua ou através de uma câmara de alta definição que subiu a mais de 30 metros de altitude. O resultado é uma magnífica série de imagens que vão dos banhos de sol na praia às águas de côco no calçadão. E nas quais há três coisas sempre presentes: feijão, praia e futebol. Ah, também há muitos Carochas. Ou Fuscas, como preferir. 

Um bom Mundial para si onde quer que esteja,

Ele

 

o melhor sítio para comprar sardinhas em lisboa

13.06.14

São as marchas populares a sair à rua e eu a entrar em casa. Para mim o Santo António é como o perú de Natal: morre de véspera. Não é que não goste de festa. Mas, se tivemos arraiais durante toda esta semana, porque é que haveríamos de escolher logo o dia com mais gente?

Posto isto, foi preciso encontrar uma solução alternativa para quatro bocas insaciáveis a salivar por sardinhas, saladas de pimentos, churros, farturas e outras comidas suficientemente calóricas para fazer sorrir o Fernando Mendes e o José Carlos Malato à mesma mesa. E a solução foi um arraial caseiro: com churrasco, com sardinhas, com salada, com orégãos, com pimentos, com sangria, com cerejas e com tudo a que temos direito. Hoje vou falar das sardinhas; quando Portugal entrar em campo falamos da sangria, que é um óptimo acompanhamento para o jogo da selecção.

 

um cocktail de gin para ver a abertura do mundial

12.06.14

Uma sessão de abertura do Mundial merece uma bebida especial. E uma bebida especial merece um pouco de gin. E um pouco de gin merece um cocktail com uma história engraçada.

O Gin-Gin Mule é uma adaptação do Moscow Mule (exacto, a Mula de Moscovo), um famoso cocktail criado no início dos anos 40 por um barman americano que recebeu do patrão um enorme carregamento de garrafas de vodka Smirnoff. O dono do bar tinha-se tornado representante da marca de vodka nos Estados Unidos, mas a bebida não tinha qualquer saída entre os clientes. O barman pensou então na melhor maneira de impingir a vodka. Desceu à cave e encontrou várias paletes de ginger beer, uma espécie de ginger ale fermentado mas sem álcool que também tinha sido encomendado em excesso pelo patrão. Juntou as duas bebidas com sumo de lima e serviu o cocktail com gelo numa caneca de cobre com um ar engraçado (a namorada do patrão tinha uma empresa de produtos de cobre e arranjou-lhe as canecas a preços reduzidos).

Estava inventado o Moscow Mule, um cocktail criado a partir das sobras. Ou como explicou o barman de uma forma sincera: "Eu só queria arrumar a cave". O cocktail tornou-se um pouco mais sofisticado quando a vodka foi substituída pelo gin e se juntaram algumas folhas de hortelã. É o Gin-Gin Mule e o The Sunday Table tem esta receita fantástica com muita hortelã (basta olhar para as fotos e confirmar). Hoje, antes de se sentar à frente da televisão para ver o Brasil-Croácia, faça o que lhe digo: esmague as folhas de hortelã num almofariz com 30 ml de ginger beer durante um minuto; junte o sumo de lima, o gin e duas pedras de gelo e agite no shaker durante 30 segundos; passe por um passador para um copo com mais duas pedras de gelo e por cima deite o resto da ginger beer.

Já está. Sente-se à frente da televisão e divirta-se: o Mundial vai começar.

 

Ingredientes 

120 ml de ginger beer (se não encontrar, há à venda na Glood)

60 ml de gin

60 ml de sumo de lima (cerca de 2 limas)

25 folhas de hortelã

4 cubos de gelo

 

Bom jogo para si onde quer que esteja,

Ele

a quinta do miguel na aldeia do meco

11.06.14

Com o bom tempo finalmente a aparecer apetece aproveitar todos os minutos do fim de semana, especialmente se for alargado como este (pelo menos para nós que vivemos em Lisboa). Ir para fora mas não para muito longe para não perder tempo com o caminho. Foi o que fizemos recentemente. Metemo-nos no carro, atravessámos a ponte e meia hora depois estávamos a chegar. Onde? À maravilhosa aldeia do Meco. Raramente vamos para estas praias (excelentes apesar do mar ser um bocado agreste) e quisemos experimentar uns dias diferentes num cenário diferente. E como gostamos de coisas diferentes, escolhemos um hotel diferente: uma quinta. A quinta do Miguel. Chegámos ao portão graças ao nosso GPS que ainda fez questão de nos levar por um ou dois descampados de terra batida que desembocavam em zonas desertas. O portão, cinzento e moderno, parecia de uma casa particular. Tocámos. O portão abriu-se qual "Abre-te Sésamo!" para descobrirmos uma quinta impecavelmente caiada com um jardim muito bem arranjado. Parecia que tínhamos chegado à nossa casa de férias, não a um hotel. O dono estava na varanda da sala à conversa com um casal. Ficámos na dúvida se era um casal amigo ou um casal de hóspedes, tal a simpatia e o à-vontade do anfitrião. Esta varanda, no fundo, funciona como entrada para a receção que se situa no edifício principal que, por sua vez, alberga a casa dos proprietários.

A quinta tem cinco suites: dois studios, duas villas (uma delas com mezzanine) e um loft. Nós optámos por um studio. Uma funcionária levou-nos até ao quarto que também se situa no piso térreo do edifício principal e que me conquistou ao primeiro olhar. Branco mais branco não há mesmo. Paredes, teto, chão, cozinha, casa de banho, cama, édredons, toalhas, tudo é branco. Por isso, fiquei encantada. E ainda há alguns detalhes maravilhosos: as mesas de cabeceira são troncos de árvores e os rádios nos quartos são imitações de rádios antigos (mas dá para ligar o iPod e tudo). Adoro. Aqui reinam a simplicidade e o bom gosto, tanto no quarto, como no pequeno closet, na kitchenette e na enorme casa de banho, que dá para um pequeno jardim, com uma mesa, duas cadeiras e um cadeirão. Arrumámos as coisas e fomos jantar fora, porque a Quinta do Miguel não serve refeições (o que é uma pena). Não arriscámos e fomos ao Bar do Peixe, na praia do Meco, que já conhecíamos. No dia seguinte, depois de uma noite muito bem dormida numa cama e édredon cinco estrelas, acordámos com o som dos passos de um dos empregados a deixar-nos o pequeno-almoço à porta do quarto.

O pequeno-almoço vem numa caixa de madeira fechada d' A Vida Portuguesa que nós abrimos, cheios de curiosidade, quais crianças a abrir uma caixinha de surpresas, acompanhada de duas garrafas de vidro: uma de leite e outra com sumo de laranja natural. Dentro da caixa encontrámos duas carcaças (podia ser melhor!) e quatro variedades de pãezinhos em mini sacos reciclados, queijo fatiado embrulhado, uma compota, saquinhos de chá e dois bolinhos. É agradável, cumpre os mínimos, mas não deslumbra. Tomámos o pequeno-almoço no nosso jardim privado ao mesmo tempo que os nossos vizinhos do studio do lado. Os jardins são simpáticos mas têm pouca privacidade (são separados por uns buxos baixinhos), por isso, tivemos alguns momentos constrangedores de partilha de olhares e sussurros para não nos sentirmos a mais, mas aquilo parecia um pequeno-almoço a quatro.

Depois do pequeno-almoço, decidimos pegar nos nossos livros e aproveitar os 12 mil metros quadrados de jardim (que até pavões tem por ali a passear) e a piscina (linda, toda revestida a mosaico preto, rodeada por um carreiro de pedrinhas). Escolhemos duas camas super confortáveis, forradas com tecidos de puffs que eu amei. Fiquei de tal maneira fã que me agarrei ao telemóvel à procura do site para tentar comprar umas iguais cá para casa. Ainda tentei convencer o meu querido Marido Mistério mas, mal ele olhou para os preços, dirigiu-me aquele olhar de censura e encerrou o assunto com um "Tem juízo!". Desliguei o telemóvel e regressei ao meu livro, ligeiramente amuada. O que vale é que os meus amuos duram entre 10 e 20 segundos.

A paz e a tranquilidade do jardim, com o som da água da piscina a correr, embalaram-nos durante toda a manhã. Ao fundo, escondido entre duas árvores, há ainda um jacuzzi exterior com água aquecida, durante o ano todo. Como nunca fui muito fã de jacuzzis, aproveitei sobretudo a piscina. Foi a custo que nos levantámos para ir para a praia. Foi difícil sair deste pequeno paraíso. Lá nos arrastámos até ao carro, mas com a promessa de voltar o mais rapidamente possível.

O bom

O quarto 

O mau

Não servem refeições

O ótimo

As camas da piscina

 

Bom fim de semana comprido,

Ela 

os melhores cartazes para o mundial

11.06.14

Se Paulo Portas fez um relógio com a contagem decrescente para a saída da troika do País, eu coloquei cá em casa um relógio com o countdown para o início do Mundial. Nestes dias, têm de me desculpar mas haverá mais bola do que é costume. Às vezes com um gin tónico e uns petiscos a acompanhar, outras vezes pura. Como acontece hoje.

Esta ideia maravilhosa dos designers italianos Edoardo Santamato e Benedetto Papi, que Ela descobriu através do Mashable, merece um post só para si. É a adaptação de alguns dos cartazes mais famosos da história do cinema às selecções que participam no mundial de futebol. Portugal teve direito a um magnífico trabalho por cima do poster de Pulp Fiction. Mas também há os cartazes do ET, do Rei Leão ou do 007. É ver e deliciar-se. 

Estados Unidos, ET 

 

 

Itália, 300

 

 

Brasil, Kill Bill

 

 

Japão, Godzilla

 

 

Inglaterra, 007 Skyfall

 

 

Gana, Rei Leão

 

 

Espanha, Rambo

 

 

Argentina, Laranja Mecânica

 

Um bom Mundial para si, onde quer que esteja,

Ele

 

os dois melhores arraiais de lisboa

10.06.14

Lisboeta que se preze sai à rua esta semana. Para uma “jola”, uma sardinha, um pão com chouriço, um manjerico, um bailarico, uns empurrões, filas intermináveis e um bom banho de multidão. Desde que se vá embuído do espírito popular e de uma paciência de santo, a diversão é garantida. E quais os arraiais que não vamos perder? Já que não conseguimos ir a todos, há dois obrigatórios: o da Vila Berta e o da Bica.

A Vila Berta, uma histórica vila operária, na Graça, regressou em grande às Festas de Lisboa em 2010, e de ano para ano tem vindo a conquistar fãs. De 9 a 15 de junho, os moradores, amigos e vizinhos decoram o bairro e convidam ao bailarico pela noite dentro, com sardinhas na brasa, bifanas e petiscos, imperiais fresquinhas, rifas, manjericos, luzes, grinaldas, lanternas, canteiros arranjadinhos, bares, mesas e cadeiras, chuva de balões e velas acesas no altar do Santo António. No ano passado, até uma carrinha de gelados Santini (a famosa Vantini) tinha! Este ano, já lá está estacionada! O dia de hoje e o último dia (15 de junho) são dedicados às crianças, com animação e jogos alusivos à quadra, desde o meio-dia até à meia-noite. Além disso, este ano o arraial tem um cariz solidário: leve uma embalagem de arroz ou outro artigo alimentar e deixe no posto de recolha da Junta de Freguesia localizado na entrada do bairro. 

A Bica é o arraial verdadeiramente vertical, no sobe-e-desce do percurso do elevador, entre a tradição bairrista e o ritmo dos bares quase sobre carris que fazem as noites de um dos bairros mais animados da capital. Com o Bairro Alto logo ali, a Bica é um corrupio de sardinhas, febras, baile e a festa que se faz dentro e fora de portas de cada espaço. Vê-se de tudo: atores de novelas da TVI e artistas intelectualóides tentam passar despercebidos no meio dos populares, músicos de jazz deixam-se embalar pelos acordes do bailarico, onde mulher dança com mulher e homem com homem, numa tradição que ultrapassa todas as recentes lutas embandeiradas pelas cores do arco-íris. Há festa durante todo o mês e também aqui é impossível não se deixar contagiar pelo ambiente e pela animação.


Do que é que está à espera? Venha daí, deixe a preguiça em casa e saia à rua. Venha divertir-se a sério. De preferência antes de quinta-feira, que aí é a loucura.

E vivam os Santos Populares, 

Ela

o que é que o astória, os gin lovers e a próxima sexta-feira 13 têm em comum?

10.06.14

A próxima sexta é sexta-feira, 13. Ui! Que medo, dia do azar? Que ideia. Dia de sorte, sobretudo para quem vive no Porto e arredores. Porquê? Porque o restaurante Astória, localizado em pleno centro histórico no lindíssimo Palácio das Cardosas, teve a brilhante ideia de fazer um jantar de terror. Não, estou a brincar. Não é nada disso. O Astória vai receber o primeiro jantar oficial totalmente harmonizado com gin. Um evento único que celebra o melhor da gastronomia e do gin, num dueto que promete uma experiência surpreendente (se conseguir chegar sóbrio à sobremesa), promovido em parceria com os reconhecidos Gin Lovers.

O programa das festas começa com um welcome drink – um gin tónico com a assinatura dos Gin Lovers servido na esplanada do restaurante Astória, com uma vista privilegiada sobre a Avenida dos Aliados e a animada baixa do Porto. De seguida, a sala de jantar do Astória abre as portas para o momento mais aguardado da noite.

O menu, desenvolvido especialmente para este jantar, inclui quatro pratos que serão acompanhados com quatro cocktails à base de marcas premium de gin. Em cada momento, será dada uma explicação sobre a receita e a combinação de sabores da comida e do gin (OK, esta parte dispensamos, não há nada pior do que termos o prato à nossa frente, doidos para atacarmos e estarmos meia hora a ouvir explicações de empregados a usar termos caros e técnicos como harmonizado, frutado, florado e todas as maçadas acabadas em "ado"). No final do jantar, se ainda conseguir caminhar pelo seu próprio pé, pode passar pelo Bar das Cardosas onde, todas as sextas-feiras, decorre uma sessão de gin & jazz (gin gosto muito, jazz só o meu querido Marido Mistério). Mas depois de um jantar destes, sou bem capaz de dançar ao som de jazz como se estivesse a ouvir o Wrecking Ball, da Miley Cyrus.

Menu jantar & gin by Astória e Gin Lovers

Welcome drink

4 pratos e 4 cocktails à base de gin

Preço por pessoa: 60

Horário: 20h30

Local: Restaurante Astória, Praça da Liberdade (Porto)

Contactos para reservas:

restaurante.astoria@ihg.com ou 22 003 56 00

 

Eu sei que não é barato, mas tendo em conta o luxo do restaurante, a variedade dos pratos do menu e a quantidade de gins...

Boa semana,

Ela

o genial hino da selecção feito pela rádio comercial

09.06.14

Era tudo o que faltava para animar um país que se agarrou ao joelho mal soube que Ronaldo tinha uma tendinose rotuliana (não havia mesmo problema físico com um nome mais sinistro, pois não?). Vasco Palmeirim escreveu alguns dos melhores versos sobre a selecção desde que o Esteves cantou "Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal". Ricardo Araújo Pereira cantou, Nuno Markl deslumbrou e toda a equipa da Rádio Comercial gravou a música mais genial dos últimos tempos.

Quem mais é que seria capaz de escrever um verso como este:

O país não tem receio/

tem um míster com risca ao meio./

Quem vai dar tudo por tudo/

é o médio mais barbudo./

A selecção tem o melhor ambiente/

tira selfies com o Presidente.

Ou este:

Um só objectivo/

não queremos brincadeira/

Vamos limpar tudo/

depilação à brasileira./

Estados Unidos, Gana e Alemanha/

Até os comemos com feijão e picanha.

Ou ainda este:

Não ligamos a novelas/

Não vamos em carnavais/

Não dançamos o samba/

Não queremos ver fios dentais.

 

Eu sei que não é nenhuma sugestão culinária nem o próximo destino de sonho. Mas, como falava de feijão e picanha, achei que valia a pena partilhar. Ouça, cante e embrulhe-se na bandeira: o Mundial começa já na quinta-feira.

 

 

Boa sorte ao médio mais barbudo e ao míster de risca ao meio, onde quer que eles estejam,

Ele

uma loja cool com a melhor comida dos açores

09.06.14

O espaço 

É uma loja. Mas também é um cabeleireiro. E um oculista. E uma chocolataria. E uma galeria de arte. E um café. E uma mercearia açoriana. E também, mais ou menos, uma micro-sala de concertos. No fundo, a Chiado Factory é uma das melhores novidades de Lisboa. Pode parecer-lhe confuso, mas não é. Inaugurada em Janeiro, é um espaço para ir e ver. Não é um sítio onde se vá só para comprar. Porque aqui sabe bem passear, ver a decoração e inspirar-se.

A Chiado Factory é uma concept store, um local onde encontra várias marcas e vários serviços. Não é tão grande como a Embaixada, no Príncipe Real, mas é muito mais agradável do que a Embaixada. São dois andares de um prédio antigo em pleno Chiado, com muita luz natural e uma decoração maravilhosas.

Desde uma caixa registadora antiga, igual à que existe nos Pastéis de Belém, até uma garrafeira que parece um cofre, passando por velhas máquinas de costura Singer, televisões e rádios, aqui encontra as mais fascinantes peças vintage. Estão lá a decorar o espaço, mas também estão à venda. Ao lado de tudo isto, há também modernas peças de design, quadros nas paredes, roupas para miúdos e adultos, chocolates, rebuçados e, às vezes, um saxofonista a tocar música. É um sítio cool e agradável.

As marcas 

O espaço está dividido em várias zonas. Não há portas nem divisões, há cantos: o canto da Bubbles & Company, onde encontra roupa para mulher; o canto da Maria Bolacha, onde encontra roupa para crianças até aos 10 anos; o canto da FIV, onde encontra óculos a óptimos preços; o canto da House & Gifts, onde encontra objectos de decoração; e outros cantos com roupa, acessórios, serviços e até sabonetes decorativos e 100% artesanais.

Depois, há o canto do MI Vintage Hair Styling, um cabeleireiro integrado no meio da concept store, com cadeiras antigas e que se especializou em penteados, cortes de cabelo e maquilhagem estilo vintage.

Se não quiser sair daqui com o cabelo da Audrey Hepburn, tem sempre a hipótese da comida (como é que podia haver tanto entusiasmo da nossa parte se não houvesse comida?). E há várias opções: a Chocolatier aluga fontes de chocolate e vende bombons, a Origem tem comida biológica e saudável e a Nostri Gusti é, para mim, um caso à parte. Não se trata de comida italiana nem de pizzas napolitanas. Eu sei que o nome é um pouco descabido, mas neste canto pode comprar os mais genuínos produtos dos Açores.

A marca está na Chiado Factory desde Abril e tem algumas das maravilhas mais desconhecidas do arquipélago: a manteiga do Pico, os queijos da Graciosa, o chá de São Miguel e depois os vinhos, os licores, as compotas, o bolo lêvedo e as divinais morcelas. Tudo aqui é especial. Seja por causa das vacas que ainda pastam nos campos verdes das ilhas, e que dão um leite e uma manteiga únicos, seja por causa da agricultura semi-artesanal, a verdade é que os produtos dos Açores têm um sabor diferente. Mesmo em relação ao queijo de São Jorge, que já se industrializou, é possível encontrar marcas bastante melhores e mais artesanais do que outras.

Vale a pena passar por lá e ver o que há. Eu aconselho especialmente o vinho verdelho do Pico, que é um óptimo aperitivo, as deliciosas morcelas da Ribeira Grande, em São Miguel, o chá da Gorreana e o queijo da Graciosa. 

E agora já chega: vou comer a minha morcela com grelos salteados. Depois partilho a receita.

 

Cadês (ou adeus para os do continente) para si especialmente se estiver nas ilhas,

Ele

spaghetti de ovas (um prato para fazer em 15 minutos e só com dois tachos)

08.06.14

Drama! Houve uma revolta cá em casa. A menos de uma semana do início do Mundial, a equipa de futsal juntou-se numa manif pré-violenta para exigir comida. Estamos quase no Verão e os quatro agitadores querem ovas. Exactamente: não exigiram rebuçados, não exigiram gelados, exigiram ovas. E, sorte a nossa, foram ovas de pescada e não ovas de estorjão. Perante o perigo de ser deposto de cozinheiro da casa, dirigi-me vertiginosamente até à peixaria do bairro e voltei com dez magníficas e consistentes ovas. E desta vez resolvi variar: em vez de mais uma salada de ovas, decidi fazer um spaghetti de ovas: é rápido, é fácil e não suja muita loiça.

Primeiro, preparei as ovas. Cortei-lhes a pele e retirei o interior com uma colher de sopa para uma taça. Depois, cozi mal o spaghetti. Ainda um pouco duro, retirei-o da panela e passei-o durante uns minutos por água fria para tirar a goma. A seguir, cortei dez dentes de alho bem fininhos e deixei-os alourar numa verdadeira piscina de azeite dentro de um wok. Coloquei lá dentro sal, pimenta e o spaghetti. Envolvi a massa com o molho e, quando estava quente, desliguei o lume. Guardei o spaghetti na panela em que foi cozido e deitei mais um pouco de azeite para dentro do wok com uma parte do alho. Despejei as ovas para o wok e espalhei-as para fritarem. Quando estavam mal passadas, juntei o spaghetti ainda quente e uns cinco ramos de salsa picada. Misturei tudo no wok e chamei a turba por um megafone. Quinze minutos e duas panelas depois, estava feito o spaghetti de ovas. Espero que não haja mais manifestações contra o cozinheiro nas próximas semanas.

 

Ingredientes 

400 g de spaghetti

10 ovas de pescada

10 dentes de alho

5 raminhos de salsa

Azeite

Sal 

Pimenta

 

Um bom Verão para si onde quer que esteja,

Ele