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Casal Mistério

Casal Mistério

gostamos de...

08.06.14

...pão de passas e nozes, quanto mais escuro melhor.

 

não gostamos de...

08.06.14

...carcaças ou papo-secos. Como o próprio nome indica, são muito secos e sem graça.


 

as mais incríveis e surpreendentes casas nas árvores

07.06.14

Esqueça as rudimentares casas nas árvores da nossa infância. Estas maravilhosas suítes ao ar livre na reserva Lion Sands Game, em pleno coração da África do Sul, oferecem aos hóspedes mais corajosos uma experiência única: dormir sob as estrelas mas sobre os mais variados e perigosos animais selvagens. É tentador: jantares regados a champanhe, uma vista de sonho de 360 graus, massagens relaxantes depois dos safaris, duches ao ar livre, mas com… leões ameaçadores a rugir por baixo de si.

A casa na árvore da foto em cima chama-se Chalkley, em homenagem ao fundador desta reserva, Guy Audrey Chalkley. Foi a primeira a ser construída, há 60 anos, para ser uma plataforma onde os fotógrafos podiam apanhar o melhor ângulo da savana africana. Mas com o tempo, ganhou uma cama para duas pessoas, um lavatório, garrafas com água a ferver, mesas, cadeiras e outros luxos. Seguiram-se mais duas "treehouses". Mal chegam ao quarto, os hóspedes destas casas sem teto nem paredes são convidados a encherem-se de repelente de insetos, a acenderem as tochas que decoram a suíte e a ligarem uns walkie talkies (deve ser para estarem sempre contactáveis, que medo!) enquanto leões, tigres e hienas caçam as suas presas mesmo ali em baixo.

Guy Aubrey Chalkey costumava dizer à sua neta quando dormiam ao relento sob a imensidão de estrelas: "Nunca receies o rugir de um leão. Quando não o ouvires, é que deves ter razão para te preocupares". Por isso, uma noite descansada tem de ter obrigatoriamente uma banda sonora de fundo. O amanhecer no rio Sabie, mesmo ali ao lado, é imperdível e o fim de tarde aqui é naturalmente inesquecível. O mais provável é aparecer-lhe uma manada de elefantes ou um grupo de girafas para beber consigo um copo enquanto assistem ao mítico pôr-do-sol africano. Pode obviamente pedir para lhe servirem o jantar no quarto, mas depois, fica por sua conta e risco. Mas não se preocupe, porque tem walkie talkies para qualquer emergência (Deus me livre!).

Quem arriscava uma aventura destas? Sinceramente, não sei se teria coragem!

Bom fim de semana,

Ela

o melhor filme sobre comida (para ver este fim-de-semana)

07.06.14

Olhe bem para esta fotografia: é impressionante, não é? O tostado por fora, o mal passado por dentro, o tamanho, a consistência, o cheiro... Se calhar, cheiro através de fotografia é capaz de ser algum exagero, mas apetece trincar o computador e devorar o ecrã, não apetece? Foi isso que eu senti quando ontem me sentei na sala de cinema para ver O Chef. Não é que seja o novo E Tudo o Vento Levou. Não é. É simplesmente o melhor filme sobre comida desde Ratatouille. E isso, para mim, é quase tão bom como sentar-me à mesa do Tromba Rija com um estômago insuflável.

Muitíssimo bem filmado, O Chef é um filme divertido, com um óptimo elenco (Jon Favreau, Dustin Hoffman, Scarlett Johansson, Sofia Vergara, Robert Downey Jr.) e uma história engraçada. Mas isso é o habitual. O que distingue este filme dos outros é a comida. E o cuidado com que ela é tratada aqui. Desde Favreau a escolher os alimentos no mercado, a cortar os legumes, a preparar a carne, a cozinhar um spaghetti com alho e salsa, a arranjar um prato, a virar cuidadosamente uma tosta, tudo aqui é saboroso. Os planos da câmara são aproximados, os sons são maravilhosos, as luzes são perfeitas. Ouvir o actor a passar uma faca com manteiga por cima de uma tosta e depois trincar delicadamente o pão com o som do estaladiço a ser esmagado pelos dentes é uma experiência única. São 115 minutos de "foodporn": alimentos fantásticos a serem cozinhados de uma forma única.

Jon Favreau é um fanático por comida e cozinha. Está agora até a construir um forno para pizzas em casa. Por isso, deu atenção a todos os detalhes gastronómicos neste filme que ele próprio escreveu, realizou e protagonizou. Para o aconselhar durante as filmagens, contratou um chef profissional, Roy Choi, um dos mais famosos cozinheiros dos Estados Unidos. Choi fez apenas uma exigência: a cozinha que aparecesse no filme tinha de ter todos os pormenores de uma cozinha de restaurante.

A partir daqui, tudo é uma reprodução milimétrica de um ambiente gastronómico, saboroso e delicioso. Começando por aquele naco de carne que está no início deste post e que aparece no filme. Chama-se brisket e é uma parte da vaca próxima do peito que só é cortada assim nos Estados Unidos. Está envolvida em músculo, por isso precisa de ser cozinhada com muito cuidado. No Texas, o brisket é fumado num forno a lenha com os fumos da madeira e do carvão durante 10 a 14 horas. O resultado é uma carne que se desfaz na boca.

Não aguento mais: das duas uma, ou vou para a mesa ou volto para o cinema.

 

Um bom filme para si onde quer que esteja,

Ele 

1300 taberna: boa comida, óptimo ambiente, fabulosa decoração

06.06.14

Estou aqui parado há meia hora à frente do ecrã vazio sem saber muito bem como explicar isto. Tenho um problema e gostava de o partilhar consigo. Vou desfazer o mistério (do restaurante, claro, não do Casal...): adorei o 1300 Taberna, mas há um "pormenor" que me ficou atravessado. Por isso, despacho agora o "pormenor" e depois passo aos elogios já sem hesitações.

Acho a descrição da ementa de algum mau gosto. Começar todos os pratos de bolo de chocolate com "O Eusébio gosta de..." e depois acrescentar o que acompanha o bolo de chocolate – como, por exemplo, "O Eusébio gosta de vinho do Porto" para bolo de chocolate com sorvete de vinho do Porto – parece-me ligeiramente racista. Eu sei que tudo isto começou há muitos anos quando os senhores da Taberna resolveram chamar Eusébio ao seu bolo de chocolate original e depois foi evoluindo para isto. Mas esse começo parece-me logo um pouco a atirar para uma Mário-Machadisse. Longe de mim querer ser politicamente correcto, mas não consegui evitar algum desconforto ao ler esta analogia entre o Eusébio e o chocolate. Se gostam muito de futebol, chamem Jorge Jesus ou Pinto da Costa ao bolo. Mas deixem lá o Eusébio em paz. Adiante. Está feito o desabafo. Agora vamos à crítica. E aos elogios.

O ambiente 

Cadeiras com diferentes cores e feitios, mesas de vários tipos de ferro e madeira rústica, candeeiros com colheres de sopa penduradas no tecto, dezenas de relógios gigantes a encher as paredes, peças de decoração em ferro forjado, velas a transbordar cera, lustres, candelabros, castiçais, velharias. Chegámos a um ferro velho? A um armazém abandonado? Não. Chegámos a um dos restaurantes mais modernos e bem decorados do país. Num enorme armazém com um pé direito onde cabem oito Brunos Nogueiras às cavalitas uns dos outros, o 1300 Taberna mistura de forma perfeita o rústico e o moderno, as peças compradas na Feira da Ladra com os objectos de design. O resultado é um espaço cheio de cor e vida, estilo e experimentalismo, ao nível dos mais modernos restaurantes da Europa. E não, não é exagero, é mesmo dos mais bonitos em que já estive.

Então não tem defeitos? Talvez um ou dois. Especialmente para homens com corpo de Cristiano Ronaldo e cabeça de Manoel de Oliveira, como eu: a porta da entrada, em vidro, provoca correntes de ar que atacam as cruzes. Se, por sorte, você tiver menos de 90 anos, então o espaço é perfeito.

O serviço 

Há o serviço de comida – simpático, rápido, atencioso e com capacidade para ouvir, sempre com um sorriso, as 52 perguntas que Ela faz antes de escolher um prato. E há o serviço de vinho – e nesse caso, ouvimos a resposta mais surreal da noite:

- Entre estes dois vinhos, qual é que me aconselha?

- São vinhos completamente diferentes.

E silêncio. Bom, em primeiro lugar, agradeço a constatação da evidência, mas sempre me convenci que o papel de um escanção fosse um pouco além de simplesmente dizer banalidades. Cheguei a pensar que um escanção deveria explicar as diferenças entre os dois vinhos e recomendar aquele que se adaptasse melhor ao prato que tínhamos pedido. Aqui não é assim. Acabei por escolher o Monte Cascas Reserva, que já conhecia, em vez de arriscar num desconhecido. Experimento quando encontrar um sommelier que não tenha tanta dificuldade em falar de vinhos.

A ementa 

O couvert

Começámos a noite de forma espectacular, com três tipos de pão: um branco de cebola e tomate – com um sabor forte e delicioso; uma focaccia bem cozida – pouco surpreendente, mas muito boa; e um pão preto de cerveja Guinness e melaço – uma mistura de sabores que nunca tinha experimentado antes e onde se sente lindamente a presença da cerveja preta. Se a tudo isto juntar uma manteiga de tomate seco e de ervas e um azeite especial da casa, por mim está a noite feita.

Nesta fase do jantar, o único problema foi a bebida. E foi um problema só meu. Resolvi inventar e pedir um Bubbles, um cocktail de espumante e maracujá em que as sementes da fruta estão no fundo e vão subindo. É muito giro para olhar, mas é muito doce para beber. Ela teve mais sorte: pediu uma cerveja. E aqui as cervejas merecem um subtítulo à parte.

As cervejas artesanais

São muitas. São óptimas. E são portuguesas. Depois do erro que cometi com o Bubbles, que deixei a meio, passei para as cervejas – uma excelente maneira de começar a noite. Vale a pena experimentar a Letra A, criada por dois cientistas da Universidade do Minho que se dedicaram ao fabrico da bebida. Feita de trigo, a partir de uma receita da Baviera, tem uma cor turva e um sabor leve e ligeiramente adocicado. Muito boa. Vale também a pena provar os diferentes tipos de Maldita e Sovina que a Taberna tem. Se gostar, pode acompanhar a refeição apenas com cerveja. São excelentes e a carta é extensa.

As entradas

Pedimos uma terrina de leitão assado, laranja espumante e pimenta preta com salada e brioche que não estava nada de especial – aliás, nem gosto de terrinas, não sei porque é que fui pedir isto. E passámos para um óptimo atum com feijão frade, que é o mesmo que dizer barriga de atum braseada (óptima), feijão frade (muito bom), puré de abacate (genial) e ervilhas wasabi (maravlihosas). Juntar tudo isto no mesmo prato é ter uma entrada muito, muito, muito boa.

Os pratos

Ela escolheu um bacalhau à Brás, de que gostou – a mim pareceu-me normal. E eu optei por um Bife à Taberna muito mal passado, com um óptimo molho (não muito forte para não apagar o sabor da carne), umas boas batatas fritas (não são nem querem ser estaladiças) e uma agradável mistura de tomate assado e cogumelos salteados.

A sobremesa

É claro que, por uma questão de coerência, não pedi o engraçaducho Eusébio. Preferi uma Homenagem ao Snickers (brownie de chocolate e amendoim com gelado de manteiga de amendoim de Aljezur) e um requeijão com abóbora (cheesecake de abóbora e noz com gelado de requeijão). Preferi claramente o requeijão. 

E, no fim de disto tudo, ainda sobrava um bocadinho de vinho tinto na garrafa. Por isso vi-me compelido a avançar para uma poderosa selecção de queijos portugueses.

Só para descansar os amáveis leitores que nesta fase já estão chocados com a quantidade absurda de comida, tenho um esclarecimento final a fazer: peso menos de 100 quilos, estavam mais pessoas à mesa, as entradas e as sobremesas foram divididas por todos. Não, não sou um alarve. Só gosto de comer. Às vezes, um bocadinho demais...

O bom 

A comida

O mau 

O Eusébio

O óptimo

A decoração

 

Um bom jantar para si onde quer que esteja,

Ele

o pensamento da semana VII

05.06.14

"A primeira lei dos dietistas parece ser esta: se sabe bem, faz-te mal".

Isaac Asimov, escritor de ficção científica (1920-1992)

e que tal ir beber um gin ou comer uns mexilhões à feira do livro?

05.06.14

Primeiro assumo: gosto de ir à Feira do Livro, perder horas a passear entre as bancas, procurar livros que nem sabia que queria ter. Agora confesso: estava a começar a ficar ligeiramente saturado daqueles pavilhões com ar de feira de domingo em Santa Comba de Rosas, daquelas roulottes com pipocas e farturas a transbordar gordura, daquele ambiente hiper-alergénico que fazia qualquer pessoa fugir da Feira do Livro com a mesma rapidez com que foge do José Castelo Branco quando tem o azar de o ver na rua.

Foi, por isso, com profunda satisfação e profundíssima alegria que entrei este ano no Parque Eduardo VII. Primeiro, os pavilhões estão com bom aspecto, cores vivas e um ar moderno que convida a entrar. Depois, as roulottes de pipocas e de farturas continuam lá – mas a um canto, onde o cheiro a gordura já não incomoda tanto. No meio das bancas de livros, há mesas, cadeiras, chapés de sol brancos, espaços lounge e roulottes vintage com petiscos e bebidas tentadoras. A Feira do Livro deixou de ser um sítio onde temos a obrigação de ir para ser um local onde temos prazer em ir. Deixou de ser o conjunto de quatro filas de barracas com livros para ser uma feira cool, com ambiente e animação.

Este ano é possível passear, comprar uns livros e sentar-se tranquilamente a beber um gin em copo de balão (até gin em balão, meu Deus!) enquanto lê o primeiro capítulo de um romance – a Gin Lovers tem um canto simpático com várias marcas, águas tónicas e misturas. Ou então pode combinar com uns amigos e almoçar uns deliciosos mexilhões ao fim-de-semana na roulotte do Moules & Go. Ou pode ainda pegar numa fatia de pizza da Pizzaria do Bairro e seguir a comer enquanto olha para as montras. Ou experientar um kebab da Padaria dos Poetas. Ou uma bola de Berlim (tradicional, de doce de leite ou de maçã e canela) das Bolas da Praia. Ou um gelado da Ben&Jerry's. Ou uma ginginha da Ginginha de Óbidos. Ou até mesmo umas pipocas dentro de um cone bonito da Zeapop. Ao todo, estão lá 30 espaços de restauração, com bom aspecto e boa comida, que vale a pena visitar apesar de terem passado totalmente despercebidos nas acções de comunicação da Feira do Livro. E há ainda concertos de jazz no enorme espaço da Leya e outras iniciativas que valem mesmo a pena.

Meus senhores, colocar sítios simpáticos para se estar a descansar e a comer bem não é acabar com o espírito da feira, é dar mais espírito à feira; não é distrair as pessoas dos livros, é atrair mais pessoas para os livros. Só foi pena terem demorado 84 anos para perceber isso.

 

Boas leituras e boas comidas para si onde quer que esteja,

Ele

lost in: a melhor vista de lisboa para um copo de fim de tarde

04.06.14

Não há nada mais irritante do que este tempo, meio sol meio vento, meio quente meio frio, meio esplanada meio interior. É o tempo em que nunca sabemos para onde ir nem o que vestir quando saímos à rua. Já sei, isto está perigosamente a descambar para uma conversa desinteressante, não é? Vou parar por aqui.

Isto tudo só para contextualizar com que estado de espírito é que eu cheguei à esplanada do Lost In, uma das mais espectaculares vistas de Lisboa. Estamos a falar de um espaço também ele dividido: tem área de restaurante e área de bar, tem área coberta e área descoberta. Do lado de fora, há um jardim lindo, com cadeiras, cadeirões, pufes e enormes almofadas coloridas, onde se pode sentar à mesa ou simplesmente refastelar-se com um cocktail à sua frente e o Castelo de São Jorge por trás.

Do lado de dentro, há uma tenda aquecida, decorada num estilo marroquino, com mesas de jantar e enormes paredes de vidro, que lhe permitem ver a vista ao lado de uma confortável fonte de calor. O problema está quando aqui chegamos depois das 19h e, com este tempo, a área coberta está transformada apenas em restaurante. Sobra-nos o jardim, uma manta para nos enrolarmos e um fim de tarde como se estivéssemos na neve.

E isso é mau? Antes pelo contrário. Pode ser maravilhoso. E foi. Quando entrei no jardim do Lost In, vinha apenas com uma camisa e um casaco fininho. No entanto, consegui evitar a manta para não parecer o Avô Cantigas com menos 30 anos. Aqueci-me antes com um gin tónico London n.3, que está a ser lançado em Portugal e que tem sido vendido nos últimos dias a um preço de promoção. Já o experimentei em copo de balão com casca de lima e aipo (muito bom) e aqui bebi-o em copo alto apenas com lima às rodelas (o que também não é nada mau). Para acompanhar, pedi uma óptima tábua de queijos, com uma mini-taça de queijo da Serra amanteigado, rodelas de chèvre e uns palitos de queijo curado. Tudo isto acompanhado com umas finíssimas torradas que é difícil parar de comer.

Escusado será dizer que o frio passou por mim como o Forrest Gump passou pelo filme do Robert Zemeckis. Uma hora depois estava pronto para mais uma semana de trabalho. Ou, neste caso, para um jantar fora em Lisboa. É um crime ter um bar destes mesmo de frente para o Castelo de São Jorge, a Mouraria e o rio Tejo e não o aproveitar, não é? Confesse lá, de que é que está à espera?

 

O bom 

O pão torrado e a decoração

O mau 

O frio

O óptimo 

A vista

 

Um bom copo de fim de tarde para si onde quer que esteja,

Ele

a moda dos restaurantes sem comida

04.06.14

Confesse lá: nunca foi a um daqueles restaurantes moderninhos em que se demora mais tempo a ler a descrição do prato na ementa do que a comer o que vem lá dentro? Eu já. E não foi uma, nem duas, nem três vezes. Foram muitas. Demasiadas. Por isso, quando vir a actriz que aparece neste vídeo em baixo, pense em mim. É um retrato genial da Porta dos Fundos (um dos mais brilhantes grupos de humoristas da actualidade e que tem um canal no YouTube onde publica três sketches de humor por semana) sobre a moda dos restaurantes de cozinha contemporânea. Vale a pena ver. E partilhar. Pode ser que assim alguns chefs percebam um mini-micro-nano detalhe: para abrir um restaurante convém servir comida. 

 

Um abraço aos chefs moderninhos onde quer que eles estejam,
Ele

novo bar do gin no el corte inglés

03.06.14

Notícias fresquinhas, lindinhas e acabadinhas de chegar (e outros diminutivos que nos possam vir à cabeça): o supermercado do El Corte Inglés, em Lisboa, abriu um novíssimo bar do gin. Quer isto dizer que agora temos de ir a um supermercado para beber um copo? É claro que não – é apenas uma liberdade poética para dizer um cantinho exclusivamente dedicado ao gin. E quem diz um "cantinho", diz um "cantão". O novo spot terá mais de 70 referências de gin, águas tónicas de todas as cores e feitios e qualquer erva ou especiaria de que nos possamos lembrar para realçar os aromas da bebida. Pelo menos, é isso que prometem. O supermercado garante mesmo que esta é a "melhor montra de gins do País, graças à oferta de marcas e variedades".

Além de tudo isto, pode ainda contar com degustações e a visita regular de especialistas para falarem de misturas, técnicas e conselhos úteis para quem gosta de gin. O novo espaço abriu na sexta-feira e eu, como qualquer pessoa inteligente, estava lá caidinho no domingo. Pequeno detalhe: quando lá cheguei, estava fechado. Por isso, infelizmente, ainda não é desta que há Crítica Mistério ao spot. Fica a notícia. E as fotos disponibilizadas pelo El Corte Inglés. Se entretanto passarem por lá, digam qualquer coisa.

 

Um bom gin tónico para si onde quer que esteja,

Ele

o ex-eataly, atual italian republic do alegro

03.06.14

Vou muitas vezes a este restaurante à hora de almoço. Como adoro comida italiana, é uma das minhas "cantinas" preferidas em centros comerciais. Já o experimentei em três shoppings: Alegro, Amoreiras e Colombo. E o do Alegro é claramente o vencedor. O das Amoreiras é uma desgraça no que toca ao serviço. A culpa nem é dos empregados que estão o tempo inteiro a pedir desculpa porque os pratos demoram horas. Pelo que percebi, a cozinha estava sem rei nem roque e mesmo à beira de uma revolta. E isto aconteceu duas vezes seguidas, por isso, não voltei lá uma terceira, com medo de uma pizza armadilhada. Ainda por cima, é mais caro do que os outros. Não sei se é por as Amoreiras ser um gueto de betos, ali paga-se mais do que nos outros restaurantes, o que logo à partida, me irrita um bocadinho. Já o Colombo tem outro drama. Como o centro comercial é gigante, o restaurante está sempre cheio, não de betos mas de uma miscelânea de gente. Temos sempre de ficar na fila à espera de mesa o que, convenhamos, não dá jeito nenhum para quem, como eu, tem sempre pressa à hora de almoço.

Por isso, sempre que posso, opto pelo do Alegro. Às vezes também ficamos à espera de mesa, mas o empregado traz-nos sempre a lista para irmos escolhendo, para ser mais rápido. Como sou muito de hábitos e rotinas, costumo pedir quase sempre a mesma coisa.

A ementa

De entrada, uma espécie de pizza gigante fina e estaladiça temperada com azeite e alecrim, (simplesmente deliciosa e viciante) ideal para partilhar, e depois, como fico sempre com remorsos porque estraguei a dieta, peço uma salada Eataly, que tem uma variedade de alfaces com tomate, mozzarella, presunto e molho de pesto. Adoro e chega perfeitamente. Enche imenso.

Quando estou desvairada de fome, peço um salmão com risotto de pesto e chutney de limão e mel que é absolutamente divinal. Já pedi duas ou três vezes e vem sempre no ponto certo.

 

O serviço

É rápido o suficiente para uma hora de almoço apressada. É bom mas não é fantástico. E o preço? Costumo pagar no máximo 13 a 15 euros por pessoa, partilhando a entrada e incluindo uma bebida e um café no fim. Não dá para todos os dias, mas de vez em quando, se tiver um almoço de trabalho ou um encontro de amigos, vale a pena.

Bom almoço, sobretudo se não estiver de dieta,

Ela

 

os restaurantes preferidos de juan carlos em portugal

02.06.14

Um homem acorda e depara com uma notícia destas, assim vinda do nada: Juan Carlos abdica do trono em Espanha. Acabou o melodrama no PS. Acabou o psicodrama no Tribunal Constitucional. O País já tem tema para os próximos dias. Perante isto, resta-nos fazer o nosso trabalho. E esse é responder à pergunta essencial para compreender todo o debate da sucessão na Casa Real Espanhola. Já adivinhou? Exactamente: quais são os restaurantes preferidos de Juan Carlos em Portugal? Nós sabíamos que vocês sabiam que nós sabíamos quais eram. Por isso aqui ficam as mesas e os petiscos do Rei de Espanha enquanto viveu no Estoril, com a ajuda do livro Um Rei no Estoril, de José António Gurriaran. Depois de ler isto, finalmente, sim, está preparado para seguir o tema da sucessão em Espanha. 

O Pescador

Era neste restaurante do centro de Cascais, junto à lota do peixe, que Juan Carlos costumava encontrar-se com os grandes amigos: Babá Espírito Santo, Bernardo Arnoso (Maná) e Jorge Arnoso. Todos o tratavam por Juanito. Mais tarde juntou-se ao grupo Francisco Pinto Balsemão, a quem o Rei costumava chamar Chiquinho ou Paquito. Antigo bar de pescadores, onde o dono (também ele um antigo pescador) costumava atender o clientes descalço, o restaurante foi o escolhido por Juan Carlos para jantar com a futura Rainha Sofia na véspera do casamento da sua irmã, a infanta Margarida, com Carlos Zurita.

Juan Carlos tornou-se amigo do dono do restaurante, Ramiro, a quem trata por tu. O que o Rei de Espanha mais gosta de comer neste restaurante são os lagostins, o linguado de Cascais, os pastéis de bacalhau e os chocos fritos. A mãe de Juan Carlos, D. Maria de Borbón, era fã do linguado grelhado e o seu pai, D. Juan, tinha como prato preferido a dourada no forno com batatinhas. Cada vez que entrava no restaurante, a primeira coisa que o conde de Barcelona perguntava era:

- Ramiro, tens Barca Velha?

Acompanhava todas as refeições com vinho tinto, um hábito herdado pelo filho que também não gosta de beber vinho branco.


Estalagem do Muchaxo

Era um dos locais mais românticos de Cascais na época em que os Condes de Barcelona viviam no País. Mesmo em frente à, na época deserta praia do Guincho, o Muchaxo era uma pequena barraca onde se chegava normalmente num coche puxado por cavalos. Juan Carlos costumava vir passear para aqui com Maria Gabriela, uma das filhas do Rei de Itália, mais conhecida por (pequena homenagem à minha querida Mulher Mistério...) Ela, entre os amigos mais chegados. O Rei de Espanha começou a frequentar o espaço quando este ainda se chamava apenas A Barraca e era uma simples tasca de marisco fresco apanhado na praia. Ia lá muitas vezes com a família para comer bruxas (também conhecidas como santiaguinhos e um dos pratos preferidos da sua mãe) e amêijoas à espanhola.

O dono do restaurante é Tony Muchaxo, que atendeu o Rei de Espanha várias vezes, e que, mesmo depois de a família se ter mudado novamente para Espanha, enviava bruxas para a mãe de Juan Carlos. Uma vez Tony esteve em Madrid e resolveu ir visitar Juan Carlos ao Palácio da Zarzuela. É claro que foi parado no primeiro controlo de segurança antes de chegar à residência dos Reis de Espanha. Disseram-lhe que, para passar, precisava de uma autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Tony voltou para trás e um tempo depois comentou o caso com a infanta Margarida. A irmã do Rei deu-lhe o telefone particular de Juan Carlos e disse-lhe: 

- Toma o telefone directo do meu irmão, Tony. Telefona-lhe e verás como te recebe logo.

Tony não ligou. 

English Bar 

Foi aqui que Mário Soares e o conde de Barcelona jantaram em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril. O pai de Juan Carlos estava com medo das consequências da revolução em Portugal. Nessa altura, havia instabilidade política e a própria embaixada de Espanha em Lisboa já tinha sido assaltada e incendiada. As famílias com quem se davam os condes em Cascais e no Estoril, os Espírito Santo e os Champalimaud, aconselharam-nos a ir para o Canadá. D. Juan não queria. Adorava Portugal e preferia continuar cá.

Raul Morodo, que mais tarde veio a ser embaixador de Espanha em Portugal, organizou um jantar entre D. Juan e Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros. Soares pediu ao conde de Barcelona para não deixar o País – dava má imagem para o exterior. E ofereceu-se para lhe colocar um polícia à porta da Vila Giralda, privilégio de que a família real espanhola nunca tinha beneficiado. 

Depois desse jantar, D. Juan de Borbón decidiu ficar.

Hotel Palácio

Foi aqui que a infanta Pilar celebrou os seus 18 anos, numa enorme festa no jardim do hotel, e era aqui que os pais de Juan Carlos iam para dançar ou para tomar um cocktail de fim de tarde no bar. D. Juan de Borbón bebia sempre um Dry Martini e D. Maria um Old Fashion. Quando o Conde de Barcelona chegava, os empregados pediam sempre "Um Dry Martini tamanho de rei", porque, em vez de uma dose de gin, levava duas. De vez em quando, o pai de Juan Carlos pedia um whisky – e também era duplo.

As doses duplas começaram numa tarde em que a mãe do Rei de Espanha estava com a mulher de Santiago Muguiro, ex-secretário da embaixada de Espanha. D. Maria provou o seu cocktail e reclamou a um empregado do Hotel Palácio:

- Está muito fraco.

O barman comentou o episódio com o próprio Muguiro, que lhe recomendou: 

- Quando preparares cocktails para os senhores, serve sempre duplo.

Juan Carlos e o irmão não costumavam beber bebidas alcoólicas. Normalmente pediam água ou sumos.

Santini

Era em casa de Atilio Santini que o Rei Juan Carlos trocava muitas vezes de roupa quando saía da praia e era na sua geladaria que comia os seus gelados preferidos. Atilio tratava o Rei por Juanito e Juan Carlos ficava muitas vezes à conversa com o fundador do Santini. Foi Atilio quem forneceu os gelados para o casamento da infanta Pilar, em 1967.

 

Um abraço para o rei onde quer que ele esteja,

Ele

 

 

 

sugestão de fim de tarde: os tremoços com sal e oregãos do quiosque maritaca

01.06.14

Não sou esquisito: gostos de tremoços com sal, gosto de tremoços com coentros, gosto de tremoços com pimentos, gosto de tremoços com salsa, gosto de tremoços. Ponto. No Verão é provavelmente dos melhores e mais agradáveis petiscos. A par dos caracóis. E dos perceves. E das amêijoas. E das... é melhor não me dispersar.

Voltando aos tremoços: uma imperial, um prato de tremoços, uma esplanada e um fim de tarde de Verão é tudo o que um homem pode querer. E foi, por isso, com uma dentadura branca à Paulo Portas a saltar-me da boca que me sentei, no outro dia, no Quiosque da Maritaca, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. À minha esquerda tinha uma imperial tão fresca quanto um glaciar da Gronelândia, à minha direita um prato de tremoços temperados com sal e oregãos – uma receita maravilhosa para esta altura do ano. O sal dá um toque quase picante, os oregãos dão uma frescura quase de salada. Vale a pena experimentar.

Além disso, a Maritaca tem um serviço simpático e atencioso. Quando um golpe de vento atirou ao chão o copo de plástico Dela ainda com meia imperial lá dentro, o empregado saltou de dentro do quiosque com uma nova imperial em copo de vidro na mão para substituir a acidentada.

Ela fez um comentário bem educado:

- Obrigada, não valia a pena...

Ele deu uma resposta competente:

- Era o que faltava, ainda tinha a imperial a meio.

Gosto de tremoços com oregãos. Mas ainda gosto mais de empregados assim.

 

Uma boa imperial de fim de tarde para si onde quer que esteja,

Ele

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