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Casal Mistério

Casal Mistério

o novo spot cool da comporta: a padaria que não é uma padaria

11.07.14

Eram seis e meia da tarde quando chegámos à Comporta. Tínhamos uma hora e meia de paz entre o início da ventania na paradisíaca praia de Soltroia e o princípio do massacre dos mosquitos na pitoresca aldeia alentejana. Não era muito tempo, mas era o tempo suficiente para experimentar um novo micro spot que abriu no centro da aldeia há menos de dois meses. Dentro de uma daquelas lojas cool onde um biquiní pode facilmente custar tanto quanto a roda de um carro, a Padaria é um balcão e duas mesas. Bem decorada ao estilo hippie chic que tomou conta da Comporta nos últimos anos, serve copos de vinho, tostadas, sumos naturais e umas maravilhosas ostras do Sado.

Na rua tem mais três mesas minúsculas com troncos de árvores a fazerem de bancos, ao lado de uma esplanada de um café/taberna local com mesas e cadeiras da Coca-cola, onde é frequente encontrar um velhinho agarrado a uma cerveja enquanto protesta aos gritos contra o Mundo.

O ambiente 

É neste cenário que é fácil encontrar os habitantes hippie chics da Comporta: mulheres descalças a passear-se na rua com um panamá Brent Black de 500 euros na cabeça, homens de chinelos nos pés mas que trocam de óculos escuros três vezes ao longo do dia... É esta a clientela da Padaria: homens e mulheres demasiado preocupados em parecer despreocupados.

Mas, se não se incomodar em ouvir a palavra "Instagram" pronunciada num tom suficientemente alto para se tornar ouvido e suficientemente britânico para se tornar reparado, vale a pena passar por aqui. Preferencialmente durante a semana, especialmente antes da segunda quinzena de Julho.

 

A ementa 

Nada aqui é barato. Antes pelo contrário. Mas é bom. E original.

As tostadas

As tostadas são substancialmente diferentes de uma tosta. Sem uma segunda fatia de pão a cobrir o recheio, são mais leves e têm combinações diferentes: hummus e rúcula, tomate e presunto, queijo feta, mel e orégãos, e pera abacate. Optei pela de tomate e presunto e convenceu-me – feita no momento, tem bom pão, bom presunto, bom tomate e bom azeite, o que, somando todos os bons, dá um fantástico petisco.

As ostras

Eu e a minha querida Mulher Mistério partilhámos um copo de vinho branco estupidamente gelado e duas doses de ostras que é como quem diz: duas ostras para cada um, a cinco euros a dose! Ah, e tal, compensa: estamos num sítio único com vista para o mar. Infelizmente, não. Estamos no meio do passeio, com carros a estacionar à nossa frente, tias a fazer compras e habitantes locais a beber minis. Mas este é o espírito da Comporta.

As ostras estavam óptimas, mas é possível comê-las a um preço mais razoável. Se pegar no carro e for até à Carrasqueira, pode comprá-las directamente no viveiro onde os senhores da Comporta as vão buscar. E, pelo caminho, ainda pode ver o lindo porto palafítico da aldeia.

Os muffins e os sumos 

A nossa equipa de futsal deliciou-se com um muffin de chocolate com pedaços (um pouco doce demais), um muffin de caramelo e nozes (melhor) e um sumo natural de melancia (maravilhoso). 

A Padaria tem ainda carpaccios e uma espécie de piquenique para levar para a praia: o "Faz-te à praia" é um pack de papel, com uma lata de conserva, tomate, pão, ervas, salada de couscous, empada e um muffin.

O serviço 

Há o tal problema da pronúncia britânica e do tom afectado que abre as vogais no fim de cada frase. Mas também é exigência a mais. O casal que gere a Padaria é muito simpático, conversador e preocupado em saber se os clientes gostaram ou não. E isso é o mais importante. Pagámos 30 euros por um lanche, mas senti-me bem ali. E era bem capaz de voltar – num fim-de-semana de calor como este, a uma hora sem mosquitos.

 

Um abraço para as melgas da Comporta, onde quer que elas estejam,

Ele

aldeia da pedralva, o sítio ideal para um reencontro ao estilo amigos de alex

08.07.14

Não sei se acontece consigo mas eu estou numa fase de regresso ao passado. Deve ser desta perigosa aproximação dos quarenta, agora dou por mim em jantares com os amigos da escola primária, os encontros com os ex-colegas da faculdade, toda a gente parece querer recuperar o tempo perdido. Como estou muito bem resolvida com o meu passado, nunca vou com grandes expectativas para estes encontros, mas não deixam de ser divertidos: ver que a estupenda da turma está mais gorda e mais velha do que eu, que o garanhão da faculdade é um pai de família barrigudo cheio de filhos e sem um pingo de graça, que o génio da aula acabou por ser pior sucedido que o maior cábula de todos nós, e depois há aqueles que nunca mudam, que continuam convencidos que ainda são adolescentes. Esses pararam no tempo, mandam as mesmas piadas de há quinze anos, mas normalmente são a animação do grupo. E porque é que me lembrei disto tudo agora? Porque estive com a nossa imensa Família Mistério no sítio ideal para encontros deste tipo, mais prolongados é certo, ao estilo de "Amigos de Alex": a Aldeia da Pedralva, em Vila do Bispo. Imagine-se a si e ao seu grupo de amigos da escola ou da faculdade reunidos, anos depois, numa aldeia em que vocês seriam os únicos aldeões.

A Aldeia 

A Aldeia da Pedralva é o sítio perfeito para encontros e reencontros. Foram precisos dois anos para descobrir os proprietários e comprar as casas abandonadas e em ruínas e mais dois para a sua reconstrução (benditos empreendedores!), tentando manter a traça original: uma aldeia tipicamente portuguesa, em plena Costa Vicentina. E se gosta de passar férias entre amigos, este é o sítio certo. Então se organizar um grupo suficientemente grande para ocuparem as casas todas, fica com a aldeia por sua conta. Com uma enorme vantagem: se lhe apetecer estar sozinho, refugia-se na sua casinha. O ambiente é um misto de rural com hippie chic. E o espírito é mesmo o de uma aldeia: com ruas empedradas, casinhas caiadas de branco, dois restaurantes, uma receção, um bar, uma piscina e até comércio local. E há dias de feira e tudo, com bancas que vendem artesanato e produtos locais. Mais pitoresco é difícil!

As Casas 

São muitas e variadas. Desde as mais pequenas, com um quarto, que acomoda duas pessoas, até um máximo de oito pessoas na Casa de Campo de três quartos com pátio. Todas elas recuperadas, todas diferentes umas das outras. São simples, funcionais e sem luxos. Mas quem escolhe ir passar férias a uma aldeia, não anda à procura de luxos, certo? Apesar de recuperadas, ainda mantém as paredes e algumas estruturas antigas, por isso, sente-se no ar aquele ligeiro cheiro a mofo ou a humidade das casas das serras, pouco habitadas. Ou seja, se sofrer de alergias, leve um carregamento de anti-histamínicos... Mas conte com limpeza diária, produtos de higiene, jogos de toalha completos, kitchenette totalmente equipada e aquecimento em pedra irradiante. Pode optar pelo pequeno-almoço no buffet ou servido diretamente na sua casa. Ah, um pormenor: nem todas as casas pertencem à gestão da aldeia. Algumas são alugadas diretamente pelos proprietários, como a Casa da Pedralva.

Os Restaurantes 

A pizzaria Pizza Pazza é mais famosa do que a própria aldeia. É simplesmente maravilhosa. Para além de ser um restaurante alegre e colorido que nasceu muito antes da reconstrução da Pedralva, as pizzas são deliciosas, de massa fina e estaladiça, oferecendo grande variedade na combinação dos mais exóticos ingredientes. O ambiente, multicultural, (já que quem aqui vem são na sua maioria estrangeiros que descobriram este segredo tão bem guardado muito antes dos portugueses) é propício aos tais reencontros de que falava no início deste post. Aqui apetece ficar à conversa até às tantas da madrugada. Regada por um bom vinho, rapidamente a conversa regressa ao passado e por ali se fica horas a fio.

Entretanto, com o desenvolvimento do turismo na aldeia, surgiu em 2011, o Sítio da Pedralva. Com uma gestão autónoma da das casas, serve comida tradicional portuguesa: como Farinheira à Brás; Croquetes de alheira com mayonese Dijon; Queijo Camembert no forno com frutos silvestres e mel regional; Saladas de polvo à Pedralva; Peito de frango recheado com alheira, abóbora e grelos salteados com sésamo e molho de vinho do Porto; Lombinhos de porco preto, xerém de morcela e grelos salteados; Carapaus fritos com açorda de tomate assado e poejo; Polvo à Lagareiro... (chega? Ou quer que continue? É que já engordei, só com esta pequena amostra!) Com uma decoração simples onde predomina o branco das mesas e das paredes, tem apontamentos com cores fortes a contrastar. Simples e com bom gosto. Vale mesmo a pena uma visita.

As Atividades 

Aqui é que se pode divertir a valer com os seus ex-colegas de escola: piscina, surf, BTT, trekking, mergulho, passeios de barco, observação de golfinhos, ou simplesmente aproveitar as excelentes praias da Costa Vicentina, como Cordoama, Amado, Carrapateira e Arrifana (e estas são as mais conhecidas), entre muitas outras de mais difícil acesso, mas também por isso mesmo, deslumbrantes.

Do que é que está à espera? Ainda precisa de saber mais? Crie um evento no Facebook do estilo: "Reencontro da Melhor Turma de Sempre na Pedralva" (sim, porque a nossa é sempre a melhor!) marque um fim de semana, encha a aldeia de ex-coleguinhas e divirta-se!

Bom regresso ao passado,

Ela 

bebida para os dias de calor que vêm aí: os chás gelados do starbucks

07.07.14

Sou fanático por chás. Bebo chá de manhã, bebo chá ao almoço, bebo chá à tarde e até bebo chá à noite. Bebo chá em qualquer lado e com qualquer pessoa. Adoro lojas de chás, onde se pode escolher, ver e cheirar as folhas. Adoro bules e todas as variações de design que existem hoje em dia.

É nesta fase do texto que você se pergunta: 

- Mas este louco varrido crashou o cérebro? Acordou e resolveu fazer um post sobre chás agora que vêm aí dias em que estarão 35 graus dentro de um frigorífico? Insandeceu? Flipou? Alucinou? Bloqueou?

Nossa, que violência! Também não é preciso utilizar tantos sinónimos de loucura só para me descrever. De facto, não jogo com o baralho todo, mas o nível de insanidade também não é assim tão grave como está a pensar. Resolvi falar hoje de chás exactamente porque vem aí o calor. E porque gosto de chás quentes, mas gosto ainda mais de chás gelados. É uma óptima bebida para o Verão e uma alternativa mais saudável à caipirinha, à sangria e a todas as outras óptimas bebidas que implicam a ingestão de uma quantidade apreciável de álcool.

Apesar de não ser daquelas pessoas que andam pelo escritório sempre com uma caneca fumegante atrás, aumentou o meu índice de visitas ao Starbucks desde que, este ano, tirei as T-shirts da naftalina. Por duas razões. A primeira: chá gelado de menta com spearmint. A segunda: chá gelado de menta com laranja e jasmim. A infusão é feita no momento e demora três minutos a ficar gelada como um granizado. Para mais, é servida  num daqueles copos transparentes que são muitos mais agradáveis de passear do que aquelas canecas que vejo lá pelo escritório.

O chá de laranja e jasmim é um pouco mais forte e frutado; o chá de spearmint é mais leve e adocicado. Ambos ficam lindamente sem açúcar (mais uma dica para a dieta da minha querida Ela) e são óptimos para os dias de calor. Se não gosta de sabores muito fortes, convêm tirar a saqueta mal o chá é servido. E se não gosta de menta, tem outras opções, com especiarias, chá preto e até gengibre. A variedade não é muito grande. Mas é razoável.

Até Outubro, eu andarei por aqui. E depois também – para beber os chás quentes.

 

Uma boa chazada para si onde quer que esteja,

Ele

um almoço de verão em cima da praia no trinca espinhas

05.07.14

O cenário é tenebroso: atrás temos duas chaminés gigantescas que parecem poluir mais do que um Fiat 127 de 1983; à frente há uma praia com uma areia tão cinzenta como o cabelo da Cruella de Vil. No centro está aquele que é considerado um dos melhores restaurantes da costa alentejana, o Trinca Espinhas. O problema é que ser considerado não é o mesmo do que simplesmente ser. E nós não descansámos enquanto não esclarecemos a dúvida dentro destas misteriosas cabecinhas.

O serviço 

Chegámos lá num destes magníficos dias de Verão em que o vento sopra mais forte do que a turbina de um Airbus A340. Não era fim-de-semana (sim, resolvemos tirar um dia de férias para colar ao fim-de-semana já que ainda não deu para irmos de vez), às 18h o restaurante estava vazio. Entrámos directamente na esplanada e vimos duas simpáticas senhoras com uma criança sentadas dentro da sala do restaurante. Estavam as duas vestidas de preto, por isso presumimos que, à falta de qualquer enterro nas redondezas, fossem empregadas de mesa.

Fizemos um sinal com a mão através do vidro. Elas responderam com outro sinal com a mão para nos dirigirmos até à porta ao lado delas. Quando lá chegámos, explicaram-nos pacientemente que o restaurante só abria às 19h, até lá serviam apenas petiscos na esplanada. Eureka! Era isso mesmo que precisávamos. Nova paciente explicação: não serviam na esplanada, teríamos de ir buscar a comida ao balcão. Não tem problema: estamos prontos para andar o que for preciso entre a mesa e o balcão por uma decente dose de amêijoas. E foi neste momento que o Espírito Santo (o da Igreja, não o do banco) desceu sobre a senhora e uma luz lhe ilucidou que não havia nada que pudesse fazer para nos demover de comer ali. Posto isto, reconsiderou: visto que havia mais empregadas no restaurante do que mesas ocupadas, poderia ser um tanto ou quanto ridículo obrigar-nos a dar quatro passos para ir buscar cada prato que estivesse pronto num restaurante totalmente vazio. E a partir deste momento, a disponibilidade da senhora mudou radicalmente e ofereceu-se para nos servir: passou a ser uma empregada de mesa e não uma empregada de cadeira.

A ementa 

As entradas

A ideia era comer apenas umas amêijoas, mas nem sempre a ideia é o resultado final. Começámos pelas amêijoas – que estavam boas mas podiam ser maiores –, depois passámos para umas ostras ao natural – que eram definitivamente anãs – e a seguir mergulhámos num prato de favinhas com molho verde – finalmente a mania das pequenezas compensou. Esta foi a primeira boa surpresa da noite, depois da indiferença das amêijoas e da desilusão das ostras. Com um molho à base de alho, coentros e azeite, estavam deliciosas, pequeninas e leves. Tinha pedido tranquilamente outra dose, não fosse a minha querida Mulher Mistério ter percebido que entretanto já eram 19h e podíamos passar directamente dos petiscos para o peixe.

Mas antes ainda houve tempo de pedir um maravilhoso queijo fresco tipicamente alentejano e artesanal com tomate e rúcula e uma salada de polvo normalíssima.

 

O peixe

Quando chegámos aos pratos a sério, percebemos que tínhamos de fazer opções. E, depois deste festival de entradinhas, não havia muita margem de manobra para grandes peixeiradas. As crianças seguiram felizes e contentes com uns hambúrgueres em cima do prato (custa-me ver alguém comer hambúrgueres num restaurante em cima do mar, mas enfim...) e nós fomos à procura do peixe mais pequeno que houvesse. 

Com uma escolha muitíssimo reduzida (parece que tinha acabado tudo à hora do almoço), optámos por dois salmonetes de 200 gramas que felizmente tinham sobrado. Demoraram um pouco a grelhar porque ainda foi preciso acender o lume (o restaurante abre às 19h, mas o lume só às 20h...), mas vieram para a mesa fantásticos, fresquíssimos e muito bem grelhados.

A sobremesa

É escusado dizer que, depois de tudo isto, não houve um centímetro quadrado de estômago disponível para qualquer migalha de doce. Seguimos directamente para os cafés enquanto víamos o pôr-do-sol em cima do mar – a praia torna-se muito mais bonita à medida que a luz vai diminuindo.

O ambiente 

A esplanada está dividida em duas zonas: uma coberta por palhinhas e com mesas de madeira e cadeiras de realizador e outra sem sombras e com cadeiras e mesas da Coca-cola. É escusado dizer em qual das duas zonas ficámos. Continuo e continuarei até ao último fôlego a fugir das cadeiras da Coca-cola com a mesma velocidade com que os jogadores de Portugal fugiram do Mundial no Brasil. 

O interior também não é nada de se deitar fora: em tons de branco e azul desbotado, tem um ar cool e acolhedor.

 

Resposta à pergunta inicial: não estamos no melhor restaurante da costa alentejana, mas quem tem estas favinhas com molho verde tem quase tudo.

 

O bom 

Os salmonetes

O mau 

As chaminés e a praia

O óptimo  

As favinhas com molho verde

 

Um bom almoço na praia para si onde quer que esteja,

Ele

o que faria se fosse atendido por um empregado assim?

04.07.14

Confesso. Não sou vegetariana. Mas adorava ser. E não é por uma qualquer convicção, por uma questão de saúde ou para defender os animais. É que se fosse vegetariana, não andava sempre em dieta, de certeza. Mas gosto demasiado de comer para me preocupar com o que como. E não resisto a uma picanha... E nem este maravilhoso vídeo me faz mudar de ideias.

 

Sou fã da Porta dos Fundos desde o primeiro vídeo. Lembrei-me deste sketch porque o grupo de humoristas brasileiros está em Lisboa esta semana. Se não os conhece, não perca o canal deles no YouTube. Se já os conhece, e é fã como eu, aproveite para os ver ao vivo amanhã no Cinema São Jorge, ainda por cima com o Ricardo Araújo Pereira como convidado.

 

Bom fim de semana, de preferência, de bom humor,

Ela

simply sebastião, uma sugestão simplesmente maravilhosa para uma festa

03.07.14

Adoro organizar festas e jantares. Por mim, estava sempre em festa. Adoro receber. E adoro receber com requinte e simplicidade. Por isso, fiquei fascinada quando descobri os eventos organizados por Sebastião Castilho. Este designer decidiu mudar de vida e dedicou-se à cozinha com paixão, criando a empresa de catering Simply Sebastião, que usa sempre produtos da terra, que é como quem diz produtos frescos dos mercados que ele conhece como se fossem a sua casa. Garante que faz jantares em qualquer sítio: no campo, numa praia, num bosque, numa quinta, e diz que, para ele, não há impossíveis. Mesmo nas noites frias, consegue criar ambientes quentes e acolhedores. Tudo isto com o bom gosto e a criatividade da De Alma e Coração, responsável pela produção e decoração dos eventos.

Pela amostra, aqui o bom gosto e a simplicidade imperam, e isso vê-se nos pequenos detalhes: na originalidade da iluminação, nas mesas e cadeiras de madeira, na escolha dos serviços de pratos, de copos, das jarras, das flores de campo... E os casamentos? Inesquecíveis. A avaliar pela felicidade dos noivos e a alegria dos convidados, foram, de certeza, momentos especiais.

Por isso, estou muito tentada a ligar ao Sebastião para organizar a minha próxima festa de anos ou outra festa qualquer. Só queria mesmo um programa destes. É que, além da decoração terra a terra e campestre, a comida é também... simplesmente deliciosa.

Podíamos ser daqueles casais que celebram o dia do primeiro beijo, o dia do pedido de namoro, o dia em que se conheceram, o dia em que deram a mão, o dia do primeiro jantar e os dias de tudo e mais alguma coisa – o que achas, meu querido Marido Mistério? Assim, pretextos não nos faltavam...

Um resto de uma ótima semana,

Ela 

 

créditos: Facebook Simply Sebastião; fotos: Rodrigo Cardoso/De Alma e Coração; Tiago Maia; produção: Margarida Matias e Rita Oliveira/De Alma e Coração 

uva do monte: um hotel diferente e longe de tudo

01.07.14

Se gosta de antiguidades, se adora uma velharia, se odeia deitar coisas fora, este hotel é a sua cara. Aqui o termo “vintage” é elevado a um outro nível. Decorado só com peças de mobiliário antigas, o Uva do Monte é um agro-turismo especial. Simples e original, vale a pena passar aqui um fim de semana no verão. Mas atenção: este não é um hotel de luxo. E nem os proprietários têm essa pretensão. Por isso, foram buscar os irmãos Eça Leal (responsáveis pelo hostel The Independente e pelo restaurante The Decadente em Lisboa) para lançar o conceito, inaugurado no ano passado. E o conceito é precisamente o de um hostel: despretensioso e barato.


A localização 

Comecemos pelo melhor: a excelente localização. A dois quilómetros da praia Aberta Nova, pode ir de bicicleta ou até mesmo a pé (se for um desportista, claro) para a praia. Eu, claro, prefiro ir de carro (nem que fossem 100 metros!). Basicamente é uma quinta ao lado do mar. À noite ouve os sons do campo com o barulho das ondas como pano de fundo. Tem uma piscina pequena mas bem enquadrada na paisagem campestre.

O hotel 

O hotel tem dois edifícios: o da receção que é ao mesmo tempo sala de estar e sala de refeições, onde se serve um pequeno-almoço rico e variado (cereais, mel, queijo, fiambre, tomate com azeite e orégãos, salmão fumado, Nespresso pago à parte...). No ano passado, o Uva do Monte tinha um talentoso chef residente que ali trabalhou só durante o verão e que servia jantares consoante o número de hóspedes, a sua inspiração no momento e a oferta dos mercados locais. Este ano, tem uma esplanada mas infelizmente já não serve jantares como no ano passado. Por enquanto, nesta altura do ano, tem um cozinheiro de Melides que vai lá preparar o jantar apenas ao sábado quando há clientes suficientes. 


Os quartos 

O segundo edifício (que no fundo são dois geminados) alberga os 12 quartos. Os primeiros têm uma espécie de sala de estar comum no andar de baixo, os últimos não têm sala mas têm um alpendre com uma cadeira em frente a cada quarto. E há que dizê-lo “com frontalidade”: os quartos têm tanto de originais como de desconfortáveis. Não têm ar condicionado, não têm televisão, são pequenos e rústicos demais, as camas rangem, o chão é irregular e os tapetes escasseiam. Mas são divertidos, parece que entrámos numa quinta dos anos 40 do século XX. O nosso quarto, por exemplo, situado no primeiro andar do segundo edifício, tinha umas mesinhas de cabeceira antigas cujas gavetas não abriam. O armário tinha umas portas de vidro que também não fechavam, o chão era de tal forma irregular e poeirento que, quando saía da cama, mergulhava diretamente nas minhas havaianas, estrategicamente posicionadas ao lado da cama. As cortinas das janelas, com aqueles tecidos pesados do início do século, são impróprios para alérgicos e, last but not least, a porta do nosso quarto não tinha chave!


Por tudo isto, dormir aqui um fim de semana é divertido, quase uma aventura. Mais do que isso já é masoquismo.

Boa semana,

Ela

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