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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

a salada de rosbife açoriano do to.b no chiado

Já não é a primeira vez que tenho esta conversa num restaurante:

- Desculpe, enquanto a comida não vem, não tem um bocadinho de pão e manteiga para ir comendo qualquer coisa?

- Pão, só se for o pão dos hambúrgueres; e manteiga não temos.

- Não, eu estava a pensar mais numa coisa tipo couvert...

- Pois, eu posso arranjar-lhe um pão mas não é isso que está a pensar.

Não, não estou no Burkina Faso a tentar explicar o conceito do couvert num restaurante. Estou no To.B, do Chiado, a tentar não desfalecer enquanto espero pela comida. Da primeira vez que tive esta conversa, há uns anos, noutro restaurante de Lisboa, acabei com uma sanduíche de manteiga à minha frente – o empregado não sabia mesmo do que é que eu estava a falar. Aqui acabei por esperar sem nada à frente – e por quase esquecer a conversa. O To.B pode não ser um restaurante perfeito, mas tem comida fantástica.

 

 

o almoço na esplanada do guilty

Conheci o Olivier há uns seis anos. Estava eu a entrar para almoçar no restaurante Cave Real, em Lisboa, e estava ele a parar o seu Bentley (ou seria um Jaguar?) em segunda fila, obrigando os outros carros a abrandarem e a desviarem-se. Como o carro estava com os quatro piscas ligados, pensei que ele fosse buscar qualquer coisa rapidamente ao restaurante. Mas não. Entrou, sentou-se a uma mesa com uns amigos e almoçou calmamente. Durante mais de uma hora e meia, o Bentley ficou parado literalmente no meio da rua enquanto Olivier conversava tranquilamente. Nesse dia, não falei com Olivier. Mas fiquei a conhecê-lo – o suficiente.

Ao longo destes últimos anos, procurei sempre evitar os restaurantes de todos os chefs que estacionam o carro no meio da estrada enquanto vão almoçar. E como não conheço mais nenhum que faça isso, limitei-me a procurar evitar os restaurantes de Olivier. No outro dia cedi. Peguei no telefone, liguei para o Guilty e tentei marcar uma mesa para almoçar durante a semana. Do outro lado, atendeu-me um empregado simpático que me perguntou para que horas era, quantas pessoas eram... e, depois de ter ouvido todas as informações, respondeu que não aceitava reservas para o almoço. É claro que podia ter começado por dizer isso e ter-nos poupado os dois a desperdiçar um precioso minuto das nossas vidas. Mas não: preferiu conversar um pouco comigo. 

Depois de todos estes episódios, como pode imaginar foi com uma enorme boa vontade que entrei no Guilty. Mas...


O ambiente 

Já lá tinha estado a jantar há uns anos – outra recaída – e tinha achado o ambiente um bocadinho fashion demais: música muito alta, mulheres a dançar em cima dos balcões, pessoas a falar aos gritos. É um estilo, mas não é o meu estilo.

Ao almoço, o ambiente é completamente diferente. Não há euforia, não há barulho. O que há é uma agradável esplanada onde se está bem. Como fui lá num destes maravilhosos dias de Verão, agradeci que tivessem descido uns plásticos transparentes dos lado para nos proteger da chuva e dos olhares das pessoas que passavam na rua.

No interior do restaurante, e quando está pouca gente, pode ver que a decoração é moderna e simples, transformando o espaço num local agradável. É claro que à noite, com a música alta, "agradável" é uma palavra mais difícil de usar. Mas eu já decidi: para mim, o Guilty passou a ser um restaurante exclusivamente para almoçar. 

A ementa 

O couvert

Mal chegámos, pedimos uma focaccia enquanto escolhíamos. Entretanto, esperámos que trouxessem o couvert antes da focaccia. Mas ainda continuamos à espera...

A focaccia acabou por chegar passados poucos minutos. É boa e temperada com azeite, sal e alecrim. Mas podia estar um pouco mais bem cozida e estaladiça. No meio é fininha, mas nas pontas é um pouco mole demais.

As saladas

Da outra vez que aqui tinha vindo, provei os hambúrgueres – que são bons. Também já ouvi elogios às pizzas. Mas com um Verão tão quente e agradável como este e, tendo ao meu lado a minha querida e sempre em dieta Mulher Mistério, resolvi experimentar as saladas. E não me arrependo.
A salada caprese vem bem servida. Num prato grande, traz uma óptima mozzarella de búfala. Já passei por vários restaurantes que anunciam na ementa mozzarella de búfala e depois servem mozzarella de plástico. Mas aqui não: a mozzarella é consistente por fora e cremosa por dentro e vale mesmo a pena. 
O tomate é outra surpresa: saboroso, muito encarnado e suficientemente maduro. A rúcula é fresca e o manjericão é delicioso. O que mais se nota nas saladas do Guilty é a qualidade dos alimentos. Não são saladas com grandes invenções mas são saladas com ingredientes frescos e saborosos. E é isso que torna um prato delicioso.
Por cima, vêm umas óptimas fatias de pão torrado, um molho de vinagre balsâmico espesso e adocicado e umas gotas de azeite de trufas que, infelizmente, se destacam mais pelo aroma do que pelo sabor: não sei se o problema foi molho de vinagre balsâmico doce a mais ou azeite de trufas a menos.
Ela pediu uma salada de "chèvre chaud", que é o mesmo que dizer salada de queijo de cabra quente no terreno mundo das pessoas que vivem em Portugal e falam português, como é o nosso caso. No entanto, apesar do pedantismo do nome, estava fantástica também. Vem com alface, rúcula, espinafres, tomate cherry, queijo de cabra gratinado, nozes e molho de mostarda Dijon e mel com azeite de trufas. 
As sobremesas
Entre a focaccia dividida por dois e a salada, achei que seria suficiente. Mas não foi. Uma hora depois estava a comer uma fatia de bolo de noz no café à frente do escritório. Estou arrependido de ter deixado escapar as pizzas Nutella, Mascarpone (com mel e amêndoas torradas) ou o calzone de pêra (com canela, gelado de baunilha, caramelo e amêndoas torradas).
O preço
Na falta de gente a dançar em cima dos balcões, este é destacadissimamente o grande problema do Guilty. A salada caprese era, de facto, óptima, a mozzarella de búfala é cara e o azeite de trufas é caríssimo. Mas 13 euros por uma salada é demais. E a caprese nem era das mais caras: a salada de chèvre custa 15 euros e a tropical 17,50 euros. Um excesso.
O serviço 
Tirando o telefonema inicial e a impossibilidade de marcar mesa, tudo correu bem. A empregada que nos atendeu foi muito simpática e conseguiu um equilíbrio perfeito entre o bom humor e a boa educação. É uma felicidade ser atendido, nos dias de hoje, por alguém que diga umas graças sem ser inconveniente.
O bom 
O serviço
O mau 
O preço
O óptimo 
A mozzarella de búfala
Um abraço para o Bentley do Olivier, onde quer que ele esteja,
Ele

o lateral é um restaurante banal

 

As letras são brancas, o fundo é escuro e até o nome é o mesmo. Mas ficamos por aqui. Entre o Lateral de Madrid e o Lateral da Avenida Barbosa du Bocage, as semelhanças acabam naquilo que é fácil copiar. Nada do resto tem alguma coisa a ver. Em Madrid, há uma decoração sofisticada, várias exposições de arte e comida surpreendente, que vai das vieiras a la plancha com creme de batata trufada aos raviolis, aos risottos e aos pinchos.

Em Lisboa, há mais um restaurante de petiscos. E quando digo mais um restaurante de petiscos, não quero dizer que não gosto de petiscos. Adoro petiscos. Mas infelizmente em Portugal a moda pegou pelo lado do facilitismo. Tudo tem croquetes de alheira. Tudo tem ovos mexidos com farinheira. Tudo tem carpaccio de boi. Tudo tem polvo à galega. Tudo tem batatas fritas com maionese (agora diz-se mayo para parecer diferente). Oh falta de imaginação!!! Fazer um restaurante não é copiar tudo o que os outros fazem. Fazer um restaurante é inovar, surpreender, deslumbrar. E infelizmente o Lateral de Lisboa não é nada disso. Não é que seja MAAAU. Não é. É simplesmente banal. E isso não nos faz lá ir. E muito menos lá voltar.

A ementa

Há hambúrgueres, há saladas, há focaccias e até há umas massas e uns crepes. Tudo isto era muito novo há cinco anos (tirando os crepes, que eram novos nos anos 80), mas agora já não é. Nós optámos pelos petiscos. Polvo à galega - normal; ovos com farinheira - normais; carpaccio de novilho - normal; focaccia com alho e ervas - normal; cerveja - normal; Coca-cola - normal; café - normal. Há uma vantagem: nada estava mau. Mas também nada estava bom. 

O serviço

Nem tudo é criticável. Os empregados são eficientes, sabem responder às perguntas dos clientes, são rápidos e muito simpáticos. É um serviço quase perfeito.

 

O ambiente

A decoração é engraçadita. Tem uma ardósia com umas coisas escritas na parede (mais uma inovação espectacular!) e tem umas fotografias antigas em formato gigante. É giro, mas é barulhento. Nós fomos almoçar em casal e sentimo-nos um bocadinho a comer na cantina do nosso filho mais velho.

 

No fim, pagámos mais de 20 euros por pessoa, o que sinceramente está muito próximo do assalto por esticão na rua. Só para ver se eu percebi bem: SETE EUROS E VINTE CÊNTIMOS POR UNS OVOS MEXIDOS COM FARINHEIRA?! Alguém me consegue explicar que surto de gripe das aves repentino (e que me passou totalmente despercebido) conseguiu inflacionar o preço dos ovos desta maneira absurda?! Eu não condeno quem decide abrir um restaurante banal. Mas, por favor, não pratique os preços do Fat Duck. Porque mesmo o Fat Duck - que é excepcional - já não se aguenta.

 

O bom

O serviço

 

O mau

A cópia do Lateral de Madrid

 

O péssimo

A falta de originalidade da ementa

 

Bons petiscos para si, onde quer que esteja,

Ele

os hambúrgueres do cais da pedra

Primeiro, vamos aos defeitos que isto vai ser rápido:

1 - Meus senhores, estamos no século XXI, não fiquem parados no tempo: um restaurante como o vosso ter um site que é apenas o horário e os contactos não se admite.

2 - Meus senhores, estamos no século XXI, mas não queiram ser modernos demais: um restaurante como o vosso não aceitar reservas ao almoço não se recomenda.

E é isso. Não temos mais nada a dizer. Boa tarde e até amanhã.

Nãaaaaa, não se vá já embora. Agora vamos falar das coisas boas. E isto vai demorar. Começando pelo horário (aberto até à meia-noite ou até às 2h da manhã), passando pela animação (há música boa e DJ) e continuando no resto (gins, cocktails e chás gelados fantásticos).

O serviço

Chegámos em bando. Não apenas os quatro elementos titulares da nossa equipa de futsal, mas também os suplentes, que é, como quem diz, um amigo para cada um dos nossos filhos. Somando esta turba a um casal de primos, dá a módica quantia de 12 abdómens sentados à mesa. É o suficiente para assustar qualquer empregado inexperiente ou qualquer gerente empertigado. Mas não bastou para abalar o profissionalismo dos senhores do Cais da Pedra. Mesmo não tendo nós reserva. Mesmo tendo uma energia suficientemente assustadora. E mesmo chegando por volta das nove da noite. Está certo que era um dia de semana, mas o restaurante estava quase cheio. E isso não impediu a empregada de sorrir, ser simpática e ajudar: juntou mesas, arrastou cadeiras, foi prestável e eficiente. É assim um serviço bom. E é assim o serviço no Cais da Pedra. Ao longo de todo o resto do jantar, foram rápidos, atenciosos e amáveis. A turba agradece.

O ambiente

Tem duas hipóteses: esplanada com vista deslumbrante ou interior com vista deslumbrante. Eu sei que pode ser considerado um bocadinho repetitivo, mas eu gosto. E não é tudo. O espaço tem um pé direito gigante e uma mezzanine que acompanha um dos lados da sala. Tem janelas enormes e espelhos imponentes. É decorado com ferro, pedra e um bom gosto simples, moderno e eficaz. Os tampos das mesas fazem lembrar o balcão da cozinha da minha bisavó e os guardanapos a toalha de piquenique da minha tia-avó. Tudo isto tem um charme e uma simplicidade reconfortantes. A cozinha está aberta para a sala e os candeeiros são sofisticados, o que lhe dá um toque de modernidade. É seguramente uma das salas de restaurante mais bonitas de Lisboa. Eu sei que disse isto há pouco tempo em relação ao Darwin's, mas é verdade: Lisboa está com restaurantes lindos.

A ementa 

O couvert

Azeitonas marinadas, pão de mafra quente (adoro pão quente, mas não sou grande fã de pão de mafra – prefiro o alentejano), azeite e vinagre balsâmico e uns croquetes de novilho acabados de fritar (deliciosos): simples e bom.

 

As entradas

Há sopas, carpaccios, umas saladas e até uns folhados de queijo de cabra. É capaz de ser bom (não discuto), mas quando saio para comer hambúrgueres não saio para comer carpaccio. Por isso passei.


Os hambúrgueres

Chegámos ao que finalmente interessa. Todos os hambúrgueres são feitos com carne maronesa – isso já é alguma coisa. E alguns são feitos com foie gras, queijo da ilha ou maionese de trufas – e isso é muito mais. Eu provei três diferentes, com medo de estar a perder alguma coisa importante.

Primeiro, o hambúrguer de salmão em bolo do caco de alfarroba, com cebola roxa, tomate cherry e molho de iogurte grego e cebolinho. A moda do bolo do caco já enjoa ligeiramente, em especial quando o bolo do caco parece uma bola de mafra achatada da véspera (sim, já vi isso por aí). Mas o bolo do caco de alfarroba é diferente, e consegue surpreender no meio desta intoxicação madeirense. Quanto ao recheio, o molho de iogurte grego com cebolinho corta na perfeição a gordura do salmão. É uma óptima solução para começar a refeição se não pedir entrada e se dividir por três.

Depois, o hambúrguer Cais da Pedra, com queijo da ilha, cebola caramelizada e compota de tomate cherry e manjericão. É uma mistura fantástica e claramente o meu preferido. O queijo da ilha é intenso, a compota é doce e a cebola caramelizada é um pormenor maravilhoso.

Finalmente, o Rossini, com foie gras e maionese de trufa preta. Nesta fase, já tinha provado paladares demais. O foie gras é provavelmente uma das sete maravilhas gastronómicas do Mundo e a trufa um dos meus luxos favoritos. Mas a mistura dos dois e, ainda por cima, com maionese pelo meio é ligeiramente enjoativa. São sabores e calorias a mais para um único prato.

 

As batatas fritas

Enganam. São grossas, têm casca... mas também são óptimas: estaladiças, leves e saborosas.

A sobremesa

Há brownies, há crumbles de maçã, há mousses de chocolate e até há quem tenha conseguido comer isso. Mas eu fiquei pelo carpaccio de abacaxi com sorbet de côco. É bom e menos calórico. Ou, pelo menos, parece.

A surpresa

A nova ementa deste ano tem cinco pequenos-almoços para o fim-de-semana e os feriados, quando o restaurante abre às 10h da manhã: americano, continental, light e dois tipos de ovos benedict – com fiambre ou salmão fumado ou com espinafres frescos e cogumelos. É uma ideia – para um dia em que consiga resistir aos hambúrgueres.

 

O óptimo 

Os hambúrgueres

O bom

O serviço

O mau

Não haver reservas para o almoço

 

Um bom jantar para si, onde quer que esteja,

Ele

sugestão para a primavera: cinco restaurantes dentro de uma roulotte

Começa hoje oficialmente a festa da roulotte. Chama-se Lisboa Sobre Rodas e são cinco restaurantes que se vão dedicar à venda ambulante até ao dia 10 de Outubro. Durante os próximos meses, o Banana Café, a Frigideira de Bairro, a Hambúrgueria da Parada, o Hot Dog Lovers e o Wasabi vão circular por Lisboa em roulottes personalizadas e vão parar todos os dias da semana num sítio diferente: Amoreiras (junto ao Hotel D. Pedro V), Campo Grande (ao lado do edifício da Zon), Cais do Sodré (mesmo no parque de estacionamento), Entrecampos (no jardim) e Saldanha (na praça).

As roulottes estarão abertas ao público entre as 10h e as 19h, de segunda a sexta-feira, e montarão sempre uma esplanada com 20 lugares sentados no local. Aos domingos, uma das roulotes estará estacionada no Parque de Monsanto entre as 10h e as 19h. De quinta a sábado, vai haver também festa da roulotte à noite: as cinco carrinhas vão juntar-se no topo do Parque Eduardo VII, junto à bandeira, entre as 20h e as duas da manhã, numa esplanada com cerca de 200 lugares sentados. Hoje é a primeira noite no Parque Eduardo VII e vai haver festa para comemorar a inauguração da iniciativa, com Concha e Pedro Sacchetti e o DJ Phizz. Conheça cada uma das roulottes e para saber onde é que elas estarão, consulte as páginas do Facebook:

 

A Frigideira do Bairro

É a roulotte dos donos do restaurante Sea Me, onde nós já fomos e sobre o qual escrevemos aqui. A Frigideira tem o conceito de petiscos servidos em pequenos tachinhos, tal como existe já no Mercado de Campo de Ourique. Há lascas de bacalhau, vieiras com chouriço, batatas assadas, grelos salteados, alheira de Mirandela, entrecosto com enchidos ou gambas ao alho. A roulotte já circula por Lisboa desde Fevereiro.

 

Banana Café

Foi para a rua esta semana e ganha destacadissimamente o prémio de roulotte mais bonita e original. Pintada à mão pelo designer Frederico Aranha, tem um estilo divertido e apetecível. O Banana Café serve sumos naturais feitos no momento (a limonada de morango é óptima!), empadas, quiches e saladas. Onde a roulotte pára, há música.

 

Hambúrgueria da Parada

São hambúrgueres no pão, com preços entre os €3,90 e os €5,20. O quiosque original fica no jardim de Campo de Ourique e está quase sempre cheio. O mais original é o hambúrguer agridoce.

 

Hot Dog Lovers

São os famosos cachorros da Boca do Inferno, em Cascais, que faziam um sucesso no Verão, depois de um bom dia de praia no Guincho (coisa rara) ou à hora do almoço quando a ventania no Guincho não se aguentava (coisa mais frequente). Depois abriram em Lisboa um quiosque na Avenida da Liberdade e agora vão percorrer a cidade. Têm hot dogs vegetarianos, chili e outras coisas estranhas. Mas o melhor mesmo é o cachorro completo, com tudo aquilo a que temos direito. Preços entre €3,50 e €4,90.

 

Wasabi

Tem sushi, sashimi, uramakis, gyosas, temakis, camarão panado, caipirinhas e morangoskas. É óptimo, prático e não é nada caro: tem menus entre €4 e €5,95. Nasceu no Martim Moniz e agora vai andar por aí.

Bons almoços nas roulottes, onde quer que elas estejam,

Ele

é desta que cai o carmo e a trindade!

 

 

Se Lisboa está imparável, então o Chiado está louco. Nas próximas semanas, vão abrir no Largo Raphael Bordallo Pinheiro quatro novos restaurantes. O primeiro é inaugurado para a semana e é uma mistura de restaurante e bar. Chama-se The Meating (que, com tantos turistas, um nome em inglês dá sempre jeito) e vai ter DJs às sextas e sábados à noite. Na ementa, haverá quatro tipos diferentes de hambúrgueres, várias saladas e outros pratos para petiscar, como asinhas de frango, lascas de rosbife e tábuas de queijos e petiscos. O espaço é enorme e fica já prometido: o Casal Mistério vai testar tudo em breve.

Mesmo, mesmo ali ao lado está em obras um novo Honorato, a hambúrgueria da moda em Lisboa. Com os famosos hambúrgueres frescos divididos por vários andares - um para a salada e outro para a carne e o molho -, o restaurante vai ter também pizzas e dar algumas dores de cabeça aos vizinhos do H3.

 

 

 

Em relação aos outros dois espaços, ainda não há muitas novidades. Mas é bom lembrar que este largo já conta com:

-  o Aqui Há Peixe, do imparável Miguel Reino, irmão do Gigi, que começou, em Lisboa, com a Picanha das Janelas Verdes, depois mudou-se para a Praia do Pêgo, na Comporta, e agora instalou-se aqui, onde tudo vai acontecer.

 

 

- o Royale Café, um espaço trendy chic, vegan e vegetariano, com muito boa onda, que serve desde brunches a jantares inspirados nas cozinhas mediterrânea e grega.

 

 

- o Nood, um restaurante asiático, que serve noodles e sushi vindos da cozinha aberta e virada para as mesas. Sim, o nome é abreviatura de noodles.  

 

 

- o BCN,  "o irmão mais novo", em versão petisqueira, do Novamesa da Praça das Flores. É um espaço familiar, alegre e descontraído com uma enorme seleção de tapas e petiscos ibéricos: pinchos, montaditos, raciones e muitos outros.

 

           

E o melhor fica sempre para o fim: uma das ideias da câmara é fechar o largo ao trânsito e ocupar toda a área com as esplanadas dos novos restaurantes. A coisa promete.

 

E viva as novidades, onde quer que elas estejam,

Ele

o hambúrguer com queijo da serra do farm

Hoje, começo pelo fim: há coisa mais revoltante do que um café Nespresso vendido por 1 euro - ou mais, em alguns lugares? Se nós em casa o compramos por 30 cêntimos, há necessidade de ter um lucro de mais de 200 por cento só por causa de um pequeno luxo de um cidadão resgatado pela troika? Felizmente, descobri um sítio onde um Nespresso é vendido a 75 cêntimos. E não é um café, é uma hamburgueria. Ou seja, podia lá ir beber um café e aproveitar para comer um hambúrguer. É, ao contrário, não é? É, mas olhe que é bom.

 

 

A ementa

Os hambúrgueres

Aberto há cinco meses no Atrium Saldanha, em Lisboa (há outro no Fórum Almada e vai abrir um no Cascaishopping), o Farm tem mais qualidades além do café Nespresso a preços razoáveis. Tem hambúrgueres bons, tem toppings óptimos e tem detalhes surpreendentes. Primeiro, os hambúrgueres. Feitos com "carne 100% natural", "com um blend composto por uma cuidada selecção de vários cortes" e outras frases que os marketeiros adoram repetir para abrir o apetite dos clientes, são, de facto, bons - têm uma consistência uniforme que não parece pastilha elástica e um sabor fresco cozinhado no ponto: nem muito mal passado nem demasiado cozinhado. Mas o que faz mesmo a diferença é o que está por cima. E aqui há surpresas: cogumelos frescos; queijo brie, rúcula e pimentos caramelizados; ou o maravilhoso queijo da Serra com agrião e cebola salteada - uma mistura espectacularmente deliciosa e formidavelmente calórica (só uma vez é proibido?!). Finalmente, os detalhes: os hambúrgueres são temperados com flor de sal e podem vir no prato, em pão brioche, em bolo do caco (numa das vezes que lá fomos, não estava brilhante) ou como minihambúrgueres (o que também é óptimo). Para acompanhar, tem batatas fritas (boas), arroz de jasmim (isto já é um bocadinho exótico demais para mim) e salada de alface, rúcula e tomate cherry (muito boa e bem temperada). 

 

  

 

As bebidas

Grande problema. Menos grave do que só ter Pepsi, mas, mesmo assim, um grande problema: só há Coca-Cola de pressão. O que quer dizer que tem menos gás. E isso, numa Coca-Cola, pode ser fatal.

 

As sobremesas

Mais surpresas: bolos com bom aspecto e uma apresentação para lá de gourmet. Optei pelo carpaccio de abacaxi com canela por cima. Muito bom. Especialmente para um fast food.

  

O serviço

Das duas vezes que lá fui, estava sempre pouca gente. Empregados simpáticos, atenciosos e rápidos. 

 

 

 

O ambiente

Estamos a falar de um shopping, não de um restaurante sossegado. Por isso não espere muito. No entanto, o Atrium Saldanha é um centro comercial arejado e a área de restauração fica ao lado de uma enorme praça com um pé direito gigante e muita luz. Ainda por cima, tem estacionamento mesmo ao lado. Uma boa opção para um almoço em modo de troika - barato, rápido e agradável. Hoje em dia, é isso que se quer. Por isso, resta-me desejar-lhe:

 

Uma grande recuperação económica para si, onde quer que esteja,

Ele

bolo do caco hamburgueria gourmet II

 

Já lá estivemos, já lá comemos e até já escrevemos sobre ele. Então porquê voltar ao assunto? Começa a faltar temas, é? A crise atirou-nos para o sofá de casa? Calma... não tire já conclusões precipitadas. Volte lá a olhar para o título. Não vê um "II"? Exactamente, estamos aqui para lhe dar uma novidade bem fresquinha, acabadinha de sair. Depois do sucesso do Bolo do Caco Hamburgueria Gourmet de Oeiras (de facto, é difícil encontrar um restaurante mais cheio desde que o FMI aterrou no aeroporto da Portela), agora vai abrir o Bolo do Caco Hamburgueria Gourmet do Monte Estoril. E quem diz agora, diz dia 5 de Fevereiro. Está interessado? Então aqui ficam mais informações: tudo isto se passará na Avenida Sabóia, 515 C e para marcar, pode ligar o 21 467 20 60. Chega de novidades? Não chega, não. A ementa terá dois pratos novos: o Dragon Burger (com caril, tikka massala e chutney de manga) e o Sabóia Burger (com camarão e ovas de lumpo). Enquanto não vamos lá experimentar tudo isto incógnitos, fica aqui a crítica mistério que fizemos ao restaurante de Oeiras:  

http://casalmisterio.blogs.sapo.pt/5606.html

 

Até lá vá abrindo o apetite,

Ele

bolo do caco hamburgueria gourmet

 

Mesa para dois

 

O ambiente

Imagine um Mini com mesas de jantar lá dentro. Sentir-se-ia confortável? Vai sentir-se. Quando a decoração tem a ver com o espaço, a área é apenas uma questão de perspectiva. E aqui tem de ir preparado para o que vai encontrar. Primeiro, este é um restaurante para almoçar, não é um sítio para jantar - o espaço é minúsculo e as cadeiras não são confortáveis. Depois, este é um restaurante para ir aos pares - se for sozinho vai ficar absorvido pela conversa do lado; se for em grupo arrisca-se a ficar sentado ao colo de uma colega (ou de um colega, o que pode ser ligeiramente mais desagradável, dependendo das perspectivas). Depois, este é um restaurante para marcar mesa - não arrisque porque não vai correr bem.

Se tiver a sua perspectiva acertada nestes pontos, vai gostar. Só precisa de não querer aquilo que este restaurante não é. É como o Mini: é um carro trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem andar - mas não é um carro de luxo, nem um carro para a família. O Bolo do Caco é igual: é um restaurante trendy, engraçado, bonito e no qual sabe bem estar - mas não é um restaurante de topo, nem um restaurante para jantar. A decoração é moderna, o espaço é acolhedor, o ambiente é animado.

Quando nos sentámos, tivemos a sorte de ficar esmagados entre um casal silencioso, mais interessado na nossa conversa do que na deles próprios, e dois amigos empenhados em discutir marcas de artigos desportivos e computadores de última geração. Ou seja, a companhia poderia ter sido pior.

 

 

O serviço

Desde que fui descomposto pelos empregados do English Bar, no Estoril, por ter ousado ir ao restaurante no dia 1 de Janeiro, quando eles estavam estafados da festa na véspera, que dou graças a Deus quando sou bem recebido no dia a seguir ao Natal e ao Ano Novo. E aqui tivemos sorte. No dia 26 de Dezembro, quando metade dos donos dos restaurantes de Lisboa estavam a desintoxicar das filhoses e das rabanadas em excesso, os empregados do Bolo do Caco estavam felizes por estarem abertos. Ou, pelo menos, pareciam. Na quinta-feira, não tínhamos marcado. E, mesmo assim, conseguimos mesa. Com boa vontade e um sorriso - o que, hoje em dia, é raro. O restaurante não tem menu - está tudo escrito a branco nas paredes pretas -, o que acelera logo uma boa parte do serviço. E a comida vem rapidamente e sem erros - o que, hoje em dia, é ainda mais raro. As alterações aos pratos; o "um pouco mais de gelo, se faz favor"; ou o "se não se importa, trazia-me uma Coca-cola enquanto escolhemos" são encarados com naturalidade. Aqui serve-se como deve ser: sem simpatia a mais e sem eficiência a menos. 

 

A ementa

 

Couvert

O pão não é brilhante: está entre o pão de forma Bimbo e o pão de sementes artesanal - é escuro, mas é mole demais; tem côdea, mas é um pouco emburrachada. O azeite vem com um xarope de vinagre balsâmico demasiado espesso e doce. Mas as azeitonas são pequenas, tenras, saborosas e nada ácidas. Resumindo, não é fascinante mas escapa.

 

Os pratos principais

Aqui tudo tem bolo do caco. E quase tudo é elaborado com cuidado. Experimentámos o hambúrguer de salmão e o hambúrguer tártaro. Primeiro, os crus. O tártaro estava bom, mas não é fabuloso. Vem com alcaparras e carne fresca e saborosa, é grande e tem mostarda a acompanhar, mas falta-lhe algum detalhe que o torne especial. E esta é que é a diferença entre um bom restaurante para almoçar, como esta hamburgueria, ou um excelente restaurante para jantar, como o Talho de que falámos há uns dias: os detalhes que surpreendem. A única crítica é em relação às batatas fritas: um pouco grossas demais e moles.

Agora, os cozinhados. O Salmão Burger é a melhor solução para quem passou as últimas 48 horas a comer bacalhau, peru, couves, rabanadas, queijos, mais bacalhau, mais peru e mais tudo. Pelo menos é um prato que finge ser light. Com cebolinho, rúcula e tomate, vem por baixo de um molho tzatziki, de origem grega, à base de iogurte e pepino. É um molho leve e fresco e, juntamente com o cebolinho, ajuda a desenjoar da gordura do salmão. Mas o melhor deste prato - e provavelmente de todo o restaurante - é o acompanhamente: umas chips de batata doce, cortadas à grossura de uma folha de papel, extremamente estaladiças e sem um pingo de gordura a mais. Todos os acompanhamentos são servidos em tachinhos miniatura cinzentos, o que para quem, como eu, já não aguenta a moda das ardósias, representa uma bafurada de ar fresco numa tarde caribenha.

E porque era dia 26 de Dezembro, os doces tiveram de ficar para outro dia - ao almoço, claro.

 

 

Um bom fim-de-semana para si, onde quer que esteja,

 

Ele