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Casal Mistério

Casal Mistério

a nossa experiência no craveiral farmhouse, o hotel que nunca fechou durante a pandemia

04.06.20

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Foi elogiado pela CNN pela sua postura durante o estado de emergência por causa do novo coronavírus. A cadeia de notícias norte-americana considerou mesmo que o Craveiral Farmhouse optou por uma “missão nobre”, protagonizando uma “história fascinante”.

E a verdade é que, com quatro famílias alojadas quando começou o isolamento, Pedro Franca Pinto, o proprietário do Craveiral Farmhouse, não recorreu a lay off e manteve os postos de trabalhos dos seus 22 funcionários. Além disso, disponibilizou as suas 38 casas para “cuidados profiláticos, quarentenas obrigatórias ou hospitalização domiciliária”.

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O hotel

Este turismo rural situado em São Teotónio, perto da Zambujeira do Mar, tornou-se assim um exemplo de integridade e humanismo em tempos difíceis como estes. Confesso que não me surpreendeu.

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Quando passámos um fim de semana no Craveiral Farmhouse, meses antes da pandemia, percebemos logo que aqui reina um espírito familiar e de entreajuda fora do comum. A começar pela pizzaria pop up, com produção artesanal em forno a lenha, que abriu no ano passado no hotel: em parceria com o restaurante In Bocca Al Lupo, o Craveiral contratou três funcionários com défice cognitivo, apoiados pela associação VilacomVida. Por cada pizza vendida, €1 é doado à associação. Ainda por cima as pizzas são divinais.

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O Craveiral Farmhouse é muito mais do que um turismo rural, não só pela sua dimensão como pela variedade de infraestruturas e atividades à disposição. Os 9 hectares da propriedade, em plena Costa Alentejana, albergam quatro núcleos de casas com várias tipologias, que vão desde os estúdios às casas com 2 quartos.

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Tem ainda duas piscinas exteriores e uma interior, um jacuzzi, um ótimo restaurante com o espírito Farm to Table que só serve produtos da horta e comida orgânica, um Spa, uma quinta com animais, um pomar, uma horta biológica e um centro de interpretação da Natureza.

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Toda a decoração é moderna, arejada, com linhas minimalistas e com muito bom gosto. Nós adorámos o hotel cuja arquitetura está muitíssimo bem integrada na Natureza. E, sendo relativamente grande para um turismo rural, com 38 quartos, consegue-se ter privacidade, a não ser que queira passar o dia na piscina comum perto da receção. Aí, sim, encontra uma maior concentração de hóspedes.

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O nosso quarto

Ficámos num simpático estúdio com uma kitchenette. A decoração é, tal como no resto do hotel, minimalista e contemporânea, onde predominam as madeiras claras, a cortiça, o branco e o microcimento. Todas as casas têm um pequeno terraço privado com cadeiras e uma mesa. A cama era boa e confortável e o quarto é espaçoso.

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A kitchenette está escondida por trás da parede que faz de cabeceira da cama. É pequena, mas tem tudo o que precisa para fazer refeições fáceis e rápidas. Nós não a usámos. Preferimos passar os dois dias na praia e, à noite, jantámos no restaurante.

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A casa de banho está bem escondida a seguir à cozinha. Prática, minimalista, em tons de cinzento e madeira clara, tem o estritamente necessário. Tem duche, não tem banheira mas o nosso duche tinha um pequeno grande problema: a água fria e a água quente não se entendiam. Pior: desconfio que estavam mesmo de costas voltadas, de relações cortadas. Quando tentávamos que se juntassem para uma temperatura mais agradável, recusavam-se terminantemente. Estavam ali numa guerra suja e não se misturavam. Pareciam as castas na Índia. Por isso, durante todo o fim de semana, tomámos banho ou de água fria ou de água a escaldar.

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A casa de banho tinha ainda outra surpresa: o sabonete que também era champô era é uma espécie de cone sólido. É bio, dizem eles, não lava, digo eu, que adoro um bom gel de banho.

Outro detalhe que me chamou a atenção foi a falta de espaço para arrumação. O armário, embutido na parede da entrada do quarto, não tinha nem prateleiras nem gavetas. Por isso, acabámos por deixar a roupa dentro das malas. Mas isso, sinceramente, são detalhes sem muita importância.

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Pior é ouvir-se barulho de um quarto para o outro. Na casa ao lado da nossa, estava um bebé cujo pai parecia que me embalava a mim, tão próxima estava eu da cantoria. O que vale é que o Dorme Bebé em loop me embalou numa noite de sono profundo. Só acordei às 9h30 da manhã, não com o vizinho a cantar, mas com as empregadas a baterem à porta para arrumarem o quarto. Como diria o Herman na pele de Diáconos Remédios, “não havia necessidade”. Se calhar, a solução passa por usarem aqueles avisos de “Não incomodar” pendurados na porta ou outra alternativa mais criativa.

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O pequeno-almoço

O pequeno-almoço é servido entre as 8h30 e as 11h na sala principal do hotel e no maravilhoso alpendre junto à piscina. A sala tem na parede ao fundo um painel gigante em macramé muito giro feito pela Oficina 166, da talentosa Diana Cunha, que costuma fazer workshops no Craveiral.

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Quanto ao pequeno-almoço é bom e tem muitas opções saudáveis. Servido em buffet, tem alguma variedade de fruta. Mas, à hora que fomos, já só sobrava melão. Tem pudim de chia, bolos vegan e vários leites vegetais, queijos e frutos secos, sumos naturais, bom pão alentejano e ovos e panquecas, ambos ótimos, mas a pedido. 

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O restaurante

Já ao fim da tarde, depois de um dia de praia de sonho, pedimos uma tábua de queijos enquanto esperávamos pela hora do jantar junto à piscina. Eram 20h e só tínhamos mesa marcada para as 21h30. Para nossa desilusão a funcionária explicou-nos muito delicadamente que só servem a tábua até às 19h00 porque faz parte do menu de snacks do almoço. Foi pena porque dava meio quilo de barriga por um queijinho, mas paciência. O serviço no Craveiral foi sempre de uma simpatia de tal forma desconcertante que nem tivemos coragem de protestar.

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Optámos por jantar mais cedo. Estava uma noite de sonho no alpendre com as lareiras exteriores acesas. E jantámos maravilhosamente: dividimos um robalo grelhado e uma Pizza Pesto. Ambos absolutamente divinais. Partilhámos também duas sobremesas: uma mousse de chocolate com frutos secos e este pudim inacreditavelmente pornográfico de bom que era.

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O Craveiral Farmhouse é seguramente um sítio delicioso para ir passar uns dias, em família e com amigos, não só por causa do bom gosto da decoração, da simpatia do serviço, da ótima piscina e do excelente restaurante, mas sobretudo pelo exemplo de integridade, sustentabilidade e humanidade que o projeto revela em cada detalhe. Se puder, aproveite os feriados da próxima semana e passe uns dias neste paraíso perto da Zambujeira do Mar.

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O bom

A decoração dos quartos e do hotel

O mau

A pouca insonorização das suítes e a falta de espaço para arrumar a roupa

O ótimo

O restaurante, o alpendre, as lareiras exteriores e a simpatia do serviço

 

Bons feriados,

Ela

 

fotos: casal mistério e d.r.