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Casal Mistério

Casal Mistério

coronavírus: fique em casa! pela nossa saúde

13.03.20

Ao contrário de uma catástrofe natural, de um terramoto, de um vulcão ou de um furacão, a tragédia que pode resultar desta pandemia é evitável. E só depende de nós. De si, mim, dos nossos filhos, de todos. Só depende de prescindirmos um pouco do nosso egoísmo pessoal. Da vontade de ir ao cinema ou à praia. Do prazer de jantar fora ou passear num shopping. Do desejo de estar com os amigos ou numa festa.

Evitar a tragédia depende apenas de nós. O principal risco desta pandemia é a rapidez de contágio, que tem levado outros países – como a China, no início, e a Itália agora – a terem uma quantidade gigantesca de infectados graves, em simultâneo, a precisarem de vagas nos cuidados intensivos e de aparelhos de ventilação. É só isso que lhes pode salvar a vida. E é a falta disso que pode levar a uma tragédia global.

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Em Portugal, existirão menos de 1.600 camas nos cuidados intensivos e intermédios e apenas 500 a 600 ventiladores. Se, em algum momento desta pandemia, houver mais do que estas pessoas a precisar destas máquinas para sobreviver, não há escapatória.

Há vários relatos de médicos em Itália e na Coreia do Sul que tiveram de optar quando só tinham um ventilador disponível e vários doentes graves à espera. É aí que nós podemos entrar – não a fabricar ventiladores (porque infelizmente não sabemos), mas a atrasar o contágio, e o número de pessoas que vai precisar desses ventiladores em simultâneo.

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Na China, a redução enorme da taxa de mortalidade que houve entre Janeiro e Fevereiro deveu-se essencialmente à capacidade de o país conseguir construir hospitais preparados para dar assistência em apenas duas semanas. Portugal não conseguirá fazer isso. Mas consegue parar o contágio. Deixando as pessoas em casa. Evitando espaços públicos, praias, teatros, cinemas, festas, ginásios ou até pequenos jantares de amigos. Vou só ali beber um café com um amigo – não vá! Vou só ali ao ginásio – não vá! Vou só ali à praia – não vá!

Ninguém sabe se representa um perigo para os outros porque o vírus mantém-se silencioso e contagioso durante vários dias. É possível até fazer um teste negativo hoje, fechar-se em casa sem contactar com ninguém e ter o vírus activo amanhã, depois de amanhã ou uma semana mais tarde.

A única coisa que podemos fazer para atrasar a tragédia – um pico de infectados a precisarem de cuidados superior a um número de ventiladores disponíveis no país – é evitar o contágio. E isso só pode ser garantido se ficarmos todos em casa. Durante uns dias, umas semanas, o que for preciso. Até que o contágio se mantenha estável e abaixo da capacidade de resposta dos nossos hospitais.

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Foi por isso que, na quarta-feira, decidimos ficar todos em casa. Felizmente podemos trabalhar de casa e, por isso, não hesitámos. As crianças deixaram de ir à escola e à universidade. Nós deixámos de sair. Não vamos à praia, não vamos à esplanada, não vamos ao cinema, não vamos jantar fora. Pode ser que estejamos a contribuir para uma crise económica, mas eu não tenho dúvidas em escolher uma crise económica a uma tragédia humanitária.

Os nossos filhos não vão estar com amigos nos próximos tempos e nós não vamos ter vida social. Vamos ficar em casa o máximo de tempo possível. A trabalhar, a cozinhar, a arrumar, a ver séries na televisão, a jogar jogos em família. E mesmo quando passar o período de quarentena e assegurarmos que não estamos infectados, e não representamos um risco para ninguém, continuaremos todos sem vida social. Porque, se formos infectados por alguém, tornamo-nos um risco para muitos outros.

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A partir de agora, não há críticas de restaurantes no Casal Mistério. Não há sugestões de hotéis nem recomendações de férias. Espere de nós um diário de uma família em quarentena. Com receitas deliciosas para fazer para a família, novidades de séries para ver com os filhos e jogos para se divertir sozinho. Com ideias de programas e passeios para dar dentro de quatro paredes. Sem dramas, sem lamúrias.

A geração dos nossos pais e dos nossos avós teve de prescindir da sua vida para combater em guerras absurdas. A nós, só nos é pedido para ficarmos em casa. Acha que é demais?

 

Um óptimo dia em casa para si onde quer que esteja,

Ele

 

fotos: ap e macau photo agency; gráfico: adpaptado do new york times

 

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