guesthouse casa dos lóios, um dos segredos mais bem guardados da baixa do porto

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    Quando chegámos ao centro do Porto, com dois dos nossos filhos (os mais velhos têm mais do que fazer, estão naquela idade em que os amigos são a coisa mais importante do mundo), avisei-os de que não íamos para um hotel, mas para um conceito ligeiramente diferente: uma guesthouse. Eu já tinha visto as fotografias no site do grupo Shiadu e sabia que a Casa dos Lóios era um casarão todo recuperado, em pleno Largo dos Lóios.

    Uma porta discreta ao lado de um supermercado Minipreço fez-nos temer o pior. Os miúdos olharam para mim, estupefactos:

    – Oh mãe, vamos dormir no Minipreço?

    – Espero que não!

    – Eu fico no corredor dos Chocapics!

    – Eu fico no dos chocolates.

    Felizmente, ficaram longe das obsessões calóricas.

     

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    A Guesthouse

    O despique continuou enquanto acartávamos os trolleys por uma enorme escadaria de madeira antiga, toda recuperada, que rangia a cada passo ou a cada degrau que pisávamos. Ao longo do caminho que nos ia afastando do supermercado, fomos descobrindo uma decoração que cruza quadros contemporâneos com objetos antigos, como um gira-discos, um rádio do tempo da Segunda Guerra Mundial ou um telefone dos anos 70.

    Fomos recebidos por um simpático rapaz (isto de tratar homens por “rapaz” começa a ser um perigoso sinal da idade) numa sala onde seria servido o pequeno-almoço e onde se encontra também o honesty bar. O rapaz (outra vez?!) explicou que a ideia era sentirmo-nos em casa, disse que as bebidas são pagas mas que as bolachas e os bolos que estão expostos na bancada são para nos servirmos à vontade.

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    Mostrou-nos o pátio muitíssimo bem decorado, que infelizmente não pudemos usar porque estava a chover mas que para este fim-de-semana é um ótimo spot onde pode tomar o pequeno-almoço. O bom gosto do pátio contrasta com a sala do pequeno-almoço: com mesas e cadeiras típicas com um toque demasiado juvenil, não batia certo com o resto da decoração da casa. Parecia mais uma sala de convívio de um hostel ou de uma pousada da juventude (ainda existem? Meu Deus! Sou tão antiga!). Mas o ar juvenil foi imediatamente esquecido quando abrimos a porta do quarto. Quarto?! Deixemo-nos de modéstias.

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    O nosso quarto 

    Como fomos só com dois dos elementos da nossa equipa de futsal, reservei uma suíte para 4 pessoas por 189 euros (no entanto, tem quartos duplos a partir de 79 euros). Mas o que encontrámos foi um verdadeiro salão de baile com duas camas de casal em cada ponta e duas casas de banho independentes. O chão de madeira contrastava na perfeição com as paredes pintadas de preto e com o teto de uma beleza incrível: recheado de frescos, em forma de abóbada, com um gigantesco lustro no centro, senti que dormimos numa qualquer basílica de Florença.

    As portadas de madeira branca das variadíssimas janelas com vista para o Largo dos Lóios (que, diga-se de passagem, tem edifícios lindos a precisarem de ser recuperados como na vizinha Rua das Flores) dão luz ao quarto (perdão, ao salão de baile) e a decoração mantém-se fiel ao estilo da guesthouse (exceção feita à sala do pequeno-almoço), com mobiliário antigo misturado com algumas peças modernas (como as mesas de cabeceira, por exemplo: a minha era moderna, a dele era antiga).

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    Resumindo, o quarto, ou melhor, o quartão era lindo e surpreendente. E era tão grande que tivemos medo de ter frio durante a noite mas o ar condicionado chegou para aquecer todo o “salão”. As camas, os lençóis e as almofadas eram confortáveis e os édredons eram bons mas não eram daqueles que parecem que nos vestem.

    As duas casas-de-banho eram espaçosas e iguaizinhas. Talvez um pouco frias. Ambas forradas com pequenos ladrilhos pretos, têm bidé mas não têm toalhas para o bidé, o que basicamente transforma um objeto de higiene num objeto de decoração. As toalhas de banho é que foram das poucas desilusões: pequenas e pouco macias.

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    O pequeno-almoço

    Servido no espaço jovial tipo hostel, é caseiro e variado. A maioria das coisas está à disposição no buffet e podemos pedir os ovos e café expresso no momento. Fomos atendidos por uma simpática e solícita rapariga (lá estou eu outra vez…) que também estava a fazer os check-in e os check-out mas que deu conta de tudo. O pequeno-almoço inclui vários tipos de pão fresco, bruschettas com queijo e tomate no forno (mas não cheguei a provar porque estavam frias), queijo fresco, fiambre e queijo, fiambre de peru, chouriço e iogurtes naturais.

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    Os miúdos deliraram com a Nutella, o salame de chocolate, as várias taças de cereais, o chocolate em pó para o leite, e com os vários doces e compotas. Ele, claro, sempre muito maçador e a dar o exemplo, experimentou a fruta (melão, laranja, kiwi, tangerinas e banana). Já eu, não resisti aos crepes mas infelizmente também estavam frios! Havia ainda um ótimo sumo de laranja natural, croissants doces, rabanadas, bolo de chocolate e coco. O leite, o café e o chá estavam à disposição mas também há leite de soja (a pedido). Nós pedimos uns ovos quentes que vieram no ponto mas os ovos mexidos de uma das crianças estavam ligeiramente secos. Resumindo, era bom mas não era do outro mundo.

    De qualquer forma, chegou para nos dar energia para dar uma volta pela maravilhosa baixa do Porto. Há sítio mais bonito do que este?

     

    O bom

    A localização, mesmo no centro da baixa.

    O mau

    As toalhas da casa de banho

    O ótimo

    O nosso quarto

     

    Um ótimo fim-de-semana

    Ela

     

    fotos: casa dos lóios

     

    Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

    2 thoughts on “guesthouse casa dos lóios, um dos segredos mais bem guardados da baixa do porto

    1. Olá,
      Estou neste momento a elaborar a minha dissertação de mestrado em Sociologia: Exclusões e Políticas Sociais na Universidade da Beira Interior, Covilhã, em torno da análise das questões da obesidade, do corpo e da imagem corporal. Para isso, e como opção metodológica decidi criar um blog (https://investigacaoubigoretti.blogs.sapo.pt/) propositadamente para a minha investigação. Neste blog, pessoas entre os 15 e os 35 anos podem anonimamente escrever um texto livre partilhando a sua experiência em relação aos temas que são propostos.

      Desta forma, queria solicitar a sua participação (https://investigacaoubigoretti.blogs.sapo.pt/), e acrescentar que toda a gente pode dar o seu testemunho (independentemente do peso e altura), porque o importante são as opiniões das pessoas em relação aos temas, as suas perceções e como vêm o seu corpo.

      Seria muito importante, visto que a participação das pessoas é imprescindível para a minha investigação, sem a qual esta não será realizável.

      Agradeço desde já.

      Cumprimentos,

      Goretti Nunes

    2. Aí o que eu já me ri com as escolhas dos miúdos de corredores para dormir no MiniPreço! Mas olha que o local não era mauzinto não sra! Eu trocava o corredor dos chocolates do MiniPreço pela guesthouse

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