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Casal Mistério

Casal Mistério

monte velho equo-resort, o primeiro hotel que visitámos durante a pandemia

10.07.20

Foi difícil convencer o hipocondríaco do meu querido Marido Mistério. Desde que começou a pandemia do Covid-19 que tem sido uma tarefa árdua arrancá-lo de casa. Lá o convenci com o argumento de que a vida tem de continuar, que se tivermos todos os cuidados não corremos grandes riscos e, sobretudo, porque temos de trabalhar. Não podemos ficar enclausurados em casa até à descoberta da vacina.

Sugeri-lhe passarmos uma noite no Monte Velho Equo-Resort, um hotel que eu queria conhecer há algum tempo e que me parece ideal para descansar nestes tempos estranhos de desconfinamento. O meu querido Marido Mistério lá cedeu quando se apercebeu de que o hotel se situa a 7 km de Arraiolos onde, na altura em que fomos, não havia um único caso de Covid-19, segundo os dados da DGS que Ele consulta, pelo menos, nove vezes ao dia.

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O hotel

Lá partimos de Lisboa com a mala recheada de máscaras e de gel desinfetante e chegámos ao hotel já ao fim da tarde. O Monte Velho Equo-Resort é um boutique hotel que nasceu numa herdade de criação de cavalos de raça Lusitana com cerca de 250 hectares. De facto, aqui respira-se equitação em cada canto: nas dezenas de boxes, nos picadeiros cobertos e ao ar livre (até tem um de dimensão olímpica), nas aulas de adestramento, nos passeios a cavalo, nas salas de arreios, enfim, é o paraíso para os amantes de cavalos.

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O hotel cresceu de uma forma natural no meio deste ambiente. O projeto de arquitetura é do próprio proprietário, Diogo Lima Mayer, e o design de interiores tem a assinatura da mulher, Margarida. Curiosamente, concilia um monte tipicamente alentejano e rural com edifícios modernos e muitíssimo bem decorados. A harmonia entre os dois estilos é perfeita.

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A sala comum, com um honesty bar, abre para um enorme terraço sobre a piscina, com uma vista fantástica e vários recantos, sendo o mais reservado o deck, com o jacuzzi ao fundo, com vista para a barragem e os cavalos no prado. A quinta tem cerca de 50 cavalos. Fiquei encantada com os que vimos: eram lindos!

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Já o meu querido Marido Mistério ficou encantado com os cuidados do hotel em tempos de pandemia: todos os funcionários estavam de máscara e havia gel desinfectante nos espaços fechados comuns, como a receção, a sala de estar, o bar e a sala de jantar. E, à chegada, pediram-nos para usar máscara nas salas. Ele rejubilou de felicidade.

Os proprietários tiveram a preocupação de criar vários cantos para os hóspedes terem alguma privacidade, até mesmo na zona da piscina. A paz e a tranquilidade deste lugar são indescritíveis. Pelo menos até chegar uma família com duas crianças cujo tom de voz fazia lembrar o da Cristina Ferreira quando recebe um convidado inesperado na sua casa. Acabámos por nos refugiar na varanda do nosso quarto.

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Os quartos

O hotel começou com 2 quartos standard e cresceu com a construção de 7 suites premium. Nós ficámos numa das suítes. E adorámos. A decoração é linda, com tons naturais, madeiras claras e uma varanda com um duche exterior muito apetecível nestes dias de calor. A nossa tinha duas confortáveis cadeiras com uma mesa de apoio e uma simpática vista para o campo e para a barragem.

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A cama é enorme (king size), tem bons lençóis, édredons e almofadas confortáveis. A casa de banho está separada do quarto por uma parede de vidro e é muito gira, com materiais naturais, e espaçosa. Os toalhões são grandes e confortáveis e os amenities d’A Nova Saboaria.

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Uma longa secretária de madeira inclui uma máquina de café Nespresso, uma chaleira, uma garrafa de água e… sinais dos tempos, uma caixa de madeira com duas máscaras descartáveis e dois pares de luvas à disposição. O quarto tem ainda uma televisão na parede e toalhas para usarmos na piscina.

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Só não tinha uma coisa que o meu querido Marido Mistério achou imprescindível: um frasco de gel desinfetante ou de álcool. Ainda argumentei que o mais importante é lavarmos as mãos, mas não o convenci. Por isso, pelo sim pelo não, pegou no seu frasquinho de gel e enfiou no bolso das calças enquanto nos dirigíamos para o jantar.

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O jantar

Quando reservámos o hotel, perguntámos se poderíamos jantar. Explicaram-nos que sim, que o jantar era servido às 20h00 e que é um menu fixo que varia todos os dias.

A sala de jantar tem uma enorme mesa partilhada e um simpático terraço. Apesar de estarem apenas quatro hóspedes na ponta oposta da mesa, claro que o meu querido e precavido Marido Mistério preferiu jantar no terraço. E foi assim que jantámos orgulhosamente sós lá fora, ao luar.

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O jantar foi-nos servido por uma simpática funcionária. Infelizmente, não foi nada de especial. Não é de todo um restaurante, parece que fomos ali jantar a casa da nossa avó, o que não seria mau, se ela fosse uma cozinheira de mão cheia. Mas o que comemos foi absolutamente banal. Quando nos sentámos, já tínhamos na mesa as entradas: 3 pimentos padrón, 2 fatias de queijo, 1 fatia de presunto, 1 fatia de paio, uma tosta com queijo creme e pão com azeite. Havia ainda uma salada de alface e tomate, que optei por comer como acompanhamento do prato principal. Depois vieram uns lombinhos de porco com brócolos gratinados com queijo e rosti de batata. Estavam bons, mas não eram nada de especial. Vieram servidos no prato porque em tempos de Covid não há buffet para ninguém.

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A sobremesa foi a maior desilusão porque era demasiado doce e artificial: era um brownie de chocolate com gelado de limão e morangos com um molho super enjoativo. O meu querido Marido Mistério desiludiu-se ainda mais com os vinhos que nos serviram: além de não haver grande escolha, não os achou nada de especial. O jantar com uma garrafa de vinho incluída custou €30 por pessoa.

Já as suites premium são €300 por noite. Confesso que achei que o jantar não esteve à altura do luxo e do preço dos quartos. Senti falta de algum requinte no serviço, como repor águas no quarto, abrir a cama antes do jantar, ou o comando da televisão ter pilhas, por exemplo.

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O pequeno-almoço

Tal como o jantar, o pequeno-almoço deixou de ser buffet por causa da pandemia.

"Peço desculpa, mas já desinfetou as suas mãos?" Foi desta forma amável e preocupada que fomos recebidos na mesma sala de refeições do dia anterior pela funcionária de serviço que nos pediu delicadamente para desinfetarmos as mãos antes de nos sentarmos à mesa. O meu querido Marido Mistério só não lhe deu um beijo na testa porque não beija ninguém há mais de quatro meses.

À luz do dia, apercebi-me de que a gigantesca mesa de madeira da véspera eram várias mesas juntas onde caberiam cerca de 20 pessoas. Os hóspedes estavam separados por apenas um lugar vago (não chegava a 1 metro de distância para horror do meu querido Marido Mistério) mas o que nos valeu é que os nossos vizinhos já tinham saído, deixando todo o espólio do seu pequeno-almoço em cima da mesa ao lado do nosso lugar, que já estava à nossa espera, aparentemente há algum tempo: um iogurte grego natural com muesli, uma salada de frutas, um sumo de laranja natural e divinal, umas panquecas com mel ou compota, pão variado e dois tipos de croissants, queijo e fiambre e ovos a pedido. Tudo isto para cada um, claro.

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Tivemos pena porque as panquecas já estavam geladas apesar de serem ótimas. Deviam ser feitas no momento tal como os ovos. Pedimos dois ovos quentes mas só havia um porque a cozinheira tinha cozido os restantes para fazer uma salada para o almoço. Desfez-se em desculpas e nós descansámo-la, dizendo que não havia problema nenhum porque dividíamos o ovo. O meu querido Marido Mistério atreveu-se a pedir leite sem lactose e também não havia, porque "peço imensa desculpa, mas as compras só chegam hoje". Mas eis que a simpática funcionária/cozinheira voltou sorridente com um pacote de leite sem lactose nas mãos: foi "roubar à patroa"! Infelizmente, a patroa já não tinha ovos.

 

O bom

A zona da piscina e os terraços envolventes

O ótimo

A decoração das suites

O mau

A sobremesa do jantar, as panquecas frias do pequeno-almoço e não haver gel desinfetante nos quartos

 

Boas férias,

Ela

 

fotos: monte velho equo-resort