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Casal Mistério

Casal Mistério

o hotel de charme mais romântico do país é uma aldeia junto a um castelo medieval

01.03.19

Não voltes ao sítio onde foste feliz. Nunca percebi esta máxima. Eu sempre fiz questão de voltar aos sítios onde fui feliz. Sempre que posso. E foi precisamente isso que aconteceu com as Casas do Côro. Já tínhamos passado aqui um fim-de-semana, na altura em que Paulo Romão e a família tinham acabado de abrir este turismo de aldeia. E valeu a pena voltar, por todos os motivos e mais alguns: primeiro porque cresceu (tem mais quartos, suítes, um duplex, um novo restaurante, um deck e um bar junto à piscina, e um spa), depois porque manteve a qualidade e o conforto e finalmente porque é um lugar mágico e muitíssimo romântico. Estivemos a fazer contas e chegámos à conclusão de que fomos lá pela primeira vez quase há 20 anos, porque as Casas do Côro abriram em 2000. Meu Deus, estamos mesmo velhos!

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Chegámos ao fim da tarde de uma sexta-feira e fomos recebidos por uma simpática rececionista que estava claramente à nossa espera. As Casas do Côro são basicamente casinhas de aldeia recuperadas junto à muralhas do Castelo de Marialva. Só que, ao contrário do que se possa imaginar, aquelas paredes de pedra escondem interiores de um luxo e de um conforto raros e nunca vistos num turismo de aldeia que à partida costuma ser mais simples.

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Ao longo dos anos, o proprietário e a família recuperaram as casas em ruínas à volta do castelo e no meio dos sobreiros. Hoje são 12 casas, além de uma suíte eco sustentável, com cozinha equipada.

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Ao todo, já são 31 quartos, todos impecavelmente bem decorados, sóbrios e muito confortáveis, que podem ser ocupados individualmente. A juntar à sala principal com duas lareiras enormes, onde normalmente são servidos os jantares, foi também construído um restaurante novo e um spa eco friendly, dois edifícios modernos mas que não destoam nada na paisagem envolvente.

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O quarto

A simpática rececionista levou-nos até ao nosso quarto, uma suíte nova e moderna, escolhida a dedo pelo meu querido Marido Mistério, porque, adivinhe… tinha lareira no quarto, pois claro. O facto de a suite ter um beliche para mais duas pessoas não o afetou minimamente. Eu ainda tentei argumentar que era um desperdício, que íamos sem crianças e não precisávamos de camas extra para nada. Mas ele estava irredutível: tem lareira, tem de ser esta. Revirei os olhos até à China e desisti. A diferença de preço era, de facto, irrisória. Preferi perder esta pequena batalha para ganhar a guerra.

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Heresia das heresias, quando abrimos a porta do quarto, para grande desilusão do meu querido Marido Mistério, a lareira não estava acesa. Facada no seu pobre coração. Mas no fundo, lá no fundo, estava contente porque é tarefa que o meu querido Marido Mistério adora empreender com o entusiasmo de um adolescente a experimentar o primeiro cigarro. Demorou a cumprir a sua missão, recorrendo às mais variadas desculpas esfarrapadas: a lenha estava húmida, os troncos escorriam água, as acendalhas estavam estragadas, não havia pinhas, enfim. Ao fim de uma hora, lá vislumbrei uma ténue chama. Infelizmente, tivemos de sair do quarto porque tínhamos marcado mesa para jantar ali mesmo no hotel. Resultado: lareira novamente apagada.

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Antes de sair, ainda fiz um rápido reconhecimento do terreno:  o nosso quarto, tal como o que ficámos na primeira visita, era forrado a madeira, espaçoso e confortável. Tinha uma enorme janela para o jardim, uma chaise longue e uma escrivaninha antiga. Os candeeiros das mesinhas de cabeceira eram mini lustres. O quarto principal e a zona do beliche eram separados pela casa de banho construída precisamente no meio da suíte para dividir as duas zonas. A cama era enorme, com ótimos lençóis e édredons e várias camadas de almofadas, todas grandes e de penas. A decoração é sóbria, com cores quentes. A nossa, por exemplo, tinha apontamentos em tons de castanho e colchas e fronhas azuis claras.

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Aqui o conforto é mesmo a prioridade. Em todos os detalhes: desde a cama aos lençóis e aos toalhões quentes da casa de banho. Só é pena a casa de banho não ter janela, o que é sempre mais agradável.

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O jantar

O melhor do jantar nas Casas do Côro é o ambiente. Servido na Casa do Côro, uma sala de estar transformada em sala de refeições, com um lustre imponente e uma lareira enorme ao fundo, a iluminação é incrível e romântica. O jantar é sempre caseiro, delicioso e típico da região. As mesas estão impecavelmente postas com centros de mesa simples e candelabros altos enfeitados com a própria cera das velas. Os pratos são os do dia e cozinhados com requinte e cuidado.

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O ambiente e a simpatia do serviço é tal que, no dia seguinte, optámos por jantar novamente no hotel em vez de ir explorar os restaurantes da região. Cada refeição inclui um amuse bouche, uma sopa ou uma entrada, um prato de peixe ou de carne e um tentador buffet de sobremesas com doces regionais e conventuais. Tudo isto acompanhado pelos ótimos vinhos Casas do Côro. Tudo é bem confecionado, desde o simples bife a uma perna de cabrito no forno, ao empadão de perdiz ou ainda a um incrível arroz de coentros com garoupa ao vapor. E todos os dias é uma agradável surpresa: há um menu fixo por dia.

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Depois de me desgraçar no bufett de sobremesas, decidimos ir fazer exercício. Subimos os pouco mais de dez degraus das escadas até à mezzanine da sala de jantar onde encontrámos uma zona de estar com outra lareira que o meu querido Marido Mistério teve de acender. É mais forte do que ele. Esta atração inexplicável por lareiras ainda o vai levar à loucura. E enquanto Ele tomava conta da ocorrência, descobri dois baralhos de cartas e desafiei-o para uma partida de gin rummy. Dez minutos depois, quatro cartas jogadas e uma sala cheia de fumo. Ou seja, segundo falhanço do dia a acender uma lareira.

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Como o meu querido Marido Mistério é muito lento a jogar às cartas, pensa cuidadosamente em cada jogada desastrada que faz, comecei a olhar em volta enquanto esperava pela carta inspirada que Ele ia jogar a seguir. E foi aí que me apercebi que estávamos a jogar sob o olhar atento, não de um nem de dois, mas de três Aníbais Cavaco Silva: sentado no seu trono no Palácio de Belém, numa fotografia de grupo com os membros do seu gabinete, com o proprietário das Casas do Côro e alguns notáveis da região. Aqui prega-se o Cavaquismo sem qualquer pudor. Nada contra, só que, por uns instantes, senti-me na sala de estar da famosa MariAni.

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Depois de conseguir perder contra o meu querido Marido Mistério que tem uma inacreditável e irritante sorte ao jogo sem fazer a menor ideia do que está a fazer, voltámos para o quarto onde nos esperava uma temperatura que rondava os 30º C. Quando o meu querido e bem intencionado Marido Mistério pegou em mais um tronco para atirar para dentro da lareira, tive de me impor: coloquei-me entre ele e a lareira e disse: ou eu ou a lareira. Vá lá que, mesmo ao fim de 20 anos, eu continuo a ser sempre a sua primeira escolha e lá voltou a colocar o tronco no cesto a conter uma pequena e discretíssima lágrima de tristeza.

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O pequeno-almoço

Da primeira vez que aqui viemos, o pequeno-almoço era servido no mesmo sítio do jantar, na Casa do Côro propriamente dita. Mas agora há um novo restaurante com uma deliciosa esplanada onde é servido um buffet que espera por si e não tem horas para acabar (há lá melhor coisa do que não ter de acordar cedo para ir a correr para o pequeno-almoço?).

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Além de produtos caseiros, como as compotas e o mel, os sumos naturais e detox, encontra queijo curado e seco, requeijão, chouriço e lombo, fiambre, ovos feitos no momento, fruta fresca, bolos, tarte de maçã, torradas com azeite, vários tipos de granola e cereais, iogurtes, chá, café, cappuccino, entre outras perdições.

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As atividades

Depois de um pequeno-almoço desta categoria, tivemos de ir explorar o castelo medieval mesmo ali ao lado. Subimos e descemos as muralhas para tentar digerir as calorias mas, pela amostra em anexo, diria que não foi suficiente.

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Não faltam atividades nas Casas do Côro: pode nadar na incrível piscina exterior com uma vista deslumbrante para o castelo de Marialva, pode explorar a região de bicicleta, fazer passeios pelo Douro (de barco ou de comboio) ou até mesmo percorrer a rota dos castelos históricos da região.

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O spa 

Falta falar do spa eco sustentável: com piscina interior, sauna e jacuzzi, tem todo o tipo de tratamentos e massagens à disposição. Nós fizemos uma massagem de casal. Soube muito bem. Fiquei impressionada com a sincronia das nossas massagistas, parecia uma dança muito bem ensaiada, tudo aquilo batia certo, acabavam de massajar cada zona no mesmo milésimo de segundo! Devem praticar natação sincronizada. Só pode.

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Só uma pequena nota de rodapé: na manhã do segundo dia, as toalhas da casa de banho foram trocadas. Um detalhe com algum requinte, não fossem esta toalhas o refugo do hotel: além de não emparelharem com nada (nem uma com a outra, nem com as das mãos nem com as do bidé), uma delas tinha uma enorme mancha castanha, desagradável à vista. Claro que a toalha estava lavada, era daquelas nódoas que não saíam, por isso, na minha modesta opinião, não deviam ser oferecidas aos hóspedes naquelas condições.

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Um único reparo num fim-de-semana em que tudo correu na perfeição. Vale muito a pena embarcar nesta viagem inesquecível a um passado romântico rodeado pelo conforto da arquitetura moderna e do luxo dos nossos dias.

 

O bom

O jantar

O ótimo

O ambiente romântico do hotel e o conforto dos quartos

O mau

O desleixo na troca das toalhas da casa de banho

 

Um ótimo fim-de-semana,

Ela

 

fotos: casas do côro