o meu sítio preferido para comer pizzas não é bem um restaurante, é quase uma casa de família

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    Encontrar este restaurante no centro de Cascais pode ser tão difícil como descobrir um cabelo na cabeça do novo presidente da FIFA. O Lambrettazzurra tem cerca de 20 lugares sentados no interior e mais duas mini-mesas acolhedoras na esplanada para quem quiser fumar. 

     

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    O ambiente

    Tudo aqui é caseiro. A cozinha fica aberta para a sala de jantar, a menos de dois passos de distância. E só há duas pessoas a trabalharem no restaurante: o pai, um brasileiro que se formou como pizzaiolo em Nápoles e que vive há 21 anos em Portugal, e o filho que serve às mesas, se bem que, num restaurante deste tamanho, quase bastava estender o braço da cozinha para a pizza chegar ao seu lugar. Ao fim da noite, apareceu a mãe para tomar um café e dar uma ajuda. 

    No fundo, imagine que está a jantar em casa de uma família italiana – não só por causa do tamanho minúsculo do restaurante, mas também por causa da simpatia e da paixão com que fazem tudo. 

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    E é essa paixão contagiante que transforma este minúsculo restaurante no meu sítio preferido para comer pizzas. Aqui não espere nada de muito sofisticado: a decoração é simples (talvez um pouco kitsch de mais), o espaço é pequeno e o forno nem sequer é a lenha. Mas espere paixão: quase todos os ingredientes são importados directamente de Itália, os frescos vêm diariamente da praça e os doces deslumbrante são feitos pela mulher do dono como se se tratasse de um bolo para a família. 

    Mas antes de chegarmos às sobremesas, temos ainda de falar de muita coisa. 

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    O couvert

    Aqui não se pode chamar propriamente couvert. Não há cá pão, manteigas de pacote ou patés de sardinha Manná. Na verdade, estamos em casa, não estamos num restaurante. Por isso, não come verdadeiramente um couvert, petisca enquanto espera pela comida. E os petiscos são deliciosos. E tipicamente italianos, claro. As azeitonas verdes são das coisas mais tenrinhas e deliciosas que podem sair de uma oliveira. Mergulhadas em azeite extra virgem e temperadas com ervas aromáticas, são trazidas para a mesa com um prato de dois queijos regionais italianos cortados em cubos pequeninos: Provolone e Scarmoza Affumicata (€5). 

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    As entradas

    E é enquanto petisca isto como se estivesse em casa do Silvio Berlusconi que vai pedindo o resto. Nós fomos em excursão familiar, com as crianças a babarem-se intensamente para cima de qualquer coisa que saísse da cozinha. 

    Por isso, não tivemos maneira de saltar as entradas. Em vez do pão, pedimos uma focaccia fininha e estaladiça e temperada com ervas aromáticas, flor de sal e alho (€6,50). Pode também optar pelo molho de tomate San Marzano em vez do alho, mas nesse ponto a minha querida Mulher Mistério não cedeu.

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    A única coisa que eu consegui impor foi uma dose de queijo Pecorino Romano, acompanhado com mel de acácia com trufas, que estava simplesmente maravilhoso e que desapareceu em poucos segundos. E uma Salada Caprese (€14) que tive também de dividir com a família. Além de vir com mini-tomatinhos chucha trazidos pelo dono directamente da praça e que são provavelmente os melhores tomatinhos que já comi, traz ainda orégãos, manjericão fresco, azeite extra virgem, creme de vinagre balsâmico de Modena espesso e uma ricotta fresca de búfala Campana que consegue ser quase tão suave e cremosa como a burrata.

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    As pizzas

    Nesta fase do jantar, eu já estava cheio, mas a prole Mistério pedia mais comida como se ainda estivesse em jejum. De qualquer forma, consegui moderar ligeiramente os ímpetos e dividir três pizzas pelos seis para guardar alguma área estomacal para as divinais sobremesas. Além de serem grandes, as pizzas têm uma massa leve e estaladiça onde se sente perfeitamente o ar no interior e que é bem cozida e tostada nas bordas.

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    Começámos por provar a escolha das crianças: uma pizza Regina que mais não é do que uma Margherita feita com uma deliciosa e especial mozzarella de búfala Campana (€11). A seguir passámos para as pizzas com trufas. Primeiro, veio a Arrivederci Roma (€14), que leva molho de tomate, mozzarella, um delicioso e finíssimo salame Sopressa especial do lombo, orégãos e tartufato nero. E finalmente, acabámos com a minha preferida e também mais forte pizza La Pulcinella (€14). Feita com trufa branca, leva uma mistura de queijos irresistível – Taleggio e Pecorino Romano –, cogumelos porcini e tomate seco ao azeite.

    Tudo isto pode ser acompanhado por cerveja italiana de pressão Peroni (€3) ou por uma completa carta de vinhos italianos.

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    As sobremesas

    Aconteça o que acontecer, nunca, jamais, em tempo algum, prescinda das sobremesas. O tiramissú é, de longe, o melhor que já comi. Até a minha querida Mulher Mistério, que odeia tiramissú, se lambuzou com esta maravilha levíssima e nada enjoativa. 

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    Mas o que vale mesmo a pena é o avelutato rosso. Trata-se de um incrível bolo feito com uma massa encarnada e divinal tão leve que parece espuma: feita com beterraba, leva ainda uma compota de frutos silvestres preparada no próprio restaurante com mirtilos, morangos e framboesas frescas, mel e água mineral – e sem açúcar para não beliscar as habituais dietas. É esta compota que torna a massa húmida e deliciosa. Por cima, o bolo leva uma cobertura de mascarpone nada enjoativa e umas framboesas para terminar.

    Se ainda tiver coragem, o melhor que tem a fazer é acompanhar esta maravilha da natureza com uma grappa italiana bem gelada.

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    O serviço

    Mais uma vez, aqui não há serviço. Há um pai e um filho que lhe vão trazendo a comida para a mesa e explicando cada detalhe e cada ingrediente que é servido.

     

    O bom

    A simpatia do serviço

    O mau

    A decoração podia ser um bocadinho menos kitsch

    O óptimo

    As pizzas, as saladas e a frescura dos alimentos

     

    Uma óptima pizza para si onde quer que esteja,

    Ele

     

    fotos: lambretazzurra; casal mistério

     

    Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial.

    6 thoughts on “o meu sítio preferido para comer pizzas não é bem um restaurante, é quase uma casa de família

    1. Fui hoje ao Lambrettazzurra. Confirmo totalmente tudo o que escreveram sobre este italiano. Adorei as pizzas, as entradas e o bolo de sobremesa. Como sou dada aos números, acho que aquele casal (donos) ainda não entendeu que tem um tesouro entre mãos… Aquela comida e atendimento tão amistoso numa rua mais central de Cascais e num espaço com decoração adequada seria com certeza um tiro certeiro (a sala existente é o “péssimo” do almoço). Bem, mas o que importa é que os sabores que experimentei hoje ditaram que hão-de haver outras visitas ao Lambrettazzura, embora de Leiria a Cascais não são 5 minutos de distância! Muito bom mesmo. Um pequeno percalço numa das pizzas, rapidamente bem resolvido não deixou marcas de maior. Obrigada Casal Mistério pela sugestão.

    2. A massa da Lambrettazzurra é demasiado grossa para uma pizza napoletana. O tomate nao é grande coisa, mas isto depende dos palatos.

    3. As pizzas são realmente boas e o avelutato rosso é divino. Mas preparem-se para serviço lento e para se “esquecerem” de passar a factura. Nem perguntam..e as finanças mesmo ao lado.

    4. É este o problema da net “. Tudo muito “fantástico”, muito fluffy “, muito pela rama. As pizzas são boas, sim senhor. Provavelmente, as melhores da grande Lisboa.

      …mas chegámos às 20:00 impreterivelmente em ponto, sob marcação, com encarecido pedido da casa, dado o pequeno número de mesas disponíveis e a primeira pizza foi servida às 21:10 (!), sendo as outras que encomendámos servidas aos “bochechos”.

      Pizza com gambas?…Não havia, tinham-se acabado as gambas. Cerveja de pressão?…Não havia, tinha-se esgotado o barril…A sobremesa primeira escolha, não havia…mas recomendavam a Cassata Siciliana”. A sobremesa segunda escolha, não havia mas recomendavam a Cassata Siciliana”…basicamente, havia uma Cassata Siciliana” para despachar.

      A cereja no topo do bolo? …Descafeinado?…Não havia.

      Pagando e andando que a coisa tinha-se tornado em suplício.

      Poderia dizer-se que foi apenas uma má noite mas, tivesse o “Casal Mistério” espreitado o tamanho do forno de pizzas e não faria tão calorosa recomendação porque perceberia de imediato que os atrasos de serviço, aqui, nunca serão circunstanciais, antes consequentemente estruturais.

      Menos e-espuma e mais densidade nas recomendações, por favor.

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