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Casal Mistério

Casal Mistério

onde comer as melhores sardinhas de casamento

08.06.22

O caminho não é fácil. Vai ter de passar por Linda-a-Pastora (fosse ela quem fosse), Zambujal, Matarraque, Madorna, até chegar ao pequeno bairro de Caparide, perdido nos confins de São Domingos de Rana. É aí que fica um sítio verdadeiramente obrigatório para quem gosta de sardinhas. Não por serem as primeiras do ano, mas porque são servidas de forma simplesmente perfeita. Não são boas sardinhas, não são óptimas, são simplesmente perfeitas.

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O espaço 

Escondido dentro da pequena Vivenda Maria do Céu, na Rua Principal do Alto do Espargal, a Adega do Falhão passa facilmente despercebida a quem for menos atento. Da rua, vê apenas um pequeno pátio empedrado com poucas mesas. E para entrar no restaurante, tem de passar por um estreito caminho dentro do pátio até chegar a uma porta discreta.

Lá dentro, encontra várias alusões a fado e fadistas (há noites de fado) e uma das maiores colecções de cachecóis e camisolas de diferentes clubes de futebol com uma especial obsessão pelas camisolas do Sporting. Se não for impedimento para si a escolha futebolística do proprietário, então é bom que não deixe escapar estas sardinhas divinais.

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As sardinhas 

Gordas, carnudas e muitíssimo bem grelhadas na brasa, vêm tostadas e estaladiças por fora e estupidamente suculentas por dentro. E se acha que isto é tudo o que se pode dizer de umas sardinhas, está tão enganado como as sondagens eleitorais. 

Quase tão importante como as sardinhas propriamente ditas é o que está por baixo delas. E, na Adega do Falhão, as sardinhas são chamadas Sardinhas de Casamento (€10 cada dose de 6 sardinhas). Não por virem enroladas num vestido de noiva, mas porque são servidas num casamento perfeito com pão. Depois de grelhada na brasa de forma irrepreensível, cada sardinha é colocada em cima de uma fatia de pão saloio torrada e pincelada com azeite.

Além de o pão ser consistente, saboroso e com uma côdea tão espessa de fazer inveja à barba do José Milhazes, este é torrado e vem para a mesa quentinho e estaladiço. Enquanto vai comendo a sua sardinha, a torrada de pão saloio vai absorvendo a gordura natural do peixe ficando com um sabor verdadeiramente único.

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Para acompanhar, trazem ainda umas saborosas batatas cozidas, regadas com azeite, e uma fantástica salada mista com pimentos assados, muitíssimo bem temperada.

O ideal é ir comendo as suas sardinhas enquanto as torradas vão absorvendo a gordura. No final, delicie-se com a torrada embebida em sardinha. Pode parecer estranho, mas garanto-lhe que eu entranho.

De couvert, tivemos um delicioso pão saloio e umas maravilhosas azeitonas temperadas com azeite e alho (€2). Pedimos ainda um simpático queijo seco (€3). De sobremesa, pode optar entre várias hipóteses caseiras (todas a €2,30). Nós escolhemos uma agradável e fresca mousse de manga e uma óptima tarte de amêndoa crocante e não demasiado doce.

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O serviço 

– Psst, oh meninos! 

Foi assim que eu fui introduzido ao cuidado do serviço da Adega do Falhão. A repreensão não foi para nós, mas apenas uma forma atenta de nos proteger da mesa do lado. 

Enquanto nos servia, o dono ouviu um discretíssimo e ingénuo excesso linguístico da mesa do lado. E para defender este pobre casal já de uma certa idade, ou preocupado com a eventual hiper-sensibilidade da minha querida Mulher Mistério, não perdeu tempo a meter na ordem os simpáticos clientes habituais que se limitavam a recordar o famoso episódio José Milhazes no Jornal da Noite, da SIC. 

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Tal foi o rigor a preservar a dignidade do restaurante que eu mal me tinha apercebido do que tinha sido dito. Depois de restabelecer a ordem com um simples e eficaz...

– Então?!...

...voltou a atender-nos com uma simpatia e uma familiaridade únicas.

Ao longo de toda a noite, não esperámos um único minuto a mais pela comida, pelas bebidas (vinho branco infelizmente só de jarro, mas tem seis opções de vinho tinto todas ao mesmo preço) ou pela conta. Mas, por mim, não me importava de esperar o que fosse preciso para provar estas divinais sardinhas de casamento.

 

O bom 

A simpatia do serviço

O mau 

A falta de opções de vinho branco

O óptimo 

As divinais sardinhas de casamento, servidas por cima de uma torrada de pão saloio regada com azeite

 

Umas óptimas sardinhas para si onde quer que o casamento esteja,

Ele

 

fotos: casal mistério; d.r.

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 
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Adega do Falhão

R. Principal do Alto do Espargal 38-118, Vivenda Maria do Céu – 2785-046 Caparide

De 5ª a 3ª, das 12h às 15h e das 19h às 22h

T: 214 533 806