passámos uma noite no vidago palace e… pagámos 200 euros pelo jantar!

    Há muito tempo que eu andava a massacrar o meu querido Marido Mistério para irmos passar um fim de semana ao Vidago Palace. O pior é que (não sei se por causa da crise, da inflação, ou da idade) está a ficar cada vez mais forreta e andava a adiar o programa. Lá o convenci a marcarmos uma noite, o que na realidade é um esticão, já que o hotel fica praticamente a 4h30 de distância de carro. Mas, em troca, prometi-lhe que íamos a um restaurante que Ele andava doido para experimentar.

    Chegámos durante a tarde de sábado, depois de um ótimo almoço no restaurante 3 Pipos, em Tonda, que adorámos. Aliás, confesso que fiquei deslumbrada com a entrada majestosa, o edifício centenário e os jardins magníficos.

    Idealizado pelo próprio rei D. Carlos I, que queria construir aqui uma estância terapêutica de luxo com projeção internacional, o Vidago Palace Hotel acabou por ser inaugurado a 6 de outubro de 1910, um dia a seguir à Implantação da República. Já na época as águas da vila de Vidago eram consideradas de interesse nacional.

    Passámos a cancela depois de explicarmos ao segurança que tínhamos uma reserva e seguimos até à impressionante escadaria do palácio. Se quiser ver as melhores fotos do hotel, então carregue na galeria aqui em baixo.

    O hotel

    Fomos logo recebidos por um simpático e sorridente funcionário que gentilmente nos levou a mala e nos encaminhou até à receção. Arrumou-nos o carro e quando subimos ao quarto já lá estava a nossa mala. Aliás, o serviço foi impecável, nada intrusivo, ao contrário daqueles empregados que nos seguem até ao quarto e esperam pela gorjeta. Aqui o verdadeiro luxo é precisamente esse: as coisas aparecem feitas de forma discreta, sem nos apercebermos.

    O check in foi rápido e eficiente com a rececionista a fazer-nos uma breve visita guiada aos recantos do hotel: o Salão Nobre, onde iríamos jantar, o Jardim de Inverno, onde é servido o pequeno-almoço, o Spa Termal cuja água mineral Vidago é obviamente a rainha (tem inúmeros tratamentos exclusivos, já que a água recolhida ali mesmo nos jardins do Palácio tem propriedades terapêuticas e curativas), e, claro, o bar onde obviamente passámos a maior parte do tempo. Mas confesso que o que mais me impressionou foi a imponente escadaria do hotel. É linda de morrer, de tal forma que o nosso quarto era no terceiro andar e nunca usei o elevador!

    Como estava um dia lindo, aproveitámos para passear pelos jardins do Parque Centenário. Além de um campo de golf com 18 buracos, tem um lago, diversos trilhos e as tradicionais fontes naturais, com uma arquitetura deslumbrante a fazer lembrar o charme e o romantismo da Belle Époque.

    Claro que todo este passeio nos deu muita sede, por isso, inevitavelmente acabámos o dia no bar onde bebemos um gin tónico e um copo de vinho branco antes de nos prepararmos para jantar.

    O quarto

    O Vidago Palace encerrou em 2006 e reabriu em 2010, precisamente cem anos depois da sua inauguração. O hotel voltou aos tempos áureos, com o luxo e o conforto do século XXI, mas com evidente orgulho na sua história, por isso, dormir aqui é uma espécie de viagem no tempo até ao início do século XX. Hoje tem 70 quartos e suites. O nosso era um quarto duplo com cama de casal, com um tamanho q.b. e uma decoração irrepreensível.

    À nossa espera, tínhamos uma mesa posta, aos pés da cama, com uma garrafa de vinho e uma tábua de queijos, oferta do site por onde fizemos a reserva. O quarto era muito bem decorado, clássico e confortável. As paredes pintadas num tom de verde muito claro, com um quadro da Sofia Areal, e a cama com uma cabeceira clássica com lençóis e édredon branco. As almofadas eram de penas (adoro). A casa de banho era maravilhosamente romântica com detalhes clássicos, como as torneiras antigas, e tinha ótimas toalhas, roupões e chinelos, e amenities Molton Brown.

    Apesar do frio que se sentia lá fora, o quarto estava incrivelmente quente graças ao ótimo ar condicionado e ao aquecimento da casa de banho. Ao fim da tarde, enquanto estávamos a passear pelos jardins, foram abrir a nossa cama, deixaram uns tapetes de algodão muito fininho brancos de cada lado da cama e uns mini palmiers nas cabeceiras.

    O jantar

    O restaurante do Salão Nobre é deslumbrante, apesar de formal demais para o meu gosto. Mas em Roma, sê romano, não é verdade? Logo na capa do menu, pedem-nos que usemos “a indumentária de acordo com a elegância do espaço” e para mantermos o telemóvel no silêncio, o que eu achei muito bem, já que tínhamos um pianista a acompanhar a refeição e seria um crime ser interrompido por um som estridente de um telemóvel a tocar.

    O jantar foi bom, mas nada de outro mundo. Não foi claramente uma refeição inesquecível e a verdade é que foi excessivamente cara para o que comemos: começámos com uma entrada Pombo Royal e Maçã com Foie Gras, pela módica quantia de 31 euros (claro que dividimos a entrada!).

    A seguir, eu pedi um robalo com um puré de ervilhas, muito bom, mas custava 39 euros e o meu querido Marido Mistério aventurou-se num novilho (38 euros). A sobremesa, supostamente o ex libris do chef, a Banana da Madeira & Chocolate, era bastante mediana (14 euros).

    O serviço era simpático e formal e o senhor que nos atendeu fez questão de nos tratar pelo nome. Presumo que terá tido a preocupação de saber os nossos nomes junto da receção. Mas apesar da simpatia, não foi um serviço cinco estrelas, digno da conta com que nos presentearam no fim. Por exemplo, as migalhas do couvert e os copos de vinho branco que pedimos no início do jantar ficaram em cima da mesa durante toda a refeição, mesmo depois de nos servirem a garrafa de vinho tinto que pedimos para acompanhar os pratos principais.

    No final, uma entrada, dois pratos principais, dois copos de vinho branco, uma garrafa de vinho tinto e uma sobremesa somaram a simpática quantia de 200 euros.

    O pequeno-almoço

    Tal como nos tinha sido prometido na véspera, foi servido no Jardim de Inverno do palácio. A sala é linda de morrer mas, infelizmente, foi uma desilusão. A verdade é que num ambiente tão luxuoso como este, esperávamos um pequeno-almoço mais requintado e não um serviço tão atabalhoado e industrializado, ou seja, tinha tudo o que se pode esperar de um hotel de 5 estrelas, mas com pouco requinte e, sobretudo, pouco atencioso.

    No buffet, havia muita variedade de pães, de compotas, de queijos, de fiambre. Também havia ovos estrelados e mexidos, que demoravam a repor. Havia panquecas que nunca chegaram a repor, apesar de eu ter pedido. E o meu querido Marido Mistério pediu duas vezes leite sem lactose, confirmou com a funcionária se seria mesmo leite sem lactose, garantiu-nos que sim e afinal acabámos por perceber que era leite normal, porque rapidamente a intolerância do meu querido Marido Mistério se manifestou em todo o seu esplendor. Além disso, também se enganaram no meu leite de amêndoa, mas como é mais óbvio, reparei logo e trocaram.

    Pode ser mania minha mas, num hotel de luxo, preferia ovos e panquecas feitos no momentos e não esquecidos num canto de um buffet enorme. Mas se calhar sou eu que sou demasiado exigente…

    Depois do pequeno-almoço demos novo passeio pelos jardins antes de voltarmos para Lisboa, já que a viagem seria longa.

    À saída, a mesma discrição e o mesmo profissionalismo do porteiro. Foi buscar-nos a mala e o carro sem ser intrusivo e com um sorriso contagiante.

    – Esperamos voltar a vê-los em breve.

    Nós também.

     

    O bom

    O quarto

    O mau

    A falta de requinte do pequeno-almoço

    O ótimo

    O ambiente e a decoração Belle Époque

     

    Uma ótima viagem de regresso para nós,

    Ela

     

    fotos: casal mistério e vidago palace

     

    Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 

    17 comentários em “passámos uma noite no vidago palace e… pagámos 200 euros pelo jantar!

    1. “Passámos a cancela depois de explicarmos ao segurança que tínhamos uma reserva”.
      De notar que a utilização do espaço do parque é pública. O Hotel tenta afugentar os não hospedes com uma cancela e segurança, mas em nenhum momento podem impedir o acesso do cidadão ao parque.

    2. O leitito de amêndoa….falhas imperdoáveis!
      Há coisas que transportadas para sítios “estranhos”, não funcionam.
      Que vai a Trás os Montes e come num restaurantes destes….200 eur é o preço da distracção.
      “Não durmas num restaurante, não jantes num hotel” já dizia o….não me lembro!

    3. De facto existe uma cancela e um porteiro que não deixa entrar quem não tiver reserva. Não se compreende. Podemos observar o espaço circundante e de seguida subir à recepção e marcar uma ou mais noites. Como fazer marcação se não deixam entrar? O espaço circundante não deveria se aberto?

      1. Tenho ideia de que, como escreveu alguém ali atrás, os proprietários (Grupo Unicer?) estão obrigados, no âmbito dum conjunto de compromissos assumidos com o Estado (ou com a Autarquia, apenas?), a possibilitar o acesso público ao Parque. E não sei se também a parte das Termas?… Mas é natural que façam pouca publicidade a isso, ou que tentem mesmo desmotivar os visitantes…

    4. Agradeço ao Casal Mistério , a descrição feita sobre este maravilhoso Hotel histórico que conheço há muitos anos, embora nunca lá tenha pernoitado.
      Penso que é importante sabermos as qualidades e, de acordo com o descritivo, ser alertado para o negativo. Talvez a própria administração venha a optimizar esse espaço .
      Gosto , quando posso, de frequentar hotéis históricos.
      Quando não posso, tomo o pequeno-almoço no Pingo Doce ou em outro estabelecimento similar. Melhor ainda, em casa.

      Obrigada

    5. Gostei de ler a experiência embora tenha sido um pouco diferente da minha, talvez porque fiquei alojada no Hotel, lá jantei e tomei o pequeno almoço, no âmbito de um torneio de golfe. Não fiquei deslumbrada, mas apreciei toda aquela atmosfera única, sumptuosa e com um não sei quê especial que raramente se encontra hoje em dia. Recuar no tempo, vivendo no presente foi interessante…

    6. Obrigada pela experiência. Nunca fiquei no hotel Vidago, mas conheço. As pessoas a pé podem entrar e passear toda a área envolvente que é mágica. A descrição do pequeno-almoço trouxe-me a este comentário.
      Sou proprietária de um AL onde faço o pequeno-almoço à medida de cada cliente e as suas necessidades. Os ovos são feitos na hora a pedido, panquecas do dia caseiras, doces caseiros, e fruta de qualidade. De facto apenas apresento 3 qualidades de pão, 2 de queijo e uma de fiambre (de peru), mas a receita do “Taylor -made” é o segredo do sucesso do pequeno-almoço.

      1. Olá, Armanda
        Concordo consigo. O pequeno-almoço até pode ter pouca variedade, mas se for bom e caseiro faz toda a diferença 😉
        Obrigada pelo seu comentário e boa sorte para o seu AL!
        Um beijinho,
        Ela

    Deixe um comentário

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *