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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

porque é que nunca, jamais, em tempo algum deve comer a parte boa de um pão com bolor

Já estou a sentir esses dentes cerrados daquela expressão típica de:

– Ups, acho que já fiz asneira! 😬

É verdade, até eu, um cuidadoso e diagnosticado hipocondríaco, não resisto a deitar fora apenas o pedaço de pão onde está o bolor e a comer, como se nada fosse, tudo o resto que esteja branquinho. E faço (ou fazia...) isso por dois motivos bem evidentes na minha cabeça:

  1. Porque deito fora a parte que tem bolor, por isso o resto do pão está óptimo.
  2. Porque o bolor nunca fez mal a ninguém: o delicioso queijo Roquefort não está carregado de bolor?!

Pois bem, meu caro Watson Mistério, lamento desiludi-lo mas ambas estas tão evidentes constatações estão profundamente erradas. E tudo porque o canal de ciência da revista Business Insider publicou, na semana passada, um vídeo onde explica detalhadamente todos os motivos científicos que levam o pão que tem uma ponta de bolor – por mais pequenina que seja – a ser um perigo real para a sua saúde (neste caso, para a sua e para a minha...).

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Primeiro mito que tem de aniquilar: o bolor está só numa parte do pão. Nada disso. O bolor é um fungo, tal como os cogumelos: tem algumas pontas que vêm à superfície e que são fáceis de identificar, mas, por baixo dessas pontas verdes ou azuladas que consegue ver, está uma enorme rede de raízes subterrâneas que se espalham por todo o pão e que são invisíveis. Chamam-se hifas e são também bolor.

Segundo mito: posso deitar fora o pão que está com bolor e aproveitar os outros pães que estão dentro do mesmo saco. Erro novamente. Aquela parte verde do bolor que consegue ver à superfície do pão é exactamente a parte reprodutiva, de seu nome (aí vem nova palavra complicada) esporângio. Ora, cada esporângio liberta dezenas de milhares de esporos que se vão multiplicar e disseminar por tudo quanto estiver à sua volta. Traduzindo: mesmo que não consiga ver, os outros pães que estão no mesmo saco deverão estar carregados de fungos de bolor.

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Terceiro mito: o bolor não faz mal, afinal comêmo-lo em alguns queijos. Lamento desiludi-lo mas existem milhares de espécies diferentes de bolor. Aquelas espécies que estão no queijo ou nos antibióticos são boas para a saúde, outras são más – e algumas até podem matar. É o mesmo que comer um cogumelo selvagem: pode não acontecer nada, mas também pode ir desta para melhor. Por exemplo, o penicillium crustosum pode causar tremuras graves nos músculos (o vídeo fala mesmo de um casal internado no hospital por causa dele) e o rhizopus stolonifer pode provocar, em casos raros, uma infecção que retira todo o oxigénio das suas células, matando-as irreversivelmente. Mais más notícias: é difícil saber que tipo de bolor está no seu pão mas – piores notícias ainda – o rhizopus stolonifer é relativamente frequente.

Quarto mito: faça torradas que o calor mata tudo. Errrrrrrrrr! Errado! O calor mata as bactérias, mas não mata as micotoxinas. Micoquê?! Micotoxinas (prometo que é o último palavrão científico que uso hoje). São as tais substâncias químicas tóxicas produzidas pelos fungos. Sim, as tais que podem ser fatais para a sua saúde.

Eu sei que custa deitar fora comida, mas o mais seguro mesmo é não comer pão com bolor – por mais pequena e insignificante que seja a mancha.

 

Um óptimo pão para si onde quer que o bolor esteja,

Ele

 

fotos: d.r.

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