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Casal Mistério

Casal Mistério

roteiro: 10 coisas que tem mesmo de fazer em praga

29.06.22

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Já tinha estado em Praga há alguns (ok, há muitos anos) quando fiz uma viagem com as minhas amigas pela Europa de Leste. Estava no primeiro ano da faculdade. Juro que já tinha caído o Muro de Berlim. Sou antiga mas não sou idosa, ok? E foi das cidades europeias que mais gostei de conhecer.

Ficámos encantadas com o ambiente mágico daquele centro histórico medieval. Desde as pontes às catedrais, a passar pela arquitetura gótica e barroca dos edifícios, as ruas e ruelas empedradas, as torres de igreja, as praças lindas de morrer cheias de gente e de esplanadas, com aquele impressionante castelo sempre no horizonte. Praga é pura e simplesmente encantadora.

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Chamam-lhe a Paris da Europa Oriental mas eu acho que tem muito mais charme. Paris é grandiosa, Praga é pitoresca. Parece que estamos a passear dentro de um filme da Disney. Depois consegue ter também um lado misterioso ou não fosse a cidade natal do escritor Franz Kafka. E um passado e uma história recente incrível por descobrir. Agora, voltei em modo Família Mistério, estivemos 3 dias e aqui fica a lista dos nossos sítios preferidos.

 

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1. Subir à Torre do Relógio Astronómico e passear pela Praça Principal da Cidade Velha  

A Praça da Cidade Velha foi o nosso ponto de partida. Estava doida para mostrar este local aos nossos queridos Filhos Mistério, que ficaram encantados. É a mais antiga do centro histórico. Foi construída no século X e tem alguns dos monumentos mais icónicos da cidade. É aqui que encontra o famoso Relógio Astronómico, conhecido mundialmente pela dança dos apóstolos quando bate a hora certa. Montado na parede sul do edifício da Câmara Municipal da Cidade Velha, o Orloj tem 3 dimensões: o mostrador astronómico que representa a posição do Sol e da Lua no céu, o “passeio” mecânico dos 12 apóstolos, à hora certa, as estátuas que representam a Vaidade, com um espelho na mão, e a Avareza, que segura um saco de dinheiro, a Morte, que segura uma ampulheta, entre outras e, finalmente, um calendário com medalhões que representam os meses do ano.

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Depois de vermos o “show” dos apóstolos, entrámos no edifício da Câmara Municipal Velha, para subir à torre. Vale a pena apreciar as várias vistas panorâmicas de Praga. Não se preocupe: esta torre tem elevador.

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Conseguimos tirar fotografias a partir de todos os pontos cardeais e seguimos pela Old Town Bridge Tower para ir até à “ponte das estátuas”, como ficou gravada na minha memória de adolescente.

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2. Passear pela ponte Karlo

Sabe aquele medo que temos quando voltamos a um sítio e não sabemos se é tão espetacular como o recordamos? Não corremos esse risco com a Ponte Karlo. Consegue sempre superar as expetativas. É absolutamente deslumbrante. Não é à toa que é o símbolo de Praga. Apesar de estar carregada de turistas, está também repleta de artistas, como pintores, músicos, caricaturistas, malabaristas, enfim, é uma ponte cheia de vida. Decorada com várias estátuas da Paixão de Cristo, é espetacular a qualquer hora do dia. Já para não falar da paisagem à volta: as duas margens são a moldura perfeita desta pintura.

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Percorremos a ponte com calma e voltámos para a Cidade Velha, porque preferimos guardar a outra margem e o castelo para o dia seguinte. Eu ainda queria mostrar aos miúdos um dos locais que mais me impressionou quando tinha a idade deles: o cemitério dos judeus.

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3. Visitar o Cemitério Judeu

O que mais me marcou na adolescência não teve o mesmo impacto agora. Talvez porque já o soubesse. Já estava preparada para o que ia ver. O cemitério, o mais antigo do mundo, (há teorias que defendem que existe há mais de 1500 anos), tem a particularidade de ter sepulturas empilhadas verticalmente, muitas delas sobrepostas e muito próximas umas das outras. É o mais antigo Cemitério Judeu na Europa e não se sabe quantas pessoas estão aqui enterradas, porque há várias camadas de túmulos por baixo das lápides que estão visíveis. Estima-se que existam cerca de 12 mil sepulturas visíveis, podendo haver cerca de 100 mil no total.

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Este cemitério situa-se em pleno Josefov, o mais antigo bairro judeu da Europa onde pode visitar várias sinagogas como a mais antiga ainda em serviço na Europa, a Sinagoga Velha Nova, e a Sinagoga Espanhola em estilo mourisco. Deixe o bairro judeu pela Rua Parizska, a rua mais cara de Praga, onde encontra todas as lojas de marcas de luxo. Se não tiver orçamento para compras, faça como nós: espreite as montras e passeie até à Praça Principal da Cidade Velha.

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4. Deliciar-se com um brunch no Venue e no Eska 

Começámos o nosso segundo dia com um brunch no Venue (foto em cima), um espaço cosmopolita e super simpático cujo lema é “by friends, for friends and their friends”. Tudo aqui é feito e apresentado com cuidado, diretamente do mercado para o prato. Todos os ingredientes são comprados a produtores e agricultores locais: desde os ovos biológicos a tostas de abacate, panquecas, smoothie bowls, waffles, taças de quinoa… o difícil é escolher. Tente ir cedo porque o Venue é muito concorrido e não faz reservas. Pode sempre deixar o seu nome e dar uma volta por ali, na Cidade Velha, enquanto espera por mesa.

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No último dia fizemos questão de andar cerca de meia hora desde o centro da Cidade Velha até ao Eska (foto em cima): um restaurante bem diferente do Venue, não só pelo tamanho mas também pelo conceito. Tem uma padaria e uma cozinha aberta num espaço arejado, com uma decoração moderna e minimalista, a fazer lembrar um armazém com um estilo fabril. Apesar do ambiente contemporâneo, as técnicas de cozinha são antigas: aqui faz-se fermentação lenta, secagem, aquecimento a lenha e cozedura no fogo. Tem várias opções de brunch, desde pratos checos aos habituais ovos mexidos, omeletes, tostas, iogurte com granola, crepes, enfim, a escolha é imensa. Também serve almoços e jantares com um menu requintado e original.

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5. Visitar o Castelo de Praga 

Castelo de Praga é um complexo enorme composto pelas muralhas e respetivas portas, o Palácio Real, a Catedral de São Vito, a Basílica de São Jorge e, claro, o Castelo. Os jardins e a área em frente à Catedral Gótica de São Vito são gratuitos. Tal como a Golden Lane, um beco castiço dentro das muralhas com várias casas coloridas, onde o escritor Franz Kafka viveu, no número 22, entre 1916 e 1917.

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Já para visitar o Velho Palácio Real e os outros edifícios e museus do complexo, precisa de bilhete. Antes de entrar no recinto, não deixe de parar para ver a vista sobre Praga. É espetacular. E não faltam terraços e esplanadas para beber um café ou uma cerveja enquanto tira mil e uma fotografias à paisagem.

Depois de bebermos um copo ao fim da tarde, descemos até ao bairro de Malá Strana onde encontra uma série de exemplos da arquitetura barroca. Além da Igreja de São Nicolau, tem também o Museu Kafka e o Museu do KGB. E, claro o famoso Muro de Lennon.

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6. Tirar uma selfie na John Lennon Wall 

Os nossos filhos esgotaram as selfies em frente ao Muro de Lennon, claro. Não há nada mais instragramável do que street art com mensagens políticas. E esta parede grafitada com a cara do Beatle mais icónico existe desde o tempo da União Soviética. Recheada de frases sobre a paz e a liberdade (algumas retiradas das músicas de Lennon), começou a ser pintada como forma de protesto contra o comunismo, quando a ex-Checoslováquia ainda fazia parte do Pacto de Varsóvia. Com a morte do cantor e mais tarde com a queda do Muro de Berlim, as homenagens aumentaram. As pinturas estão sempre a mudar, mas as mensagens de paz e amor mantêm-se até hoje.

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7. Subir à Torre Petrin 

Se a vista do Castelo de Praga impressiona, não imagina o que é a vista da Torre Petrin. Construída em 1891, na parte mais alta do parque com os jardins com o mesmo nome, é uma cópia assumida da Torre Eiffel. Com 63,5 metros de altura e 299 degraus, tem uma vista de cortar a respiração. Não se preocupe, os degraus não custam nada e para chegar até à base da torre, pode apanhar o funicular. A torre fecha às 22h, se preferir ver Praga à noite.

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8. Jantar numa Kantyna ou num Bar de Whiskeys 

Para jantar tem várias opções: o Kantyna, um restaurante de carnes do outro mundo, que parece um talho e que também funciona como um talho. Se gosta de carne, este restaurante é a sua cara: desde carpaccios a bifes tártaros e todo o tipo de cortes e carnes, difícil é escolher. Mas tem de ir cedo para arranjar mesa porque não aceita reservas.

Mesmo ali ao lado, tem também o Tiskárna, um restaurante gourmet com uma decoração muito simples e minimalista, em tons de madeira clara. Localizado no antigo edifício da Casa da Moeda, o chef David Kalina inspirou-se nos antigos livros de cozinha do histórico edifício para criar um menu com pratos tradicionais, do tempo da Primeira República da antiga Checoslováquia.

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No centro da Cidade Velha, muito perto da Praça Principal, jantámos no W Restaurant & Whiskey Bar que é tudo isto: restaurante e bar com a maior coleção de whiskeys que eu vi na vida. O primeiro W abriu em Tel Aviv, em Israel. Este espaço em Praga manteve a tradição com mais de 1000 variedades de whiskey expostas nas paredes do restaurante. Pode provar os clássicos escoceses ou irlandeses até a pequenas produções originárias de Hong Kong, Índia ou do Japão. A cozinha tem várias propostas, desde cogumelos e queijo no forno como entradas, a boas carnes e pratos vegan. As sobremesas são uma especialidade.

No dia em que fomos ao castelo, jantámos no Saint Martin, em Malá Strana, que tem um menu simples com saladas, tostas, dips, carpaccios e hambúrgueres. Vale a pena aproveitar o pátio no verão. É super simpático e cheio de charme.

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9. Reservar uma mesa no bar Jazz Dock 

O meu querido Marido Mistério é doido por jazz. Eu nem por isso, sou mais José Cid, Abba e Anitta. Mas Ele tanto nos massacrou que conseguiu arrastar-nos para este bar literalmente em cima do rio. Não é que ficámos todos fãs? Dizem os entendidos que os músicos que aqui tocam são dos melhores do meio. Nós conseguimos a última mesa do Jazz Dock, já na varanda, por milagre. E o meu querido Marido Mistério quase soltou uma lágrima de alegria. Se é fã de jazz, tem mesmo de marcar mesa neste bar. Vale muito a pena, não só pela qualidade da música mas também pelo ambiente.

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10. Passear ao longo do rio até à Dancing House 

Não se vá embora de Praga sem passear ao longo do rio e cruzar as várias pontes. Nós fomos a pé até à icónica Dancing House (um edifício espetacular projetado pelo famoso arquiteto Frank Ghery) e cujo café no rooftop vale a pena visitar. No regresso, passámos pela Ilha Slovanský, que se situa no meio do rio e cujo acesso se faz por uma pequena ponte em frente ao Teatro Nacional.

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A ilha tem uns jardins impecavelmente bem arranjados onde se organizam feiras temáticas e concertos, um pontão onde pode alugar barcos a remos e gaivotas, um palacete renascentista hoje usado para eventos oficiais do governo e vários cafés com esplanadas. Com uma vista deslumbrante para o castelo e o centro de Praga, é o sítio ideal para beber uma cerveja e contemplar a paisagem, num ambiente sossegado e bucólico.  

 

Boa viagem,

Ela

 

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