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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

uma salada de rosbife servida num prato de wrap? ah, pois é! e aqui também há um delicioso hambúrguer de rosbife

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Quem é o génio da natureza que vai a uma hamburgueria para comer uma salada?

Bom, se não houvesse esse tonzinho irónico na pergunta, eu responderia com mais coragem. Mas há momentos em que temos de assumir as nossas responsabilidades com a mesma frontalidade com que Joana Amaral Dias assume a sua nudez: sou eu! Sim, eu! Admito: fui ao novo Gutsy, em Carcavelos (também existe em Lisboa, junto ao Saldanha), para comer uma salada. E era bem capaz de lá voltar e passar pelo mesmo vexame.

 

yummi real food, óptimas tostas com pão verdadeiro para fugir do carnaval

Hoje é Carnaval, ontem foram os Óscares... Basicamente, há dois rumos a tomar na sua vida: mascarar-se de Manuel Luís Goucha e ir desfilar no Carnaval da Mealhada ou enfiar-se num cinema, às escuras, para não ser confundido com um suíço por estar vestido de forma normal. Não é uma decisão evidente, pois não? Eu ainda tentei encontrar um fato e gravata de lantejoulas e uns óculos roxos, mas não descobri nada que me servisse. Por isso, contrariado, optei pelo cinema. E, como todos nós sabemos, não é possível ir ao cinema sem jantar qualquer coisa no shopping. E é aí que o Casal Mistério entra com a última descoberta de fast food saudável. Chama-se Yummi e já existe há um ano, mas, para nós, estava perdida no Oeiras Parque.

A marca nasceu numa micro-loja na Calçada do Combro, em Lisboa, e servia tostas, tartines e sanduíches para comprar e comer enquanto andava pela rua. No ano passado, mudou-se para o Oeiras Parque mas manteve o essencial - e isso é...

 

...A comida

Aqui o pão é especial, os alimentos são frescos e os pormenores são cuidados.

As tostas

As tartines desapareceram com a mudança, mas as tostas são de pão alentejano e têm sempre alguma coisa que marca a diferença: Rosbife com mostarda de Dijon e salada de alface e rúcula temperada com azeite de trufa e vinagre balsâmico; Mozarella e tomate fresco com molho de tomate seco; Salmão fumado com espinafres e cebola salteados e queijo creme; Frango com chutney de manga, salsa e manteiga de alho; Beringela com cogumelos, queijo mozarella e molho pesto; ou uma simples tosta mista, com queijo, fiambre e azeite de orégãos. É difícil escolher, mas eu não hesitei: sempre que na mesma frase estão as palavras azeite e trufa, eu abro a boca. O pão das tostas é óptimo: macio e escuro, estaladiço e bem torrado. O rosbife é bom: fininho, fresco e muito mal passado. E a mostarda é fantástica: picante, saborosa e óptima para desentupir o nariz em dias de frio. Só o azeite de trufas é que passa tão despercebido como um chinês a andar de bicicleta em Pequim. Foi pena, mas foi bom.

 

Os pratos e as sanduíches

Se não quiser tostas, tem duas alternativas: comida no prato - o rosbife (que Ela pediu e que perde um bom bocado em relação à tosta), um hambúrguer com tomate fresco e molho de pepino, ou o salmão fumado e um prato vegetariano que vêm ambos acompanhados com couscous; e sanduíches - são as mesmas opções das tostas, mas em pão de chapata, o que não me pareceu tão entusiasmante.

 

Os acompanhamentos

Primeiro quer as boas ou as más notícias? Pareceu-me ouvi-lo dizer "as más, venham elas!", não foi? Então, aqui vão. A minha extremosa Mulher Mistério entusiasmou-se com um apetitoso arroz de alho a fumegar na fotografia "meramente ilustrativa", claro está. Mas o entusiamo durou dois minutos. Foi o tempo de colocar a primeira garfada na boca e perceber que os bagos estavam colados em pequenos blocos de arroz requentado. Eu entusiasmei-me com a salada de alfaces temperada com vinagrete de limão (também pode ser com vinagrete de amora) e sementes de sésamo. Realmente o vinagrete é interessante e as sementes de sésamo surpreendentes, mas as alfaces, que davam o nome à salada, estavam meio plastificadas e a mistura não se salvou. O que vale é que tínhamos pedido mais alguma coisa: Ela uma deliciosa sopa de beterraba sem batata (cremosa e saborosa, mas em copo descartável) e eu umas óptimas batatas fritas cortadas às rodelas com casca e orégãos (muitíssimo estaladiças mas com um nadinha de óleo a mais).

 

O serviço

Simpático, atencioso, rápido e prestável. Mesmo quando eu pedi para acrescentar um ingrediente ao prato (é melhor não revelar qual para não ser descoberto), o empregado não hesitou um segundo e juntou sem cobrar.

 

O ambiente

A zona de restauração do Oeiras Parque é confusa, cheia de gente, em espaço totalmente aberto (sem os recantos, por exemplo, do Colombo) e com os carrinhos dos tabuleiros sujos por todo o lado. Resumindo: não é um sítio simpático. Mas tem um óptimo cinema, com pouca gente e cadeiras muito confortáveis.

 

A conta

Por toda a refeição, com duas Coca-colas como bebidas, devíamos ter pago €18,40. Pagámos €19,40: o empregado enganou-se e cobrou uma Coca-cola a mais. De qualquer maneira, vale a pena. E assim não tem de se mascarar.

O óptimo

A tosta de rosbife com mostarda de Dijon

O bom

As batatas fritas com casca e orégãos

O péssimo

O arroz de alho

 

Um bom ex-feriado para si, onde quer que esteja,

Ele

rosbife com molho de foie gras e vinho do porto

 

O Barcelona tem o Messi, o Real Madrid tem o Ronaldo, o Tarzan tem a Jane e você tem de ter uma faca Shun Damasco. Faz parte das mais elementares ligações do universo: alguém que queira cozinhar minimamente tem de ter uma boa faca de cozinha e a Shun Damasco vai entrar na sua vida como o Egas entrou na vida do Becas - bom, esta, se calhar, é um bocadinho demais...

É um investimento de três dígitos - a faca de chef, com 15 cm, custa em Portugal, na loja online www.commerciol.com, 108,57 euros (com portes de correio incluídos) - mas vale a pena. É com esta faca, que tem o ângulo de lâmina mais reduzido que existe, que a carne se transforma em manteiga e uma fatia de rosbife numa fatia de fiambre.

E é exactamente o rosbife que me traz aqui hoje. Para começar, precisa de um bom naco de carne. Tempere-o com sal e um pouco de alho esmagado e passe-o numa frigideira com muito pouco óleo, bem quente, para o dourar de todos os lados: cima, baixo, esquerda e direita. Não cometa o erro habitual de usar manteiga ou azeite, porque estes queimam a temperaturas mais baixas e, para dourar a carne, vai precisar de ter a frigideira bem quente.

Depois de ter a carne selada, leve-a ao forno, com o molho que sobrou da fritura, a 200 graus, durante aproximadamente 15 a 20 minutos, dependendo de como gosta da carne. Quando esta estiver pronta, tire-a do forno, envolva-a em papel prata e deixe assentar.

Entretanto, invista no molho, porque isso é que vai fazer a diferença. Ponha 50 gramas de manteiga numa panela pequena em lume brando juntamente com quatro chalotas picadas. Para o molho, o lume tem de ser o mais fraco possível. Depois de as chalotas estarem alouradas, junte uns cogumelos frescos cortados aos bocados e 50 gramas de foie gras (ou mousse de pato se estiver numa onda Vítor Gaspar). Vá mexendo até os cogumelos estarem cozinhados e o foie gras desfeito. Falta apenas o último toque: um cálice de vinho do Porto, natas a gosto e corrigir o sal. Se tudo isto não estiver com uma consistência aveludada, passe com a varinha mágica até ficar um líquido espesso.

A seguir, volte à carne. E é aqui que entra a Shun. Corte o rosbife em fatias fininhas e disponha-as numa travessa. Mesmo que a carne esteja morna, não faz mal, desde que o molho esteja muito quente. Leve à mesa, tudo separado e sirva. Lembre-se: não vá na conversa de facas eléctricas ou fiambreiras caseiras para cortar carne. Nós aqui falamos em japonês: Shun para si é sinónimo de rosbife.

 

   

Para a carne

1 naco de rosbife

Sal

Alho

 

Para o molho

50g de manteiga

4 chalotas

Cogumelos frescos

50g de foie gras

1 cálice de vinho do Porto

Natas

Sal

 

Delicie-se, onde quer que esteja,

Ele